sábado, 9 de junho de 2012

“O futuro da democracia joga-se na Grécia”

Francisco Louçã sublinhou esta sexta feira, no comício "Com o povo grego contra a troika", que "dia 17 de junho o que está em causa é a Grécia, mas também somos nós". "Vemos a Europa como solidariedade, como projeto social, onde conta o emprego e os serviços públicos. É porque estamos connosco que estamos com os gregos", avançou ainda a eurodeputada Marisa Matias durante a sua intervenção.
Foto de Oneiros, Flickr.
Durante o comício “Com o povo grego contra a troika”, que teve lugar esta sexta feira no Mercado Ferreira Borges, no Porto, e contou com as intervenções de Manuel Correia Fernandes, vereador independente do PS na cidade do Porto, Marisa Matias, Fernando Rosas, Francisco Louçã e Catarina Martins, o coordenador da Comissão Política do Bloco de Esquerda enumerou três razões que sustentam o empenho do Bloco com as eleições gregas e com a Syriza.
A primeira é Portugal. “A Grécia tem dois anos de troika, mas em apenas um ano os portugueses já viram os impostos aumentar, os salários diminuir e o desemprego disparar", sublinhou Francisco Louçã.
A receita é a mesma, avançou o dirigente bloquista, frisando que "o que serve para Portugal, serve para a Grécia e o que serve para a Grécia serve para Portugal".
A este respeito, Louçã referiu-se ainda à proposta de desvalorização salarial, avançada por António Borges, o "verdadeiro ministro sombra”, "grilo falante daquele Pinóquio mentiroso [governo]", e ao programa Impulso Jovem, que "mais não é que promover que o Estado pague, com o dinheiro da Segurança Social, salários mais baixos, alinhados pelos 500 e poucos euros", e que se baseia em "baixar os salários dos jovens, prometendo-lhes estágios e não empregos, promessas em vez de trabalho".
Para o deputado do Bloco, uma segunda razão diz respeito ao eventual resgate a Espanha, para financiar a banca do país, que constitui a “chantagem dos mercados sobre o país, para começar mais um ciclo de austeridade".
"O que está a ser dito para a Espanha é que tem que se entregar a mais medidas de austeridade para que os impostos do país, nos próximos anos, sejam destinados a pagar esta gigantesca operação de financiamento da banca que se entregou à especulação imobiliária".
Quem beneficia com a crise é a Alemanha, adiantou Louçã, lembrando que o país comandado pela senhora Merkel “financia-se a zero por cento e cobra depois, a Portugal ou à Grécia, a 4,5 por cento”. "Se há crise é em Berlim. Se há especulação é em Berlim. Se há um perigo para a democracia é em Berlim", advogou o dirigente bloquista, enfatizando que "o futuro da democracia joga-se na Grécia”.
A terceira razão, segundo Francisco Louçã, prende-se com a própria Grécia.
Na Grécia, recordou Louçã, “não há uma avaliação de três em três meses, há uma delegação permanente que autoriza cada despesa ‘cheque a cheque’, retirando autonomia sobre a execução orçamental ao governo grego e tornando-se numa forca de ocupação".
"É por isso que a Syriza diz que o seu mandato é correr com a troika, recuperando a economia", avançou o deputado do Bloco.
"Dia 17 de junho o que está em causa é a Grécia, mas também somos nós", frisou Francisco Louçã.
"As eleições gregas são a prova dos nove sobre a democracia na Europa"
Segundo o dirigente bloquista Fernando Rosas, o que está em causa nas eleições gregas é "saber se a União Europeia aceita a decisão livre dos gregos e encara negociar com um governo de esquerda, ou se, pelo contrário, só aceita um que aceite o programa da troika que tem afundado a Grécia".
“Dizendo que os gregos ‘ousaram desafiar’ um sistema tão bem engendrado como o do ‘arco da governação’, que tem conduzido a Europa até à atual situação, Mário Moutinho, diretor do Festival Internacional de Teatro de Expressão Ibérica, diz que a vontade dos gregos levanta um sério desafio e perigo para as forças que governam a aurora”. "Estão agora todos muito preocupados. E se a moda pega nos outros países?", ironizou Fernando Rosas.
"O que está a ser feito por Merkel à Grécia e Portugal é um experimentalismo sem nome”
A eurodeputada do Bloco Marisa Matias, adiantando que as lideranças europeias atuais, subordinadas a Merkel, "são os coveiros do modelo social europeu", defendeu que a única coisa que pode salvar a Europa é “mais Europa, solidariedade em vez da especulação”.
"Vemos a Europa como solidariedade, como projeto social, onde conta o emprego e os serviços públicos. É porque estamos connosco que estamos com os gregos", avançou Marisa Matias, realçando que "somos europeístas mas não somos ‘eurotontos’".

