domingo, 8 de agosto de 2010

Jardim Gonçalves sente-se inseguro quando sai à rua

Apesar de acompanhado em permanência por segurança paga pelo BCP, o ex-banqueiro diz que tem sido abordado na rua "porque as pessoas não acham graça a todo o ambiente que se criou, de que a pessoa se aproveitou e alterou números para ter mais benefícios". Sobre as benesses milionárias que recebe do BCP desde a saída, diz que "hoje é custo zero para o banco e não diz respeito aos actuais órgãos sociais".
Jardim Gonçalves diz que as compensações milionárias que aufere representam "custo zero para o banco e não diz respeito aos actuais órgãos sociais". Foto Estela Silva/Lusa
Jardim Gonçalves diz que as compensações milionárias que aufere representam "custo zero para o banco e não diz respeito aos actuais órgãos sociais". Foto Estela Silva/Lusa
Numa entrevista publicada no Diário de Notícias, Jardim Gonçalves respondeu directamente quando perguntado se se sente inseguro quando sai à rua, devido ao escândalo público causado pelas acusações que sobre si recaem. "Não pode ser de outra maneira! Há abordagens mas ainda não houve nada de trágico porque mantenho um mínimo de segurança", diz Jardim Gonçalves, aproveitando para desmentir o número de 40 seguranças que a imprensa diz ter à sua disposição. Mesmo assim, "têm acontecido coisas que não aconteciam há dez anos, nem há oito, nem há cinco", diz o ex-banqueiro condenado em Maio pela Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), sem no entanto especificar os detalhes desse contacto mais próximo com a população.
Sobre a sua recente condenação pela CMVM ao pagamento duma multa de um milhão de euros, por prestação de informação falsa ao mercado, Jardim Gonçalves mantém-se imperturbável. "A condenação nos termos em que veio não diz nada do que fiz porque continuo a pensar que não fiz nada de mal; não mandei fazer nada de mal; não soube que alguma coisa tenha sido mal feita e tenho para mim que nada foi mal feito", afirmou o fundador do BCP na entrevista ao DN.
Por várias vezes durante a entrevista, Jardim Gonçalves fez questão de sublinhar que nunca se desentendeu com Paulo Teixeira Pinto. "O que se pode dizer é que ele não ligava àquilo que nós falávamos, isso é outra coisa", diz o ex-banqueiro acerca do seu sucessor, igualmente condenado pela CMVM e actualmente à frente do projecto de revisão constitucional do PSD. Jardim Gonçalves afirma ainda que Teixeira Pinto "estava a servir outras pessoas mas não sei se era no banco", deixando em aberto quais os interesses a que o seu sucessor terá aberto a porta. "Não sei se abre ou se foi obrigado a abrir. Só ele é que pode dizer", remata o ex-banqueiro.
Ao longo da entrevista, Jardim Gonçalves vai identificando aqueles que julga estarem envolvidos numa trama para o abater nos últimos tempos à frente do banco: o governo de José Sócrates, o governo angolano, o BES, o BPP, os líderes do Banco de Portugal e da CMVM e o Ministério Público. Em resumo, por detrás do seu afastamento estará "quem queria o BCP para poder fazer acontecer em Portugal uma série de coisas. Não era possível financiar determinados projectos e determinadas operações noutras condições sem a CGD mais BCP e mais BES".
Também Joe Berardo, um dos accionistas mais críticos da gestão de Jardim Gonçalves e das mordomias que o banco lhe confere, foi focado na entrevista, a propósito dos interesses que Gonçalves acusa de querer controlar o BCP. "Quem é o advogado do senhor Berardo? É um advogado do mesmo escritório de António Vitorino, que tem todas as relações com a Comissão Europeia e o Santander. Portanto, há toda uma rede que cria facilidade para que o BCP venha a ser gerido por estas pessoas", diz o fundador do BCP.
Sobre as remunerações que aufere do banco após saída em 2005, Jardim Gonçalves diz que não prescinde desses direitos, porque "estão perfeitamente consagrados. E não pesam no banco! Isso ninguém publica!" O antigo banqueiro diz que as compensações milionárias que aufere representam "custo zero para o banco e não diz respeito aos actuais órgãos sociais. E estão lá provisões, até para uma actualização dessas remunerações em 3%. Não tem acontecido, a inflação não tem chegado a esses valores, mas está tudo preparado. A actual administração, a actual gestão do banco, os actuais accionistas não sofrem absolutamente nada porque tudo ficou preparado".

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