sábado, 12 de janeiro de 2013

Mesmo um protesto forte é ainda uma resposta fraca


Em finais de Fevereiro, o governo estará a apresentar estas e outras propostas. Teremos então o momento da verdade desta frenética engenharia social para fazer as pessoas ganharem menos, trabalharem mais e viverem pior. Mas será também um tempo de verdade para as oposições.
O Secretário Moedas desentende-se com o Ministro Mota Soares, homem afoito que foi deu a cara pela operação TSU mas que agora tem medo que aí vem. O Ministro Crato, que teria a incumbência de despedir um terço dos professores, diz que sim e talvez. Outros ministros andam desorientados e o Primeiro, como de costume, desaparecido. O Ministro dos Estrangeiros fala de estágios para o turismo. Afinal, dirão todos, o relatório do FMI é só um bom conselho.
O problema é que o relatório é uma encomenda do governo, é a sábia palavra dos tutores de Portugal e, para mais, afirma peremptoriamente que não há alternativa à sua misericórdia. Baixar ainda mais os salários e despedir cem mil, incluindo 30 a 50 mil professores, aumentar a idade da reforma e cortar 15% nas pensões que estão acima dos 300 euros, converter os subsídios de férias e Natal em títulos para serem pagos quando o rei fizer anos, tudo para ir “Repensando o Estado”, o título pomposo do relatório.
Em finais de Fevereiro, o governo estará a apresentar estas e outras propostas. Miguel Relvas dirá que é inevitável, Paulo Portas que é para proteger as famílias, Vítor Gaspar que é duro mas vai fazer bem, Passos Coelho que estamos a recuperar e o Presidente que está preocupado.
Teremos então o momento da verdade desta frenética engenharia social para fazer as pessoas ganharem menos, trabalharem mais e viverem pior. Mas será também um tempo de verdade para as oposições. Por duas razões.
A primeira razão é que é precisa uma enorme luta de massas que determine a agenda política de cada semana, que não dê tréguas e que exija eleições, porque o PSD e o CDS só podem propor estas medidas violando a legitimidade eleitoral. Vai-se então ver quem arregaça as mangas e os fortes serão os que sabem também que a luta mais forte será fraca se não tiver uma alternativa forte.
E, por isso, a segunda razão para esse tempo de verdade é que não há nenhuma alternativa a estes cortes que não seja cortar na dívida. E aí está o paradoxo atual: o PS transformou-se num mero partido de protesto que protesta pouco e que não tem alternativa, porque se recusa a tocar no Memorando sagrado e na agiotagem. Mas se algo é claro é que só haverá governo de esquerda se estiver disposto a combater a chantagem da dívida.
Artigo publicado no jornal “Diário de Notícias” a 10 de janeiro de 2013

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Governo da troika, novo "governo finispátria"


O governo tenta montar para dar a ideia de que "estas medidas avassaladoras e destruidoras do Estado social" são imposições do FMI quando na verdade são "a aplicação do próprio programa do governo". Isto é, "o governo tenta disfarçar como uma imposição técnica do FMI as medidas políticas às quais está muito agarrado", denuncia a eurodeputada Marisa Matias.
Tal como em Janeiro de 1890, Portugal está hoje submetido a um ultimato imposto por potência estrangeira através de um memorando; e tal como nessa altura escreveu Guerra Junqueiro, os agentes externos e internos que o impõem têm um comportamento de "finispátria", que terá como consequência acabar com o país através da destruição da sua economia. O paralelismo, cuja atualidade foi reforçada com a divulgação do último relatório do FMI, foi evocado pela eurodeputada Marisa Matias na sua crónica semanal no programa Conselho Superior da Antena Um.
"Qualquer governo é eleito para cuidar da coisa pública, da res publica", lembrou a eurodeputada da Esquerda Unitária (GUE/NGL) eleita pelo Bloco de Esquerda. O que acontece com este governo, acrescentou, "é que está a transformar a coisa pública na coisa privada para a qual irá trabalhar a seguir", violando o juramento feito quando tomou posse.
Marisa Matias desmontou o cenário que o governo tenta montar para dar a ideia de que "estas medidas avassaladoras e destruidoras do Estado social" são imposições do FMI quando na verdade são "a aplicação do próprio programa do governo". Isto é, "o governo tenta disfarçar como uma imposição técnica do FMI as medidas políticas às quais está muito agarrado".
A eurodeputada do Bloco de Esquerda recorda que este relatório do FMI "não surge do nada", uma vez que já há algum tempo o ministro Gaspar falou do corte de quatro mil milhões de euros na despesas pública, objeto aliás das "cartas de amor" por ele trocadas com a chefe do FMI Christine Lagarde. E acrescentou, retomando o paralelismo com a situação do ultimato de 1890, que nessa altura o governo caiu devido a uma fortíssima reação popular, restando agora saber "se o governo também cai e se inicia um novo ciclo político", antes que se consume o "finispátria".

Bloco quer abrir debate sobre aplicação dos fundos da UE


A aplicação dos fundos comunitários até 2020 deve ser precedida de um debate com "vozes da economia e da sociedade", organizado pelo Parlamento, em vez de ser deixado nas mãos do Governo, defendeu esta sexta-feira a deputada Ana Drago.
Foto Paulete Matos
"Sabemos bem que se deixarmos nas mãos do Governo a discussão sobre a aplicação destes fundos, vai surgir uma comissão que vai ter o setor da grande distribuição, a PT ou a EDP, que não necessitam destes apoios, a definir qual a escolha estratégica de Portugal em termos de investimento e modernização da economia", ironizou a deputada bloquista em declarações à agência Lusa.
Para evitar que isso aconteça e milhões de euros voltem a ser desperdiçados, "este debate deve ser participado por todos e deve ser centralizado no Parlamento", defendeu Ana Drago, que também pediu explicações sobre o anúncio de Álvaro Santos Pereira de que 50% desses fundos sejam dirigidos às empresas.
"Nas percentagens não há somas, há repartições, portanto se hoje esse investimento [em empresas] significa entre 20 a 30% do QREN, então terá de haver cortes noutros setores e como sabem grande parte destes fundos hoje vão para a qualificação e para o potencial humano", sublinhou a deputada do Bloco.
É justamente para que haja "uma escolha democrática" das prioridades do investimento que o Bloco vem propor um grupo de trabalho que "possa chamar à Assembleia vozes da economia e da sociedade civil que façam um debate estruturado, ao longo do tempo, com a participação de todos", uma vez que estes fundos representam "um investimento determinante para Portugal até 2020" que podem levar a "uma transformação nos padrões de desenvolvimento económico da sociedade portuguesa".
"É fundamental que todo o país possa de facto participar para definir qual é a estratégia e o que é que Portugal e a nossa economia querem ser em 2020", concluiu Ana Drago.

