terça-feira, 16 de novembro de 2010



COMUNICADO DE IMPRENSA

Alcanena tem sido, desde há muitas décadas, uma vila assolada pela poluição. Esta, inicialmente proveniente da laboração da indústria de curtumes em condições deficientes, que nunca tiveram em linha de conta a preservação do ambiente e da qualidade de vida das pessoas, tem agora outras “nuances” e origens.
                Em 1986 foi construída uma ETAR, que nunca chegou a funcionar em pleno, não resolvendo, portanto, os problemas existentes. Assim, Alcanena continuou a ser uma localidade gravemente atingida por problemas ambientais, que afectam a qualidade do ar e das águas, sem que tenha havido um esforço ou a concretização de alguma iniciativa no sentido de resolver esta questão.
                Até que ponto esta situação prejudica a saúde das pessoas é algo que nunca foi ponderado, vivendo-se o dia-a-dia em Alcanena como se o ar “apodrecido” fosse uma fatalidade insolúvel, alguma característica inerente à própria terra, ou um pormenor sem importância no rol dos acontecimentos política e socialmente destacáveis, que não se sabe bem quais são, mas vão preenchendo a agenda de quem de “direito”.
                As janelas e portadas enegrecidas, os objectos metálicos que, em casa, originalmente da cor do ouro, rapidamente adquirem cor de tição, fazem parte do dia-a-dia dos habitantes de Alcanena. Será que pelo menos teremos direito a respirar? Ultimamente, as máscaras passaram até a fazer parte da indumentária de quem em Alcanena vive ou trabalha. Sim, porque de visita ninguém cá vem, ou se por engano o faz alguma vez, dificilmente o repete.
                               A Coordenação Concelhia do Bloco de Esquerda deliberou encetar todas as diligências necessárias para a resolução desta situação, como já tinha delineado no programa da última campanha autárquica. Desta iniciativa fazem parte a entrega de requerimentos parlamentares  dirigidos ao Ministério do Ambiente e ao Ministério da Saúde, reuniões com a administração da ETAR e com a Presidente da Câmara Municipal de Alcanena, e conferência de imprensa, na sede do Bloco de Esquerda de Alcanena, para dar conta dos resultados destas intervenções e da posição do Bloco de Esquerda relativamente a este grave problema.
Da auscultação da ETAR e da Câmara Municipal de Alcanena, ficou claro para o Bloco de Esquerda que que a ETAR de Alcanena não reúne as condições minimamente exigíveis, quer do ponto de vista do cumprimento da lei, quer da garantia de índices de qualidade do ar compatíveis com a saúde pública e o bem estar das populações. A delegação do Bloco de Esquerda obteve do presidente da Austra o compromisso da realização de operações de monitorização da qualidade do ar em Alcanena, a realizar o mais tardar em Janeiro. De qualquer forma, o Bloco de Esquerda envidará esforços para que essa monitorização ocorra de forma imediata.
                Embora existam planos para a total requalificação dos sistemas de despoluição, registamos com preocupação a incerteza sobre os financiamentos, quer nacional quer comunitário. O Bloco de Esquerda opor-se-á a que estes investimentos possam ser comprometidos por restrições orçamentais, e exigirá junto do Governo garantias a este respeito.
                A participação popular foi e continuará a ser um factor decisivo para o acompanhamento e controlo da efectiva resolução do problema da qualidade do ar em Alcanena.
BLOCO DE ESQUERDA ALCANENA
Alcanena, 12 de Novembro de 2010 

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