domingo, 1 de agosto de 2010

Classificação da linha do Tua deveria parar obras da barragem

O IGESPAR aceitou a petição assinada por cerca de cinco mil pessoas para a classificação da Linha do Tua como Património de Interesse Nacional, mas a Ministra da Cultura já disse que tal "não vai interferir" com a construção da barragem na Foz do Tua.
Classificação da linha do Tua deveria parar obras da barragem
Para os subscritores do requerimento em defesa da Linha do Tua, Gabriela Canavilhas, enquanto ministra da Cultura, “devia estar preocupada com a defesa e a conservação do património” do país. Foto www.linhadotua.net
A petição foi entregue a 26 de Março e mereceu agora parecer favorável do Gestão do Património Arquitectónico e Arqueológico (IGESPAR), que abriu um processo de classificação, o que implica a suspensão de obras na linha. A abertura do processo de classificação deverá ser publicada em Diário da República nos próximos dias. O processo será depois apreciado por um conselho consultivo do IGESPAR.
Para já, ainda não decorrem trabalhos, mas a EDP – a empresa pública que regista desde o início do ano uma média de lucro na ordem dos 531,3 milhões de euros – não perde tempo e abriu na semana passada um concurso para a construção da barragem da Foz do Tua, cujos trabalhos prevê começar até Dezembro. Quando concluída, a barragem irá inundar parte da linha do Tua.
Em comunicado, os subscritores da petição consideram que "a Linha do Tua merece a classificação como Património de Interesse Nacional, não só pelo papel histórico que desempenhou e pela obra-prima de engenharia portuguesa que constitui, mas também, e ainda, como exemplar único do património ferroviário e industrial do nosso país". Os requerentes consideram ainda "que este património tem elevado potencial para o desenvolvimento turístico para a região e que tem que ser preservado e valorizado".
José Silvano, presidente da Câmara de Mirandela, considera que a suspensão das obras é uma "boa notícia" e mostra-se incrédulo com o concurso de construção da barragem, "quando ainda decorre um processo de consulta pública, até 9 de Setembro, do Relatório de Conformidade Ambiental do Projecto de Execução".
Gabriela Canavilhas: “É uma garantia que podemos dar, nada interferirá com a barragem”
No entanto, na passada quinta-feira, a ministra da Cultura afirmou em declarações à imprensa, à margem da inauguração do Museu do Côa, que o processo de classificação da linha ferroviária do Tua como monumento nacional "não vai interferir" com a construção da barragem de Foz Tua.
Ora, a primeira subscritora do requerimento em defesa da Linha do Tua “estranha” esta posição da ministra, pois os defensores da Linha do Tua consideram que a abertura da classificação da ferrovia transmontana deve travar a construção da barragem.
Para Manuela Cunha, Gabriela Canavilhas, enquanto ministra da Cultura, “devia estar preocupada com a defesa e a conservação do património” do país.
Além disto, esta sexta-feira, a Lusa deu conta de um parecer da Direcção Regional de Cultura que defenderá que o processo de classificação não impede a barragem, dizendo que já existem antecedentes, como o Castelo do Lousa, no Alqueva.

Manuela Cunha leu este parecer e considera que a interpretação feita é “abusiva”, porque este “é um relatório muito bem feito e não foge à problemática da barragem”, disse à TSF.
“O que o técnico faz é relembrar que houve já casos em Portugal onde património classificado foi ameaçado, não dizendo nunca que uma coisa não impede a outra”, concluiu a primeira subscritora do requerimento em defesa da Linha do Tua.
 

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