Em Angola uma manifestação convocada pelas redes sociais redundou numa concentração de vinte pessoas. Que foram imediatamente presas, sem acusação, interrogadas com laivos de tentativa de humilhação e finalmente libertadas, após dez horas de cárcere. A Constituição angolana prevê o direito à livre expressão e ao direito de manifestação. Mas é pura retórica. Aliás, alguns dos porta-vozes do regime ameaçaram mesmo de “neutralização” quem ousasse participar no evento. O medo parece ter resultado. Por enquanto…Mas o próprio poder demonstra um grande receio, com reacção tão desproporcionada. Anda por aí um grande pavor face às revoltas populares. É que o povo, essa entidade abstracta, quando perde o medo conquista as ruas.
Se Angola não é uma ditadura, parece. Eduardo dos Santos está há 32 anos no poder e é tão temido quanto corrupto, dando o exemplo à degenerada classe dominante. As classes populares não ultrapassam o limiar da pobreza, apesar das enormes riquezas do país, cada vez mais submetido às multinacionais americanas e chinesas. O MPLA deixou há muito de ser um partido socialista e emancipador. Que sejam os jovens de Luanda adeptos do rap e da mistura afro-electrónica a semear a dissensão é um sinal de esperança. Luuuunda, ouvir-se-á de novo o grito?
PS e PCP adulam o regime angolano. Os primeiros ao cheiro dos investimentos, os segundos pela observância do dogma sectário de uma “tradição”. Não usemos eufemismos: não há liberdade nem justiça em Angola.
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