segunda-feira, 20 de agosto de 2012

SNS terá novo corte de 200 milhões em 2013


Segundo o Diário Económico, o Orçamento de Estado do próximo ano terá uma nova redução nos três ministérios sociais, mesmo depois de Paulo Macedo ter dito que o orçamento da Saúde teria de voltar a subir.
A própria Comissão Europeia considerou que existe “um subfinanciamento crónico do setor de saúde nos últimos anos”.. Fot de Paulete Matos
No mês passado, o ministro da Saúde, Paulo Macedo, disse numa entrevista aoDiário Económico que o orçamento da saúde tinha de voltar a subir, “não por capricho dos vários interesses da área da saúde, mas por causa da demografia, envelhecimento da população e inovação”.
Mas, segundo a edição desta segunda-feira do mesmo jornal, o Orçamento de 2013 incluirá um novo corte da verba para a Saúde, na ordem de 200 milhões.
O OE de 2012 já tinha incluído uma redução de 753 milhões no financiamento do SNS, o que levou Paulo Macedo na época a desabafar que este era “o Orçamento do Estado que nenhum ministro da Saúde gostaria de ter.”
Os cortes, aliás, deverão abranger os três ministérios das áreas sociais – Saúde, Educação, e Solidariedade e Segurança Social. Segundo o Diário Económico, as universidades e os institutos politécnicos vão sofrer um novo corte de 2,5%, ou 14,5 milhões de euros. No OE de 2012, o corte foi de 8%. O atual corte provocou a contestação dos reitores, que chegaram a ameaçar não submeter os seus orçamentos à Direção Geral do Orçamento, por estarem “numa situação financeira de limite”. Mas acabaram por recuar.
Recorde-se que quando publicou o relatório da terceira avaliação do memorando da troika, a Comissão Europeia considerou que existe “um subfinanciamento crónico do setor de saúde nos últimos anos”.

domingo, 19 de agosto de 2012

"É preciso fechar a porta à troika", defende Louçã


Num comício com centenas de pessoas no calçadão de Quarteira, Louçã respondeu a Passos Coelho e defendeu um Governo "que não continue a facilitar a vida ao crime económico e à fuga de capitais" e que cancele o pagamento da dívida abusiva imposta ao país pela troika nos próximos anos.
Centenas de pessoas juntaram-se no Calçadão de Quarteira para o comício de verão do Bloco de Esquerda.
No comício do Bloco realizado ao ar livre em Quarteira, Louçã respondeu ao discurso do primeiro-ministro na festa realizada à porta fechada na semana passada a poucos quilómetros dali. "Passos Coelho veio dizer que o Governo não falhou. O governo falhou, queria falhar, tinha de falhar e conduziu a este falhanço toda a gente que está a sofrer a crise", acusou Louçã, lembrando que "nunca tivemos tanto desemprego: 826 mil desempregados". "A chantagem de Passos Coelho é indecente: como é que ele pode dizer ao país que é preciso pior ainda?", perguntou Louçã às centenas de pessoas que encheram o local do comício bloquista.
"Somemos os 230 mil que só têm trabalho umas horas por dia e nem o salário mínimo ganham. Somemos ainda os que estão desempregados e já não têm paciência para ir ao centro de emprego duas vezes por mês, mês após mês, ano após ano, os que já não têm esperança na vida: são mais 250 mil. Olhamos para o país: um milhão e trezentos mil que não têm o trabalho que lhes dá a dignidade de ter o seu o seu rendimento, o seu salário", acrescentou o coordenador bloquista.
Alternativa é "fechar a porta à troika e abrir a porta à Europa"
Louçã propôs alternativas urgentes para evitar a espiral da catástrofe em que o país está mergulhado. Para o Bloco, a primeira prioridade é "fechar a porta à troika e abrir a porta à Europa". "É preciso acabar com a chantagem que a troika impõe sobre Portugal: se a Europa financia a banca portuguesa e internacional a 1% a três anos é assim que deve ser para responder à crise financeira" que o país está a sofrer, defendeu Louçã, sublinhando que até Cavaco Silva já interveio em defesa desta proposta.

Mas Louçã não se ficou por esta proposta e avisou os presentes que "quando a troika empresta 78 mil milhões a Portugal e cobra 34 mil milhões em juros, eu percebo que a sra. Merkel se ria de nós: é que ela vai cobrar-nos 50% do que emprestou em juros. Mais vale ser assaltado com uma pistola na mão. Isto é tirarem o futuro a Portugal". Para o Bloco, a segunda prioridade é que "não devemos um juro que é imposto pela violência, pela chantagem, pela usura, por agiotas internacionais que pensam que podem cobrar ao vosso salário ou à pensão dos vossos pais tudo aquilo que quiserem durante o tempo que quiserem". "A dívida abusiva não tem de ser paga. Não temos de ser assaltados", sublinhou.
Ajudas à banca devem permitir controlo público do BCP e BPI
Em terceiro lugar, Louçã falou dos seis mil milhões de euros que o Governo ofereceu "com generosidade" para recapitalizar a banca privada portuguesa e defendeu que esse investimento tem de permitir o controlo público dos bancos que receberam em ajudas públicas mais do que aquilo que valem em bolsa: "Se o Estado português com o dinheiro dos impostos dos portugueses, pagou quatro vezes o valor do BPI e três vezes o valor do BCP, quem paga, manda. Esses bancos devem ser postos ao serviço do crédito público".

Para Louçã, o BCP e o BPI "devem ser nacionalizados porque já estão a ser pagos com o dinheiro de toda a gente. Devem ser usados para o que é preciso, para dar crédito e ajudar a economia. É preciso sensatez na economia e não se pode pagar para desperdiçar".
"Passos Coelho não nos pode dizer que não há dinheiro"
Louçã referiu ainda a "descoberta" de 3.446 milhões de euros transferidos por contribuintes portugueses para offshores, dizendo que o Governo finalmente "fez o que o Bloco de Esquerda anda a dizer há treze anos: vão às carteiras escondidas nos offshores". "É dinheiro que não pagou impostos e cujos donos, se tivessem sido apanhados, teriam de passar oito anos na prisão. Mas o Governo aplicou uma lei que entretanto já tinham criado - imaginem lá porquê… - que faz com que não haja punição criminal, não se pegunta nada aos donos deste dinheiro e cobra-lhes 7,5%. Olhem para o vosso IRS: pagaram 7,5%?" questionou Louçã.

