Depois da PT e da Jerónimo Martins, a Semapa anuncia distribuição de dividendos ainda este ano, evitando que os accionistas paguem mais impostos. A sua participada Portucel fez o mesmo.
Cavaco Silva, cumprimenta o empresário Pedro Queiroz Pereira, presidente da Semapa, durante a inauguração da Fábrica de Papel do Grupo Portucel-Soporcel, em Setúbal, em Novembro de 2009. Foto JOSÉ LUÍS COSTA/LUSA
Em comunicado enviado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), a Semapa, que tem negócios na área do papel, do cimento e da geração de energia informou que o conselho de administração, “tendo em conta a evolução favorável dos resultados no decurso do exercício de 2010 e a existência de liquidez compatível com adiantamentos sobre os lucros”, decidiu proceder a um adiantamento sobre os lucros de 2010 no montante de 29.481.173,48 euros, equivalente a 0,255 euros por acção.
O facto de os dividendos serem pagos ainda em Dezembro beneficia os accionistas e prejudica o Estado, que deixa de arrecadar impostos sobre a distribuição dos lucros cujo agravamento está previsto no Orçamento de 2011. O mesmo tinha sido já feito pela Portucel, que é detida em 76,95% pela Semapa.
No início do mês, a Portugal Telecom já anunciara que iria distribuir um dividendo extraordinário decorrente da venda da operadora brasileira Vivo. Na altura, o ministro das Finanças, Teixeira dos Santos, criticou a decisão, dizendo que dava a ideia de a PT querer fugir aos impostos. Os representantes da Caixa Geral de Depósitos, porém, votaram a favor da antecipação no conselho de administração. E o governo nada mais fez
Na semana passada, foi a vez da Jerónimo Martins. Sublinhe-se que não é habitual pagar aos accionistas lucros obtidos no ano em causa. A antecipação da distribuição de dividendos é assim uma medida clara para fugir aos impostos, num momento em que o governo tanto fala de sacrifícios para sair da crise.
A Semapa, criada em 1991, opera em três sectores: pasta e papel (67% da Portucel), cimento (51% da Secil) e na geração de energia a partir de fontes renováveis (90% da Enersis). O Grupo Portucel, um dos cinco maiores produtores europeus do sector, é líder na Península Ibérica.
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