quarta-feira, 26 de maio de 2010

Projecto-Lei cria a Rede Nacional de Teatros

Diploma apresentado pelo Bloco de Esquerda prevê autonomia de programação e gestão, e o co-financiamento pelo Ministério da Cultura, depois de um processo de certificação.
Teatro Municipal de Bragança. Foto de Hugo Cadavez, FlickR
Teatro Municipal de Bragança. Foto de Hugo Cadavez, FlickR
Portugal tem um conjunto de salas de espectáculos em todo o país, na sequência do programa “Rede Nacional de Teatros e Cine-Teatros” levado a cabo na década de 90 pelo Estado e que são, na sua esmagadora maioria, propriedade das Autarquias Locais.
Estes equipamentos são elementos centrais no desenvolvimento do território: a cultura é reconhecidamente geradora de dinâmicas económicas, de qualificação e de coesão social, e os centros culturais que os Teatros e Cine-Teatros constituem são simultaneamente empregadores de mão-de-obra qualificada e factor de fixação de profissionais qualificados nas populações onde se inserem.
No entanto, os Teatros e Cine-Teatros não contam hoje com qualquer enquadramento legal, ou apoio central e, a manter-se a actual situação, teme-se que muitos destes equipamentos sejam pura e simplesmente abandonados.
Com a proposta do Bloco de Esquerda, é criada a Rede de Teatros e Cine-Teatros Portugueses que, mediante um processo de certificação que garante que os equipamentos fomentam a criação artística, têm autonomia de programação e gestão e promovem o acesso da população à diversidade e pluralidade artística, prevê o seu co-financiamento pelo Ministério da Cultura, garantindo uma estratégia de investimento concertada a nível nacional, a racionalização de recursos, o financiamento de impacto local e a disseminação da produção artística.
A Rede de Teatros e Cine-Teatros Portugueses é de adesão voluntária e cabe ao Ministério da Cultura e às Autarquias Locais estabelecer o diálogo que permita que a Rede arranque com um número ambicioso de equipamentos, distribuídos de forma equilibrada por todo o território, prevendo-se um período transitório de 5 anos para a sua instauração.
De salientar que a Rede de Teatros e Cine-Teatros Portugueses não substitui nem se confunde com as responsabilidades de apoio directo do Estado à criação artística; na óptica da criação a Rede é um factor de pluralidade e de diversificação de fontes de financiamento, descentralizada.

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