Feitas as contas, prosseguiu, "se estes 3446 milhões tivessem pago como se fossem uma empresa qualquer em Portugal, teriam pago 900 milhões de euros de imposto, ou seja, teriam coberto exatamente o mesmo que o Governo tirou aos hospitais e aos centros de saúde". Mas se este dinheiro tivesse pago como se fosse o IRS de um trabalhdor, "teria conseguido para o Estado quase 2 mil milhões de euros, exatamente o que o Governo tirou aos reformados e aos trabalhadores da Função Pública".
"Há uma coisa que Passos Coelho não nos pode dizer: é que não há dinheiro. (…) Bastaria tirar a este dinheiro criminoso para resolver uma parte dos problemas orçamentais do país. O nosso problema não é que não haja dinheiro. É que o dinheiro está escondido para não pagar o imposto que o trabalhador ou a reformada pagam", acusou.
"A grande mudança que Portugal precisa é termos um Governo que não continue a facilitar a vida ao crime económico, à fuga de capitais, à desigualdade de rendimentos, à imposição contra os trabalhadores e à proteção do capital que pode fazer o que quer. É por essa diferença que é preciso um Governo de esquerda", defendeu em seguida o coordenador do Bloco.
O comício teve ainda a intervenção do dirigente bloquista algarvio José Mealha, que falou das dificuldades que o Governo de Passos Coelho acrescentou à vida de quem vive no Algarve, em particular no acesso à saúde. Por sua vez, Ana Drago respondeu a Passos Coelho, quando na semana passada se mostrou contente porque acha que o país deixou de viver acima das suas possibilidades. Para a deputada bloquista, os 826 mil desempregados registados ao fim do primeiro ano do mandato são a marca deste Governo, que considera o bem estar destas pessoas como estando acima das possibilidades do país.

O grande negócio da fome


A disponibilidade de alimentos - ou seja, a fome potencial - tornou-se um campo de afirmação do mercado de futuros e, como tal, cada vez mais dominado por uma lógica de especulação.
Multiplicam-se os indícios de uma crise alimentar global de gravidade idêntica à experimentada em 2008. Os preços de cereais como o milho, o trigo ou a soja vêm batendo recordes de preço em bolsa, com subidas de 23% para o milho e 19% para o trigo, num só mês, dando assim expressão a expetativas de colheitas tragicamente escassas, com quedas na ordem dos 2,5 milhões de toneladas (trigo).
Como em 2008, as explicações mais comuns voltam a ser casuísticas e técnicas, sugerindo que se trata de uma anomalia passageira a um estado das coisas bem ordenado, eficiente e justo. Ele é o aquecimento global, ele é o upgrade da dieta alimentar nos países mais pobres, ele é a transformação de países tradicionalmente auto-suficientes em países largamente importadores de alimentos. Ora, estas explicações, sendo em si mesmas acertadas e relevantes, não dão conta dos fatores de fundo que determinam a instalação da crise alimentar como situação normal.
Na verdade, a persistência de longa duração de cerca de três mil milhões de pessoas com fome crónica e outros tipos de subnutrição não se explica por razões conjunturais. Há realidades pesadas, muito mais densas que todas as justificações de curto prazo, que impõem a sua lei e que fazem com que nada pareça ter sido aprendido com as sucessivas crises e com a cadência cada veza mais rápida de iminências de rutura dos stocks mundiais de produtos alimentares básicos.
A primeira dessas realidades pesadas é o credo desenvolvimentista para o qual a destruição das pequenas e médias unidades de produção agrícola e a sua substituição por grandes unidades de monoprodução intensiva para exportação é sinónimo de progresso, sobretudo para os países mais pobres. Essa substituição é, ao contrário, um grave retrocesso que torna a produção agrícola muito mais suscetível de oscilações imprevisíveis e vulnerabiliza enormemente produtores e consumidores, sujeitando ambos a pressões para fugas em frente - de que o recurso a organismos geneticamente modificados ou a transformação de manchas gigantescas de culturas de subsistência em base de sustentação energética (bio-combustíveis) são exemplos maiores. Mas retrocessos para uns lucrativos para uns poucos outros é o que mais há. No caso, as grandes multinacionais agroalimentares (ADM, Bunge, Cargill, Monsanto) apresentam lucros na ordem dos 2 a 3 mil milhões de dólares anuais. Lucros com o negócio com quem pode e lucros com a fome de quem nada pode: a Glencore recebeu em 2011 78 milhões de dólares do Programa Alimentar Mundial para prestar ajuda alimentar a áreas de calamidade.
A segunda razão de fundo explicativa da tendência para uma situação de crise permanente no mercado mundial de alimentos é a crescente inserção destes mercados nos processos de especulação financeira em detrimento da sua compreensão como área essencial de afirmação de direitos humanos indiscutíveis. A consideração dos alimentos como uma mercadoria como qualquer outra, a que acedem apenas os que dispõem de dinheiro para os pagar é, na verdade, tributária de uma conceção nos antípodas da afirmação de um direito fundamental de todos à alimentação. Essa contradição entre necessidade natural permanente e incapacidades - aliás crescentes, por força da crise económica - de procura efetiva de alimentos por parte de largas camadas da população é o sonho dos especuladores. A disponibilidade de alimentos - ou seja, a fome potencial - tornou-se um campo de afirmação do mercado de futuros e, como tal, cada vez mais dominado por uma lógica de especulação. Nada melhor para preencher o vazio deixado pelo rebentar da bolha especulativa no imobiliário. E, tal como nela, as exigências morais são luxos na especulação sobre bens alimentares: se a fome de milhões de pessoas render milhões de euros, pois assim seja.

