quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Moçambique: Maputo parada por violentos protestos populares

A capital de Moçambique esteve paralisada por protestos contra o aumento do custo de vida, que entraram em vigor neste dia 1 de Setembro. A polícia reprimiu com violência. Os últimos dados apontam 10 mortos e mais de 50 feridos.
Maputo (1 de Setembro de 2010) - Foto de António SIlva/Lusa
Maputo (1 de Setembro de 2010) - Foto de António SIlva/Lusa
Neste dia 1 de Setembro, aumentaram os preços da água e da luz, tendo também sido anunciado o aumento do preço do pão para 6 de Setembro.
Em Moçambique, tem havido um grande aumento de custo de vida. Só em Julho passado, a inflação chegou aos 16,1%, devido a uma galopante subida dos preços dos produtos básicos. A população mais pobre de Moçambique, que já vive em condições muito difíceis, é a mais duramente atingida por estes aumentos.
Nesta terça feira, circularam SMS por telemóvel, apelando a uma greve na cidade para o dia 1 de Setembro.
Os protestos começaram manhã cedo nos bairros periféricos da cidade, com bloqueios das estradas, pneus a arder e manifestações sobretudo de jovens. Esses protestos foram-se estendendo pela cidade e aumentando de violência, com pilhagens e assaltos.
Em resposta aos protestos, a polícia diz que não “foi autorizada qualquer manifestação” e reprimiu com violência.
O sociólogo Carlos Serra, no seu blogue oficinadesociologia.blogspot.com, conta um debate na STV (uma televisão moçambicana): “intervieram via telefónica Alice Mavota (crítica da carestia de vida e das tentativas para esconder isso) e Mia Couto (crítico dos apologistas oficiais do tudo está bem, lamentando a ausência enquadradora dos sindicatos e sugerindo diálogo sério; o escritor afirmou estar cercado em casa)”.

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