A não renovação do contrato de trabalho existente entre a Câmara Municipal de Alcanena e um funcionário da secção de obras, justificado pelos serviços como um normal acto de gestão de recursos humanos, é entendido pelo próprio como uma ”questão pessoal” e aponta o dedo ao vereador Luís Pires, responsável por aquele departamento, por este desfecho.
Luís Dias, de 29 anos, desempenha as funções de pedreiro há dois anos e recebeu há cerca de duas semanas uma notificação a informar que o contrato, que termina no dia 31 de Agosto, não é para ser renovado. Uma situação que, segundo o próprio, nem o apanhou de surpresa, devido ao desgaste na relação que se tinha vindo a acentuar entre ambas as partes. Em causa estavam questões funcionais do trabalho com as quais o funcionário despedido não concordava. Para além de uma certa desorganização, o pedreiro refere por exemplo que não tinha um servente com condições físicas adequadas para o auxiliar nas tarefas mais comuns: ”Quando precisei de um servente para uma obra num telhado, não tinha. Um tem vertigens e outro treme das pernas. Tive que fazer o trabalho de dois”, desabafou na reunião de executivo que se realizou na segunda-feira, dia 23 de Agosto.
Quando questionou a presidente de Câmara sobre as razões pelas quais o seu contrato não foi renovado, Fernanda Asseiceira respondeu que as informações que tinha recebido do vereador Luís Pires não eram ”favoráveis” em termos de ”motivação, interesse e desempenho”.
Luís Dias ainda respondeu que nunca foi mal-educado e sempre cumpriu com o serviço que lhe pediram para fazer, embora tenha reconhecido que a dada altura pediu para ver aumentado o seu vencimento.
Asseiceira respondeu que este trabalho na Câmara Municipal não é bem remunerado e que Luís Dias poderá, numa empresa privada, ter a possibilidade de ganhar mais dinheiro. A autarca referiu também que nada o impede de voltar a concorrer ao cargo, caso seja aberto novo concurso.
E.B.
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