Bloco não participa em comissão liquidatária do Estado social


Pedro Filipe Soares, declarou que o Bloco de Esquerda não participará numa comissão parlamentar liquidatária do Estado Social. Se PSD e CDS-PP chegarem a apresentar a proposta de constituir uma comissão parlamentar eventual sobre a chamada reforma do Estado, o Bloco não participará, o PCP apelou ao boicote da oposição à comissão e o PS admite não a integrar.
Pedro Filipe Soares vincou que o Bloco não integrará uma comissão "para desresponsabilizar os partidos da maioria e permitir que eles não assumam as suas posições", como "aconteceu esta semana com um relatório [do FMI] brutal sobre o Estado social e demolidor daquilo que foi construído ao longo das últimas décadas no país".
Segundo a agência Lusa, o líder parlamentar do Bloco, Pedro Filipe Soares, declarou à comunicação social nesta sexta feira no parlamento, que o Bloco "não está disponível para participar", se PSD e CDS-PP propuserem a constituição de uma comissão eventual parlamentar sobre a chamada reforma do Estado.
Pedro Filipe Soares rejeitou a criação de uma "comissão liquidatária do Estado social" e sublinhou que já existem outras alternativas no âmbito parlamentar:
"Se for para discutir alternativas económicas temos a comissão de Economia, temos a comissão de Orçamento e Finanças, se for para discutir o acompanhamento do memorando da ‘troika' temos uma comissão eventual para o efeito", disse.
Pedro Filipe Soares vincou que o Bloco não integrará uma comissão "para desresponsabilizar os partidos da maioria e permitir que eles não assumam as suas posições", como "aconteceu esta semana com um relatório [do FMI] brutal sobre o Estado social e demolidor daquilo que foi construído ao longo das últimas décadas no país".
O deputado do PCP, António Filipe, declarou à comunicação social:
"Foi ontem anunciado por um comentador que foi líder do PSD que a maioria iria propor a criação de uma comissão eventual parlamentar para discutir a dita reforma do Estado, queria aqui deixar um apelo em nome do grupo parlamentar do PCP aos partidos da oposição para que não participem nessa farsa, pela nossa parte é essa a nossa disposição".
Por sua vez, o líder parlamentar do PS, Carlos Zorrinho, admitiu não participar numa tal comissão, referindo que não participará numa comissão se a proposta não for séria. Zorrinho disse: "A proposta da maioria PSD/CDS de criar uma comissão eventual para a reforma do Estado não é séria. A maioria PSD/CDS nunca quis de facto fazer a reforma do Estado e apenas pretende branquear o corte de quatro mil milhões de euros necessário devido à incompetência da sua gestão orçamental".

Presidente do Eurogrupo admite que troika não tem "qualidade democrática"


Jean-Claude Juncker, presidente do Eurogrupo, reconheceu que até ele se interroga sobre a qualidade democrática de instituições que nos aconselham", como é o caso do FMI, do BCE e da Comissão Europeia. A confissão foi feita numa Comissão do Parlamento Europeu (ECON) depois da eurodeputada Marisa Matias ter confrontado Juncker com as "medidas avassaladoras" contidas no relatório do FMI sobre Portugal.
Jean-Claude Juncker, presidente do Eurogrupo, reconheceu que até ele se interroga sobre a qualidade democrática de instituições que nos aconselham", como é o caso do FMI, do BCE e da Comissão Europeia.
No âmbito da audição que quinta-feira decorreu na Comissão de Assuntos Económicos e Monetários (ECON) do Parlamento Europeu, a eurodeputada do Bloco de Esquerda Marisa Matias (GUE/NGL) confrontou Jean-Claude Juncker com o relatório do FMI sobre Portugal divulgado na quarta-feira e no qual são avançadas "medidas avassaladoras para o Estado social, que significam despedimentos em massa, mais cortes nos salários, mais cortes nas pensões, mais cortes na saúde e educação". "Os países que estão sob planos de resgate e com programas de ajustamento veem-se com um conjunto de medidas como estas, que depois se tornam decisões finais, e que são apresentadas por entidades, como é o caso do FMI, que não têm controlo democrático", afirmou Marisa Matias. Logo a seguir, a eurodeputada questionou diretamente Juncker: "como é que vê o estarmos a assistir à destruição do Estado social na Europa através da indicação de instituições sem controlo democrático? Foi para isto que construímos o projeto europeu? Quem é que responde por isto?"
O presidente do Eurogrupo reconheceu então que também ele se "interroga sobre a qualidade democrática de instituições que nos aconselham e sugerem medidas, como é o caso do FMI, mas também do BCE ou da própria Comissão, e da OCDE". Contudo, considera que "as decisões são tomadas pelo Eurogrupo", que nunca entra "nos pormenores das medidas que os países da Zona Euro, os Estados sob resgate, têm que tomar", sublinhando que "este método não era o melhor."
Das suas declarações destaca-se aquela em que admite que caso o método adotado tivesse sido diferente poderiam ter sido evitadas medidas que "atingem sobretudo os mais desfavorecidos e poupam bastante aqueles que, enfim, têm uma situação mais favorável do ponto de vista material". Não é a primeira vez que Juncker faz este tipo de consideração, mas nada tem acontecido e ainda na quinta-feira o próprio presidente do BCE, Mario Dragui, insistiu que "não haverá recuo na austeridade".
Jean-Claude Juncker condenou ainda os países que são recetores de capitais de milionários cidadãos dos países sob resgate, e que não colaboram com as autoridades destes para pôr fim a estas atitudes, afirmando que "não é possível que uns países beneficiem com as medidas de austeridade aplicadas a outros países".
Na sua última comparência perante os deputados do Parlamento Europeu na qualidade de Presidente do Eurogrupo o luxemburguês Juncker afirmou, em suma, que para além de as instituições da troika não serem democráticas, as decisões finais sobre as medidas adotadas são dos governos.
Artigo de Cláudia Oliveira, publicado no portal do Bloco de Esquerda no Parlamento Europeu

