sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Semedo pede esclarecimentos sobre papel de Relvas nas privatizações


O primeiro-ministro reagiu descontroladamente a uma pergunta do coordenador do Bloco de Esquerda, João Semedo, que quis saber qual é o papel do ministro Miguel Relvas nas privatizações, já que o empresário colombiano que pretendia comprar a TAP mal chegou a Lisboa se reuniu com esse ministro, que não tem a tutela do processo.
Diante da resposta irritada de Passos Coelho, rejeitando “quaisquer insinuações” e acusando o coordenador do Bloco de “calúnia”, Semedo reafirmou a questão, dizendo que “é público, e o próprio ministro Relvas não desmentiu que tenha recebido esse empresário quando ele chegou a Portugal”. E insistiu: “Quero saber, e o sr. Primeiro-ministro não responde mais uma vez, qual é o papel do do ministro Miguel Relvas no programa de privatizações. É tão simples quanto isso. Tem algum papel ou não tem, e se tem, qual é. E isto, em nome da transparência, os portugueses querem saber.” Passos não respondeu.
Aliás, o primeiro-ministro não respondeu a qualquer pergunta sobre o fracasso da privatização da TAP formulada pelos partidos da oposição.
Na opinião de João Semedo, “o governo despenhou-se com estrondo no negócio da venda dos aviões. Foi uma derrota e tanto. Uma derrota tão sonora quanto a da TSU. E uma derrota cheia de trapalhadas que é necessário esclarecer... porque há o sério risco dessas trapalhadas continuarem nas próximas privatizações”.

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Governo só deixa entrar 600 professores nos quadros


Nos últimos 5 anos, reformaram-se mais de 20 mil professores dos quadros do Ministério e só entraram 400. Depois de ter prometido aos 37 mil professores precários há mais de quatro anos a abertura de um concurso, Nuno Crato anuncia agora que ele só permitirá a entrada de 600 professores nos quadros.
Foto Paulete Matos.
O ministro da Educação anunciou esta quinta-feira a abertura de um concurso extraordinário "nos próximos três, quatro meses", destinado a receber nos quadros "um conjunto de aproximadamente 600 professores", nas palavras de Nuno Crato.
O ministro diz que o concurso fará justiça "a um grande número de professores que há muitos anos trabalham dedicadamente" em situação de precariedade, mas na verdade irá apenas acolher uma pequena minoria dos profissionais do ensino que se encontram naquela situação. Nos últimos cinco anos saíram dos quadros mais de 20 mil professores com destino à reforma, mas o Ministério só permitiu a entrada nos quadros a 400 professores nesse mesmo período. Com o novo concurso, o racio de substituição de professores nos quadros mantém-se passa a ser de um professor a entrar para mais de 20 a sair.
O anúncio de Nuno Crato compromete a promessa repetida no último ano de que iria resolver a situação de precariedade em que vivem milhares de professores. Segundo a Associação Nacional de Professores Contratados, o país tem "37.565 professores a contrato há mais de quatro anos e 11.526 há mais de dez". Esta Associação defendeu a integração de dez mil professores seria o princípio de uma solução, que daria cumprimento a uma resolução aprovada na Assembleia da República em 2010, que recomendava ao Governo a integração excecional nos quadros dos professores com mais de dez anos de docência, com a duração mínima de seis meses por ano.
Fenprof: "90 por cento vão ficar de fora daquilo a que deveriam ter direito”
“Aquilo que o Ministério da Educação está a anunciar hoje é que do universo que identificou como tendo 10 ou mais anos de serviço – que são seis mil professores – 90 por cento vão ficar de fora daquilo a que deveriam ter direito”, disse à agência Lusa o secretário-geral da Federação Nacional dos Professores (Fenprof), Mário Nogueira.
Pelo contrário, o concurso agora prometido por Nuno Crato não distingue os docentes precários há mais tempo dos restantes, destinando-se aos professores "que nos últimos três anos tenham trabalhado durante 365 dias no ensino público". Mário Nogueira calcula que estejam entre 4 a 5 mil professores nesta situação. Mas “se tivéssemos em consideração aquilo que a lei geral diz (três anos de contratos), seriam mais de 12 mil” os professores a vincular, defendeu.
“A lei portuguesa e a diretiva comunitária que estabelece que devem ser respeitadas as mesmas regras para o público e o privado, devem ser respeitadas”, sublinhou Mário Nogueira.

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Bloco deu "passo" e espera que "outros também deem", disse Semedo após reunião com PS


"Há nas posições do Bloco e do PS pontos comuns e pontos diferentes, as diferenças são conhecidas, mas nós insistimos que o caminho para tirar o país da crise exige como pressuposto e condição primeira a renúncia ao memorando, foi isso que dissemos ao PS", afirmou o coordenador bloquista aos jornalistas, no final de um encontro com a direção do PS, no Largo do Rato.
Foto Miguel A. Lopes/LUSA.
Foto Miguel A. Lopes/LUSA.
O coordenador bloquista, João Semedo, disse no final da tarde desta segunda-feira, após uma reunião com o PS que "o diálogo não anula todas as diferenças mas aproxima" e que o Bloco deu "um passo" que espera que "os outros também deem".
"Há nas posições do Bloco e do PS pontos comuns e pontos diferentes, as diferenças são conhecidas, mas nós insistimos que o caminho para tirar o país da crise exige como pressuposto e condição primeira a renúncia ao memorando, foi isso que dissemos ao PS", afirmou João Semedo. 
Os dirigentes bloquistas foram recebidos na sede do PS pelo secretário-geral António José Seguro e pelo líder parlamentar Carlos Zorrinho.
“É no cumprimento de uma política exatamente oposta da que está no memorando que a Esquerda se tem de entender”, afirmou João Semedo, sublinhando que o partido “está muito empenhado na construção de uma maioria social e política que abra caminho e espaço para um governo de Esquerda”, cita a TSF.
“Achamos que essa é a exigência que os portugueses fazem à Esquerda e essa é a responsabilidade que a Esquerda tem neste momento. A Esquerda não deve esperar. O diálogo aproxima as posições, não anula todas as diferenças, mas aproxima”, explicou.
A reunião com o PS foi mais um passo no processo para a criação de um governo de esquerda. Para se chegar a este objetivo, é preciso que “este Governo seja demitido”, defendeu Semedo.
"Um governo de esquerda que tenha por programa o memorando não é um governo de esquerda”
“Um governo de esquerda é um governo que se constrói e pratica uma política ao contrário da que está no memorando: o memorando protege os bancos, um governo de esquerda defende as pessoas; o memorando destrói a economia, um governo de esquerda constrói e faz emprego; o memorando é o paladino das privatizações, um governo de esquerda defende os serviços públicos, foi isto que dissemos ao PS", afirmou o líder bloquista.
Questionado sobre as eleições autárquicas, João Semedo disse que os dois partidos têm posições "em muitos aspetos convergentes", mas que "não há nenhuma proposta conhecida para qualquer entendimento à esquerda".
Perante a insistência dos jornalistas sobre se um governo de esquerda é possível sem o PS, João Semedo respondeu: "Um governo de esquerda que tenha por programa o memorando não é um governo de esquerda, a política do memorando não muda em função do governo que concretiza esse programa; não é por ser o PS ou o PSD a executar o memorando que este passa a ser de direita ou de esquerda, o memorando é o que é, é mau para o país, os resultados estão à vista".
Interrogado sobre quando será a reunião da direção do Bloco com o PCP, João Semedo disse que os dois partidos estão ainda "a acertar uma data conveniente".

