quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Governo quer fechar Teatro Nacional São João no Porto

O Porto, segunda cidade do país e a que tem mais escolas de teatro, depois de perder o seu único Teatro Municipal, o Rivoli, está agora na situação inimaginável de perder também o TNSJ, uma extinção prevista na proposta de OE'2011.
Governo quer fechar Teatro Nacional São João no Porto
Foto AntoniusJ/WikimediaCommons
A proposta de Orçamento do Estado para 2011 prevê a extinção do Teatro Nacional São João (TNSJ), a única estrutura de criação e produção descentralizada do Ministério da Cultura, considerada publicamente como um pilar essencial da vida cultural na cidade do Porto.
Bloco de Esquerda já perguntou ao Ministério da Cultura (MC) se este estudou “o impacto da extinção do TNSJ no tecido cultural, na cidade do Porto e no país” pois quer saber quanto prevê o Governo poupar com a extinção e fusão do teatro e qual o seu impacto no equilíbrio das contas públicas.
A deputada Catarina Martins também questionou o MC no sentido de saber se para a tomada desta decisão foram ouvidos o Conselho de Administração e a Comissão de Trabalhadores do TNSJ, bem como os agentes culturais da cidade ou outras entidades directamente afectadas por esta decisão.
Catarina Martins refere que o TNSJ programa três instituições culturais – o Teatro Nacional São João, o Teatro Carlos Alberto e o Mosteiro de São Bento da Vitória –, mantém um centro de documentação de grande relevância e “é o único parceiro institucional estável das estruturas independentes de teatro e dança na cidade”.
Além disso a deputada do Bloco lembra que esta é uma das entidades com orçamento mais baixo no sector cultural pois o financiamento do Estado ao TNSJ é cerca de metade do atribuído à Casa da Música e é bastante inferior ao do Teatro Nacional D. Maria II.
“A fusão do Teatro Nacional São João na estrutura da OPART é portanto um gesto incompreensível e que causará danos profundos e irreparáveis na vida cultural da cidade”, defende Catarina Martins que considera que não ter qualquer sentido um Teatro Nacional, no Porto, ser gerido a partir de Lisboa.
“E menos sentido tem ainda que uma estrutura operante, sem défice financeiro ou problemas laborais relevantes, seja afogada numa estrutura gigante, muito deficitária e com problemas gravíssimos do ponto de vista laboral”, acrescenta.
Para o Bloco, com a decisão de extinção do TNSJ o MC “dá a mão ao executivo de Rui Rio”. Na pergunta dirigida ao MC, Catarina Martins acusa a gestão camarária de Rio de ser a que mais tem desinvestido na política cultural na cidade, “privando o Porto e os seus agentes culturais do único instrumento de afirmação e promoção da sua capacidade de criação artística”.  

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