FMI mente: Despesa social e com salários está abaixo da média europeia


O Observatório sobre Crises e Alternativas do CES desmonta falsidades do relatório do FMI: ao contrário dos dados de que parte o documento conhecido nesta quarta feira, o Estado português gasta menos em despesas sociais e salários do que a média dos países da União Europeia.
Foto de Paulete Matos
O jornal “Diário de Notícias” desta sexta feira noticia que, ao contrário do que diz o último relatório do FMI, a despesa social da média dos países da União Europeia, em relação ao PIB, é superior à de Portugal. O mesmo acontece com a despesa pública com salários.
O jornal dá conta das conclusões do Barómetro das Crises do Observatório sobre Crises e Alternativas (ces.uc.pt/observatorios), do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra, sob a coordenação de Manuel Carvalho da Silva, anterior secretário-geral da CGTP.
Assim, as prestações sociais representaram em Portugal 29,1% do PIB em 2010, 28,4% em 2011 e 27,6% em 2012. A média europeia foi de cerca de 30,4%.
Em relação à despesa do Estado com salários, Portugal terá gasto em 2012 cerca de 9,8% do PIB e 21% da despesa pública total, enquanto a média da UE será de 10,7% do PIB e 21,9% da despesa pública total.
O jornal reproduz um gráfico do documento do FMI onde a média da despesa salarial do Estado estaria acima da média da zona euro e da UE em 2011. No entanto, até a Comissão Europeia aponta que em 2012 a despesa do Estado português com salários terá sido de 9,8% do PIB, enquanto a média da zona euro terá sido de 10,5%.
Em relação ao investimento público, a Comissão Europeia estima que o Estado português terá gasto em 2012 cerca de 2% do PIB, enquanto a média da UE terá sido de 2,3%.

“É completamente impossível vencer a crise por via da austeridade”


“Este ciclo de dívida e austeridade tem sido imposto a vários países (...). O resultado foi sempre mais pobreza, mais desigualdades, menos democracia e mais poder para as empresas multinacionais. Mais ainda, criou sempre mais dívida”, afirma em entrevista Nick Dearden, que estará no Encontro Nacional da Iniciativa para uma Auditoria Cidadãos à Dívida Pública, no próximo dia 19 de Janeiro. Publicado por auditoriacidada.info
"Quebremos as cadeias da dívida grega" - Campanha da Jubilee Debt Campaign
Nick Deardené inglês, dirige a Jubilee Debt Campaign(organização do Reino Unido que intervém, a nível nacional e internacional, na luta global contra a escravatura da dívida e pela justiça da dívida) e é um dos convidados internacionais no Encontro Nacional da IAC, que terá lugar no próximo dia 19 de Janeiro.
Os responsáveis pela organização do Encontro enviaram-lhe três perguntas que aqui se divulgam, juntamente com as respostas entretanto recebidas.
Acredita que a dívida externa deve ser “paga a todo o custo”?
Essa visão perniciosa já foi contestada, com bastante sucesso, naquilo que denominámos como “movimento da dívida do Terceiro Mundo”. Na altura, muitas pessoas aceitavam o preceito de que “as dívidas devem ser sempre pagas” — mesmo se a dívida em questão tivesse sido contraída por um ditador há muito deposto, a quem o dinheiro fora emprestado para comprar ao Ocidente as armas utilizadas para oprimir as mesmas pessoas a quem agora se exigia o pagamento. E mesmo se o pagamento dessas dívidas implicasse a disseminação de doenças, desemprego e até a morte de milhares de pessoas, ao passo que o não-pagamento não levaria à morte de absolutamente ninguém. Dá para ver até que ponto a questão da moralidade da dívida está enraizada nas nossas sociedades.
Mas esta moralidade foi posta em causa, e muita, muita gente — provavelmente a maioria das pessoas — acabou por aceitar que nem sempre é correto pagar uma dívida. Existe inclusivamente o princípio da dívida odiosa — dívidas contraídas por ditadores, com efeitos nocivos sobre um povo —, que não deve ser paga de todo. Mas tudo isto implica muita pedagogia junto das pessoas, e muitas campanhas para mudar a opinião do senso comum sobre este assunto. Hoje em dia, temos de levantar a questão do que será uma dívida ilegítima aqui na Europa. Quando os “credores-abutre” obtêm lucros imensos à custa da miséria das pessoas, emprestando-lhes dinheiro a taxas de juro com percentagens que chegam aos milhares, pura e simplesmente para que possam comprar roupas e comida, podemos realmente afirmar que estas dívidas ilegítimas devem ser pagas? Questionar o “sistema” da dívida é a nossa tarefa mais importante, enquanto ativistas, se queremos mudar as sociedades em que vivemos.
Acredita que é possível vencer a crise económica e social por via da austeridade?
É completamente impossível. Este ciclo de dívida e austeridade tem sido imposto a vários países, mais do que uma vez, a partir de finais da década de 70. O resultado foi sempre mais pobreza, mais desigualdades, menos democracia e mais poder para as empresas multinacionais. Mais ainda, criou sempre mais dívida, porque um país mais pobre tem ainda menos condições para pagar a dívida. Então, porque continuam a impor estas políticas? Porque há algumas pessoas que lucram com elas. A austeridade funciona de facto — para o 1% mais rico da população mundial, que enriqueceu para além do imaginável nos últimos 30 anos. No fundo, estas políticas criaram uma economia global, que deu às multinacionais e aos super ricos imenso poder, condenando a maioria das pessoas à pobreza. O que se está a passar na Europa hoje em dia não é novo, e temos de aprender com as campanhas contra a dívida na América Latina, na Ásia e em África.
Acredita que a pior fase da crise europeia já passou?
Nem queria acreditar, quando ouvi Durão Barroso a afirmá-lo há pouco tempo. É a prova (se é que precisávamos de mais alguma) de que as autoridades da troika vivem num universo paralelo. Claro que a crise ainda não acabou, e o pior ainda está para vir. Na Grécia, a saúde pública foi destruída, e os índices de suicídio, assassínio, prostituição e HIV crescem vertiginosamente. Há partes de Atenas sob o controlo de grupos nazis. E este cenário horror não se ficará pelas fronteiras da Grécia. Há toda uma geração que não vê um futuro à frente.
É por isso que temos de organizar-nos contra a dívida, e a favor de auditorias. É a única forma de as pessoas reconquistarem o controlo sobre a economia. Não podemos dizer que vivemos em “democracia” se não tivermos controlo sobre a economia, porque é nesse campo que são tomadas todas as decisões que afetam as nossas vidas. As lutas contra este modelo económico desumano conseguiram vencer em vários contextos — olhemos para a América Latina, por exemplo, onde estão a ser feitas experiências em torno de novas formas de comércio, novos bancos de desenvolvimento, orçamentos participativos, etc. É possível retomar as rédeas da economia — não vai acontecer de um dia para o outro, mas temos de começar por algum lado.
Tradução de Mariana Avelãs
Artigo publicado por auditoriacidada.info