Artigo publicado no Diário de Notícias, 17/8/2012

Socialismo 2012: da crise de 1890 ao sonho republicano


O historiador Luís Farinha é um dos convidados do Socialismo 2012, que se realiza de 31 de agosto a 2 de setembro em Santa Maria da Feira. Publicamos aqui o resumo da comunicação centrada na situação portuguesa na viragem do século XIX.
Luís Farinha participará no fórum de ideias Socialismo 2012
Portugal na Europa do Sul – da crise de 1890 ao sonho republicano: Pátria, Império e República
Resumo:
Finis Patriae (1890) é o título de um dos poemas mais genuinamente patrióticos de Guerra Junqueiro, o “poeta da República”, escrito há pouco mais de um século, em plena crise nacional e internacional do sistema capitalista e imperialista/colonialista. Ele é um bom indicador – a par da obra do caricaturista Rafael Bordalo Pinheiro -, da crise mental que as elites portuguesas viveram na mudança de século.
1890 o ano da maior crise do regime político monárquico-constitucional e do maior abalo do sistema económico liberal português: a primeira havia de desembocar no levantamento republicano falhado de 31 de Janeiro no Porto, duas décadas antes da implantação da República; o segundo, numa profunda alteração do modelo económico nacional, livre-cambista, fomentado por Fontes Pereira de Melo desde 1851.
Impedido de manusear a seu belo prazer os habituais “fundos de compensação” (constituídos basicamente por remessas de emigrantes brasileiros e por exportação de mão-de-obra negra para as minas do Rand), o Estado português entrou em bancarrota (1891-1892). A economia portuguesa tornou-se incapaz de exportar e a burguesia nacional impôs (através do Estado oligárquico) uma política proteccionista, consubstanciada na célebre Lei dos Cereais (para responder ao “pão dos pobres” e aos lucros dos latifundiários) e numa pauta aduaneira proteccionista dirigida aos interesses dos “sectores industriais nacionais”.
Porém, o frágil mercado interno impedia um desenvolvimento industrial com capacidade de crescimento e modernização. Chegava assim o tempo dos “africanistas”: ideólogos e agentes da “pacificação” em África. A burguesia portuguesa via no novo “eldorado africano” o território ideal para a extensão do mercado nacional.
Ficara encalhado, em 1891 e nos anos seguintes, o problema político. A Monarquia Constitucional mostrou-se incapaz de resolver o complicado problema de modernização da sociedade portuguesa e impediu, enquanto pôde, a expressão política legal das novas camadas sociais nascidas da tímida industrialização e do funcionalismo público em crescimento.
Acantonadas em pequenos redutos urbanos, especialmente no Porto e em Lisboa, essas novas camadas sociais irão exprimir-se, de forma revolucionária, em 5 de Outubro de 1910, numa complexa frente política e ideológica que escondeu no seu seio, até muito tarde, correntes republicanas de toda a ordem, correntes socialistas moderadas e correntes anarquistas e libertárias. Herdeiras do profundo debate político que acompanhou as duas décadas do estertor da Monarquia, idealizaram uma democracia avançada, de cidadania plena, onde não houvesse lugar para privilégios de pessoas ou corporações, pugnaram pela laicização do Estado e da sociedade e imaginaram mesmo um Estado que interviesse na distribuição da riqueza nacional e promovesse a igualdade social. Este programa foi, contudo, um sonho breve que os ditadores militares interromperam por mais de meio século, invocando a ingovernabilidade da República e a sua incapacidade para promover o desenvolvimento económico.  

sábado, 18 de agosto de 2012

"A renovação da direção faz o Bloco mais forte"


Na próxima Convenção, que terá lugar nos dias 10 e 11 de novembro, Francisco Louçã não se recandidata a coordenador da Comissão Política do Bloco de Esquerda. Neste artigo, o esquerda.net publica, na íntegra, a carta do dirigente bloquista "aos ativistas e ao povo do Bloco".
Foto de Paulete Matos.
Carta aos ativistas e ao povo do Bloco
Decidi que na próxima Convenção, no termo do meu mandato como porta-voz do Bloco, não me recandidatarei a essa função. Devo esta explicação em primeiro lugar aos ativistas e ao povo do Bloco, e é por isso que te escrevo para que a leias antes de qualquer outra pessoa.
Cumpri estas funções durante dois mandatos e dei a cara pelo Bloco desde a sua fundação. Julgo que é tempo de uma renovação da representação pública do nosso movimento. Determina-me a minha conceção pessoal do princípio republicano: na vida política, é preciso saber que o exercício de uma responsabilidade mais intensa tem sempre um tempo e que, numa luta coletiva, dar lugar aos outros é das decisões mais dignas a que somos chamados. A renovação da direção faz o Bloco mais forte.
Durante treze anos, dei tudo o que podia e sabia ao nosso movimento.
Neste tempo, estive contigo nesse trabalho imenso de dar corpo a uma esquerda socialista, uma esquerda de valores e convicções. Estivemos na luta contra as guerras e na defesa da escola pública, do serviço nacional de saúde e da segurança social. Ajudámos o país a perceber a condenação que é a precariedade dos jovens. Estivemos em movimento. Fomos à luta. Gostei do que fizemos.
Neste tempo, fiz mais de um milhão de quilómetros pelas estradas de tantas campanhas, comícios e reuniões. Encontrámo-nos lá. Provámos que se consegue o impossível.
Neste tempo, conseguimos algumas vitórias: o princípio da abertura do sigilo bancário e outras medidas contra a corrupção e a evasão fiscal, a redução dos contratos a prazo a um ano (que a direita anulou logo que conseguiu e que o PS passou a rejeitar), a despenalização do aborto, o fim da perseguição criminal aos toxicodependentes, o casamento gay, a proteção das mulheres vítimas de violência doméstica, a carta dos direitos do SNS, o acesso à procriação medicamente assistida, o reconhecimento dos direitos dos filhos dos imigrantes. Valeu a pena o que temos feito no parlamento e no país.
Discuti com cinco primeiros-ministros e disse-lhes do que é esta esquerda moderna e socialista. Discuti com candidatos a presidente e com adversários, como falei com amigos e aliados com quem temos tanto em comum. Gosto do confronto claro da esquerda contra a direita.
Neste tempo, publiquei onze livros de investigação científica ou de ensaio político ou histórico. Gosto do debate de ideias: escrevi o que pensava e fui à crítica.
Neste tempo, perdi amigos, camaradas e um irmão-de-armas, o Miguel. Não desisto de nenhum deles.
Tu e eu fazemos parte de um movimento que luta para mudar a vida e o mundo. Engana-se dramaticamente quem nos confunde com um comité eleitoral: só constitui uma liderança para a esquerda e para o país quem estiver preparado para vitórias e derrotas, quem não se iludir com aquelas nem se amedrontar com estas. Um dirigente de esquerda nunca vira as costas.
Porque tem essa coerência, o Bloco está hoje mais forte na opinião pública. Notaste que todas as sondagens do último ano nos vão indicando subidas do apoio popular e que em duas delas já ultrapassamos mesmo o CDS. O povo vai reconhecendo, na vida angustiante que a austeridade impõe, que temos razão ao rejeitar a devastação da troika, a ganância financeira e a estratégia do empobrecimento e do desemprego. Estamos por isso mais capazes de responder aos agiotas e ao governo das direitas.
Nas três reuniões que já tivemos com a troika, ficou evidente que os seus funcionários nada querem saber do que sofre este país e os seus trabalhadores, espoliados em salários, pensões e impostos para enriquecer o privilégio. A crise é mesmo a sua política. O nosso povo sabe por isso que a esquerda só conduzirá o país quando rejeitar o Memorando da troika, impuser o cancelamento da dívida abusiva e recuperar uma política esforçada de emprego. Temos por isso uma responsabilidade imensa, constituir uma alternativa de governo contra a bancarrota.
A Grécia demonstrou exatamente a que conduz a estratégia da destruição do Estado Social e porque é necessário um governo de esquerda. Mas demonstrou ainda que, no nosso tempo, a social-democracia é uma agência financeira, que o diretório da União Europeia se está a construir contra a Europa e que é necessária uma nova resposta social contra o fanatismo liberal. Esse é caminho do Syriza, o da coerência e da vitória. Para constituir uma liderança para Portugal, a esquerda precisa de ser socialista e de conduzir a luta da democracia e do trabalho contra o capital.
Com a sua coerência, o Bloco dará um contributo para esse reforço político. E com a renovação da direção, responderá também ao nosso tempo. Sei, e tu sabes, que não é fácil, mas temos equipas capazes de dirigir este esforço gigantesco que é uma esquerda socialista em ação. Para pensar esse novo modelo de direção fiz uma única sugestão: que a nova representação do Bloco seja assegurada por um homem e uma mulher. Sei que aparecerá o argumento de que isto não é tradicional e que este modelo, que entre nós foi proposto pelo Miguel Portas, é demasiado inovador. Penso o contrário: a renovação de estilos de liderança com a representação de homens e mulheres - já estamos no século XXI -, é o caminho normal da esquerda. Temos quem assegure esta capacidade de liderança. Como noutros partidos europeus, este modelo acentua o trabalho coletivo na direção e no movimento e é assim que nos fazemos mais fortes.
Finalmente, quero agradecer aos fundadores do Bloco, o Luís Fazenda e o Fernando Rosas, a sua experiência, inteligência e lealdade ao movimento e o seu empenho de sempre. Quero ainda agradecer-te muito em especial, a ti, a todos os ativistas, os meus camaradas, o que não se agradece, este tempo magnífico que estamos a viver na luta mais difícil, porque fazemos o que mandam a nossa consciência e a lealdade à esquerda.
Não é por isso uma despedida. Não preciso de te dizer que podes contar comigo para tudo. Sabes que assim será. Não faltarei a nenhuma das lutas a que a imaginação, a fidelidade aos valores de esquerda, a defesa do trabalho, a cultura da solidariedade nos vai levar. É assim que gosto de viver. Intensamente, incansavelmente, sem nunca desistir.
Francisco Louçã

