terça-feira, 5 de julho de 2011

Finance Watch contra a ditadura dos mercados

Finance Watch é uma nova organização não governamental de âmbito Europeu que tem como objectivo contribuir para a reforma da regulação financeira.
Finance Watch é uma nova organização não governamental de âmbito Europeu que tem como objectivo contribuir para a reforma da regulação financeira
Finance Watch é uma nova organização não governamental de âmbito Europeu que tem como objectivo contribuir para a reforma da regulação financeira
Finance Watch pretende contribuir para a reforma da regulação financeira num sentido que permita restabelecer o equilíbrio entre a finança e a economia, travar o apoio público à indústria financeira, proporcionar a transparência dos mercados financeiros e regulamentar as falências dos bancos na Europa. A nova organização é apoiada por mais de 40 instituições, designadamente associações de consumidores, sindicatos e centrais sindicais, organizações não governamentais com fins diferenciados e membros do Parlamento Europeu a título individual, entre eles Miguel Portas. Pretende também contrabalançar a fortíssima acção de lobing do sector financeiro sobre as instituições europeias.
FiInance Watch adoptou como missão a de servir a sociedade através da representação do interesse público na reforma das regulações financeiras ao nível europeu. Funcionará inicialmente em Londres e Bruxelas e na sua reunião instaladora, realizada quinta-feira na capital belga, elegeu a direcção e o secretário geral.
Entre os membros de Finance Watch figuram a Organização Europeia de Consumidores (BEUC), a Federação Europeia de Investidores (EuroInvestors), a Confederação Europeia de Sindicados (CES), o Centre for Banking, Finance and Sustainable Development da Universidade de Southampton, os Sindicatos Financeiros Nórdicos, a Transparência Internacional, a Oxfam, Amigos da Terra e membros da Comissão de Economia do Parlamento Europeu, entre eles os eurodeputados da Esquerda Unitária (GUE/NGL) Miguel Portas e Jurgen Klute.
A nova organização será não-lucrativa e funcionará com base em trabalho voluntário de ex-funcionários do sector financeiro, que assegurarão a ligação com os membros. Finance Watch é uma organização independente que pretende assegurar os fundos para funcionamento através de contribuições de organizações e membros individuais; procurará também obter financiamento da Comissão Europeia através dos mecanismos relacionados com a actividade de lobing. Todas as receitas serão fiscalizadas pela Comissão de Ética, que tem como objectivo assegurar a independência total em relação à indústria financeira. As informações relacionadas com os financiamentos da organização estarão disponíveis no respectivosítio de internet, onde podem encontrar-se todos os dados sobre membros e actividades.
Na génese de Finance Watch está a resposta a um apelo formulado em 2010 por eurodeputados que na sua actividade se sentem inundados por acções de lobing da indústria financeira. Por exemplo, durante a discussão de uma directiva sobre o FMI a pressão sobre os eurodeputados foi muito forte, caracterizada por 190 reuniões sobre fundos de risco e interesses privados e nenhuma reunião sobre a regulação do sistema financeiro ou a promoção de um sistema financeiro mais associado à sociedade e aos cidadãos. O esclarecimento dos cidadãos e dos legisladores será também fundamental, mesmo em termos de linguagem e conceitos. Por exemplo, clarificar acções relacionadas com os bancos e que se traduzem em privatização dos lucros e socialização dos prejuízos; ou estabelecer a diferença real entre investimento, isto é, utilizar dinheiro com fins produtivos, e “aposta”, que não pode ser considerada investimento.
Na primeira reunião foi eleito como presidente o antigo eurodeputado Leke van der Burg; a vice-presidente será Monique Goyens, directora geral da Associação Europeia de Consumidores. A direcção é constituída por representantes de seis organizações e três membros a título individual. O secretário geral será Thierry Philipponnat, um ex-banqueiro que depois se tornou membro executivo da direcção da Amnistia Internacional em França.
Na sua primeira declaração, Van den Burg afirmou a convicção de que existe entre os decisores europeus uma grande necessidade de informação capaz de contrariar o poder e a capacidade da indústria financeira. “Finance Watch deve ser capaz de abrir as portas a representantes de diferentes perspectivas; a indústria financeira pode ter o dinheiro, mas nós temos a simpatia”, disse.
”Assistimos hoje ao nascimento de uma nova organização dedicada a restaurar o equilíbrio no debate sobre as reformas financeiras”, disse Thierry Philipponnat. “O nível de entusiasmo dos nossos membros e do público em geral por este projecto tem sido extraordinário”, acrescentou.
Os dirigentes de Finance Watch estabelecerão durante o Verão a equipa de trabalho em termos de peritos jurídicos e técnicos e lobistas profissionais; seguir-se-á o estabelecimento de uma rede de advogados, de contactos com a comunicação social, legisladores e reguladores.

Sem comentários:

Enviar um comentário