quinta-feira, 26 de maio de 2011

Garantias do Estado à banca já ultrapassam valor de 2009

Entre 2008 e 2009, após a criação do mecanismo de garantias estatais, seis bancos emitiram dividas no montante de 4.950 milhões de euros com o aval do Estado. Actualmente, os pedidos de quatro bancos - BCP, BES, CGD e Banif - já ultrapassam este valor, ascendendo a 5.020 milhões de euros.
Os presidentes executivos da CGD, Faria de Oliveira, Millenium BCP, Carlos Santos Ferreira, e BES, Ricardo Espírito Santo Salgado, durante a conferência Reuters / TSF: "Crise da dívida soberana, riscos ou oportunidades?", em Lisboa, 28 de Fevereiro de 2011. Foto de Mário Cruz, Lusa.
Os presidentes executivos da CGD, Faria de Oliveira, Millenium BCP, Carlos Santos Ferreira, e BES, Ricardo Espírito Santo Salgado, durante a conferência Reuters / TSF: "Crise da dívida soberana, riscos ou oportunidades?", em Lisboa, 28 de Fevereiro de 2011. Foto de Mário Cruz, Lusa.
Entre 2008 e 2009, CGD, BCP, BES e Banif emitiram dívidas com garantia do Estado no valor de 1.250, 1.500, 1.500 e 550 milhões de euros, respectivamente.  A estes valores é somada a emissão de 50 milhões do Banco Invest e de 100 milhões do Finantia, o que perfaz um total de 4.950 milhões de euros.
Os recentes pedidos de emissão de dívida com aval do Estado do BES, BCP, Banif e CGD já ultrapassam este valor, ascendendo a 5.020 milhões de euros.
Terça-feira, o BCP revelou em comunicado enviado à Comissão do Mercado de valores Mobiliários (CMVM) que apresentou ao Banco de Portugal “o pedido de aprovação respectiva para garantia do Estado a um financiamento através da emissão de valores mobiliários de dívida não subordinada, no montante de 1.750 milhões de euros”.
 Esta quarta-feira foi a vez de o Banif emitir um comunicado onde informa que, em conformidade com “o diploma que visa estabelecer e regulamentar a concessão extraordinária de garantias pessoais pelo Estado Português”, tem “intenção de vir a utilizar tais garantias, dependendo a decisão, quanto ao montante e aos termos de tal utilização, das condições do mercado e das alternativas disponíveis”. Segundo notícia o Jornal de Negócios, o valor de emissão de dívida não deverá ser, contudo, inferior a 200 milhões de euros.
 O Banco Espírito Santo (BES) também já teria solicitado ao Banco de Portugal a concessão de uma garantia do Estado para se financiar através da emissão de obrigações não subordinadas até 1.250 mil milhões de euros.
 Para a operação avançar, o Banco de Portugal exigiu ao BES que alterasse os seus estatutos, pelo que a instituição liderada por Ricardo Salgado convocou uma assembleia-geral extraordinária para 9 de Junho. A alteração de estatutos exigida pelo supervisor bancário decorre da necessidade de conferir autorização ao conselho de administração do banco “para deliberar aumentar o capital social no caso de um eventual accionamento da garantia a ser prestada pelo Estado Português”. Trata-se de uma autorização para a administração reforçar o capital até cinco mil milhões de euros.
O banco aproveita assim a exigência legal de precaver a situação de não pagamento das obrigações garantidas pelo Estado - que levaria à entrada imediata do Estado no capital do BES - para pedir autorização para um aumento de capital por forma a elevar o seu rácio de capital.
A Caixa Geral de Depósitos, por sua vez, informou a CMVM que “solicitou ao Banco de Portugal a concessão de uma garantia do Estado Português para um financiamento através da emissão de obrigações não subordinadas, até ao montante de 1.800 milhões de euros, com maturidade máxima de 3 anos”.

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