No dia em que o Parlamento Grego aprovou um novo pacote de medidas de austeridade em troca de um novo resgate estabelecido pela UE e pelo FMI para combater a dívida do país, o grupo da Esquerda Unitária GUE/NGL discutiu, no Parlamento Europeu, os caminhos a percorrer para transformar uma Europa neoliberal numa Europa social.
"A resistência da Esquerda é urgente e necessária para travar a luta pela Europa Social”, afirmou o Presidente do GUE/NGL, Lothar Bisky.
Vivemos hoje numa Europa neoliberal que impede a criação de uma Europa social, pois “todos as possíveis transformações sociais são travadas pelas instituições europeias”, denunciou o economista Michel Husson. E, prosseguiu, se “quisermos controlar os movimentos de capitais são os tratados que declaram a inconstitucionalidade de tal acção”.
Considerando a teoria da saída do euro como solução pouco eficaz para recuperar a competitividade através da desvalorização da moeda, o economista defendeu a ruptura com o modelo neoliberal, repensando o papel da EU. “A saída do Euro, nomeadamente no caso da Grécia, é uma solução desadequada pois só provocaria a multiplicação da dívida e a repetição de ciclos inflacionistas”, disse. Deve haver em contrapartida, segundo Michel Husson, uma “redistribuição da riqueza através de uma reforma fiscal que acabe com os privilégios concedidos há anos às empresas e aos ricos”. O economista acrescentou que “Papandreou não jogou uma carta revolucionária de ‘braço de ferro’, que seria afirmar que o povo grego não pagaria a crise; pelo contrário, ele vergou-se as exigências da UE e do FMI”.
A Europa que hoje vive de forma não solidária deve adoptar políticas cooperativas, apostar numa diferente relação de forças e criar uma verdadeira solidariedade com os mais fragilizados, sublinhou Michel Husson. “Os Estados da União Europeia devem poder pedir empréstimos directamente junto do Banco Central Europeu (BCE) a taxas de juro muito baixas e os bancos privados deveriam ser obrigados a responsabilizar-se por uma determinada proporção da dívida pública”, concluiu o economista francês.
“Não podemos continuar numa Europa em que quando um país esta em crise não existem mecanismos que permitam ajuda-lo sem ser vítima de especulação”, afirmou o eurodeputado grego Nikos Chountis. Falando das medidas de austeridade impostas a Atenas e do pacote de governação económica aprovado recentemente, em primeira leitura, pelo PE, o deputado do GUE/NGL defendeu que “estas propostas representam o fim de uma Europa Social, que se afasta de si mesma, dos seus valores fundadores e dos trabalhadores".
A questão da refundar uma Europa Social não passa pela coordenação de políticas, mas pela sua orientação, segundo Heiz Bierbaum, do Info-Institut. A “a consolidação orçamental de forma tecnocrática não permite margem de manobra aos Estados e não proporciona a participação parlamentar”, disse. Ao contrario do que acontece hoje, salientou Bierbaum, “o financiamento da dívida deve distanciar-se dos mercados através de estímulos públicos e empréstimos por parte do BCE com taxas de juro mais suaves, e proibindo ainda as transacções financeiras especulativas”.
“Não podemos perpetuar a limitação dos direitos do homem e o défice democrático que se tem vivido. A resistência da Esquerda é urgente e necessária para travar a luta pela Europa Social”, afirmou o Presidente do Grupo GUE/NGL, o eurodeputado alemão Lothar Bisky.