Crise aumenta número de suicídios em Portugal


A degradação das condições de vida da população, resultante das medidas de austeridade impostas pela troika e pelo governo português, contribui, tal como aconteceu na Grécia, para o aumento do número de suicídios.
Foto de Marta Vieira Pereira, Flickr.
Em 2011, registaram-se mais 110 suicídios do que em 2010, segundo o Instituto de Medicina Legal (IML). Os 1208 casos registados no ano passado, que correspondem a três suicídios por dia, e os 490 casos confirmados até julho deste ano, estão, contudo, longe de representar a real dimensão deste fenómeno, já que “muitas vezes o Ministério Público dispensa a autópsia quando tem suspeitas fundadas de que não houve crime”, conforme esclarece Duarte Nuno Vieira, presidente do IML.
Ainda que assuma que “ainda não se pode, dada a fragilidade dos dados, avaliar a relação entre a crise social e o aumento do suicídio”, o presidente da Associação Portuguesa de Suicidologia, José Carlos Santos, citado pelo jornal Sol, admite que “será expectável um aumento do número de casos, dado o número dos fatores de risco – nomeadamente, o desemprego, a taxa de pobreza, a instabilidade social e a diminuição dos apoios sociais”.
Esta tendência é, aliás, confirmada pelo aumento do número de chamadas relativas a comportamentos suicidas recebidas pelos psicólogos do INEM entre janeiro e julho de 2012. Durante este período, estes técnicos receberam 904 contactos de pessoas que planeavam ou tentaram matar-se, o que representa um aumento de 27% face ao mesmo período de 2011 e constitui o número mais alto desde a criação do centro de Apoio Psicológico e de Intervenção em Crise (CAPIC) do INEM, em 2004.
Mário Pereira, coordenador do CAPIC, adiantou, em declarações ao jornal Sol, que, “embora não explique tudo”, a crise “agudizou problemas e vulnerabilidades já existentes”. "Muitas famílias admitem que não conseguem fazer face às despesas nem alimentar os filhos”, avançou ainda Mário Pereira.
Grécia também registou aumento do número de suicídios
Se antes da crise financeira, em 2009, a Grécia tinha uma das mais baixas taxas de suicídio do mundo, mediante a imposição, por parte da troika e do governo grego, de duras medidas de austeridade, este país registou um aumento de 40 por cento nos suicídios no primeiro semestre de 2010, de acordo com o Ministério da Saúde.
Ainda que não existam, à data, estatísticas oficiais sobre o ano de 2011, vários especialistas alertam para o facto de a taxa de suicídios ter duplicado na Grécia.
Os casos mais recentes de suicídios públicos, como por exemplo o caso do farmacêutico septuagenário Dimitris Christoulas, que pôs fim à própria vida na praça Syntagma por não querer “deixar dívidas” aos seus filhos, espelha bem esta realidade.

Multas aplicadas ao Pingo Doce equivalem a menos de dois minutos de vendas


O grupo Jerónimo Martins, dono da cadeia de supermercados Pingo Doce, faturou, em 2010, uma média de um milhão de euros por hora, segundo noticia o jornal i. As multas aplicadas ao Pingo Doce na sequência da promoção do 1º de maio equivalem à faturação obtida pelo grupo em menos de dois minutos.
Foto de ANTÓNIO COTRIM/LUSA.
Na semana passada foi dado a conhecer o valor da penalização atribuída ao Pingo Doce por ter vendido, durante o feriado do 1º de maio, produtos a preço inferior ao seu custo de produção. A cadeia de supermercados foi multada em cerca de 30 mil euros pela prática de 15 contra ordenações.
Este valor, o mais elevado atualmente permitido, equivalente à aplicação de duas sanções máximas, no valor de 15 mil euros, poderá ser saldado pelo grupo Jerónimo Martins com o valor resultante das vendas efetuadas no espaço de menos de dois minutos.
No ano passado, registaram-se 33 condenações, correspondentes a coimas no valor de 357 mil euros, segundo adianta o jornal i, o que constitui o valor mais baixo desde 2008.
Até maio deste ano, já foram abertos 58 processos por vendas com prejuízo, conforme dados da AdC citados pelo jornal Público.
Tendo em conta que os grupos Jerónimo Martins e Sonae faturaram, em 2010, cerca de 8755 milhões de euros, o equivalente a uma faturação média de dois milhões de euros por hora, seriam necessários menos de trinta minutos de vendas para que estes dois grupos pudessem liquidar a totalidade das coimas aplicadas no ano passado.
A Centromarca, associação de empresas fornecedoras, considera que o valor insignificante das penalizações financeiras aplicadas às grandes empresas de distribuição não são dissuasoras das práticas desleais e restritivas do mercado, chegando mesmo a beneficiar o infrator.

