terça-feira, 26 de outubro de 2010

Polícia marroquina cerca acampamento pacífico saharaui

No “Acampamento da Liberdade”, perto de El Aaiun, estão mais de 15 mil pessoas, há 15 dias, mas já faltam alimentos, medicamentos e água devido ao cerco que as autoridades de Marrocos montaram no local.
Polícia marroquina cerca acampamento pacífico saharaui.
A reacção do Governo de Marrocos ao acampamento pacífico dos saharauis foi decretar o seu cerco e a privação de todos os bens essenciais. Foto Associação de Amizade Portugal – Sahara Ocidental
O cerco que as forças policiais e militares marroquinas estão a fazer ao acampamento “faz temer uma catástrofe humanitária que, a todo o custo, há que evitar”, afirma a Associação de Amizade Portugal – Sahara Ocidental, que lança a denúncia e um apelo à solidariedade internacional, alargado a toda a sociedade civil.
Mais de quinze dias após o início da instalação do "Acampamento da Liberdade" a 18 kilómetros da capital ocupada do Sahara Ocidental,  as agressões da polícia e do exército marroquino contra os cidadãos saharauis intensificam-se.
Segundo a associação, famílias inteiras, adultos, crianças, idosos, ergueram este acampamento improvisado como forma de «resistência pacífica» contra as condições socio-económicas “mais que precárias” em que vivem e contra a ocupação do seu país, o Sahara Ocidental, por Marrocos. São já quinze mil mas mais saharauis tentam chegar ao acampamento, procurando romper o cerco que as forças de ocupação montaram à volta do local.
A reacção das autoridades marroquinas foi imediata e militar, enviando rapidamente para o local as Forças Armadas e a Polícia que procederam ao cerco do acampamento com arame farpado, recusando-lhes qualquer tipo de aprovisionamento de água, comida e medicamentos, etc.
Há quinze dias que aquela população vive em condições muito difíceis e que se vêm agravando dia após dia, também com a chegada de feridos que são tratados com os poucos recursos de que dispõem.
Escolhendo esta forma de resistência e protesto pacífico, o povo saharaui tenta denunciar e comunicar a indignação que sente perante a espoliação dos recursos naturais do seu país e o cansaço da espera pela acção da ONU e do que reclamam como um direito e que há décadas lhe vem sendo prometido: a realização de um Referendo de Autodeterminação livre e justo onde possam, sem coações, manifestar a sua vontade quanto ao seu destino.
Uma ocupação que já dura há 35 anos
Na semana passada o Governo saharaui e a Frente Polisario renovaram veementemente o apelo à Comunidade Internacional, nomeadamente ao Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) e ao Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos, para que seja posta em aplicação, “sem mais demoras”, a quarta Convenção de Genebra de 1949.
“Quanto maior for a solidariedade, maior a protecção que podemos dar a essas populações da repressão e eventuais represálias por parte das forças de ocupação”, lembra a Associação portuguesa, sublinhando que o silêncio da comunidade internacional, em particular da União Europeia, é sinónimo de cumplicidade na violência e no desrespeito pelo Direito Internacional por parte de Marrocos que prossegue a sua política em impunidade.
Há trinta e cinco anos que as Forças Armadas marroquinas ocupam o Sahara Ocidental, antiga colónia espanhola que o Reino de Marrocos invadiu pela força. O Rei de Marrocos continua a negar-se a cumprir as Resoluções aprovadas pela ONU e pretende persistir na anexação do Sahara Ocidental.
 

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