Providência cautelar contra encerramento da MAC


Mais de 30 cidadãos entregam providência cautelar contra encerramento da Maternidade Alfredo da Costa. A providência cautelar “visa evitar o encerramento da MAC – objetivo já definido a prazo pelo Governo – nos termos anunciados para o princípio de 2013, de forma a garantir a preservação do elevado padrão de qualidade dos cuidados de saúde que a instituição vem prestando à população”.
"A excecional qualidade da MAC é possível porque nessa instituição se reúnem três fatores fundamentais: (…) a competência técnica e a dedicação" dos seus profissionais de saúde, a "experiência acumulada" e a "logística bem dirigida e organizada", salientam os signatários da providência cautelar
A TVI noticiou nesta quinta-feira a entrega de uma providência cautelar no Tribunal Administrativo de Lisboa, na sequência de uma ação popular, para evitar o encerramento da Maternidade Alfredo da Costa (MAC), em "defesa da saúde pública". A providência cautelar é subscrita por mais de 30 cidadãos, entre os subscritores estão o ex-ministro da Saúde Correia de Campos, o psicólogo Daniel Sampaio, o Bastonário da Ordem dos Médicos, José Manuel Silva, e médicos, enfermeiros, assistentes sociais e utentes da maternidade.
"A presente providência cautelar (...) visa evitar o encerramento da MAC – objetivo já definido a prazo pelo Governo – nos termos anunciados para o princípio de 2013, de forma a garantir a preservação do elevado padrão de qualidade dos cuidados de saúde que a instituição vem prestando à população, uma vez que existe um fundado receio de que os procedimentos em curso não o assegurem", lê-se no documento, segundo a agência Lusa.
Em causa está a transferência da MAC para o Hospital D. Estefânia, que não tem espaço para integrar médicos e equipamento daquela unidade.
Os subscritores da providência cautelar lembram também o dinheiro gasto ao longo dos últimos 10 anos para dotar a MAC com equipamento topo de gama, comprado à luz dos critérios internacionais mais exigentes.
"A excecional qualidade da MAC é possível porque nessa instituição se reúnem três fatores fundamentais: (…) a competência técnica e a dedicação" dos seus profissionais de saúde, a "experiência acumulada" e a "logística bem dirigida e organizada", salientam os signatários.

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

“Pedimos ao país que se levante contra este ataque ao Estado Social”


Comentando o novo plano do FMI, o líder parlamentar do Bloco de Esquerda, Pedro Filipe Soares, apelou: "Nós pedimos ao país que se levante contra este ataque contra o Estado que nós conhecemos, porque não ficará pedra sobre pedra deste brutal ataque ao Estado social, aos direitos, aos salários e às pensões".
Pedro Filipe Soares apelou: "Nós pedimos ao país que se levante contra este ataque contra o Estado que nós conhecemos” - Foto de Tiago Petinga/Lusa
Pedro Filipe Soares fez estas declarações à comunicação social no parlamento, exortou o Governo a "não se esconder atrás deste relatório do FMI" e a assumir "as suas responsabilidades" e anunciou a entrega de um requerimento ao Governo, solicitando ao ministério das Finanças a divulgação do relatório aos deputados. O Governo terá recebido o documento do FMI no passado mês de dezembro.
Segundo a agência Lusa, o líder parlamentar do Bloco considerou também que "quem faz o relatório com esta brutalidade para as pessoas não pode ser ouvido pelo Governo português", que acusou de querer "afundar o Estado social" ao falar da sua refundação.
Pedro Filipe Soares frisou ainda: "Afundar o Estado social, cortar salários, cortar pensões, cortar aqueles que são os direitos de todos, obrigando a pagamentos mais abusivos na saúde e obrigando a pagamentos na educação é não deixar pedra sobre pedra no Estado que nós conhecemos e naquilo que demorou décadas a construir".

