sexta-feira, 9 de julho de 2010

"Sacrifícios são dirigidos sempre aos mesmos”

No dia de protesto e luta convocado pela CGTP, Carvalho da Silva declarou que não basta que o primeiro-ministro diga que não acolhe orientações neoliberais, quando é isso mesmo que pratica.
Carvalho da Silva na concentração em Viana do Castelo. Foto Lusa.
Carvalho da Silva na concentração em Viana do Castelo. Foto Lusa.
O secretário-geral da CGTP falava em Viana do Castelo, onde participou na concentração de trabalhadores do distrito. “O que vemos é uma persistência nos sacrifícios dirigidos sempre aos mesmos”, afirmou à agência Lusa, lamentando os “constantes aumentos de IRS enquanto continuam a haver transações financeiras sem serem taxadas, como se um euro ganho pelo trabalho fosse menos digno do que a especulação financeira”.
O aumento de 10% de milionários no ano passado em Portugal “é um indicador significativo do que é a injustiça”, acrescentou o líder sindical, fazendo ainda um apelo à sociedade para não encarar a situação como inevitável: “é possível encontrar saídas, o problema reside nas políticas concretas”.
Carvalho da Silva anunciou ainda que a reunião da direcção da CGTP no início da próxima semana irá preparar novas acções de luta. “Andam aí uns quantos a fazer reuniões para ver como nos hão-de cortar salários, o 13.º mês, o subsídio de férias e como nos hão-de aumentar os impostos, mas nós não vamos deixar”, avisou.
A greve dos ferroviários teve níveis de adesão de cerca de 80% na CP Carga e na manutenção (EMEF) e de 50% na CP e REFER, o que “provocou a desorganização da actividade do transporte de passageiros, onde se registam atrasos, perturbações e supressões de comboios, em particular nas zonas suburbanas”, segundo o sindicato.
“Não se regista um maior agravamento desta situação porque, num quadro de violação da lei e dos regulamentos de segurança, a CP movimentou trabalhadores não aderentes e doutras áreas da empresa, para substituírem os que estavam escalados para trabalho no comboios e que fizeram greve”, acusou ainda o sindicato dos ferroviários em comunicado.

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