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

"Este Governo tem uma obsessão ideológica de ajustar contas com o 25 de Abril"


João Semedo, coordenador do Bloco de Esquerda, afirmou em Marinhais, concelho de Salvaterra de Magos, que o Governo PSD/CDS-PP está a pôr em prática uma política de “ajuste de contas” com as conquistas sociais alcançadas com o 25 de Abril, frisando que “demitir o Governo” é o único caminho para travar esta política.
João Semedo coordenador do Bloco de Esquerda - Foto de Paulete Matos
O coordenador do Bloco de Esquerda esteve nesta quinta feira numa sessão pública sobre o impacto do orçamento na vida das pessoas, na Biblioteca de Marinhais, no concelho de Salvaterra de Magos.
Referindo os aspetos altamente negativos do orçamento de Estado, João Semedo afirmou que “o Presidente da República devia vetar este orçamento e devia demitir o Governo”, sublinhando no entanto que o Bloco de Esquerda não tem “ nenhuma expectativa que Cavaco Silva faça alguma destas destas duas coisas: nem vetar o orçamento, nem demitir o Governo”.
João Semedo declarou então que “se o Orçamento for promulgado há hoje um número de deputados suficiente para fazer aquilo que o Presidente da República devia ter feito (…) independentemente até do que for a posição dos deputados do PS e de António José Seguro”.
Segundo a Lusa, o coordenador do Bloco lembrou que o partido fez “há bastante tempo” um apelo público aos deputados e à direção do Partido Socialista para que a iniciativa política de requerer a inconstitucionalidade do OE fosse feita por todos os partidos de esquerda, não sabendo até hoje se isso irá ou não acontecer e afirmou: “O que podemos dizer é que não estamos à espera do PS para o fazer porque o Bloco de Esquerda, o PCP e os Verdes têm o número de deputados suficiente para o fazer e é isso que vamos fazer”.
O coordenador do Bloco de Esquerda frisou que se o OE for considerado inconstitucional “a atual crise política agrava-se e agudiza-se”, por não ser “aceitável” que o mesmo Governo, em dois anos consecutivos, “aprove e ponha em marcha dois Orçamentos, ambos violando a Constituição”, sublinhando que “um Governo que faz isso é um Governo que merece ser demitido, porque não se pode governar violando tão grosseiramente e tão repetidamente a nossa Constituição”.

O estilo “pato bravo” na democracia local


Um verdadeiro monumento ao “patobravismo” é a mais recente proposta de lei do ministro Relvas, sobre o regime jurídico das autarquias e o estatuto das entidades intermunicipais, aprovada pela maioria governamental.
Um “pato bravo” é sempre um “pato bravo”. Na construção civil, nos negócios ou na política, a marca é indelével. Os interesses próprios são, obviamente, a prioridade. A ganância pelo lucro imediato - aproveitar enquanto está a dar - sobrepõem-se a tudo o resto. Normas urbanísticas, espaços verdes, cultura arquitetónica, respeito pelo património comum, interesse público… para quê?! O importante é o mamarracho, desde que permita um bom negócio, engordar a conta bancária, manter o mercedes, comprar a pulseira de ouro e ostentar um grande rolex.
Com a crise da construção civil, o ministro Relvas tornou-se o espécime mais evidente do estilo “pato bravo” na política. Democracia, participação, identidade, cultura, desenvolvimento sustentável, respeito pelas populações… para quê?! O importante é a estabilidade do caciquismo local e o controlo dos negócios, legitimados com uma macaqueação da democracia. É a isso que se chama eficiência e pragmatismo na gestão dos dinheiros públicos.
Um verdadeiro monumento ao “patobravismo” é a mais recente proposta de lei do ministro Relvas, sobre o regime jurídico das autarquias e o estatuto das entidades intermunicipais, aprovada pela maioria governamental.
Mais poderes para os presidentes de Câmara e menos para as Assembleias Municipais, é a filosofia geral. Até o direito de apresentação de moção de censura ao executivo, mesmo que sem grandes consequências, é retirado.
Com a esperteza habitual e a subtileza do hipopótamo, Relvas anuncia a eliminação de alguns dirigentes e assessores nas Câmaras, mas cria um aparelho de secretários executivos, talhado para albergar autarcas da maioria em fim de carreira, nas CIM – Comunidades Intermunicipais e nas Áreas Metropolitanas, para onde são canalizadas competências centrais e municipais, sem qualquer controlo democrático.
A falta de vergonha chega ao ponto de estabelecer uma norma na lei que só quem pode propor a lista de secretários executivos, para cada uma destas entidades intermunicipais, é o presidente da Assembleia Municipal com maior número de mandatos atribuídos ao partido ou coligação maioritária na respetiva área intermunicipal ou metropolitana. Ou seja, é o cacique-mor do partido maioritário na região que vai distribuir aqueles lugares, ponto final.
Depois, tudo será legitimado por um arremedo de eleição, através de um colégio eleitoral constituído por um número limitado de membros das assembleias municipais, onde só estarão os partidos maioritários. Nunca tal tinha acontecido em Portugal após o 25 de Abril.
As assembleias intermunicipais e metropolitanas, onde até agora têm participado deputados municipais eleitos nas respetivas assembleias, desaparecem com a nova lei. Serão substituídas por Conselhos Intermunicipais ou Metropolitanos, apenas compostos pelos presidentes de Câmara que veem, assim, os seus poderes reforçados e alcandorados para lá dos respetivos municípios onde são eleitos. Mais uma vez as assembleias são desvalorizadas em detrimento dos poderes presidenciais.
Esta lei transforma a democracia representativa e plural, numa espécie de “democracia só para a maioria”. Aniquila o processo de regionalização e de descentralização administrativa. Afasta os eleitores dos detentores de cargos políticos e da decisão política. Agrava a falta de transparência, diminui a cidadania, a pluralidade política e as oposições, potencia a corrupção e o clientelismo. É uma vergonha para a democracia local. Como acontece com qualquer “pato bravo”, estão a aproveitar enquanto dá.

