segunda-feira, 18 de outubro de 2010

OE 2011: Proposta do Governo baixa salários já em Janeiro

Com uma nova tabela de retenções na fonte, os trabalhadores por conta de outrem verão os salários líquidos baixar já em Janeiro de 2011. Os trabalhadores a recibos verdes vão também descontar mais. Bloco rejeita este caminho e vai debater propostas alternativas nas jornadas parlamentares.
Teixeira dos Santos na conferência de imprensa sobre o OE 2011 - Foto de Inácio Rosa/Lusa
Teixeira dos Santos na conferência de imprensa sobre o OE 2011 - Foto de Inácio Rosa/Lusa
O ministro das Finanças, Teixeira dos Santos, anunciou na conferência de imprensa sobre a proposta governamental de orçamento de Estado para 2011 que o Governo está a preparar uma nova tabela de retenção na fonte de IRS, para reflectir os cortes nas deduções e benefícios fiscais. A medida visa antecipar a cobrança de imposto, que a não ser alterada a tabela, só aconteceria em 2012, na entrega das declarações dos contribuintes.
Desta forma, e como as deduções e benefícios diminuem, os salários líquidos irão baixar já em Janeiro, reflectindo maiores montantes de retenção na fonte.
Também já em Janeiro, os trabalhadores a recibos verdes vão passar a descontar mais para a segurança social, baixando igualmente os seus rendimentos no primeiro mês do próximo ano. A proposta do Governo de Orçamento para 2011 aumenta os descontos, daqueles trabalhadores, para a segurança social de 24,6% para 29,6%.
José Manuel Pureza, líder parlamentar do Bloco, declarou à Lusa que as jornadas parlamentares do partido, que decorrem nas próximas segunda e terça feira, se centrarão em “propostas, acima de tudo, de rejeição desta receita que conduz [Portugal] há duas décadas ou mais, de que a recessão se combate com recessão, o desemprego com mais desemprego, a fragilidade social com menores prestações sociais”. O Bloco considera que é “possível [um Orçamento] que permita uma perspectiva de crescimento e desenvolvimento para a economia portuguesa”.
Questionando se é necessário reduzir o défice público, José Manuel Pureza refere: “É, com certeza, isso nunca esteve em causa, nós não aceitamos a crítica leviana de que o Bloco é adepto de uma despesa ilimitada. O que temos dito e nestas jornadas vamos certamente reafirmar com propostas concretas é que é possível reduzir significativamente o défice das contas públicas sem penalizar privilegiadamente os salários e pensões das pessoas mais frágeis da sociedade”.
O líder parlamentar do Bloco considera que se perpetua a “manutenção de uma série de gastos totalmente injustificados e supérfluos e um regime de injustiça fiscal que agrava” as desigualdades.
José Manuel Pureza realça que “romper o ciclo infernal” de austeridade só é possível “através de medidas de ruptura muito forte, no sistema fiscal, na política de distribuição de rendimentos” e salienta: “Há muita inércia na construção do Orçamento, há muitos poderes, pequeninos e grandes, que têm vencimento na sua elaboração e, em bom rigor, são despesas que não são de todo prioritárias”, sublinhando que a proposta para a criação de um Orçamento “de base zero” permitiria “identificar com rigor aquilo que são despesas efectivamente imprescindíveis”.

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