Garzón recorrerá à Justiça Internacional caso Reino Unido não permita saída de Assange do país


Após o ministro britânico dos Negócios Estrangeiros ter garantido que o Reino Unido não permitirá uma “uma passagem segura” para fora do país a Assange, Baltazar Garzón ameaçou levar o caso do fundador da WikiLeaks ao Tribunal Internacional de Justiça (TIJ) das Nações Unidas.
Foto de Trowbridge Estate, Flickr.
Reagindo às declarações do ministro das Relações Exteriores do Equador, Ricardo Patiño, que anunciou que o seu país deliberou conceder asilo a Assange, por considerar que a sua segurança e vida estariam ameaçadas caso ele fosse extraditado para a Suécia, o ministro britânico dos Negócios Estrangeiro veio garantir que “o Reino Unido não permitirá uma passagem segura” para Assange sair do país e que “não existe base legal para tal”. William Hague frisou ainda que o seu país “não reconhece o princípio do asilo diplomático”.
Um porta-voz do Foreign Office britânico já teria também sublinhado que “as autoridades britânicas estão sob a obrigação” de extraditar Assange e que vão “cumprir essa obrigação”.
Baltasar Garzón já ameaçou, entretanto, levar o caso do fundador da WikiLeaks ao Tribunal Internacional de Justiça (TIJ) das Nações Unidas caso o Reino Unido não permita ao seu cliente viajar para o Equador.
"O Reino Unido tem que cumprir as obrigações diplomáticas e legais previstas na convenção das Nações Unidas de 1951, relativa ao Estatuto dos Refugiados, e respeitar a soberania de um país que lhe concedeu asilo”, frisou Garzón, que avançou ainda que, se tal não acontecer, recorrerá ao Tribunal Internacional de Justiça para que “o Reino Unido cumpra com as suas obrigações, porque está em causa uma pessoa que corre o risco de ser perseguida politicamente”.
O Equador também já veio exigir que o Reino Unido respeite a sua decisão.
Segundo noticia o El Pais, o Equador vai ganhando aliados, entre os quais o ministro venezuelo das Relações Exteriores, Nicolás Maduro, que considera o posicionamento do governo britânico “arrogante e prepotente”.
Maduro, em declarações à emissora dominicana Unión Radio, rejeitou “a arrogância e a prepotência do Governo britânico neste caso, ameaçando diretamente um governo democrático e soberano, e anunciando a possível violação do direito internacional". "Apelamos para o bom senso e respeito pelo direito internacional", afirmou o ministro venezuelano, que destacou que o asilo político é "uma instituição sagrada".

O Conselho Permanente da Organização dos Estados Americanos (OEA) reunir-se-á esta sexta feira para determinar se convocará uma reunião extraordinária dos ministros das Relações Exteriores, no próximo dia 23, tal como solicitou o governo equatoriano.

A Aliança Boliviana para a América (Alba), que já demonstrou o seu apoio ao equador, apelidando de “aberrante” a posição do Reino Unido, e a União de Nações Sul-Americanas (Unasul) convocaram reuniões para o fim de semana.
Esta sexta feira, a Assembleia Nacional do Equador (ANE) pediu ao governo do Equador que solicite uma reunião urgente ao Conselho de Segurança da ONU para evitar que o Reino Unido use a força para invadir a embaixada onde se encontra refugiado Assange. A ANE condenou a ameaça do Reino Unido e convocou todos os equatorianos a unirem-se para defender a soberania nacional.

OIT: mais de metade dos jovens trabalham a prazo


Desde o início da crise, o recurso a trabalhos temporários entre os jovens quase duplicou, adianta a OIT. No ano passado, cerca de 56% dos jovens portugueses trabalhavam com contratos a prazo, contra 20% dos adultos. A redução salarial e o aumento da jornada de trabalho acompanham a precarização das relações laborais.
Foto de Paulete Matos.
Segundo divulga a Organização Internacional do Trabalho (OIT) no estudo "Global Employment Trends for Youth 2012", o recurso ao trabalho temporário em Portugal é superior à média europeia, em que 42% dos jovens tem trabalhos temporários, contra 11% dos adultos.
“Na União Europeia constatamos que os trabalhos temporários ou os contratos a prazo são muito comuns entre os mais jovens, mais do que entre a população adulta”, sublinhou Ekkehard Ernst, responsável pela Unidade de Tendências de Emprego da OIT.
No que respeita à taxa de de emprego jovem em “part time”, a mesma registou um aumento de 3,6 pontos percentuais na União Europeia entre o segundo trimestre de 2008 e 2011. “Em muitos países, incluindo Chipre, Dinamarca, Grécia, Hungria, Portugal e Eslovénia, o aumento durante o mesmo período ultrapassou os cinco pontos percentuais”, sublinha a OIT.
Para esta organização, é “preocupante verificar que em todo o mundo muitos jovens são condenados a postos de trabalho temporários, de baixa produtividade, ou a outros tipos de funções que ficam aquém das suas expectativas e que, muitas vezes, não lhes permitem transitar para postos de trabalho mais permanentes, com maior produtividade e melhor remuneração”.
153 mil pessoas recebem ordenados abaixo dos 310 euros
Segundo os dados divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) na passada terça feira, o número de trabalhadores por conta de outrem que ganham menos de 310 euros líquidos por mês aumentou 9,4% num só ano, abrangendo agora quase 153 mil pessoas.

Na semana passada, o Diário de Notícias/Dinheiro Vivo noticiava que o salário líquido médio dos portugueses caiu 107 euros em dois anos, situando-se atualmente nos 1020 euros por mês, e que, entre janeiro e junho deste ano, quase 6200 trabalhadores tinham salários em atraso, o correspondente a um aumento homólogo de 16%.