Quantas vezes pagamos a nossa casa?


Salvaram os bancos, e agora quem salva as famílias? É que estas, sem emprego, com impostos cada vez mais elevados, começam também a perder a capacidade de pagamento do seu empréstimo à habitação.
Em Portugal a habitação nunca entrou na alçada dos direitos e garantias asseguradas pelo Estado Social. Ao longo das últimas décadas, o Estado demitiu-se de ter uma política integrada de habitação para todos, como refere o artigo 65 da Constituição. Desresponsabilizou-se desta, criando a ilusão do crédito fácil e o que acabou por desenvolver foi uma política de betão, de construção desenfreada e de sobrevalorização das casas em que quem lucrou foi a banca e não as pessoas.
A política foi consciente e intencional no sentido da promoção do crédito bancário para as famílias comprarem casa. Através do crédito bonificado e das isenções fiscais - que são formas de o Estado (e nós) financiar este tipo de endividamento; as baixas taxas de juro, somando a ausência de qualquer outra política que criasse alternativas à compra.
Qualquer incentivo ao crédito à habitação (isenções, juros baixos, bonificados, ou aumento do prazo de pagamento) não nos beneficiava, apenas tinha como resultado o aumento dos preço das casas e assim um maior endividamento nosso. Ou seja, estas políticas, revertiam sempre na inflação e especulação, ou seja, revertiam diretamente para o negócio imobiliário, com os promotores e a banca à cabeça.
E o resultado foi uma dívida gigantesca das famílias (para 30, 40 ou 50 anos), e uma dívida gigantesca da banca ao exterior que é a dívida gigantesca privada do país. Mas repito, o negócio bancário durante anos teve no crédito à habitação uma fonte fenomenal de lucros, rapidamente distribuídos aos acionistas, mas depois, com o ataque especulativo promovido pela elevada dívida privada do país, os bancos (e não os acionistas) começaram a ter problemas. Mas não houve crise para eles: salvaram-se os bancos. Uma boa parte da sua dívida externa foi transformada em dívida pública, precisamente esta que agora, dizem, temos de pagar à troika (a troika pagou ao Estado, o Estado pagou aos bancos, e nós pagamos isto tudo). E assim, as famílias não só têm o crédito bancário para pagar, como pagarão também, e outra vez, a dívida externa do negócio imobiliário que era dos bancos, e que foi também transferida para elas (através dos impostos e dos cortes do estado social). Engenhoso, não? É muito provável que paguemos ainda esta dívida mais algumas vezes, com mais empréstimos que virão.
Salvaram os bancos, e agora quem salva as famílias? É que estas, sem emprego, com impostos cada vez mais elevados, começam também a perder a capacidade de pagamento do seu empréstimo à habitação. Quem as salva? Não há qualquer resposta para os milhares de famílias que estão em risco de perder ou já perderam a sua casa. Num estado com uma Constituição que estabelece direitos e garantias fundamentais, salvam-se os bancos, mas não se preveem respostas para as famílias que perdem a sua casa. Mas há mais: como se não bastasse, se perderem a sua casa para o banco e este considerar que a dívida não ficou saldada, porque a soma da dívida já paga e o valor atual da casa, não vale, segundo a banca, o valor da dívida em falta, então, não só a a família perderá a casa, como manterá uma dívida de um crédito à habitação de uma casa que não tem.
Pagamos várias vezes a bendita/maldita casa em que precisamos para viver, sem estarmos livres de hoje para amanhã sermos atirados/as porta fora. Salvaram-se os bancos e quem salva as pessoas?

