sábado, 19 de fevereiro de 2011

Denunciado esquema do Santander Totta para pagar menos impostos

Banco usava sucursal do Luxemburgo para pôr em movimento um esquema de triangulação que lhe permitia maximizar os lucros e pagar menos impostos. Bloco de Esquerda questiona o governo sobre fuga aos impostos dos bancos.
Esquemas de planeamento fiscal visam reduzir os impostos a pagar ao Estado. Foto de Cayetano, FlickR
O Bloco de Esquerda quer saber que medidas tenciona o governo implementar para travar os esquemas de fuga dos bancos aos impostos em Portugal, apontando o caso denunciado pelo jornalPúblico envolvendo o banco Santander Totta como exemplo desses esquemas.
O banco teria utilizado dois fundos – com os nomes de Ptif e Taf –, que movimentavam 350 milhões de dólares e que circularam durante anos nas praças financeiras do Luxemburgo, de Londres e das ilhas Caimão, fazendo triangulações que permitiram à casa-mãe (em Portugal) aumentar os seus custos e assim reduzir o pagamento de impostos, ao mesmo tempo que obtinha proveitos mais elevados nas ilhas Caimão, onde fica livre de impostos.
A revelação da existência no Santander Totta de sociedades usadas para fazer planeamento fiscal foi feita em Maio, em tribunal, por Isabel Ramos de Almeida, ex-directora do Santander, no quadro de um diferendo laboral movido por Jorge Dias, chefe da sucursal do banco no Luxemburgo, contra a administração, e no qual prestou declarações na qualidade de testemunha do banco.
Jorge Dias ainda explicou ao Público que aqueles fundos eram investidos em condições anormais, e que nunca passou as declarações fiscais dos rendimentos dessas aplicações, porque a administração do banco nunca o informou sobre quem eram os beneficiários económicos últimos.
Esquemas de planeamento fiscal
Na pergunta dirigida ao Ministério das Finanças e ao Banco de Portugal, o Bloco de Esquerda afirma que “é um facto conhecido que os bancos recorrem a esquemas de planeamento fiscal, como aquele agora denunciado, para reduzir os impostos a pagar ao Estado. É este o principal factor justificativo para que continuem a apresentar avultados lucros, e a enfrentar taxas efectivas de IRC na ordem dos 5%, como tem sido avançado pelos balanços consolidados da Associação Portuguesa de Bancos.”

O Bloco de Esquerda recorda que tem denunciado constantemente o recurso a práticas de planeamento fiscal, considerando inadmissível que instituições bancárias, porque têm acesso a instrumentos e mecanismos pouco regulamentados e supervisionados, possam pagar menos impostos, e assim contribuir menos para as receitas fiscais, que um comerciante ou trabalhador comum.

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