segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Governo desistiu de criar reserva alimentar?

Bloco de Esquerda quer saber de que modo vai o governo proteger o país da volatilidade dos preços agro-alimentares, e que medidas pensa tomar para diminuir o impacto da escalada dos preços.
Ministro da Agricultura referiu que Portugal não tem condições para criar uma reserva alimentar, sem explicar as razões dessa falta de condições. Foto de nmorao
O Bloco de Esquerda endereçou um requerimento ao Ministro da Agricultura, do Desenvolvimento Rural e das Pescas alertando para a nova escalada dos preços internacionais dos produtos agrícolas básicos, que voltaram a atingir valores máximos em Janeiro, superiores aos verificados durante a dramática subida dos preços agro-alimentares de 2007/2008.
Os preços destes produtos, aponta o Bloco, mantêm-se elevados e em crescimento, sem qualquer correspondência com a economia real da produção e do comércio agro-alimentar, e são vítimas de uma forte especulação financeira.
O requerimento recorda que os aumentos dos preços alimentares “fizeram crescer a pobreza no mundo e despoletaram revoltas populares em vários países de economias mais débeis, como no caso de Moçambique e, recentemente, na Tunísia e Egipto. O resultado geral é o agravamento da dependência alimentar de países que importam grande parte da sua alimentação.”
Portugal não é excepção, afirma o Bloco, que defende a urgência de definir uma estratégia de crescimento da produção agrícola e de constituição de uma reserva alimentar, por razões de segurança no abastecimento das populações, mas também de resistência à especulação que joga nas debilidades e desregulação dos mercados agrícolas.
A generalidade das produções agrícolas nacionais diminuiu no ano passado, com excepção do azeite e do vinho, agravando a dependência alimentar de Portugal do exterior e diminuindo a capacidade de aprovisionamento nacional. O país continua a importar cerca de metade das suas necessidades de consumo de produtos agro-alimentares.
Apesar disso, o ministro da Agricultura referiu que Portugal não tem condições para criar uma reserva alimentar, sem explicar as razões dessa falta de condições, e que essa é uma questão que deve ser coordenada a nível internacional.
Dada a gravidade da situação, o Bloco de Esquerda quer saber se o governo pensa demitir-se da sua responsabilidade de criação de uma reserva alimentar que garanta níveis mínimos de segurança do abastecimento. Em caso negativo, de que modo vai o governo proteger o país da extrema volatilidade dos preços agro-alimentares?, questiona o partido, que quer também saber que medidas pensa o governo tomar para diminuir o impacto da escalada dos preços agro-alimentares nos consumidores e na indústria, e que iniciativas já tomou o governo para aumentar a produção agrícola, suster o abandono das terras agrícolas e a diminuição da população activa nesse sector de cada vez maior importância estratégica.

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