sábado, 6 de novembro de 2010

Brasil e China criticam novo plano de estímulo dos EUA

Medida, que terá como consequência uma nova desvalorização do dólar, "é uma política de empobrecimento do vizinho”, dizem autoridades brasileiras. China defende restrição à emissão de moedas de reserva, como o dólar.
"Todo mundo quer que a economia americana se recupere, porém não adianta ficar jogando dólar de helicóptero", diz o ministro da Fazenda do Brasil, Guido Mantega.
Brasil e China fizeram duras críticas ao novo plano de estímulo à economia dos Estados Unidos anunciado esta quinta-feira. A Reserva Federal americana disse que vai comprar 600 mil milhões de dólares em títulos do Tesouro para reestimular a maior economia mundial. A compra será centrada em títulos com mais de quatro anos e vai durar até Junho. O objectivo é reduzir os juros de longo prazo (os de curto prazo já estão próximos de zero) e "promover um ritmo mais forte da retomada económica". Alguns economistas dizem que o estímulo para a economia será modesto, mas os exportadores sairão beneficiados pela provável queda do dólar.
É essa maior ainda desvalorização do dólar que está a ser alvo de críticas por parte de dirigentes de outros países, por poder agravar os desequilíbrios mundiais, como disse o ministro da Fazenda do Brasil, Guido Mantega. "Todo mundo quer que a economia americana se recupere, porém não adianta ficar jogando dólar de helicóptero", disse, adiantando que o Brasil utilizará o encontro do G20 como um fórum para reclamar da decisão do governo norte-americano.
O secretário de Comércio Exterior do Brasil, Welber Barral, disse que a injecção de recursos na economia americana irá agravar a crise cambial e prejudicar os seus parceiros comerciais.
"É uma política de empobrecimento do vizinho. A consequência sempre é retaliação."
Críiticas vieram também da China, que tem o yuan atrelado ao dólar: "Enquanto o mundo não exercer restrição à emissão de moedas de reserva como o dólar – e isso não é fácil –, a ocorrência de outra crise é inevitável", escreveu Xia Bin, assessor do banco central da China.

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