Empresa angolana Newshold quer comprar RTP


Duas semanas depois de Alberto da Ponte, presidente da RTP, se ter encontrado em Luanda com acionistas da Newshold, esta empresa anunciou que é candidata à compra da RTP. A Newshold, que ao que parece pertence a empresários próximos do regime angolano, detém o “Sol”, 15% da Cofina (proprietária dos jornais “Correio da Manhã”, “Jornal de Negócios” e “Record”, entre outros meios) e, em outubro passado, foi noticiado que pretende comprar “Diário de Notícias”, “Jornal de Notícias” e a rádio “TSF”.
Alberto da Ponte, na foto com Miguel Relvas, esteve há duas semanas em Luanda, onde se encontrou com acionistas da Newshold
Há duas semanas, Alberto da Ponte, presidente da RTP, esteve quatro dias em Angola onde se encontrou com o empresário angolano Domingos Vunge, acionista da empresa Score Media, com ligações aos grupos Ongoing e Newshold, segundo notícia do jornal “Público”.
Segundo o jornal, a visita tinha a ver com a ligação de Domingos Vunge e da Score Media à Newshold, devido a esta empresa deter 15,08% da Cofina, “a mais bem colocada na corrida à privatização de 49% da RTP” e a Newshold ser a “mola financeira” do negócio da privatização da RTP.
Nesta quinta feira, a Newshold tornou público um comunicado, onde assume “ para que não restem quaisquer dúvidas” que “na hipótese de a solução a definir pelo Governo português para a privatização ou concessão da RTP se revelar um negócio interessante para as partes, a Newshold tem disponibilidade e meios para, isoladamente ou em parceria, apresentar uma candidatura”.
No comunicado, que pode ser lido na íntegra no site do jornal “Sol”, a empresa queixa-se de ser tratada “como um grupo supostamente ‘misterioso’, de interesses alegadamente ‘obscuros’”, e acusa os jornalistas e comentadores “de preguiça na busca de informação”, referindo que “se a identificação completa dos accionistas da empresa foi entregue na CMVM, os meios de comunicação têm o dever de saber exactamente quem são os accionistas da Newshold”.
O site do jornal “Expresso” refere quecontactou a CMVM que recusou comentar a notícia. Segundo o jornal, a CMVM sabe quem são os acionistas da Newshold mas não pode divulgá-los, “por questões de segredo profissional e por só ter sob sua alçada empresas cotadas em bolsa - o que não é o caso da Newshold”. O jornal lembra que em 2010, quando a ERC (Entidade Reguladora para a Comunicação Social) tentou saber quem eram os donos do “Sol” concluiu que a proprietária da Newshold é a Pineview Overseas, SA – uma sociedade anónima sediada no offshore do Panamá, tendo como administradores Edgardo E. Diaz e Maria Vallarino.
O comunicado da Newshold esclarece depois que “todos os accionistas da NEWSHOLD, não obstante terem nacionalidade angolana, são também cidadãos de nacionalidade portuguesa, possuindo dupla nacionalidade”.
O comunicado questiona “em que é que o capital da Newshold com origem em Angola é diferente do capital com origem em Angola que hoje permite em Portugal a sobrevivência de muitas empresas de tantas áreas e que está a auxiliar a recapitalização da banca?”, sem no entanto clarificar a relação dos seus acionistas com o poder político de Angola.
No documento, assinado pelo presidente do Conselho de administração da Newshold, Sílvio Alves Madaleno, e pelo CEO, Mário Ramires, a empresa afirma-se como um “um grupo de comunicação social” “absolutamente independente de diversos factores que têm condicionado – e condicionam cada vez mais – toda a envolvência do espaço mediático português”.
O comunicado, de forma arrogante e acusatória, refere a terminar que a posição nele afirmada “não será alterada por quaisquer afirmações de cariz xenófobo, nem tão pouco por processos de intenção ou teorias da conspiração que possam vir a ser formuladas com o objectivo de denegrir esta empresa ou a sua estrutura accionista”.
O mistério dos donos da Newshold
Numa notícia de 17 de março deste ano do suplemento “Fugas” do jornal “Público”, assinada por Pedro Garcias, com o título “O mistério da Quinta da Foz”, refere-se que os investimentos angolanos já chegaram ao Douro e que a empresa Vinango comprou a Quinta da Foz por pouco mais de 4 milhões de euros. Na notícia é referido que não se conhecem os donos da Vinango, empresa que foi constituída para comprar a Quinta da Foz, mas o seu antigo proprietário, José Maria Calém, suspeita poder estar ligada à Newshold.
A notícia refere ainda queAldemiro da Conceição, porta-voz do presidente de Angola José Eduardo dos Santos, e António Maurício, vice-presidente da Fundação Eduardo dos Santos e presidente da Construtora do Tâmega, são dois dos investidores que têm sido associados à Newshold.
Na notícia é ainda dito que Álvaro Sobrinho, presidente do BESA, a filial angolana do BES tinha estado no Douro e que durante a sua estadia foi visto junto da Quinta da Foz, “adensando ainda mais as suspeitas sobre a sua ligação a este negócio”.
Na notícia do jornal “Público” sobre a visita do presidente da RTP a Angola, há cerca de duas semanas, refere-se que quando a Newshold comprou o “Sol” era presidida pela advogada Ana Bruno, que saiu da empresa este ano por causa do seu envolvimento no processo de corrupção Monte Branco, sendo então substituída por Sílvio Alves Madaleno, irmão de Álvaro Sobrinho, presidente do BESA, filial angolana do BES.
A Newshold detém (ver artigo no esquerda.net), pelo menos, o jornal “Sol” e 15,08% da Cofina que é dona das seguintes revistas e Jornais:Record, Jornal de Negócios, Correio da Manhã, Sábado, Destak (59%) e Meia-Hora (59%), Máxima, Máxima Interiores, Vogue, GQ, TV Guia, TV Novelas, Flash, Automotor, Rotas & Destinos, PC Guia, Semana Informática, Metro Portugal. Gere a publicidade do diário i e detém uma participação de menos de 2% na Impresa.
Em outubro passado, foi noticiado (ver notícia no esquerda.net) que a Newshold pretende comprar, com outros investidores, o Diário de Notícias (DN), o Jornal de Notícias (JN), O Jogo, as revistas Volta ao Mundo e Evasões, a rádio TSF, TSF Madeira e Açores, e ainda as participações detidas pela Controlinveste na agência Lusa (de 23%), na empresa de distribuição de jornais e revistas VASP (de 33%), no Açoriano Oriental (de 90%), no Diário de Notícias Madeira (de 49%) e no Jornal do Fundão (de 51%), bem como a propriedade da gráfica Naveprinter e a participação na gráfica Funchalense (50%).

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Processos de privatização da TAP e da ANA são um crime para os interesses do Estado


