sábado, 26 de junho de 2010

Cortes dramáticos na Cultura

Companhias de teatro criticam, ministra confessa que “o cenário é dramático para a DGA”, comissão parlamentar quer ouvir director-geral. A deputada Catarina Martins diz ao esquerda.net que a ministra “nem sequer compreende as consequências graves dos cortes”.
Cortes põem "em causa projectos artísticos centrais na vida cultural portuguesa"
Cortes põem "em causa projectos artísticos centrais na vida cultural portuguesa"
Durante uma mesa redonda sobre a criação artística nas cidades médias, realizada em Coimbra, o Director-Geral das Artes, Jorge Barreto Xavier, fugiu aos protestos das companhias presentes sobre os cortes de financiamento e não respondeu às perguntas feitas pela agência Lusa, alegando que não foi esse o tema que o levou a participar na mesa redonda.
Nesta, o director da companhia A Escola da Noite, António Augusto Barros, criticou o corte cego de 10% nos valores contratualizados com o Estado para o corrente ano e “com efeitos retroactivos”. Jorge Barreto Xavier ainda ouviu o protesto, mas saiu sem responder.
Na mesma sessão, Rui Madeira, da Companhia de Teatro de Braga, realçou que um corte de cerca de 30 mil euros significa dois meses de salários, o que coloca dificuldades acrescidas ao funcionamento destas estruturas.
Em entrevista ao jornal Público desta sexta feira, a ministra da Cultura, Gabriela Canavilhas, confirma que “o cenário é dramático para a DGA [Direcção-Geral das Artes]”.
Confrontada pelo jornal com os cortes brutais (antes do PEC o orçamento de 236,5 milhões de euros já era o segundo mais baixo em cinco anos e terá ainda cortes importantes) e com a pergunta “se sente que está a defraudar”, diz que não. Perante a pergunta “quem vai sofrer mais?”, declara: “Claramente, vamos ter um período muito difícil para os [artistas] independentes. Vamos ver se conseguimos não reduzir em 20% a actividade dos independentes,tentar manter um mínimo de dinamismo até sobrevivermos a este ano”.
Comentando para o esquerda.net a entrevista da ministra, a deputada Catarina Martins do Bloco de Esquerda diz que Gabriela Canavilhas “admite cortes dramáticos, mas não assume que os projectos já caíram e vão cair ainda mais”. Segundo a deputada bloquista, a ministra não compreende a realidade quando distingue subsídios de contratos, “a maioria trabalha com contratos que dependem dos subsídios” e está a escamotear que “muitos subsídios já caíram” e “vão cair ainda mais”. Estes cortes “afectam a dinâmica da agenda cultural, o trabalho das pessoas e a cultura em Portugal”.
“A ministra não é ministra da Cultura, age de acordo com as ordens do ministro das Finanças e nem sequer compreende as consequências graves dos cortes”, conclui Catarina Martins.
A deputada bloquista já tinha apresentado um requerimento para que o Director-Geral das Artes, Jorge Barreto Xavier, vá à comissão parlamentar para “conhecer a situação dos apoios directos às artes, já que estão em causa projectos artísticos centrais na vida cultural portuguesa, bem como centenas de postos de trabalho e a própria existência do sector”. A comissão parlamentar de Ética, Sociedade e Cultura aprovou este requerimento, nesta quinta feira, tendo a deputada do PS Inês de Medeiros votado contra “por uma questão de agenda”. No requerimento do Bloco pode ler-se que “a agenda da senhora ministra da Cultura tem impedido a sua presença na Assembleia da República, tendo sido não só anulado um debate em plenário, como já por duas vezes foi adiada a sua presença nesta comissão”.

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