quinta-feira, 24 de março de 2011

Eurostat prevê que défice de 2010 venha a ser corrigido e ultrapasse os 8%

Ao contrário do que tem vindo a afirmar o governo português, o Eurostat prevê que o défice orçamental de 2010 poderá ultrapassar os 8%. A derrapagem deve-se aos gastos com as empresas públicas de transporte e ao buraco do BPN.
O Eurostat prevê que o défice de 2010 possa ultrapassar os 8%, contrariando as previsões do governo, que tem vindo a anunciar um défice de 7%. Foto de Manuel de Almeida/LUSA.
O Eurostat prevê que o défice de 2010 possa ultrapassar os 8%, contrariando as previsões do governo, que tem vindo a anunciar um défice de 7%. Foto de Manuel de Almeida/LUSA.
Segundo noticia o Diário Económico esta quarta-feira, o Gabinete de Estatísticas da União Europeia  (Eurostat) está em conversações com o INE para corrigir as contas de 2010. O Eurostat prevê que o défice de 2010 possa ultrapassar os 8%, contrariando as previsões do governo, que tem vindo a anunciar um défice de 7%.
A confirmar-se esta derrapagem, o governo não terá cumprido a meta prometida aos portugueses, à Comissão Europeia e aos mercados de dívida.
Segundo apurou o Diário Económico, a desconformidade entre o valor avançado pelo governo socialista e o défice efectivamente registado em 2010 é justificado pelos gastos com as empresas públicas de transporte e o buraco do BPN.
João Cravinho considera que se rompeu a confiança em torno do governo
Reagindo à discrepância dos valores do défice orçamental de 2010, João Cravinho, antigo ministro socialista, em declarações à Rádio Renascença, afirmou que se "rompeu” a “confiança em torno do governo".
"Há regras de contabilização de encargos, de despesas, de inscrições orçamentais segundo os anos em que devem ocorrer e, portanto, eu suponho que o Eurostat queira que sejam cumpridas e não haja excepções. Em matéria de contabilidade pública (...) sejam quais forem as regras é preciso que sejam aplicadas com bom senso, mas também com verdade", defendeu João Cravinho, advogando que a "criatividade" e os "malabarismos" contabilísticos já estão esgotados.
Perante a perda de confiança no governo de José Sócrates, o ex-ministro do Equipamento, do Planeamento e da Administração do Território do governo socialista de António Guterres  defende que o país deve ir a votos.

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