Os episódios que compõem o processo guiado pelo governo nesta história dava um Manual: “como fazer truques orçamentais e negócios ruinosos para o interesse público em meia dúzia de lições”. Autoria: Pedro Passos Coelho, Vítor Gaspar e Álvaro Santos Pereira.
Deste governo já vimos quase tudo: vendas apressadas da distribuição e produção de eletricidade ao mesmo dono. Um monopólio de duas rendas garantidas; ameaçaram com uma concessão que entregava a rádio e televisão pública sem qualquer risco, um escândalo a que o governo respondeu com criatividade, propondo agora entregar o controlo total por apenas meia venda. Mais uma renda. Mas nenhum destes processos está à altura do que aqui nos traz hoje - a entrega de duas empresas estratégicas, a ANA e a TAP, duas empresas de bandeira, que o governo prometeu entregar fosse de que forma fosse, e fosse a quem fosse, quebrando todas as regras do mercado que pretendem proteger, garantindo negócios de alguns à custa de todos os portugueses.
Os processos de venda da TAP e da ANA são um caso de estudo do que pode correr mal nas privatizações. Falta de transparência, estudos duvidosos, processo tortuoso desde o início, pressa de vender a qualquer preço, mesmo quando os valores do mercado aconselhavam prudência, interesses estratégicos do país deixados para trás. Tudo o que podia correr mal, está a correr pior, é este o resumo deste tortuoso processo.
Os episódios que compõem o processo guiado pelo governo nesta história dava um Manual: “como fazer truques orçamentais e negócios ruinosos para o interesse público em meia dúzia de lições” Autoria: Pedro Passos Coelho, Vítor Gaspar e Álvaro Santos Pereira.
Para arranjar um truque contabilístico que permitisse disfarçar o monumental buraco orçamental, que os ministros Vítor Gaspar e Álvaro Santos Pereira cavaram ativamente com a recessão económica ao longo do ano, o governo inventou um contrato de concessão das estruturas aeroportuárias para vender à ANA - empresa que detém as estruturas - concessão essa que será adquirida depois por quem vier a comprar a ANA no processo da sua privatização. Ou seja, a ANA compra a concessão das suas próprias estruturas para depois a vender a quem comprar a ANA. Parece complexo, mas não é. É um mero expediente artificial, que permite encaixar ainda este ano os milhões que o ministro Vítor Gaspar precisa para maquilhar a incompetência e o monumental falhanço no cumprimento das metas do défice orçamental que ele mesmo definiu. A venda da ANA é a cábula do aluno mal comportado para melhorar a nota do défice orçamental.
Mais. O contrato de concessão da ANA foi ontem aprovado em conselho de ministro, as propostas de aquisição terão que ser entregues até quinta-feira. Isso mesmo, é mesmo assim: 48 horas para os interessados consultarem o contrato, estudarem as condições, o custo benefício da sua operação e apresentarem propostas. Como é que as propostas iniciais (não vinculativas) foram entregues quando ainda não se conheciam as condições do contrato de concessão que, supostamente, estavam a tentar adquirir? Não há outra forma de ver isto: aqui há negociata com o dedo de fora. Se isto não é um contrato feito à medida, e já conhecido por um ou mais interessados, o governo consegue disfarçar muito bem.
Estes processos de privatização não são só um crime para os interesses do Estado, postos em causa em nome do negócio para meia dúzia. A forma como estão a ser conduzidos, com os pés e sem qualquer transparência, é um insulto à inteligência dos cidadãos.
No caso da TAP, a história também ilustrativa. No próprio dia em que o governo aprovou o caderno de encargos relativos à privatização da TAP, escolheu também o comprador, um dois-em-um nunca antes visto. O comprador, por seu lado, teve que usar a imaginação para contornar a legislação europeia que proíbe a propriedade das transportadoras aéreas europeias por não-comunitários, e conseguiu num volte-face cinematográfico, um passaporte polaco e abriu uma sucursal no Luxemburgo.
Mas por vezes, como dizia um antigo primeiro-ministro, é só fazer as contas. Aparentemente Efromovich terá avançado com a oferta com 1.500 milhões para TAP. Desses 1.500 milhões, cerca de 1.200 servem para cobrir o passivo da TAP, e cerca de 300 mil serão repostos na TAP, sob a forma de capitais próprios. O que falta nesta equação, é que a dívida da TAP corresponde praticamente aos ativos da TAP, com um diferencial de cerca de 300 milhões. E lembrar que para o comprador em questão, os efeitos multiplicadores de ligação com a área de atuação da TAP são certos. Economistas reputados têm afirmado que a privatização a fazer-se deveria pelo menos permitir angariar 700 milhões de euros. Mas parece não ser assim. No fim, o comprador deixará só uma gorjeta - nos cofres do Estado entrará a módica quantia de 20 milhões de euros. Pior era difícil.
Por isso mesmo, todas as vozes se têm levantado, até de ex-líderes do PSD, dizendo que negócios tão ruinosos para o interesse público não podem ser consumados.
A Transportadora Aérea e a ANA não são duas empresas quaisquer.
A ANA é uma das empresas públicas mais rentáveis, gerando, ano após ano, dezenas de milhões de euros de lucros para os cofres do Estado - ou seja, até hoje a ANA foi sempre um instrumento ativo de consolidação das finanças públicas. Aliená-la é colocar em risco essa consolidação orçamental.
No caso de uma empresa estratégica de transportes como a TAP, não estamos a discutir apenas uma companhia aérea, mas antes uma importante ferramenta de resposta à crise, um elemento central para qualquer estratégia de crescimento económico que tire o país do buraco em que nos enfiaram. A TAP foi em 2010 e 2011 a maior exportadora nacional; figura entre a meia dúzia de companhias aéreas mais eficientes do mundo; e é líder numa das ligações áreas mais apetecidas, com maior potencial de expansão mundial: a linha entre a Europa e o Brasil. O mesmo acontece com os países de língua oficial portuguesa, aonde o potencial de expansão das rotas da TAP a torna numa das empresas, da sua dimensão, com maior potencial.
E é por isso que a sua privatização não é apenas um mau negócio, uma venda ao desbarato. É um negócio histórico e sem paralelo na Europa, um caso de estudo a que o Dr. Borges certamente se dedicará a ensinar a ministros sem equivalências mas, sobretudo, é um negócio político
E é um sinal de capitulação do governo, que coloca o país refém de interesses estrangeiros, e que não controla, num setor estratégico e central para a competitividade da economia penhorando o futuro do país, o futuro da economia, o futuro dos portugueses. Uma venda que todos iremos pagar caro sem receber nada em troca.
Não chega ao ministro da Economia falar de reindustrialização do país quando nada resta ao Estado para incentivar ao investimento no país. Não chega ao ministro das Finanças emprestar dinheiro a si próprio para levar à Troika os resultados que prometeu. E não chega ao Sr. primeiro-ministro olhar para tudo isto e achar que o país aguenta a pirataria económica.
As privatizações do governo são hoje o maior investimento na austeridade futura. E nesta matéria o Bloco de Esquerda mantém uma posição de princípio económico: não se privatizam setores estratégicos e monopólios naturais. Porque não resolvem nada - garantem apenas que todos iremos pagar sempre mais caro as rendas dos amigos deste governo.
Declaração política na Assembleia da República em 12 de dezembro de 2012

O insuportável peso do ajuste financeiro 40 milhões de euros por dia é quanto cresce a dívida pública desde Junho de 2011.



