Os dados do Eurostat, publicados esta sexta-feira, revelam também que o preço do gás em Portugal é superior ao da média comunitária. A Entidade Reguladora do Sector Energético portuguesa encara como natural esta diferença de preços.
Vítor Machado, representante da DECO na ERSE, alertou que as famílias portuguesas vão andar durante muitos anos a pagar energia eléctrica mais cara. Foto qmnonic/Flickr.
Os números do gabinete oficial de estatísticas da União Europeia (UE) revelam ainda que os preços do gás caíram, tanto no conjunto da união como em Portugal, mas a queda foi muito mais acentuada na média comunitária (16 por cento), do que em Portugal (5,5 por cento).
O preço da electricidade em Portugal no segundo semestre de 2009 encontrava-se abaixo da média comunitária (15,94 euros por 100 kWh, contra 16,45 no conjunto dos 27), mas, tendo em conta o poder de compra, era mais elevado (18,61 euros, contra 16,45 na UE).
Quanto ao gás doméstico, o preço em Portugal no segundo semestre do ano passado era superior ao da média comunitária, tanto em termos absolutos (16,52 euros por gigajoule, contra 14,67 na UE), como levando em linha de conta o poder de compra (19,28 euros, contra 14,67 da média da união).
No entanto, a Entidade Reguladora do Sector Energético (ERSE) encara como natural a diferença de preços em relação a outros países europeus e refere que Portugal não ajustou as tarifas em 2008 (os dados referem-se ao período compreendido entre o segundo semestre de 2008 e o segundo semestre de 2009).
Numa nota enviada à imprensa, a ERSE refere que os dados do Eurostat devem ser lidos tendo em conta determinados dados portugueses, nomeadamente o facto de em 2008 não existirem em Portugal ajustamentos nas tarifas de electricidade, ao contrário do que aconteceu em outros países da UE, «que funcionam em regime de mercado». A entidade diz ainda que o aumento em Portugal podia ter sido bem maior, a rondar os 40 por cento, se não tivesse sido publicado um decreto prevendo o deferimento em 15 anos dos desvios das tarifas de electricidade com o aumento do petróleo.
Vítor Machado, representante da DECO na ERSE, disse também que por causa desta herança as famílias portuguesas vão andar durante muitos anos a pagar energia eléctrica mais cara.
«Essa diferença explica-se pela herança do passado e algumas decisões politicas que foram tomadas relativamente ao condicionamento da evolução dos preços da energia eléctrica em Portugal nos próximos anos», disse em declarações à TSF.
Vítor Machado acrescentou que «o défice tarifário vai condicionar durante os próximos 15 ou 20 anos qualquer evolução dos preços de energia eléctrica em Portugal».
Esta situação, reforçou, vai certamente obrigar Portugal a «divergir de outros mercados que não possuem défice tarifário e que poderão gerir mais directamente» as tarifas com «a evolução dos preços das matérias-primas».
Sem comentários:
Enviar um comentário