Desde o início de 2011 e até ao segundo trimestre de 2012, o número de pessoas com horários superiores às 8h/dia aumentou 5,9%, atingindo 1,1 milhões de trabalhadores, cerca de 1 em cada 4 pessoas inseridas no mercado de trabalho.

Por outro lado, o “part-time involuntário”, correspondente a menos de 10h de trabalho semanais, também registou um acréscimo de 1,7% desde junho de 2011, conforme indicam as estatísticas publicadas pelo INE no início da semana.

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Lucro da 'holding' do BES quintuplica no 1.º semestre do ano


O resultado líquido da Espírito Santo Financial Group (ESFG), a 'holding' que é a principal acionista do Banco Espírito Santo, multiplicou-se por mais de cinco nos primeiros seis meses deste ano, passando de 45,4 para 233 milhões de euros, segundo anúncio oficial da empresa.
Apesar da crise orçamental na zona euro e do impacto do programa de ajustamento financeiro, os lucros da holding do BES multiplicaram-se por cinco. Fot de Paulete Matos
O Espírito Santo Financial Group (ESFG) é uma 'holding' com sede em Luxemburgo, fundada em 1984. Representa os interesses do grupo Espírito Santo, com investimentos em Portugal e na Europa, Brasil, Angola e outros países. Está listada na NYSE Euronext e também na London Stock Exchange.
Tem negócios nos serviços bancários, de seguros e de saúde.
"Os resultados positivos das operações bancárias e de seguros foram significativamente beneficiados pelo impacto da consolidação dos 50 por cento da seguradora BES Vida que não eram detidos pela `holding` da família Espírito Santo e que foram adquiridos ao Grupo Crédito Agrícola”, diz o comunicado divulgado pela Comissão de Mercado de Valores Mobiliários (CMVM).
A operação, realizada a 11 de maio, "conduziu ao reconhecimento de ganhos antes não reconhecidos", lê-se ainda no comunicado, que acrescenta que "o ganho [decorrente da consolidação] da BES Vida foi de 208 milhões de euros no período".
A ESFG destaca ainda os resultados das operações de banca comercial, que aumentaram 14,4 por cento, em termos homólogos, para 1.117 milhões de euros.
Apesar de "positivos", estes resultados do grupo foram "amplamente penalizados pela crise orçamental na zona euro e pelo impacto do programa de ajustamento financeiro adotado em Portugal", afirma ainda o comunicado.

Ameaça britânica de invadir embaixada do Equador provoca crise diplomática


Presidente da Assembleia Nacional do Equador convoca sessão extraordinária e diz que ameaça é intolerável. Em carta oficial enviada ao ministério dos Negócios Estrangeiros equatoriano, governo britânico afirma que tem bases legais para prender Julian Assange nas instalações da embaixada equatoriana em Londres e ameaça fazê-lo. Embaixada está cercada pela polícia desde a madrugada.
Cartazes em defesa de Assange diante da embaixada do Equador em Londres. Foto de acidpolly
A ameaça apresentada pelo governo do Reino Unido de invadir a embaixada do Equador em Londres para prender o fundador da Wikileaks, Julian Assange, é oficial e consta de uma carta entregue ao Ministério dos Negócios Estrangeiros em Quito. “Recebemos a ameaça expressa e por escrito”, afirmou o ministro dos Negócios Estrangeiros do Equador, Ricardo Patiño, numa conferência de imprensa realizada na noite de quarta-feira, acrescentando considerar esta atitude imprópria de um país democrático, civilizado e que respeita o Direito.
"Se as medidas anunciadas na comunicação oficial britânica se materializarem, serão interpretadas pelo Equador como um ato hostil e intolerável e também um ataque à nossa soberania, que exigirá uma resposta com grande força diplomática”, disse Patiño, acrescentando que uma ação como essa seria um flagrante desrespeito da convenção de Viena sobre as relações diplomáticas e das regras da lei internacional nos últimos quatro séculos.
“Seria um precedente perigoso porque abriria a porta à violação de embaixadas como um espaço soberano declarado”, afirmou o responsável pela diplomacia equatoriana. Sob a lei internacional, as instalações diplomáticas são consideradas território da nação estrangeira.
A decisão do governo do Equador sobre o pedido de asilo apresentado por Assange ao refugiar-se na embaixada será conhecida nesta quinta-feira.
Uma intolerável ameaça britânica
Por seu lado, o presidente da Assembleia Nacional do Equador, Fernando Codero Cueva, convocou uma sessão extraordinária do parlamento para tomar posição sobre a comunicação britânica. No portal da Assembleia, Cueva recorda que “a Constituição da República do seu país condena a ingerência dos Estados nos assuntos internos de outros Estados e qualquer forma de intervenção, seja incursão armada, agressão, ocupação ou bloqueio económico ou militar”. E conclui: “Com base nos princípios constitucionais, Fernando Cordero Cueva, titular da legislatura, qualificou este facto como uma intolerável ameaça britânica”.
O portal da Assembleia disponibiliza um resumo (em castelhano) da carta britânica, onde se afirma, entre outras coisas, que, diante da possibilidade de o presidente Rafael Correa conceder asilo a Assange, as autoridades britânicas negarão qualquer salvo-conduto para permitir a saída do australiano da embaixada. Mas as passagens mais significativas da carta são as que se referem a uma possível invasão da embaixada:
“• Devemos reiterar que consideramos o uso contínuo de instalações diplomáticas desta maneira incompatível com a Convenção de Viena e insustentável, e que já deixámos claro as sérias implicações para as nossas relações diplomáticas.
• Devem estar conscientes de que há uma base legal no Reino Unido – a Lei sobre Instalações Diplomáticas e Consulares de 1987 (Diplomatic and Consular Premises Act 1987) – que nos permitiria tomar ações para prender o sr. Assange mas instalações atuais da embaixada.
• Sinceramente esperamos não ter de chegar a este ponto, mas se os senhores não podem resolver o assunto da presença do sr. Assange nas instalações, estará o caminho aberto para nós.”
Não somos uma colónia britânica”
O ministro dos Negócios Estrangeiros do Equador reafirmou que "a entrada não autorizada na embaixada do Equador seria uma violação flagrante da Convenção de Viena". E sublinhou: “Não somos uma colónia britânica. Esses tempos são passado.”
Julian Assange, fundador do site Wikileaks pediu asilo à embaixada do Equador em Junho para evitar a extradição para a Suécia, onde teria de responder como testemunha a um processo de agressão e violação sexual, de que não foi ainda acusado formalmente. O australiano de 41 anos, que nega os crimes, quer evitar a extradição para a Suécia por considerar que esta seria apenas um pretexto para depois o extraditar para os Estados Unidos.
Em reação às declarações de Patiño, o governo britânico disse que apenas "chamou a atenção do Equador sobre as disposições da legislação britânica, entre elas as garantias sobre os direitos humanos" nos processos de extradição no país e o "status legal das sedes diplomáticas".
Num comunicado emitido já nesta quinta-feira, a Wikileaks condena a ameaça britânica. "Uma ameaça desta natureza é um ato hostil e extremo, que não é proporcional às circunstâncias, e é um ataque sem precedentes aos direitos dos cidadãos que procuram asilo por todo o mundo", afirma a organização.