Apresentando-se com um programa eleitoral em que o combate ao défice e à dívida surgiam como objetivos centrais, o PSD e o CDS/PP enganaram os seus eleitores e o país.
Em Outubro último, de acordo com dados oficiais, a dívida direta do Estado atingiu os 193.507 milhões de euros. Isto significa que nos últimos 16 meses o crescimento da dívida foi superior a 20.000 milhões de euros, mais de 1,3 mil milhões por mês, mais de 40 milhões por dia. O aumento mensal do valor da dívida é agora muito superior ao registado anteriormente. Entre 2007 e 2009 o crescimento da dívida pública foi de quase 20.000 milhões de euros, cerca de 831 milhões por mês ou 27 milhões de euros por dia.
Em Portugal, tal como em todos os países da zona euro, é entre 2007 e 2009 que ocorre o grande salto das dívidas soberanas. Aqui ao lado, na Espanha, a dívida pública passou de menos de 40% do PIB em 2007 para quase 60% em 2009.E a média na zona euro pulou de 66% do PIB em 2007 para mais de 78% em 2009. O que aconteceu de tão extraordinário entre 2007 e 2009 foi justamente a bancarrota em 2008 do sistema financeiro e a cobertura pelos Estados dos brutais prejuízos nos ativos dos bancos.
Para além do enorme sofrimento social, de que os 39% de desempregados jovens ou os cortes nos salários e nas pensões são expressão, a austeridade está a devastar o sistema produtivo e a empobrecer o país. Nestas condições, são absolutamente insuportáveis os montantes de amortizações de dívida pública previstos pelo IGCP (Boletim mensal de Novembro de 2012): entre 2013 e 2016 serão mais de 58 mil milhões de euros, entre 2017 e 2020 mais 50 mil milhões e no ano de 2021 mais de 20 mil milhões. Nos próximos 9 anos serão cerca de 130 mil milhões de euros a amortizar, referentes ao chamado programa de assistência financeira e outra dívida de médio e longo prazo…
Quando num país a dívida cresce anualmente mais de 15% e se destrói a sua capacidade produtiva (fazendo com que o PIB diminua todos os anos), percebe-se que a austeridade não é para combater o défice e a dívida. Não há incompetência do governo, há sim uma escolha política do PSD e CDS/PP para baixar os salários e desmantelar todo o sistema de proteção social.
Nos próximos doze meses, as necessidades de financiamento para amortizar a dívida (incluindo juros) serão de quase 29 mil milhões de euros. Para satisfazer a ganância dos especuladores financeiros, o governo PSD/CDS-PP deitará mão a tudo que puder: emissão de novos títulos de dívida (Bilhetes e Obrigações do Tesouro), mais despedimentos, mais cortes nas prestações sociais, mais saque fiscal.
Os trabalhadores, os pensionistas, as esquerdas são todos convocados para combater o plano que está em marcha de destruição do país e da democracia.

Administração do Hospital de Braga vigia publicações dos funcionários nas redes sociais


Em julho, a administração do Hospital de Braga moveu um processo disciplinar contra uma funcionária por esta ter publicado um comentário no facebook sobre este estabelecimento de saúde. No documento, a administração esclarece que vigia os comentários sobre o hospital publicados nas redes sociais. O coordenador do Bloco, João Semedo, considera o procedimento "manifestamente assustador e atentatório das liberdades individuais".
Hospital de Braga - Foto de Hugo Delgado/Lusa
Em julho, a administração do Hospital de Braga moveu um processo disciplinar contra uma trabalhadora por esta ter publicado, em abril, um comentário no facebook, num grupo de atuais e ex funcionários da instituição,onde se referia, entre outros assuntos, à gestão em parceria público privada (PPP) do Hospital de Braga, ao regulamento de fardamento do hospital, aos pagamentos obrigatórios do estacionamento e onde tecia críticas à atual situação do SNS.
No processo disciplinar movido contra a trabalhadora é justificado o hiato de quase três meses entre a publicação dos comentários na rede social e a abertura do processo. A publicação na rede social apenas terá sido enviada em julho, pela responsável de comunicação do hospital ao presidente da comissão executiva, José Vale Ferreira. "Tal encaminhamento resulta de um dos seus reportes semanais", lê-se no documento, segundo o qual "uma das tarefas que inicialmente foi atribuída à responsável do departamento de comunicação (em funções desde 1 de Junho de 2012) foi precisamente o de averiguar que conteúdos existiam sobre o hospital de Braga disponíveis na Internet", entre os quais se exemplifica o YouTube, o Facebook e os blogues.
Bloco considera o procedimento "manifestamente assustador e atentatório das liberdades individuais"
Num requerimento remetido esta quarta feira ao Ministério da Saúde (MS), o coordenador do Bloco de Esquerda, João Semedo, considera "manifestamente assustador e atentatório das liberdades individuais" que haja neste hospital "um profissional cuja função é denunciar à gestão comentários que lhe parecem pouco abonatórios". "Esta situação, que cheira a bafio e faz lembrar outros tempos, é absolutamente inaceitável", sublinha o dirigente bloquista.
O Bloco de Esquerda já tinha pedido, em outubro, um “esclarecimento urgente por parte do Ministério da Saúde, entidade máxima responsável pelo Hospital de Braga”, sobre o processo disciplinar movido contra a trabalhadora do Hospital de Braga, frisando que “não é aceitável nem concebível que a delação seja contemporizada e/ou que as pessoas sejam penalizadas por delito de opinião”.
Ministério da Saúde desmente existência de processo disciplinar
Num ofício datado de 10 de dezembro, o Ministério da Saúde adiantou que a Administração Regional de Saúde do Norte (ARS-N) solicitou esclarecimentos ao hospital - explorado ao abrigo de uma parceria público privada com o grupo Mello Saúde. A administração do hopital adiantou que, até 16 de outubro, "não foi instaurado, nem está pendente qualquer procedimento/processo disciplinar a funcionário ou trabalhador desta instituição por factos/declarações relacionados com o regulamento de fardamento e conduta do Hospital de Braga".
Contactado pelo Público, o gabinete do ministro da Saúde Paulo Macedo adianta que não é sua competência fiscalizar diretamente o hospital, remetendo esclarecimentos para a ARS-N e a unidade de saúde.
Já a administração do Hospital de Braga assegura que "o Ministério da Saúde foi corretamente informado sobre este assunto, nas suas várias fases". A ARS-N esclarece apenas que só pode atuar se o processo disciplinar determinar a expulsão da trabalhadora.

