Desde 2007, a empresa “Páginas Amarelas” persegue trabalhadores, para os obrigar a aceitarem o despedimento, nas condições impostas pela administração. O assédio moral faz disparar as baixas.
A 4 de Dezembro de 2009, 100 trabalhadores das “Páginas Amarelas” manifestaram-se contra a reestruturação e solidários com os ameaçados de despedimento – Foto de António Cotrim/Lusa
O jornal “Expresso” do passado Sábado, 19 de Junho de 2010, publicou um artigo onde é relatada a situação dos trabalhadores da empresa “Páginas Amarelas”.
A empresa é detida pela PT (25%) e pela empresa belga Truvo (75%), tem cerca de 450 trabalhadores e está a redireccionar a actividade, passando de uma empresa de impressão para a Internet.
Desde 2005, as ondas de reestruturação varrem a empresa. Na reestruturação de 2007, os processos disciplinares multiplicaram-se contra quem se manifestasse descontente com a reestruturação. As indemnizações aos despedidos chegaram então a 2,2 meses por ano de casa. Quatro gerentes de equipa foram despedidos por terem criticado a redução ou eliminação dos prémios de produtividade. A empresa foi obrigada a reintegrá-los pelo Tribunal, mas a administração marginalizou-os para um escritório em Rio Tinto, onde só trabalham sete pessoas, quase todas com processos disciplinares e sem quase nada para fazer. Um comportamento típico do assédio moral em Portugal.
Em 4 de Dezembro de 2009, relata o artigo, uma centena de trabalhadores juntou-se à porta da sede da empresa, em Lisboa, em vigília de solidariedade com 97 trabalhadores ameaçados com a proposta de rescisão dos contratos de trabalho. 16 tinham aceitado o despedimento, os restantes recusavam a saída e a redução das indemnizações em relação a 2007, de 2,2 meses/ano para 1,2. Seis meses depois 60% dos trabalhadores ameaçados de rescisão já saíram, depois de perseguições que chegam até serem colocados em novos departamentos, ou até sozinhos, e na “dependência de chefias intermédias que controlam a hora de chegada e de saída ao minuto, o número de idas à casa de banho e ao café”.
Para o final de 2010 prevê-se nova vaga de despedimentos, o assédio moral agrava-se e com ele as baixas por doença. Fausto Leite, especialista em Direito do Trabalho ouvido pelo jornal, explica que a crise leva à maior incidência dos casos: “É a altura certa para as empresas se livrarem das pessoas mais velhas, mais experientes e que são, também, as mais caras. São sobretudo essas as vítimas da crise”. As práticas são: a restrição da liberdade do trabalhador, o seu isolamento e a desconsideração pelo seu trabalho.
O artigo publicado no “Expresso” é da jornalista Joana Madeira Pereira e pode ser lido na íntegra no blogue Entre cá e lá
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