sexta-feira, 27 de maio de 2011

Cristina Semblano: “Aumento da emigração gera precariedade semelhante aos anos 60”

Cristina Semblano, candidata do Bloco pela Europa, diz ainda que "a sangria que se está a observar vai ter incidências directas na vida” em Portugal. Gustavo Behr, candidato por Fora da Europa, refere que é importante que os emigrantes possam encontrar apoio nos consulados. A candidatura pela Europa divulga lista de apoiantes.
Cristina Semblano, candidata do Bloco pela Europa, diz ainda que "a sangria que se está a observar vai ter incidências directas na vida” em Portugal. - Foto de Paulete Matos
Cristina Semblano, candidata do Bloco pela Europa, diz ainda que "a sangria que se está a observar vai ter incidências directas na vida” em Portugal. - Foto de Paulete Matos
A candidatura do Bloco de Esquerda pelo círculo da Europa divulgou uma lista de apoiantes à sua candidatura (aceda aqui à lista). A cabeça de lista, Cristina Semblano, economista e emigrada em França desde 1972, alerta que o aumento da emigração está a gerar situações de precariedade semelhantes às dos anos 60 e acentua que a maioria das pessoas que estão a emigrar não são qualificados, estimando que por cada 2 trabalhadores qualificados há 7 que o não são.
Em entrevista à agência Lusa, a cabeça de lista do Bloco pela Europa declara: "A maioria dos portugueses que vêm para a Europa vêm trabalhar na construção civil e muitos estão a viver em barracas [nas obras] que se tornarão daqui a algum tempo os bairros de lata dos anos 60". E sublinha: "Há muita gente desqualificada entre os 30 e os 50 anos que está a chegar aos países da Europa, muitos deles com filhos e durante todo o ano. Encontramos aqui crianças em idade escolar que chegam em Janeiro com todos os problemas de integração que isso implica".
Cristina Semblano considera que "a sangria que se está a observar vai ter incidências directas na vida social, económica e demográfica portuguesa: vai diminuir ainda mais a taxa de natalidade, contribuir para o envelhecimento e privar o país das forças vitais necessárias ao crescimento sustentável da economia". Por isso, defende que é necessário mudar em Portugal as políticas de investimento, de produtividade e emprego e fiscais.
Cristina Semblano defende que sejam criadas estruturas nos consulados para apoiar os emigrantes, que estão “completamente abandonados”; propõe a realização de um estudo para saber onde está implantada a emigração portuguesa, nomeadamente os novos fluxos; considera que a estratégia de promoção da língua portuguesa passa pela sua integração nos currículos escolares dos países de acolhimento, uma opção que terá que contar com o empenho da diplomacia portuguesa ao mais alto nível.
Também em entrevista à agência Lusa, Gustavo Behr jurista e cabeça de lista do Bloco pelo círculo Fora da Europa, afirma: "É muito importante que os consulados possam desenvolver estratégias e tomar medidas relativamente às novas questões que podem surgir. É importante que os emigrantes possam encontrar no consulado apoio, tanto social, como relativamente aos desafios da integração ou às necessidades de articulação entre o consulado e as autoridades locais".
Gustavo Behr destaca ainda a importância das remessas dos emigrantes, dizendo que "é preciso que seja mais facilitada [a transferência de dinheiro] e que continue satisfatório para os emigrantes fazer essas poupanças em Portugal" e sublinha a importância de os emigrantes "fazerem chegar a sua voz às autoridades portuguesas", quer seja através das eleições, do seu movimento associativo ou dos conselhos consultivos que existem.

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