Multiplicam-se as tomadas de posição contra o plano arrasador do FMI


Para António Arnaut as propostas do FMI são “uma subversão do regime democrático e constitucional”. O secretário-geral da CGTP afirma que o plano “confirma o falhanço absoluto das políticas de implementação do memorando da troika”. Também já criticaram o plano a Fenprof, a ordem dos médicos e o sindicato independente, a associação de oficiais das forças armadas, a associação sindical da polícia, a UGT, o movimento de utentes da saúde, PS, PCP, PEV e Bloco.
Foto de Paulete Matos
Face à divulgação do novo plano do FMI que é uma razia contra salários, pensões, educação e saúde públicas, multiplicam-se as tomadas de posição contra as propostas arrasadoras do FMI, com o apoio da troika e do Governo.
António Arnaut, militante do PS e fundador do Serviço Nacional de Saúde (SNS), declarou à agência Lusa: “uma vez que o Governo não pode fazer a revisão constitucional, se esta proposta fosse concretizada, isso implicava uma subversão do regime e uma revisão da própria Constituição”.
Sobre a proposta do aumento das taxas moderadoras das urgências de saúde, António Arnaut sublinhou que, “do ponto de vista constitucional, e mediante jurisprudência do Tribunal Constitucional, estas não podem ser tão altas que dificultem ou impeçam o acesso dos utentes ao SNS”, nem podem ser uma forma de co-pagamento.
O militante socialista disse também que “por trás destas medidas, e a pretexto da crise, está uma tentativa de revisão constitucional e de destruição do Estado Social, designadamente do SNS, porque este movimenta em todo o mundo uma quantia semelhante ao do tráfico de armas” e frisou: “Tal como disse o Presidente da República, a Constituição não está suspensa e qualquer organização internacional, mesmo os nossos credores, têm de ter respeito pelas instituições democráticas de qualquer Estado soberano”.
Também em declarações à Lusa, Arménio Carlos, secretário-geral da CGTP, afirmou: “Já se provou que esta é uma política que não traz boas notícias. Para a CGTP é preciso dizer basta [à troika e ao Governo]. É preciso acabar com o memorando, porque ele se tornou no problema que impede as soluções para o país. É preciso acabar com a política de direita, porque ela acentua ataques sem precedentes à democracia, à soberania e a direitos fundamentais da população”.
Arménio Carlos diz que o plano sugere o aumento do desemprego, “condiciona brutalmente o acesso a serviços fundamentais” como saúde, educação e segurança social sem nunca mencionar cortes na despesa, que teriam obrigatoriamente que passar pelo fim das Parcerias Público-Privadas (PPP) e dos benefícios fiscais para as grandes empresas.
“Está aí a razão dos problemas do país, mas também no facto de as receitas estarem a diminuir brutalmente. Este Governo continua a apostar na recessão económica com tudo aquilo que lhe está subjacente”, acusou Arménio Carlos que vincou ainda que a “resposta a estes problemas” só pode ser dada com “a participação cívica de todos sem exceção”.
Mário Nogueira, secretário-geral da Fenprof, afirmou que é “absolutamente impossível levar por diante as medidas propostas pelo FMI sem demolir o sistema educativo que temos”. Considerou que a dispensa de 50 mil professores, apontada no plano, é “um disparate absoluto” e salientou que “significa que, neste momento, já não há limites para a destruição, é arrasar, é deitar abaixo tudo aquilo que foi construído e que foi difícil”.
O secretário-geral da Fenprof disse ainda que se trata “de retirar da Educação aquilo que se está a pagar aos bancos e tudo aquilo que é vigarice que neste país foi feito por muita gente que continua impune” e frisou: “Não são só as medidas em si, elas acrescem aos cortes já previstos no OE/2013, que também já preveem uma forte redução de verbas na Educação, nomeadamente com a tomada de medidas que provocarão mais despedimentos, mais desemprego, mais mega-agrupamentos, ou seja, são medidas em cima de medidas, de uma violência completa”.
Ordem dos Médicos (OM) está contra o aumento das taxas moderadoras na saúde proposto pelo FMI, tendo o seu bastonário, José Manuel Silva, afirmado à Lusa que a “população já está encostada à parede” devido à redução dos salários e ao aumento dos impostos.
“A Ordem do Médicos considera que não há espaço para aumentar as taxas moderadoras, na medida em que os aumentos substanciais que já se verificaram têm reconhecidamente afastado alguns doentes do Serviço Nacional de Saúde”, disse ainda José Manuel Silva, considerando “particularmente preocupante” a redução do número de urgências e de consultas nos cuidados de saúde primários.
presidente do Sindicato Independente dos Médicos (SIM), Jorge Roque da Cunha, afirmou : “Recusamos em absoluto receitas do Fundo Monetário Internacional para transformar o sistema de saúde português num sistema, por exemplo, semelhante ao norte-americano, que deixa de cobrir milhões de cidadãos”.
Para o presidente da Associação dos Oficiais das Forças Armadas, coronel Manuel Cracel, o plano do FMI, que defende que os militares têm pensões demasiado generosas, “revela ignorância e está desfasado da realidade”.
presidente da Associação Sindical dos Profissionais da Polícia (ASPP), Paulo Rodrigues, disse à Lusa que “o FMI descobriu regalias que os polícias não têm”, adiantando que a reforma de um polícia ronda, em média, os 1.000 e os 1.200 euros. Considerou ainda que “o relatório do FMI é estranho e propõe medidas ridículas. Diz que temos uma boa segurança pública, mas ao mesmo tempo propõe medidas que vão destruir essa qualidade”.
A UGT considera que “as conclusões do relatório são absolutamente inaceitáveis”. João Proença, secretário-geral da UGT, declara: “Não é aceitável que se ponha em causa a Constituição, que se destrua a vida das pessoas e que não haja qualquer nível de preocupação com a melhoria do funcionamento da administração pública. O que é apontado são cortes cegos que vão, na prática, destruir a função pública e um pior Estado Social”.
Movimento de Utentes da Saúde manifesta-se “revoltado” e “indignado” com o plano arrasador do FMI.
Também todos os partidos da oposição se manifestaram contra o plano de razia de cortes e despedimentos do FMI.
O líder parlamentar do Bloco de Esquerda, Pedro Filipe Soares, apelou ao levantamento da população “contra este ataque contra o Estado que nós conhecemos, porque não ficará pedra sobre pedra deste brutal ataque ao Estado social, aos direitos, aos salários e às pensões”.
O secretário-geral do PS, António José Seguro, declarou: "O Partido Socialista não está disponível e quero deixar um aviso ao primeiro-ministro: ele não tem mandato para fazer um corte desta natureza".
João Oliveira, deputado do PCP, afirmou à Lusa que o plano do FMI "tem como base o pressuposto que o PCP recusa por completo que é o pressuposto de continuar a roubar o povo português, sendo apenas a dúvida em relação à forma como esse roubo irá por diante, se é mais nas reformas, se é mais nos despedimentos, se é mais nos cortes do subsídio de desemprego ou nas prestações sociais".
Heloísa Apolónia, deputada do PEV, declarou: "Este plano apresentado pelo FMI é absolutamente abominável e não visa de todo salvar o Estado português, visa destruir o povo português, isto é extraordinariamente preocupante".

