quarta-feira, 22 de junho de 2011

Estaleiros de Viana do Castelo despedem 380

Administração admite avançar para o despedimento colectivo. Comissão de Trabalhadores diz que trabalhadores "não vão dar tréguas". Governo venezuelano não assinou contrato de compra de 'ferry'.
O coordenador da União de Sindicatos de Viana afirmou que estes despedimentos "irão abrir caminho à privatização"
A administração dos Estaleiros Navais de Viana do Castelo anunciou o despedimento de 380 trabalhadores até ao final do ano. Trabalham actualmente nos estaleiros 720 funcionários. A empresa admitiu tentar uma "solução negociada" mas disse que, caso esta opção não tenha sucesso, poderá avançar para o despedimento colectivo.
Os despedimentos fazem parte do Plano de Reestruturação e Viabilização dos estaleiros, que prevê uma injecção de capital do Estado de 13 milhões de euros. O passivo da empresa é superior a 200 milhões de euros. Em 2010, as contas fecharam com um prejuízo de 40 milhões de euros e com capitais próprios negativos de 70 milhões.
O coordenador da Comissão de Trabalhadores, António Barbosa, recebeu a notícia com "um choque grande" e garantiu que os trabalhadores "não vão dar tréguas" e "irão desenvolver todas as suas influências" para tentar contrariar os planos da administração.
Já o coordenador da União de Sindicatos de Viana afirmou que estes despedimentos "irão abrir caminho à privatização". O sindicalista antevê dias de "grande agitação social", porque os "trabalhadores não irão ficar de braços cruzados a assistir à destruição de uma empresa-âncora no distrito e no país".
O Presidente da Câmara de Viana do Castelo, José Maria Costa, alertou para a grave crise que vai atingir Viana quando forem despedidos os 380 trabalhadores. “Pegou-se pelo lado mais frágil, a viabilização da empresa ainda não está assegurada. Não está consolidado o passivo e houve pressa em anunciar esta situação numa altura em que não temos governo, estamos em transição. Espero que haja bom senso numa empresa importante para a vida da cidade”, disse à TSF.
O autarca disse que vai pedir ajuda ao governo, nem que seja num investimento na reconversão profissional dos trabalhadores a despedir, como aconteceu com a indústria automóvel.
Governo venezuelano não assinou contrato de ferry
Entretanto, a venda do ferry “Atlântida” à Venezuela, um acordo a que a empresa chegara em Fevereiro, continua num impasse, já que as autoridades venezuelanas não assinaram ainda o contrato.
O ferry fora encomendado e posteriormente rejeitado pelo Governo Regional dos Açores. A sua compra pela Venezuela fora anunciada publicamente pelo governo português e pelo executivo de Chávez a 20 de Fevereiro.
“Foi celebrado com pompa e circunstância na Venezuela. Mas nunca chegou a ser assinado, apesar de o nosso representante ter ficado três semanas a aguardar”, disse Carlos Veiga Anjos, presidente do Conselho de Administração dos Estaleiros, que coordenou toda a negociação e que previa a venda por 42,5 milhões de euros.
Recorde-se que em Outubro de 2010, de visita a Portugal, o próprio Hugo Chávez fez questão de ver de perto o navio.

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