domingo, 3 de outubro de 2010

Bolseiros dão aulas sem remuneração

Associação de Bolseiros de Investigação Científica lança petição para denunciar expediente que visa colmatar necessidades dos quadros das universidades explorando os jovens investigadores.
Foto do Grupo Web da ABIC
A direcção da Associação de Bolseiros de Investigação Científica (ABIC) lançou uma petição online para denunciar o recurso a bolseiros de investigação para darem aulas sem serem remunerados.
Essa prática, diz a ABIC, já está em vigor em algumas Universidades, e tem sido proposta em edições recentes de Regulamentos internos de instituições como a Universidade de Aveiro.
A medida visa não só os bolseiros de investigação mas também outros investigadores, como os que foram contratados ao abrigo dos programas Ciência.
Para a ABIC, não é aceitável que as universidades lancem mão deste expediente para colmatar necessidades permanentes ou ocasionais dos seus quadros.
A Associação considera que esta prática constitui uma forma de exploração da competência intelectual dos bolseiros, ao prever trabalho qualificado não remunerado. Aproveita-se assim da precariedade dos bolseiros de investigação e do seu interesse em fortalecer o seu curriculum e as suas possibilidades de um futuro mais estável.
A entidade representativa dos bolseiros defende que no caso de programas de doutoramento, em que a prática docente seja encarada como uma componente necessária para o cumprimento dos requisitos para a obtenção do grau, deve ser estabelecida uma compensação pela actividade docente, e as horas de serviço docente devem ser também traduzidas em unidades de crédito do programa doutoral. Nos restantes casos, a prática docente nunca deverá ser considerada obrigatória: o bolseiro deve ter a possibilidade de optar pela sua prática. No caso de exercício de docência, os bolseiros devem ser contratados, remunerados, e, enquadrados no âmbito do Estatuto de Carreira Docente aplicável.
A ABIC apela aos bolseiros que sejam instados a exercer funções de docência não-remuneradas, que não pensem apenas na perspectiva ilusória de melhoria do seu currículo. “A anuência a este tipo de práticas, sob a máscara de uma oportunidade, além de constituir uma forma de exploração, conduzirá a médio prazo ao agravamento das suas possibilidades de emprego docente”, adverte.
O deputado José Soeiro já tinha inquirido o Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior sobre esta prática. Na resposta, o Ministério procura eludir a questão, remetendo para um ofício da Universidade de Lisboa que afirma que o regulamento ainda está em discussão pública.

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