O presidente do sindicato dos maquinistas da CP, António Medeiros, disse esta manhã, terça-feira, que a adesão à greve foi de 100 por cento, acrescentando que apenas os serviços mínimos foram cumpridos.
Até às 9 estiveram apenas a funcionar 25 por cento dos comboios que habitualmente circulam, não havendo alfa pendulares, inter-cidades e regionais até cerca das 10 horas da manhã. Foto Paulete Matos.
António Medeiros sublinhou ainda que só a partir das 9h é que a circulação foi normalizada, de forma gradual.
Os maquinistas da CP iniciaram esta terça-feira às 5h uma greve para contestar o corte de salários que resulta das medidas de austeridade do Governo, na véspera da paralisação dos revisores e comerciais das bilheteiras da CP.
Até às 9 estiveram apenas a funcionar 25 por cento dos comboios que habitualmente circulam, não havendo alfa pendulares, inter-cidades e regionais até cerca das 10 horas da manhã.
Entre a meia-noite a e as 6h da manhã, a greve dos maquinistas da CP provocou "supressões na ordem dos 94 por cento de comboios previstos", revelou à Lusa a porta-voz da empresa, Ana Portela. Não houve garantia de transportes alternativos.
Segundo Ana Portela, entre as 0h e as 6h, foi suprimido um comboio Alfa, o único que estava programado, um comboio inter-regional e 20 comboios regionais, a totalidade dos que estavam programados. Nos comboios urbanos, em Lisboa foram suprimidos 32 dos 36 programados, no Porto dos 11 que estavam previstos realizou-se apenas um e em Coimbra foram suprimidos os dois que estavam previstos.
Até às 0h, o impacto da greve dos maquinistas levou à supressão de dois comboios internacionais, o Sud Expresso e o Lusitânia.
A porta-voz da empresa admite, no entanto, que será difícil regularizar a circulação dos comboios, nomeadamente na região de Lisboa, durante o dia de terça-feira. “A reposição de serviço demora algum tempo e, mesmo quando alguma normalidade for retomada, começaremos a ser afectados pela greve de amanhã [quarta-feira], que tem impacto já hoje ao final do dia”, explicou Ana Portela.
Na quata-feira estarão em greve os trabalhadores comerciais da CP, como os revisores e os vendedores das bilheteiras, que também contestam os cortes salariais e as medidas de austeridade do Governo, além das privatizações no sector dos transportes.
A greve dos trabalhadores comerciais poderá afetar muito a circulação ferroviária uma vez que a circulação de um comboio não pode, segundo a lei, ser assegurada apenas pelo maquinista, sendo necessário o revisor.
Sindicato contradiz CP e garante que trabalhadores cumpriram serviços mínimos
A greve dos maquinistas da CP resultou em força e a empresa respondeu com a imposição de serviços mínimos alargados, denunciou o sindicato que garantiu que os trabalhadores cumpriram os serviços mínimos decretados para a greve desta manhã e acusou a CP de incluir “comboios e condições de circulação” que não constavam na decisão do tribunal.
A porta-voz da CP, Ana Portela, disse à Lusa que a empresa quer processar os trabalhadores que não cumpriram os serviços mínimos decretados para a greve dos maquinistas, avançando que "o conselho de administração já deu instruções no sentido de serem instaurados procedimentos disciplinares aos trabalhadores” em alegado incumprimento.
Já o presidente do Sindicato dos Maquinistas, António Medeiros, assegurou à Lusa que os trabalhadores cumpriram os serviços mínimos “de acordo com a deliberação do Tribunal Arbitral e não com a opção que a empresa tomou”.
O sindicalista disse que a CP “quis atribuir outros comboios e condições de circulação que não estavam incluídas na decisão” do Tribunal Arbitral, que decretou os serviços mínimos. “Nós cumprimos a lei. A empresa quis colocar-se fora da lei, exorbitando das competências que lhe cabem”, afirmou António Medeiros.
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