Novo plano do FMI e da troika: Mais cortes e mais despedimentos


O novo plano de cortes do FMI é uma razia, estendendo brutalmente a receita de mais e mais forte austeridade. Pretende reduzir ainda mais as pensões, despedir entre 70 e 140 mil funcionários públicos, cortar nos salários mais baixos, reduzir 50 mil professores e trabalhadores auxiliares, aumentar taxas moderadoras na saúde e limitar acessos. Apesar de ter só a assinatura do FMI, o plano tem o apoio participado da troika e do Governo e nada propõe sobre impostos sobre os mais ricos ou mais valias financeiras.
O plano do FMI tem o apoio participado da troika e do Governo e nada propõe sobre impostos sobre os mais ricos ou mais valias financeiras – Foto de Paulete Matos
O “Jornal de Negócios” desta quarta-feira dá a conhecer o novo plano do FMI para cortar 4.000 milhões de euros na despesa pública. O plano contou com a assessoria do Banco Mundial e da Comissão Europeia e teve a colaboração especial dos secretários de Estado do Orçamento, Morais Sarmento, dos Negócios Estrangeiros, Morais Leitão, e da Administração Pública, Hélder Rosalino, cuja “liderança” foi muito útil segundo o FMI. Estas referências deixam claro que o plano do FMI é de facto um novo plano da troika e do Governo PSD/PP.
O plano é significativo pelas medidas asfixiantes, da maioria da população e da economia, que propõe. Porém, é igualmente significativo no que não trata e omite. O plano não refere as profundas desigualdades existentes em Portugal e que se estão a agravar significativamente. Também não trata da evasão fiscal dos mais ricos, da fuga de capitais e holdings para paraísos fiscais, de impostos sobre a banca ou sobre rendimentos de capitais. Igualmente nada diz sobre cortes nas PPP's e pelo contrário propõe até novas medidas de apoio do Estado ao capital privado, na educação.
O plano propõe cortes nos salários, redução e despedimento de funcionários públicos e novas reduções nas pensões. Uma das propostas para as pensões é novo corte de 10% para todas as pensões de reforma. Quanto à função pública, o plano propõe o despedimento de 70 mil a 140 mil trabalhadores.
Este plano pretende também novos cortes no subsídio de desemprego no valor e no tempo de atribuição.
Sobre os salários mais baixos a hipocrisia do FMI atinge o cúmulo ao propor o corte permanente dos salários mais baixos na função pública, pois segundo o plano a administração pública de Portugal tem salários “relativamente elevados pagos a trabalhadores com baixas qualificações” e estes “não estão em risco de pobreza”.
Na educação, o FMI quer despedir 50 mil professores e funcionários auxiliares e aumentar os contratos com as escolas privadas.
Em relação à saúde, o FMI pretende aumentar as taxas moderadoras, passando por exemplo as taxas pagas nas urgências dos atuais 20 euros para 33,62 euros. Propõe ainda a a redução do leque de cuidados médicos a toda a população e a diminuição drástica das horas extraordinárias pagas a médicos e outros funcionários do SNS.
O FMI considera ainda que Portugal tem militares e polícias a mais e que têm regalias excessivas.

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Reformados vão a tribunal contestar cortes nas pensões


