sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Criador da Web critica redes sociais

Tim Berners-Lee diz que Facebook, LinkedIn, Friendster e outros põem em causa a universalidade da web criando “silos”, separados por um muro dos outros sites.
Tim Berners Lee: quando criou a web, baseou-a na universalidade e descentralização
Tim Berners-Lee, o criador da web há 20 anos, publicou esta semana um extenso artigo na revista Scientific American em que alerta que as redes sociais estão a pôr em risco os princípios fundamentais com que concebeu a rede. A Web corre ainda outros riscos, adverte, como o da violação do princípio da neutralidade da net, a censura e a intromissão de governos que querem controlar um espaço que por definição é democrático.
O perigo das redes sociais como o Facebook, o LinkedIn, o Friendster e outros é que põem em causa a universalidade da web. Elas “criam valor capturando informação à medida em que ela é introduzida: a data de aniversário, o e-mail, as preferências, os links indicando quem é amigo de quem e quem está em tal fotografia”, diz Berners-Lee. A questão é que estes sites reúnem estas informações em bases de dados e reutilizam-nas para oferecer serviços de valor acrescentado – mas só no interior desses mesmos sites. “Cada site é um silo, separado por um muro dos outros sites. Sim, as suas páginas nesse site [como o Facebook] estão na web, mas não os seus dados. Você pode aceder a uma página web sobre uma lista de pessoas que criou num site, mas não pode enviar essa lista, ou itens dela, para outro site.”
Este isolamento existe, explica Berners-Lee, porque cada peça de informação não tem uma URI, ou URL, os endereços universais da web. Pode-se fazer um link para uma página do Facebook, mas só quem estiver no Facebook tem acesso a ela. “O seu site de rede social torna-se uma plataforma central – um silo de conteúdo fechado, e que não lhe dá pleno controlo sobre a sua informação”, explica o cientista britânico.
Tão grande que se torna monopólio
Ora a universalidade e a descentralização são princípios fundamentais da Web, que a tornaram aquilo que ela é hoje. Qualquer cibernauta pode criar um site e fazer link para qualquer outro – sem pedir autorização a ninguém e sem ter muros que barrem o acesso. Só assim se pode tecer a teia (web). Mas pôr em causa esses princípios é pôr em causa a continuidade da net como a conhecemos.
Outro perigo relacionado com este, afirma Berners-Lee, numa alusão evidente ao Facebook e ao Google, é quando uma rede social, ou um site de pesquisa, fica tão grande que se torna monopólio, o que tende a limitar a inovação.
Berners-Lee critica também o software iTunes, da Apple, que usa links aos quais só se pode aceder se se tiver o respectivo software. “Não se pode mandar esse link a outra pessoa. Deixa-se de estar na Web. O mundo iTunes é centralizado e emparedado. A pessoa fica agarrada a uma única loja, em vez de estar num mercado aberto.”
O cientista critica igualmente a tendência de revistas de criarem aplicações para smartphones, em vez de aplicações Web, “porque o material fica fora da Web. Ninguém pode fazer um link ou twitá-lo”. Melhor seria, defende, fazer aplicações web que também funcionassem nos browsers dos smartphones.
Neutralidade da net
Para concluir, o criador da web aponta para os perigos que rondam sobre a neutralidade da net – isto é, “se eu pago por uma ligação à Internet com uma certa qualidade, digamos, 300 Mbps, então todas as comunicações devem ocorrer com essa qualidade”, sem discriminação. Berners-Lee adverte contra um acordo entre a Verizon e a Google, que poria em causa esta neutralidade nas comunicações móveis.
Finalmente critica medidas totalitárias de governos, como a tentativa que o governo chinês terá feito de entrar no servidor da Google para tentar obter dados de opositores chineses, ou de governos como o francês ou o britânico que avançaram com legislação para desligar da Internet pessoas suspeitas de infringir a legislação de direitos de autor.
Leia o artigo completo (em inglês):

Sem comentários:

Enviar um comentário