sábado, 15 de maio de 2010

Encontro sobre Agricultura Biológica

No encontro do Bloco sobre agricultura biológica participaram 
cerca de 70 pessoasNo encontro promovido pelo Bloco de Esquerda várias intervenções consideraram que urge mudar a falta de empenho das autoridades na promoção da agricultura biológica.

Com a presença de investigadores, técnicos e produtores de todo o país, estiveram no Encontro sobre Agricultura Biológica, promovido pelo Bloco e que decorreu no passado dia 8 de Maio na Escola Superior Agrária de Coimbra (veja folheto de convocação), mais de 70 participantes que conferiram uma significativa variedade de pontos de vista sobre a temática e grande vivacidade ao debate. Estiveram também delegações da CNA, e das organizações mais representativas do sector, a AgroBio e a InterBio.
Francisco Louçã abriu os trabalhos e considerou que a agricultura biológica pode ser uma verdadeira "pedrada no charco" pela capacidade de fixar gente jovem e qualificada a trabalhar na agricultura, com técnicas evoluídas e rendibilidade que remunere o investimento e o trabalho. Entre a agricultura intensiva, que só está ao alcance dos poucos que têm capacidade para grandes investimentos em capital, e a agricultura de subsistência, cada vez mais longe do futuro, a agricultura biológica surge como um caminho para melhorar a oferta de produtos agrícolas, aumentar o rendimento dos agricultores, combater a estagnação e o abandono, criar emprego, fixar jovens, preservar o território e o ambiente.
Portugal é o país da União Europeia com menor percentagem de Superfície Agrícola Utilizada (SAU) e de agricultores aderentes ao chamado Meio de Produção Biológica (MPB). Se forem descontadas pastagens e forragens declaradas em MPB (cerca de 45% do total), as restantes culturas ainda têm valores verdadeiramente irrisórios em comparação com os outros países europeus. O lado positivo é o interesse que a agricultura está a suscitar nas licenciaturas e mestrados, na investigação no meio académico e a capacidade técnica que começa a ficar disponível no país.
Várias intervenções consideraram que urge mudar a falta de empenho das autoridades na promoção da agricultura biológica. De facto, a produção em MPB tem uma grande capacidade de progressão e encerra em si a particularidade de poder vir a ser um instrumento importante para dar vida ao mundo rural e combater a desertificação. O ministro da Agricultura tem-se desdobrado, nos últimos tempos, em declarações de apoio à agricultura para a exportação, mas é estranho que nada tenha feito para apoiar a agricultura biológica, os pequenos produtores e a agricultura familiar, nem sequer se tenha lembrado do assunto. As atenções do Governo concentram-se na grande produção para exportação, muito localizada e da qual muito poucos usufruem, para além dos problemas ambientais que frequentemente colocam.
O líder parlamentar do Bloco, José Manuel Pureza, encerrou os trabalhos, com uma referência ao lado social da agricultura biológica, à prática da cooperação entre produtores e às solidariedades em rede que se estão a construir. Trata-se de uma forma de fazer agricultura que também comporta uma nova cultura.

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