Paulo Campos, Secretário de Estado Adjunto das Obras Públicas e das Comunicações, nomeou dois dos seus sócios na empresa de produção de espectáculos Puro Prazer para a administração dos CTT.
Este não é o primeiro caso que aponta para práticas pouco transparentes no gabinete do secretário de Estado do PS. Foto de Manuel de Almeida, Lusa.
Em 2005, Paulo Campos nomeou Marcos Afonso Vaz Batista para a administração dos CTT e de outras cinco empresas do grupo.
Em 2009, é a vez de Luís Manuel Pinheiro Piteira ser convidado a integrar a administração da Empresa de Arquivo de Documentação (EAD), do grupo CTT. A estas funções soma-se, já em 2010,o papel de administrador de outra empresa dos CTT, a “Payshop”.
Tanto Marcos Afonso Vaz Batista como Luís Manuel Pinheiro Piteira foram sócios do secretário de Estado do PS na empresa Puro Prazer, criada em 1994 e extinta em 2008.
A Secretaria de Estado das Obras Públicas e Comunicações negou a existência de qualquer processo transparente, afirmando que os dois responsáveis foram escolhidos “pela sua vasta experiência na área da gestão no sector público e privado bem como em multinacionais” e que a lei foi cumprida. Segundo o gabinete de assessoria de comunicação da Secretaria de Estado, Marcos Afonso Vaz Batista e Luís Manuel Pinheiro Piteira foram solicitados pela secretaria de Estado à empresa Águas de Portugal e do Millennium/BCP, respectivamente, e foram escolhidos pela sua “vasta experiência na área da gestão no sector público e privado bem como em multinacionais - ou seja preparados para trabalhar em qualquer sector/área - e/ou pela sua experiência e conhecimento específico”.
Até à data, não se conhecem declarações do Ministro das Obras Públicas, Transportes e Comunicações sobre esta matéria.
Práticas pouco transparentes associadas ao gabinete de Paulo Campos
Este processo não é inédito no que respeita à existência de indícios de práticas pouco transparentes associadas ao gabinete de Paulo Campos.
Pedro Bento, assessor deste secretário de Estado entre 2008 e 2009, foi nomeado em outubro do ano passado como único administrador executivo do SIEV - Sistema de Identificação Electrónica de Veículos S.A., sociedade pública criada pelo governo para autorizar, gerir e fiscalizar todo o sistema de chips de matrículas e de portagens exclusivamente electrónicas nas SCUT. Em março deste ano, Pedro Bento tornou-se no representante máximo em Portugal da Q-Free ASA, fabricante norueguês que forneceu os equipamentos aprovados e instalados nos pórticos das três concessões de auto-estrada e responsável pelo fornecimento dos chips electrónicos.
Paulo Campos, questionado sobre este processo, afirmou que "Não existindo, como não existe, qualquer impedimento ou incompatibilidade legal, essa matéria é do foro ético e pessoal de cada um, pelo que não tenho qualquer comentário a fazer".
Sem comentários:
Enviar um comentário