sábado, 11 de junho de 2011

Cavaco recomenda exemplo de frugalidade e espírito de sacrifício do interior

O Presidente da República defendeu, esta sexta-feira, que Portugal não pode falhar, pois os custos seria “incalculáveis”, sublinhando a importância de honrar os compromissos assumidos com o exterior e enaltecendo o espírito de sacrifício de quem vive no interior do país.
Cavaco recomenda exemplo de frugalidade e espírito de sacrifício do interior
“A sua frugalidade e o seu espírito de sacrifício são modelos que devemos seguir num tempo em que a fibra e a determinação dos portugueses são postos à prova”, afirmou Cavaco Silva, referindo-se às gentes do interior. Foto de António José/LUSA.
Numa intervenção em que começou logo por ‘avisar’ que “Portugal é mais do que a vida dos partidos e o ruído dos noticiários” e que uma das principais funções do chefe de Estado “consiste, precisamente, em ver mais além do que a política do dia-a-dia”, Cavaco Silva deixou apenas uma nota sobre a situação do país mesmo no final do discurso, frisando que não se pode “falhar”.
Cavaco deixou uma mensagem clara para o país, em particular para o próximo governo, representado na plateia por Pedro Passos Coelho e Paulo Portas, ambos ainda como líderes de partidos da oposição. “Não podemos falhar. Os custos seriam incalculáveis. Assumimos compromissos perante o exterior e honramo-nos de não faltar à palavra dada. (…) É Portugal inteiro que tem de se erguer nesta hora decisiva, um tempo de sacrifícios, de grandes responsabilidades”, disse, com grande solenidade.
O discurso do Presidente da República na sessão solene do 10 de Junho deslocou o eixo das suas preocupações do centro da vida política para o interior do país. Uma metáfora, disse Cavaco Silva no fim.
“Aqui, em Castelo Branco, poderemos buscar no exemplo dos portugueses do interior a inspiração de que precisamos para, uma vez mais, fazer das fraquezas forças e transformar as adversidades em oportunidades”, afirmou Cavaco Silva já no fim da intervenção.
Depois de discorrer sobre as potencialidades do interior e a necessidade de a ele regressar, promovendo a agricultura, o turismo e alguma indústria, o Presidente da República salientou, contudo, que a principal potencialidade do interior é a sua gente. “A sua frugalidade e o seu espírito de sacrifício são modelos que devemos seguir num tempo em que a fibra e a determinação dos portugueses são postos à prova”, afirmou.
Ao longo da sua intervenção, Cavaco Silva afirmou que “as desigualdades territoriais também são desigualdades sociais” e abordou o problema do despovoamento, da interioridade, do abandono dos campos e do problema alimentar daí decorrente.
“Está na hora de mudar de atitude, de desenvolver uma estratégia clara de revalorização do interior do País, incentivando e apoiando o espírito indomável daqueles que aqui vivem e trabalham”, afirmou, notando que a escolha de Castelo Branco para palco destas celebrações do dia 10 de Junho teve precisamente como objectivo colocar o interior do País no centro da “agenda nacional”.
Na cerimónia, foram, ao todo, agraciadas 35 personalidades e instituições, contando com a antiga governante e ex-presidente do PSD Manuela Ferreira Leite e o antigo chefe militar, que abandonou a função de CEMA em 2010, que foram condecorados com a Grã-Cruz da Ordem de Cristo.
 

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