sábado, 12 de março de 2011

A censura descerá à rua

Clarificado o cenário político, a censura não se esgota com o voto na Assembleia da República.
O debate da Moção de Censura que o Bloco de Esquerda apresentou “em defesa das gerações sacrificadas” culminou com a clarificação política que se esperava. A direita, que serviu de apoio aos PECs e ao orçamento da austeridade, continua a sustentar o Governo. Caiu por terra a postura ameaçadora do PSD, do discurso recorrente sobre uma moção de censura… Afinal, cão que ladra…
O mote já tinha sido dado por Passos Coelho. Na noite em que a moção de censura foi anunciada, ainda sem conhecer o seu conteúdo, o presidente do PSD veio dizer que ainda era o tempo do PS governar. Ainda foi mais longe logo a seguir, descansando José Sócrates, ao assegurar que o PSD estaria disponível para aprovar mais medidas de austeridade. O PSD sabe bem de quem é o programa que está a levar a cabo o governo de José Sócrates…
A censura é pela clarificação, mas não deixa de apurar responsabilidades. A censura é a defesa da Democracia, porque foi à Democracia que falhou o Partido Socialista ao rasgar o seu compromisso eleitoral e o programa de Governo. O PS faltou à Esquerda, quando era mais necessário que existisse uma resposta de Esquerda para as dificuldades do país.
A censura é o grito de toda uma geração, a mais formada de sempre, que se encontra desperdiçada entre o desemprego e a precariedade. É, também, a indignação por quem vive num país com mais de 700 000 desempregados e vê que o governo, em vez de criar emprego, está mais preocupado em facilitar despedimentos. É a revolta de quem se vê chamado a pagar mais impostos, porque dizem que os sacrifícios têm de ser repartidos por todos, mas depois percebe que a banca, tendo mais lucros, pagou menos impostos. É a raiva de quem vê o corte no seu ordenado, mas continua a assistir ao pagamento de salários milionários aos gestores. É a ira de quem vê fechar o seu centro de saúde, encerrar o SAP, fugir o seu Médico de Família, de quem vê as horas passar enquanto desespera à espera nas urgências, porque o governo diz que temos de racionalizar os recursos e, depois, percebe quanto se desperdiça nas Parcerias Público-Privadas e como os privados fazem cada vez melhores negócios na saúde. É a indignação de quem não se conforma com a submissão aos ditames da senhora Merkel e exige da Europa o seu Estado Social. É o grito de quem diz basta aos mercados da dívida, pois não aceitamos que o BCE continue ao serviço da especulação em vez de ser a âncora da estabilidade dos Estados. É o inconformismo de quem não aceita a inevitabilidade deste mundo parvo…
A moção de censura foi chumbada pelo bloco que sustenta as políticas de direita. Clarificado o cenário político, a censura não se esgota com o voto na Assembleia da República. A censura é pelo futuro das gerações sacrificadas e por elas será continuada. A censura descerá à rua já no dia 12 de Março e marca novo encontro para dia 19. A censura é por um outro futuro e, disso, não abdicamos.

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