Mota Soares “abriu guerra contra trabalhadores a recibos verdes”


Esta quinta feira, um grupo de trabalhadores e trabalhadoras a recibos verdes, membros do movimento “Vidas Penhoradas”, promoveu uma “denúncia pública em frente ao Ministério da Solidariedade e Segurança Social contra a cobrança coerciva e injusta da dívida dos trabalhadores a recibos verdes”, tendo sido recebido por um membro do gabinete do ministro.
Na convocatória da iniciativa, publicada no facebook, os seus promotores acusam o Ministro Pedro Mota Soares de ter decidido “abrir guerra aos que trabalham nesta situação” e de ter ordenado “que se executasse a cobrança das dívidas, de forma coerciva, sem se preocupar com as condições de vida e de liquidez económica dessas pessoas”.
O movimento “Vidas Penhoradas” deixa ainda claro que “boa parte destas dívidas [cobradas aos trabalhadores] deve e tem de ser imputada às entidades patronais”, já que “são elas que, ao contratarem ilegalmente os seus e as suas trabalhadoras através de vínculos laborais precários descarregam sobre eles todo o peso da contribuição para a Segurança Social”.
No documento, admitem ainda que “também neste conjunto de pessoas se encontram trabalhadores que são verdadeiramente independentes”, contudo, esclarecem que, "se é verdade que para eles não há lugar a descontos por parte de entidades patronais, não é menos verdade que a forma de cálculo dos escalões contributivos em que se inserem está desajustada da realidade atual”.
Os promotores da iniciativa “Não penhoram as nossas vidas!” adiantam também que “o ministério que tem a pasta da Segurança Social tem cometido erros grosseiros no enquadramento dos trabalhadores independentes - falsos e verdadeiros - nos respetivos escalões contributivos”.
“Rejeitamos a política de terra queimada de quem impõe medidas anti-constitucionais e destrói os direitos de quem trabalha”, salientam.
Durante a iniciativa, Bruno Carvalho, membro do movimento “Vidas Penhoradas”, afirmou que “temos neste momento várias pessoas desesperadas, com processos de execução, ameaçadas de penhora”, e que o que se pretende “é a suspensão da cobrança das dívidas e renegociação caso a caso”.
Em 2009, o movimento Precários Inflexíveis, que também participaram na denúncia pública em frente ao Ministério da Solidariedade e Segurança Social, promoveram, juntamente com o movimento FERVE (Fartos/as d'Estes Recibos Verdes) e a Plataforma dos Intermitentes do Espetáculo e do Audiovisual, uma petição na qual pugnaram pela “defesa do Sistema de Segurança Social e da reposição dos direitos dos e das trabalhadores e trabalhadoras independentes a falsos recibos verdes”. A petição Antes da Dívida temos Direitos!, que recolheu mais de 12.000 assinaturas, foi entregue no parlamento em fevereiro de 2010. Já em outubro deste ano, este coletivo defendeu que o Ministro Pedro Mota Soares não tem condições para continuar no Ministério da Segurança Social e deve ser demitido.
No Parlamento, o Bloco apresentou um projeto de resolução que visava a imediata interrupção da execução das dívidas dos falsos trabalhadores independentes à Segurança Social. A proposta foi chumbada com os votos contra do PSD, CDS-PP e PS e os votos favoráveis do PCP e do PEV e de dois deputados da bancada socialista.

Comunicado do Bloco de Esquerda sobre a Escola EB2,3 de Minde

Consulte no link abaixo:

Requerimento ao Secretário de Estado do Ambiente

Bloco requereu a vinda do Secretário de Estado do Ambiente

à AR para esclarecer funcionamento da ETAR de Alcanena

O deficiente funcionamento da Estação de Tratamento de Águas Residuais (ETAR) de Alcanena, com mais de 20 anos, tem sido extremamente penalizador para a qualidade de vida e saúde pública das populações deste concelho, além de ser responsável pela poluição de recursos hídricos e solos.

Esta ETAR, destinada a tratar os efluentes da indústria de curtumes, foi desde a sua origem mal concebida, a começar por se situar em leito de cheia. Desde então os problemas são conhecidos e persistem: maus cheiros intensos; incumprimento regular dos valores-limite estabelecidos para o azoto e CQO das descargas de efluente tratado em meio hídrico; célula de lamas não estabilizadas, com deficiente selagem e drenagem de lixiviados e biogás; redes de saneamento corroídas, com fugas de efluentes não tratados para o ambiente; saturação da ETAR devido a escoamento das águas pluviais ser feita nas redes de saneamento.

Desde há muito que estes problemas são conhecidos e nada justifica, ainda mais com todo o avanço tecnológico existente ao nível do funcionamento das ETAR, que se chegue ao final de 2010 com esta situação. E pior se compreende quando é o próprio Ministério do Ambiente a constatar que gastou ao longo dos anos cerca de 50 milhões de euros para tentar responder a estes problemas.

Em Junho de 2009 foi assinado um protocolo para a reabilitação do sistema de tratamento de águas residuais de Alcanena pela ARH Tejo, o INAG, a Câmara Municipal e a AUSTRA (gestora da ETAR), com investimentos na ordem dos 21 milhões de euros de comparticipação comunitária.

Este protocolo inclui cinco projectos, os mais importantes dos quais com prazo final apenas em 2013, o que significa arrastar os principais problemas identificados até esta data. Como os prazos de início dos estudos destes projectos já sofreram uma derrapagem, dúvidas se colocam sobre o cumprimento dos prazos estabelecidos, ainda mais quando não há certezas sobre a disponibilização de verbas nacionais para co-financiar os projectos, tendo em conta o contexto de contenção actual.

Considerando a gravidade dos problemas causados pela ETAR de Alcanena para as populações e o ambiente, o deputado José Gusmão e a deputada Rita Calvário do Bloco de Esquerda solicitam uma audiência com o Secretário de Estado do Ambiente, com a finalidade de obter esclarecimentos sobre os investimentos previstos para a reabilitação do sistema de tratamento, as soluções escolhidas, o cumprimento de prazos, e as garantias que os mesmos oferecem para resolver o passivo ambiental existente, os focos de contaminação dos recursos hídricos e solo, os maus cheiros e qualidade do ar respirado pelas populações deste concelho. Seria de todo útil que o presidente ou representantes da ARH-Tejo estivessem presentes nesta audiência.

Lisboa, 17 de Dezembro de 2010.

