quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Bloco propõe taxar mais-valias bolsistas


A resolução aprovada na reunião da Comissão Política do Bloco acrescenta ao imposto sobre as grandes fortunas uma proposta para cobrar aos rendimentos de capital uma taxa extraordinária equivalente à que é cobrada aos trabalhadores no subsídio de Natal.
Bloco defende fim dos privilégios de um rendimento de capital que tem beneficiado de vantagens fiscais injustificáveis.
Bloco defende fim dos privilégios de um rendimento de capital que tem beneficiado de vantagens fiscais injustificáveis. Foto DavidDMuir/Flickr
Na conferência de imprensa que se seguiu, José Manuel Pureza referiu-se ao debate nacional sobre a taxação das grandes fortunas, em que "aparecem logo vozes a colocar imensos obstáculos, sempre no sentido de impedir que essas fortunas contribuam". Ao projecto de lei já entregue no Parlamento para criar um imposto de solidariedade sobre as grandes fortunas, o Bloco de Esquerda acrescentou esta segunda-feira uma proposta para o englobamento no IRS das mais-valias bolsistas e outras auferidas por agentes singulares (à taxa do IRS determinada pela matéria colectável), e da tributação em IRC das recebidas por entidades colectivas (à taxa normal de 25%). "Pretendemos assim acabar definitivamente com os privilégios de um rendimento de capital que tem tido o benefício de vantagens fiscais injustificáveis", diz a resolução aprovada.
Outra das propostas é a da cobrança de uma taxa especial de 1/28 em relação a todos os rendimentos de capital de 2011, "equivalente à metade do subsídio de Natal que é cobrada aos trabalhadores".
A Comissão Política bloquista fez a avaliação da situação política e a resolução aprovada manifesta o apoio e participação "nas iniciativas de acção de rua e de protesto que sindicatos e movimentos anunciam para Setembro e Outubro".
Quanto às alterações às leis laborais que a maioria de direita quer aprovar nos próximos dias, José Manuel Pureza disse que irão "facilitar e embaratecer os despedimentos". "Estamos ao lado dos que lutam contra a agressão social", reafirmou o dirigente do Bloco.
Também a questão da mega-base de dados com que o Governo quer juntar dados clínicos e das Finanças dos cidadãos foi novamente levantada pelo Bloco. Depois do chumbo do projecto pela Comissão Nacional de Protecção de Dados, José Manuel Pureza acusa o Governo de incorrer numa “violação gravíssima” da Constituição caso insista em avançar com um projecto que diz ser “uma invasão da privacidade que significa a exposição pública das condições de saúde de cada cidadão”.
“Se um cidadão é detectado a partir desse cruzamento como tendo necessidade de recorrer sistematicamente aos serviços públicos de saúde porque é, por exemplo, doente crónico, isso vai significar que o Estado se prepara para limitar o serviços prestados a esse cidadão”, acrescentou Pureza, para concluir que “este cruzamento de informação vai permitir ao Governo cumprir, da maneira mais perversa, um aspecto do seu programa, que é o chamado programa de benefícios garantidos”.
O anúncio governamental do passe social para quem tenha rendimentos até 545 euros também mereceu críticas do Bloco. “O Governo decidiu fazer agora, porque é esse o significado da medida, o segundo aumento dos transportes públicos, antecipando um outro aumento que se registará normalmente em janeiro”, disse José Manuel Pureza, acusando o Executivo de Passos Coelho de fazer um “ataque muito firme” ao serviço público de transportes e de o desincentivar.
O Bloco insiste ainda em ver esclarecido pelo Governo o desvio nas contas da Madeira de 277 milhões este ano. E considera que uma vez que "a dívida real criada pelo governo regional se aproxima agora dos 7,5 mil milhões de euros, o que à escala de todo o país significaria uma dívida de 300 mil milhões de euros, esta exigência de esclarecimento é fundamental e é determinante para a escolha eleitoral dos madeirenses".

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