O estudo da consultora KPMG que diz ser Portugal o país com maior carga fiscal na Europa está a indignar os pensionistas e reformados. Rosário Gama, da APRE!, diz que a associação vai avançar com ações em tribunal para impedir este aumento brutal dos impostos. Com a sobretaxa e as mudanças no IRS para 2013, um reformado em Portugal acaba a pagar quase o triplo da taxa cobrada na Alemanha.
Foto Paulete Matos
«Sentimos que estamos a ser alvo de um saque porque, de facto, é um roubo o que estão a fazer aos reformados. Vamos lutar contra isso, vamos para tribunal», afirmou Rosário Gama à Lusa, comentando o estudo publicado no Diário Económico, da autoria da consultora KPMG. Nos exemplos avançados nesta simulação que compara os impostos sobre o rendimento em Portugal, tendo em conta o aumento do IRS e a sobretaxa para 2013, com os dos cinco países mais ricos da Europa, a conclusão é sempre a mesma: quem trabalha em Portugal vai pagar mais impostos em 2013 que na Alemanha, França, Reino Unido, Itália ou Espanha. Mas a situação é pior no caso dos reformados, com o cálculo a prever uma taxa efetiva de tributação que quase atinge o triplo da que paga um reformado alemão com o mesmo rendimento.
"Esperamos a declaração de inconstitucionalidade destas medidas. Estamos cheios de esperança que isso aconteça, mas estamos a pensar entrar já com ações em tribunal", afirmou a  presidente da Associação Nacional de Aposentados, Reformados e Pensionistas (APRE!). Rosário Gama alerta que "os cortes que aí vêm são brutais" e irão "taxar os mais pobres e os que não têm possibilidade de fazer greves e de adotar outras medidas de luta".
A APRE! entregou em dezembro na Assembleia da República uma petição com 13 mil assinaturas contra as medidas previstas no Orçamento de Estado. "Tivemos uma carreira contributiva muito longa - algumas pessoas ultrapassaram mesmo os 40 anos -, fizemos os planos de vida em função da pensão atribuída, muitos de nós temos os filhos desempregados e temos pais a cargo. Por isso, este saque vem perturbar gravemente a vida das pessoas. Em particular, os reformados estão a ser discriminados em relação aos outros cidadãos", afirmou na altura Rosário Gama.
Pensionistas portugueses pagam mais que os mais ricos
A simulação da KPMG apresenta os casos de trabalhadores solteiros, casal de trabalhadores e pensionistas solteiros, sempre sem dependentes, com rendimento anual de 50 mil, 100 mil e 300 mil euros. Na tributação dos salários e pensões em relação aos cinco países europeus mais ricos, Portugal tem sempre a taxa efetiva mais alta, à exceção do exemplo do casal com 50 mil euros anuais, que em Itália pagará mais 2% de imposto sobre o rendimento.
O fosso entre o imposto pago em Portugal e nos cinco países mais ricos alarga-se não só à medida que aumenta o rendimento, mas também em prejuízo dos reformados. No caso do trabalhador solteiro com 50 mil/ano, a diferença na taxa é de menos de 1% em relação à Alemanha. Mas se for reformado com o mesmo rendimento, vai pagar o dobro da taxa que é cobrada aos pensionistas alemães.
No caso das pensões muito acima da média portuguesa - 300 mil euros anuais - a taxa efetiva de imposto para os casais quase triplica a da Alemanha. Ou seja, depois de cobrados os impostos, os dois casais com a mesma reforma terão uma reação diferente ao ver o que sobrou: 107 mil euros em Portugal e 227 mil euros na Alemanha.

Comunicado do Bloco de Esquerda sobre a Escola EB2,3 de Minde

Consulte no link abaixo:

Requerimento ao Secretário de Estado do Ambiente

Bloco requereu a vinda do Secretário de Estado do Ambiente

à AR para esclarecer funcionamento da ETAR de Alcanena

O deficiente funcionamento da Estação de Tratamento de Águas Residuais (ETAR) de Alcanena, com mais de 20 anos, tem sido extremamente penalizador para a qualidade de vida e saúde pública das populações deste concelho, além de ser responsável pela poluição de recursos hídricos e solos.

Esta ETAR, destinada a tratar os efluentes da indústria de curtumes, foi desde a sua origem mal concebida, a começar por se situar em leito de cheia. Desde então os problemas são conhecidos e persistem: maus cheiros intensos; incumprimento regular dos valores-limite estabelecidos para o azoto e CQO das descargas de efluente tratado em meio hídrico; célula de lamas não estabilizadas, com deficiente selagem e drenagem de lixiviados e biogás; redes de saneamento corroídas, com fugas de efluentes não tratados para o ambiente; saturação da ETAR devido a escoamento das águas pluviais ser feita nas redes de saneamento.

Desde há muito que estes problemas são conhecidos e nada justifica, ainda mais com todo o avanço tecnológico existente ao nível do funcionamento das ETAR, que se chegue ao final de 2010 com esta situação. E pior se compreende quando é o próprio Ministério do Ambiente a constatar que gastou ao longo dos anos cerca de 50 milhões de euros para tentar responder a estes problemas.

Em Junho de 2009 foi assinado um protocolo para a reabilitação do sistema de tratamento de águas residuais de Alcanena pela ARH Tejo, o INAG, a Câmara Municipal e a AUSTRA (gestora da ETAR), com investimentos na ordem dos 21 milhões de euros de comparticipação comunitária.

Este protocolo inclui cinco projectos, os mais importantes dos quais com prazo final apenas em 2013, o que significa arrastar os principais problemas identificados até esta data. Como os prazos de início dos estudos destes projectos já sofreram uma derrapagem, dúvidas se colocam sobre o cumprimento dos prazos estabelecidos, ainda mais quando não há certezas sobre a disponibilização de verbas nacionais para co-financiar os projectos, tendo em conta o contexto de contenção actual.

Considerando a gravidade dos problemas causados pela ETAR de Alcanena para as populações e o ambiente, o deputado José Gusmão e a deputada Rita Calvário do Bloco de Esquerda solicitam uma audiência com o Secretário de Estado do Ambiente, com a finalidade de obter esclarecimentos sobre os investimentos previstos para a reabilitação do sistema de tratamento, as soluções escolhidas, o cumprimento de prazos, e as garantias que os mesmos oferecem para resolver o passivo ambiental existente, os focos de contaminação dos recursos hídricos e solo, os maus cheiros e qualidade do ar respirado pelas populações deste concelho. Seria de todo útil que o presidente ou representantes da ARH-Tejo estivessem presentes nesta audiência.

Lisboa, 17 de Dezembro de 2010.

A Deputada O Deputado

Rita Calvário José Gusmão

Direito a não respirar “podre” – SIM ou NÃO?





