A CGTP defende que a descida de 0,7% do número de inscritos nos centros de emprego em Março não implica que existam menos desempregados mas sim que há menos pessoas a receber o subsídio de desemprego.
Paralelamente aos desempregados que são eliminados das estatísticas existem também "trabalhadores que deixaram de acreditar que os centros de emprego podem resolver os seus problemas, por isso deixaram de lá ir". Foto de Paulete Matos.
Ao contrário do que possa parecer à primeira vista, o ligeiro decréscimo do número de inscritos nos centros de emprego não implica, conforme clarifica a CGTP, uma diminuição da taxa de desemprego, mas sim uma eliminação das estatísticas dos desempregados que, face às novas regras introduzidas em 2010, deixam de ter acesso à prestação de desemprego.
Os números divulgados pelo Instituto do Emprego e Formação Profissional (IEFP), que apontam para uma diminuição de 3,5% do número de desempregados inscritos nos centros de emprego comparativamente ao mesmo mês de 2010 e de 0,7% face a Fevereiro, já reflectem, de facto, e segundo defende o dirigente da CGTP, Arménio Carlos, “as alterações que foram feitas ao subsídio de desemprego”.
“O que podemos constatar”, conforme avança o dirigente sindical, “é que, de Fevereiro de 2010 a Fevereiro de 2011, temos menos 71 mil beneficiários que deixaram de receber o subsídio de desemprego ou subsídio social de desemprego”. Esta é “a grande questão”, alerta Arménio Carlos, “os desempregados existem mas não recebem qualquer subsídio",
Paralelamente aos desempregados que são eliminados das estatísticas existem também "trabalhadores que deixaram de acreditar que os centros de emprego podem resolver os seus problemas, por isso deixaram de lá ir", adianta o sindicalista.
"O que desejaríamos é que estes dados fossem acompanhados de uma redução significativa do número de desempregados em resultado do crescimento do emprego e o emprego está a ser destruído", afirmou Arménio Carlos, lembrando que, nos últimos anos, foram destruídos cerca de 300 mil postos de trabalho no nosso país.
A CGTP defende medidas excepcionais de apoio aos desempregados que não recebem qualquer subsídio e a redução do período de garantia de 465 dias para 365 dias, "de forma a garantir que os desempregados tenham acesso ao subsídio de desemprego e que o subsídio social de desemprego seja prolongado enquanto durar esta crise".
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