A Deputada O Deputado

Rita Calvário José Gusmão

Direito a não respirar “podre” – SIM ou NÃO?





No passado domingo, dia 12 de Dezembro, no Auditório Municipal de Alcanena, realizou-se uma conferência, dinamizada pelo Bloco de Esquerda, sobre a poluição em Alcanena.
Esta sessão reuniu um grupo de ‘preocupados’, que primeiramente ouviram as exposições de especialistas sobre o assunto e, no final, trocaram experiências e pontos de vista, baseados na própria vivência, bem como em conhecimentos técnicos e científicos.
Ficou bem patente que se trata de um grave problema de há muito sentido, mas também desvalorizado, do qual até ao momento não se conhecem as verdadeiras implicações para a saúde pública, mas que transtorna a vida de todos os que vivem e trabalham no concelho, tornando desagradável e doentio o seu dia a dia.
Ficou também claro que o Bloco de Esquerda, aliado desta causa, não abandonará a luta, que será levada até onde os direitos das pessoas o exigirem.

Comunicado de Imprensa

Leia em baixo o Comunicado de Imprensa de 3 de Dezembro do Bloco de Esquerda em Alcanena.

Clique aqui para ler

Reclamamos o DIREITO A RESPIRAR

Bloco de Esquerda continua na senda de uma solução para o grave problema de poluição ambiental em Alcanena



Na passada sexta-feira, dia doze de Novembro, uma delegação, composta pelo Deputado do Bloco de Esquerda pelo Distrito de Santarém, José Gusmão, e mais dois elementos do Bloco, foi recebida pela administração da Austra, no sentido de esclarecer alguns pontos relativos ao funcionamento da ETAR e à poluição que de há muito tem afectado Alcanena, com acrescida intensidade nos últimos tempos.

O Bloco de Esquerda apresentou já um requerimento ao Ministério do Ambiente, aguardando resposta.

Após a reunião com a administração da Austra, realizou-se na Sede do Bloco em Alcanena uma Conferência de Imprensa para fazer o ponto da situação.

Da auscultação da Austra, ficou claro para o Bloco de Esquerda que a ETAR de Alcanena não reúne as condições minimamente exigíveis, quer do ponto de vista do cumprimento da lei, quer da garantia de índices de qualidade do ar compatíveis com a saúde pública e o bem estar das populações.

A delegação do Bloco de Esquerda obteve do presidente da Austra o compromisso da realização de operações de monitorização da qualidade do ar em Alcanena, a realizar o mais tardar em Janeiro. De qualquer forma, o Bloco de Esquerda envidará esforços para que essa monitorização ocorra de forma imediata.

Embora existam planos para a total requalificação dos sistemas de despoluição, registamos com preocupação a incerteza sobre os financiamentos, quer nacional quer comunitário. O Bloco de Esquerda opor-se-á a que estes investimentos possam ser comprometidos por restrições orçamentais, e exigirá junto do Governo garantias a este respeito.

A participação popular foi e continuará a ser um factor decisivo para o acompanhamento e controlo da efectiva resolução do problema da qualidade do ar em Alcanena.

No âmbito da visita do Deputado do Bloco de Esquerda, José Gusmão, ao Concelho de Alcanena, realizou-se um jantar-convívio no Restaurante Mula Russa em Alcanena, ocasião também aproveitada para dialogar sobre assuntos inerentes ao Concelho. Mais tarde, José Gusmão, conviveu com um grupo de jovens simpatizantes num bar deste concelho.

No sábado, dia treze de Novembro, José Gusmão e outros elementos do Bloco de Esquerda estiveram em Minde, no Mercado Municipal, distribuindo jornais do Bloco, ouvindo e conversando com as pessoas.

Neste mesmo dia, junto ao Intermarché de Alcanena, José Gusmão contactou com as pessoas e entregou jornais do Bloco de Esquerda.

Num almoço realizado em Minde, no Restaurante Vedor, com um grupo de aderentes e simpatizantes do Bloco, houve mais uma vez oportunidade para ouvir opiniões, experiências e expectativas, bem como de exprimir pontos de vista.

O Bloco de Esquerda continuará a luta por um direito que parece ser inerente à própria condição humana, mas que vem sendo negado às pessoas que vivem e trabalham em Alcanena – o direito de respirar ar “respirável” e de não ser posta em causa a sua saúde.


A Coordenadora do Bloco de Esquerda de Alcanena

Poluição em Alcanena: Requerimento à Assembleia da República

Pessoas esclarecidas conhecem o seu direito de respirar ar puro e lutam pela sua reconquista já que alguns até isto usurparam.

O Bloco de Esquerda encetou a luta pela despoluição de Alcanena na legislatura anterior e continuará a manifestar-se e a rebelar-se contra esta desagradável e injusta situação até que no nosso concelho possamos respirar de novo.


Veja aqui Requerimento apresentado pelo BE quanto à questão da poluição em Alcanena

Carta à AUSTRA

Carta entregue pelo grupo de cidadãos "Chega de mau cheiro em Alcanena" ao Presidente da Austra e Presidente da Câmara Municipal de Alcanena

INAUGURAÇÃO DA SEDE DO BLOCO DE ESQUERDA EM ALCANENA

Francisco Louçã inaugurou no passado domingo, dia 31 de Outubro, a Sede do Bloco de Esquerda em Alcanena. Na inauguração esteve também representada a Coordenação Distrital do Partido; estiveram presentes aderentes e convidados. Esta ocasião especial foi uma oportunidade de convívio, acompanhada de um pequeno beberete.
Francisco Louçã falou, como sempre, de forma clara e apelativa, abordando a actual situação crítica do país,apontando as razões, propondo alternativas e caminhos.
Baseando-se no Socialismo Democrático, o Bloco de Esquerda tem sido sempre activo na defesa dos valores da verdadeira Democracia, e propõe-se continuar essa luta. Esta nova Sede é mais um ponto de encontro, de trabalho, de partilha de pontos de vista e de tomada de iniciativas, possibilitando que se ouçam as vozes de todas as pessoas e transmitindo os seus problemas e expectativas.
Trata-se de um pequeno espaço, que representa uma grande vontade de mudança e que espera contar com a presença de todos os que partilhem os ideais de um concelho mais próspero, de uma sociedade mais justa e equilibrada, de um país realmente mais avançado.