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

“Discurso de Passos Coelho foi incoerente e de más notícias”


Luís Fazenda criticou o discurso de Passos Coelho no Pontal, por ser “incoerente” e deixou um repto ao primeiro-ministro para devolver aos pensionistas e aos trabalhadores da administração pública os subsídios cortados este ano, “substituindo esses valores por outras medidas fiscais”, “que tenham a ver com rendimentos de capital”, como impostos sobre o património de luxo e sobre grandes fortunas.
Luís Fazenda considerou que as palavras de Passos Coelho não são apenas “um poço de contradições”, mas também “um mero artifício propagandístico” - Foto de Mário Cruz/Lusa
O líder parlamentar do Bloco de Esquerda deu nesta quarta feira uma conferência de imprensa para reagir ao discurso de Pedro Passos Coelho, na terça-feira à noite em Quarteira, Loulé, em que este anunciou o fim da recessão em 2013, dizendo que vai ser um ano de "inversão" e de "preparação da recuperação" económica.
“O discurso do Pontal foi um discurso de incoerências, de más notícias e que não trouxe qualquer esperança aos portugueses e, como tal, nós condenamo-lo pela sua vacuidade e pela sua inexistência política”, afirmou Luís Fazenda.
O líder parlamentar do Bloco lançou um repto ao primeiro-ministro e ao governo: “Apresentem um Orçamento Retificativo, devolvendo aos pensionistas e aos trabalhadores da administração pública os subsídios cortados deste ano, já considerados inconstitucionais e substituindo esses valores por outras medidas fiscais, já em linha com o futuro Orçamento de Estado, que tenham a ver com rendimentos de capital”, “como o Bloco de Esquerda já materializou essas propostas a partir de impostos sobre o património de luxo, impostos sobre grandes fortunas em Portugal – esses montantes estão a ser excluídos do esforço fiscal e têm de ser chamados à sua contribuição”.
Luís Fazenda denunciou também que “aquilo que o primeiro ministro vem mais ou menos insinuando, que é fazer uma distribuição por todos os trabalhadores e por todos os pensionistas dos sacrifícios do próximo Orçamento de Estado não só não conduzem ao fim da recessão”, “como é o agravamento e a generalização de uma injustiça social, de uma falta de equidade na repartição de sacrifícios. O problema da equidade é com o capital, não é entre os trabalhadores”.
O líder parlamentar do Bloco apresentou uma segunda medida: “discutir na Europa as condições do desenvolvimento económico, a de renegociar o memorando da troika, os termos da dívida, as condições para o relançamento da economia portuguesa”.
Luís Fazenda repudiou o discurso do primeiro ministro, considerando-o “desconexo” e sublinhando que “não animou, nem as hostes do PSP, nem tranquilizou os portugueses” e frisou ainda que as palavras de Passos Coelho não são apenas “um poço de contradições”, mas também “um mero artifício propagandístico”.
Notícia atualizada dia 15 de agosto às 16h30.

Comunicado do Bloco de Esquerda sobre a Escola EB2,3 de Minde

Consulte no link abaixo:

Requerimento ao Secretário de Estado do Ambiente

Bloco requereu a vinda do Secretário de Estado do Ambiente

à AR para esclarecer funcionamento da ETAR de Alcanena

O deficiente funcionamento da Estação de Tratamento de Águas Residuais (ETAR) de Alcanena, com mais de 20 anos, tem sido extremamente penalizador para a qualidade de vida e saúde pública das populações deste concelho, além de ser responsável pela poluição de recursos hídricos e solos.

Esta ETAR, destinada a tratar os efluentes da indústria de curtumes, foi desde a sua origem mal concebida, a começar por se situar em leito de cheia. Desde então os problemas são conhecidos e persistem: maus cheiros intensos; incumprimento regular dos valores-limite estabelecidos para o azoto e CQO das descargas de efluente tratado em meio hídrico; célula de lamas não estabilizadas, com deficiente selagem e drenagem de lixiviados e biogás; redes de saneamento corroídas, com fugas de efluentes não tratados para o ambiente; saturação da ETAR devido a escoamento das águas pluviais ser feita nas redes de saneamento.

Desde há muito que estes problemas são conhecidos e nada justifica, ainda mais com todo o avanço tecnológico existente ao nível do funcionamento das ETAR, que se chegue ao final de 2010 com esta situação. E pior se compreende quando é o próprio Ministério do Ambiente a constatar que gastou ao longo dos anos cerca de 50 milhões de euros para tentar responder a estes problemas.

Em Junho de 2009 foi assinado um protocolo para a reabilitação do sistema de tratamento de águas residuais de Alcanena pela ARH Tejo, o INAG, a Câmara Municipal e a AUSTRA (gestora da ETAR), com investimentos na ordem dos 21 milhões de euros de comparticipação comunitária.

Este protocolo inclui cinco projectos, os mais importantes dos quais com prazo final apenas em 2013, o que significa arrastar os principais problemas identificados até esta data. Como os prazos de início dos estudos destes projectos já sofreram uma derrapagem, dúvidas se colocam sobre o cumprimento dos prazos estabelecidos, ainda mais quando não há certezas sobre a disponibilização de verbas nacionais para co-financiar os projectos, tendo em conta o contexto de contenção actual.

Considerando a gravidade dos problemas causados pela ETAR de Alcanena para as populações e o ambiente, o deputado José Gusmão e a deputada Rita Calvário do Bloco de Esquerda solicitam uma audiência com o Secretário de Estado do Ambiente, com a finalidade de obter esclarecimentos sobre os investimentos previstos para a reabilitação do sistema de tratamento, as soluções escolhidas, o cumprimento de prazos, e as garantias que os mesmos oferecem para resolver o passivo ambiental existente, os focos de contaminação dos recursos hídricos e solo, os maus cheiros e qualidade do ar respirado pelas populações deste concelho. Seria de todo útil que o presidente ou representantes da ARH-Tejo estivessem presentes nesta audiência.