No passado domingo, dia 12 de Dezembro, no Auditório Municipal de Alcanena, realizou-se uma conferência, dinamizada pelo Bloco de Esquerda, sobre a poluição em Alcanena.
Esta sessão reuniu um grupo de ‘preocupados’, que primeiramente ouviram as exposições de especialistas sobre o assunto e, no final, trocaram experiências e pontos de vista, baseados na própria vivência, bem como em conhecimentos técnicos e científicos.
Ficou bem patente que se trata de um grave problema de há muito sentido, mas também desvalorizado, do qual até ao momento não se conhecem as verdadeiras implicações para a saúde pública, mas que transtorna a vida de todos os que vivem e trabalham no concelho, tornando desagradável e doentio o seu dia a dia.
Ficou também claro que o Bloco de Esquerda, aliado desta causa, não abandonará a luta, que será levada até onde os direitos das pessoas o exigirem.

Comunicado de Imprensa

Leia em baixo o Comunicado de Imprensa de 3 de Dezembro do Bloco de Esquerda em Alcanena.

Clique aqui para ler

Reclamamos o DIREITO A RESPIRAR

Bloco de Esquerda continua na senda de uma solução para o grave problema de poluição ambiental em Alcanena



Na passada sexta-feira, dia doze de Novembro, uma delegação, composta pelo Deputado do Bloco de Esquerda pelo Distrito de Santarém, José Gusmão, e mais dois elementos do Bloco, foi recebida pela administração da Austra, no sentido de esclarecer alguns pontos relativos ao funcionamento da ETAR e à poluição que de há muito tem afectado Alcanena, com acrescida intensidade nos últimos tempos.

O Bloco de Esquerda apresentou já um requerimento ao Ministério do Ambiente, aguardando resposta.

Após a reunião com a administração da Austra, realizou-se na Sede do Bloco em Alcanena uma Conferência de Imprensa para fazer o ponto da situação.

Da auscultação da Austra, ficou claro para o Bloco de Esquerda que a ETAR de Alcanena não reúne as condições minimamente exigíveis, quer do ponto de vista do cumprimento da lei, quer da garantia de índices de qualidade do ar compatíveis com a saúde pública e o bem estar das populações.

A delegação do Bloco de Esquerda obteve do presidente da Austra o compromisso da realização de operações de monitorização da qualidade do ar em Alcanena, a realizar o mais tardar em Janeiro. De qualquer forma, o Bloco de Esquerda envidará esforços para que essa monitorização ocorra de forma imediata.

Embora existam planos para a total requalificação dos sistemas de despoluição, registamos com preocupação a incerteza sobre os financiamentos, quer nacional quer comunitário. O Bloco de Esquerda opor-se-á a que estes investimentos possam ser comprometidos por restrições orçamentais, e exigirá junto do Governo garantias a este respeito.

A participação popular foi e continuará a ser um factor decisivo para o acompanhamento e controlo da efectiva resolução do problema da qualidade do ar em Alcanena.

No âmbito da visita do Deputado do Bloco de Esquerda, José Gusmão, ao Concelho de Alcanena, realizou-se um jantar-convívio no Restaurante Mula Russa em Alcanena, ocasião também aproveitada para dialogar sobre assuntos inerentes ao Concelho. Mais tarde, José Gusmão, conviveu com um grupo de jovens simpatizantes num bar deste concelho.

No sábado, dia treze de Novembro, José Gusmão e outros elementos do Bloco de Esquerda estiveram em Minde, no Mercado Municipal, distribuindo jornais do Bloco, ouvindo e conversando com as pessoas.

Neste mesmo dia, junto ao Intermarché de Alcanena, José Gusmão contactou com as pessoas e entregou jornais do Bloco de Esquerda.

Num almoço realizado em Minde, no Restaurante Vedor, com um grupo de aderentes e simpatizantes do Bloco, houve mais uma vez oportunidade para ouvir opiniões, experiências e expectativas, bem como de exprimir pontos de vista.

O Bloco de Esquerda continuará a luta por um direito que parece ser inerente à própria condição humana, mas que vem sendo negado às pessoas que vivem e trabalham em Alcanena – o direito de respirar ar “respirável” e de não ser posta em causa a sua saúde.


A Coordenadora do Bloco de Esquerda de Alcanena

Poluição em Alcanena: Requerimento à Assembleia da República

Pessoas esclarecidas conhecem o seu direito de respirar ar puro e lutam pela sua reconquista já que alguns até isto usurparam.

O Bloco de Esquerda encetou a luta pela despoluição de Alcanena na legislatura anterior e continuará a manifestar-se e a rebelar-se contra esta desagradável e injusta situação até que no nosso concelho possamos respirar de novo.


Veja aqui Requerimento apresentado pelo BE quanto à questão da poluição em Alcanena

Carta à AUSTRA

Carta entregue pelo grupo de cidadãos "Chega de mau cheiro em Alcanena" ao Presidente da Austra e Presidente da Câmara Municipal de Alcanena

INAUGURAÇÃO DA SEDE DO BLOCO DE ESQUERDA EM ALCANENA

Francisco Louçã inaugurou no passado domingo, dia 31 de Outubro, a Sede do Bloco de Esquerda em Alcanena. Na inauguração esteve também representada a Coordenação Distrital do Partido; estiveram presentes aderentes e convidados. Esta ocasião especial foi uma oportunidade de convívio, acompanhada de um pequeno beberete.
Francisco Louçã falou, como sempre, de forma clara e apelativa, abordando a actual situação crítica do país,apontando as razões, propondo alternativas e caminhos.
Baseando-se no Socialismo Democrático, o Bloco de Esquerda tem sido sempre activo na defesa dos valores da verdadeira Democracia, e propõe-se continuar essa luta. Esta nova Sede é mais um ponto de encontro, de trabalho, de partilha de pontos de vista e de tomada de iniciativas, possibilitando que se ouçam as vozes de todas as pessoas e transmitindo os seus problemas e expectativas.
Trata-se de um pequeno espaço, que representa uma grande vontade de mudança e que espera contar com a presença de todos os que partilhem os ideais de um concelho mais próspero, de uma sociedade mais justa e equilibrada, de um país realmente mais avançado.