Primeira mulher presidente da história do Brasil promete prioridade à erradicação da pobreza extrema, mas ministro das Finanças fala em “mão pesada” nas contas do governo.
Michel Temer, presidente do Congresso, Dilma Rousseff, Lula e a mulher, Marisa. Foto da Agência Brasil
Dilma Rousseff tomou posse este sábado do cargo de Presidente da República do Brasil com um discurso em que anunciou: “Venho para consolidar a obra transformadora do presidente Luiz Inácio Lula da Silva”. Eleita com 56 milhões de votos no segundo turno, Dilma citou como prioridades saúde, educação e segurança pública, e prometeu empenho nas reformas política e tributária.
“A luta mais obstinada do meu governo será pela erradicação da pobreza extrema e criação de oportunidades para todos”, enunciou a primeira mulher presidente da história do Brasil. “Uma expressiva mobilidade social ocorreu nos dois mandatos do presidente Lula, mas ainda existe pobreza a envergonhar nosso país”. “Não vou descansar enquanto houver brasileiros sem alimentos na mesa, enquanto houver famílias no desalento nas ruas, enquanto houver crianças pobres abandonadas à própria sorte”, disse a presidente, que acenou aos partidos de oposição, particularmente o PSDB de José Serra: “Mais uma vez estendo minha mão aos partidos de oposição.”
Terminado o discurso, Dilma recebeu cumprimentos de autoridades estrangeiras, como a secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, e os presidentes Hugo Chávez (Venezuela), José Mujica (Uruguai) e Sebastián Piñera (Chile). Depois, de braço dado com Lula, caminhou até a rampa do Palácio do Planalto, onde se despediu do antecessor.
Após a despedida, Lula causou grande agitação ao dirigir-se ao público que assistia à cerimónia, onde permaneceu por vários minutos. De lá, dirigiu-se à base aérea acompanhado da mulher, Marisa Letícia, onde embarcaram num avião para São Paulo.
Composição do governo
Dos 37 ministros do governo de Dilma, 17 são filiados ao PT, seis ao PMDB e dois ao PSB. O PP, o PDT, o PR e o PCdoB ficaram com uma pasta cada. Há nove mulheres, menos do terço que seria o objectivo de Dilma.
Catorze ministros transitam do governo anterior. Na nova equipa ministerial, o destaque vai para António Palocci, o ministro da Casa Civil, uma espécie de primeiro-ministro, que faz a ponte entre todos os ministérios. Foi o primeiro ministro das Finanças de Lula, notabilizando-se pela política neoliberal que aplicou na época.
Guido Mantega mantém-se à frente das Finanças. Já advertiu para o perigo da inflação, que ultrapassa as metas do governo, e prometeu ter “mão pesada” nas contas do governo.
Nelson Jobim também se mantém no Ministério da Defesa. Ministro muito elogiado pelo embaixador dos EUA nos telegramas divulgados pela WikiLeaks, permanece no governo, ao contrário de Celso Amorim, dos Negócios Estrangeiros, que os telegramas classificavam como “anti-americano”. No lugar deste diplomata, considerado o cérebro da política externa de Lula, entra Antonio Patriota, ex-embaixador do Brasil em Washington e com boas relações com as autoridades norte-americanas.
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