quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Governo recusa aumentos reais em 2010


 No dia em que o ministro das Finanças discute o Orçamento de Estado com a oposição, o governo fez saber que não quer aumentos dos salários reais da função pública.

 
Depois do secretário de Estado do Orçamento defender que "querer novos aumentos em termos reais na função pública seria uma pretensão desajustada à situação económica", agora foi a vez do seu homólogo na pasta da Administração Pública garantir que a proposta do Governo terá em conta "a inflação, mas também a realidade económica actual e os aumentos verificados no ano passado, que foram os maiores aumentos das últimas décadas".

Os sindicatos lêem nestas declarações coincidentes de Emanuel Santos e Castilho dos Santos uma intenção de preparar o terreno para uma proposta de actualização salarial bem aquém do esperado. Ana Avoila, da Frente Comum, refere que "escusam de andar a preparar psicologicamente os trabalhadores porque eles vão reagir". Os sindicatos defendem aumentos salariais entre 3% e 4,5%, explicando que "os trabalhadores não podem continuar a pagar a crise".

Esta quinta-feira tem início a ronda de reuniões entre o ministro das Finanças e os partidos da oposição sobre o Orçamento de Estado para 2010. A delegação bloquista será composta pelos deputados José Manuel Pureza,  Luís Fazenda e José Gusmão e não leva propostas prévias. "Não faz sentido, do nosso ponto de vista, haver uma licitação, partido a partido, de medidas avulsas sabe-se lá para o quê. Nós queremos ouvir o Governo sobre as linhas gerais do Orçamento para, a partir daí, podermos dialogar com franqueza, com clareza, sobre aquilo que este pode ser”, disse o líder parlamentar do Bloco.

"Nós queremos é, evidentemente, conhecer as escolhas do Governo e poder dialogar sobre essas mesmas escolhas, as nossas prioridades são públicas, não há nada que esteja escondido da nossa parte e que tenhamos agora de revelar”, revelou Pureza, excluindo a hipótese de apresentar previamente um menu de propostas orçamentais.

"A hipótese de cada força política apresentar três ou quatro propostas que considere mais importantes, para depois acontecer o quê? O Governo as incorporar no Orçamento? Isso não faz nenhum sentido porque o Orçamento é um documento onde o Governo espelha as suas escolhas políticas e, portanto, é óbvio que o Governo não vai incorporar propostas da direita e da esquerda só para ter uma coisa que agrade a todos”, sublinhou Pureza. “Não faz sentido essa ideia, porque eu acho que é um bocadinho encenação de ‘venham cá todos apresentar as vossas propostas’, faz lembrar o cenário que se viveu aqui há meses que é ‘venham cá todos dizer se estão dispostos a governar’”, recordou o deputado do Bloco.

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