sábado, 20 de novembro de 2010

Portugal reforça contingente no Afeganistão

José Sócrates anunciou que Portugal está disponível “para reforçar a participação portuguesa na missão de treino das forças afegãs”. Durante a conferência de imprensa, o primeiro-ministro afirmou também haver um consenso no que respeita ao novo conceito da NATO.
Novo conceito da NATO permitirá o alargamento do seu espaço de intervenção e aprofundar a sua posição de polícia do mundo. Foto de Isafmedia
Novo conceito da NATO permitirá o alargamento do seu espaço de intervenção e aprofundar a sua posição de polícia do mundo. Foto de Isafmedia
No final do encontro com o secretário-geral da NATO, Anders Fogh Rasmussen, o primeiro-ministro português declarou que Portugal está disponível para reforçar o seu contingente militar no Afeganistão.
Segundo o que foi anunciado por Anders Rasmussen, a NATO irá dar início a uma nova fase de intervenção, já a partir de 2011, que visa a passagem da responsabilidade pelo controlo do território do Afeganistão para as forças de segurança afegãs, a concretizar-se em 2014.
A presença de Portugal no Afeganistão mereceu o elogio de Hillary Clinton, que afirmou que a "a missão no Afeganistão, é do interesse vital da segurança de ambos os nossos povos" e que a participação do nosso país "É vital e o trabalho a treinar as forças afegãs junto com outro apoio logístico e operacional é profundamente apreciado".
Sócrates anuncia consenso em questões chave
O primeiro-ministro português anunciou que existe um consenso relativo a questões chave que estão em discussão na NATO. Se por um lado, o governo português apoia a intervenção da NATO no Afeganistão, o primeiro-ministro português esclareceu que existe igualmente um consenso no que toca ao novo conceito estratégico, a “nova versão 3.0”, segundo palavras do secretário-geral Anders Rasmussen, “uma Aliança adaptada aos desafios de segurança do século XXI”.
O que realmente está em discussão é o alargamento do espaço de intervenção da NATO. Pretende-se confirmar a presença extra ocidental da agência – aprofundar a sua posição de polícia do mundo.
Para os EUA, o objectivo é manter a hegemonia política da decisão, mas assegurar a repartição dos custos decorrentes da guerra permanente. Para a UE, a finalidade é aumentar o seu peso político na NATO, mas com o menor custo possível, já que as medidas de austeridades entram em contradição com os custos militares.
Governo afegão é ‘marioneta’
Na sua recente visita a Portugal, durante a qual participou na conferência Nato para Quê?, organizada pela CULTRA, Mariam Rawi, activista da Rawa, associação revolucionária de mulheres afegãs, denunciou o clima de violência permanente em que está mergulhado o território afegão.
A activista defendeu que um governo após ocupação será, na realidade, um governo “marioneta”, que irá assegurar os objectivos económicos e militares dos EUA, nomeadamente a utilização do Afeganistão como base militar. Os fundamentalistas actualmente no poder, não são, segundo a mesma, melhores que os talibãs. As forças policiais oficiais estão, inclusive, muitas vezes envolvidas nas agressões contra o povo afegão.
Mariam Rawi relembrou ainda que a eleição do actual presidente afegão, Hamid Karzai, ocorreu de forma manifestamente irregular. As eleições foram muito pouco participadas (40%) e registaram-se inúmeras queixas de irregularidades.

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