Lisboa, 17 de Dezembro de 2010.

A Deputada O Deputado

Rita Calvário José Gusmão

Direito a não respirar “podre” – SIM ou NÃO?





No passado domingo, dia 12 de Dezembro, no Auditório Municipal de Alcanena, realizou-se uma conferência, dinamizada pelo Bloco de Esquerda, sobre a poluição em Alcanena.
Esta sessão reuniu um grupo de ‘preocupados’, que primeiramente ouviram as exposições de especialistas sobre o assunto e, no final, trocaram experiências e pontos de vista, baseados na própria vivência, bem como em conhecimentos técnicos e científicos.
Ficou bem patente que se trata de um grave problema de há muito sentido, mas também desvalorizado, do qual até ao momento não se conhecem as verdadeiras implicações para a saúde pública, mas que transtorna a vida de todos os que vivem e trabalham no concelho, tornando desagradável e doentio o seu dia a dia.
Ficou também claro que o Bloco de Esquerda, aliado desta causa, não abandonará a luta, que será levada até onde os direitos das pessoas o exigirem.

Comunicado de Imprensa

Leia em baixo o Comunicado de Imprensa de 3 de Dezembro do Bloco de Esquerda em Alcanena.

Clique aqui para ler

Reclamamos o DIREITO A RESPIRAR

Bloco de Esquerda continua na senda de uma solução para o grave problema de poluição ambiental em Alcanena



Na passada sexta-feira, dia doze de Novembro, uma delegação, composta pelo Deputado do Bloco de Esquerda pelo Distrito de Santarém, José Gusmão, e mais dois elementos do Bloco, foi recebida pela administração da Austra, no sentido de esclarecer alguns pontos relativos ao funcionamento da ETAR e à poluição que de há muito tem afectado Alcanena, com acrescida intensidade nos últimos tempos.

O Bloco de Esquerda apresentou já um requerimento ao Ministério do Ambiente, aguardando resposta.

Após a reunião com a administração da Austra, realizou-se na Sede do Bloco em Alcanena uma Conferência de Imprensa para fazer o ponto da situação.

Da auscultação da Austra, ficou claro para o Bloco de Esquerda que a ETAR de Alcanena não reúne as condições minimamente exigíveis, quer do ponto de vista do cumprimento da lei, quer da garantia de índices de qualidade do ar compatíveis com a saúde pública e o bem estar das populações.

A delegação do Bloco de Esquerda obteve do presidente da Austra o compromisso da realização de operações de monitorização da qualidade do ar em Alcanena, a realizar o mais tardar em Janeiro. De qualquer forma, o Bloco de Esquerda envidará esforços para que essa monitorização ocorra de forma imediata.

Embora existam planos para a total requalificação dos sistemas de despoluição, registamos com preocupação a incerteza sobre os financiamentos, quer nacional quer comunitário. O Bloco de Esquerda opor-se-á a que estes investimentos possam ser comprometidos por restrições orçamentais, e exigirá junto do Governo garantias a este respeito.

A participação popular foi e continuará a ser um factor decisivo para o acompanhamento e controlo da efectiva resolução do problema da qualidade do ar em Alcanena.

No âmbito da visita do Deputado do Bloco de Esquerda, José Gusmão, ao Concelho de Alcanena, realizou-se um jantar-convívio no Restaurante Mula Russa em Alcanena, ocasião também aproveitada para dialogar sobre assuntos inerentes ao Concelho. Mais tarde, José Gusmão, conviveu com um grupo de jovens simpatizantes num bar deste concelho.

No sábado, dia treze de Novembro, José Gusmão e outros elementos do Bloco de Esquerda estiveram em Minde, no Mercado Municipal, distribuindo jornais do Bloco, ouvindo e conversando com as pessoas.

Neste mesmo dia, junto ao Intermarché de Alcanena, José Gusmão contactou com as pessoas e entregou jornais do Bloco de Esquerda.

Num almoço realizado em Minde, no Restaurante Vedor, com um grupo de aderentes e simpatizantes do Bloco, houve mais uma vez oportunidade para ouvir opiniões, experiências e expectativas, bem como de exprimir pontos de vista.

O Bloco de Esquerda continuará a luta por um direito que parece ser inerente à própria condição humana, mas que vem sendo negado às pessoas que vivem e trabalham em Alcanena – o direito de respirar ar “respirável” e de não ser posta em causa a sua saúde.


A Coordenadora do Bloco de Esquerda de Alcanena

Poluição em Alcanena: Requerimento à Assembleia da República

Pessoas esclarecidas conhecem o seu direito de respirar ar puro e lutam pela sua reconquista já que alguns até isto usurparam.

O Bloco de Esquerda encetou a luta pela despoluição de Alcanena na legislatura anterior e continuará a manifestar-se e a rebelar-se contra esta desagradável e injusta situação até que no nosso concelho possamos respirar de novo.


Veja aqui Requerimento apresentado pelo BE quanto à questão da poluição em Alcanena

Carta à AUSTRA

Carta entregue pelo grupo de cidadãos "Chega de mau cheiro em Alcanena" ao Presidente da Austra e Presidente da Câmara Municipal de Alcanena

INAUGURAÇÃO DA SEDE DO BLOCO DE ESQUERDA EM ALCANENA

Francisco Louçã inaugurou no passado domingo, dia 31 de Outubro, a Sede do Bloco de Esquerda em Alcanena. Na inauguração esteve também representada a Coordenação Distrital do Partido; estiveram presentes aderentes e convidados. Esta ocasião especial foi uma oportunidade de convívio, acompanhada de um pequeno beberete.
Francisco Louçã falou, como sempre, de forma clara e apelativa, abordando a actual situação crítica do país,apontando as razões, propondo alternativas e caminhos.
Baseando-se no Socialismo Democrático, o Bloco de Esquerda tem sido sempre activo na defesa dos valores da verdadeira Democracia, e propõe-se continuar essa luta. Esta nova Sede é mais um ponto de encontro, de trabalho, de partilha de pontos de vista e de tomada de iniciativas, possibilitando que se ouçam as vozes de todas as pessoas e transmitindo os seus problemas e expectativas.
Trata-se de um pequeno espaço, que representa uma grande vontade de mudança e que espera contar com a presença de todos os que partilhem os ideais de um concelho mais próspero, de uma sociedade mais justa e equilibrada, de um país realmente mais avançado.