DIA MUNDIAL DO AMBIENTE - SESSÃO NA CHAMUSCA

07-Jun-2012
carregueira_dia_do_ambiente.jpgNo dia mundial do ambiente, o Bloco de Esquerda organizou uma sessão pública na Chamusca, Centro de Apoio Social da Carregueira, com Pedro Carteiro (colaborador do Centro e Informação de Resíduos da Quercus), José Neves Filipe (especialista em Higiene e Segurança no Trabalho), José Gusmão (economista e dirigente do Bloco), Luís Portugal (especialista em segurança radiológica). Ao longo da sessão estiveram presentes cerca de cinquenta pessoas.
Duarte Arsénio, deputado municipal do Bloco na Chamusca, abriu os trabalhos com uma intervenção sobre a história da implementação do EcoParque do Relvão, das contrapartidas por realizar (lar de idosos inacabado), o problema das linhas de água e do perigo existente caso as regras de segurança e sobre os resíduos não sejam cumpridas, a necessidade de implementação de uma comissão de acompanhamento representativa da população e transparente.
Na sua intervenção o deputado municipal do BE sublinhou ainda que o que o mais importante é garantir a segurança ambiental, dos trabalhadores e dos residentes, dado que a segurança não é incompatível com o emprego. Mais informou que o deputado Luís Fazenda, na sequência da pergunta sobre "Alegadas deficiências graves no Centro Integrado de Recuperação, Valorização e Eliminação de Resíduos Perigosos" de janeiro passado (ver pergunta 19JAN2012), questionou novamente o Ministério da Agricultura, Mar, Ambiente e Ordenamento do Território sobre a proveniência e destino finais de substâncias radioativas recusadas no Eco Parque do Relvão, perguntas ainda por esclarecer (ver pergunta destino de substâncias radiotivas 25MAIO2012).

chamusca.jpg
Na sua intervenção Luís Portugal, especialista em segurança radiológica, esclareceu o público presente sobre as propriedades das substâncias radioativias, a existência de níveis perigosos mas também de níveis inócuos e da importância da denúncia e fiscalização através das entidades competentes, sempre que necessário.
Pedro Carteiro, colaborador do Centro e Informação de Resíduos da Quercus, referiu-se ao papel que pode desempenhar a Comissão de Acompanhamento do Ecoparque do Relvão que reunirá na próxima sexta-feira 8 de junho. Esta comissão contara com representantes da Assembleia Municipal de Chamusca, Câmara Municipal de Chamusca, Câmara Municipal de Constância, Junta de Freguesia da Carregueira e Assembleia de Freguesia da Carregueira, QUERCUS, ACHAR – Associação de Agricultores de Charneca, Associação Ambiental “Da Charneca ao Tejo” – Carregueira, Protecção Civil Chamusca, Centro de Saúde Chamusca e outros representantes da sociedade civil.
José Neves Filipe, especialista em Higiene e Segurança no Trabalho, abordou os benefícios sociais, económicos e ecológicos do cumprimento das regras de segurança no trabalho. Benefícios que se repercutem nos trabalhadores, as empresas e na sociedade. Apresentou a legislação vigente e deu exemplos de regras, níveis de perigo, cálculos de risco e métodos de prevenção.
José Gusmão, economista e dirigente do Bloco, referiu-se à suposta incompatibilidade entre ambiente e emprego como uma perspetiva errada, fazendo notar que há setores da economia que se podem desenvolver a partir da resposta às necessidades ambientais.

Solidariedade bloquista na campanha da Syriza

O Mercado Ferreira Borges, no Porto, recebeu sábado à noite o primeiro comício de solidariedade com a coligação da esquerda grega. A partir deste domingo, vários dirigentes bloquistas entram na campanha grega. A eurodeputada Alda Sousa participou já esta sexta-feira na manifestação antifascista de resposta às agressões do deputado neonazi em direto na tv.
Foto Syriza/Flickr
A agressão fascista às deputadas do KKE e da Syriza, por um deputado neonazi que se pôs em fuga, colocou ainda mais tensão na campanha eleitoral grega e na tarde desta sexta feira estão convocadas manifestações antifascistas para sete cidades gregas. A eurodeputada bloquista Alda Sousa esteve presente no protesto marcado para Atenas e irá participar este fim de semana e sessões públicas e atividades de campanha da coligação Syriza.
Na semana final da campanha, a coligação liderada por Alexis Tsipras, que quer formar um governo de esquerda para romper com o memorando da troika e obrigar Angela Merkel a recuar no seu projeto de dominação e humilhação do povo grego, irá contar com a participação de outros dirigentes bloquistas.
José Soeiro e Jorge Costa estarão presentes durante a próxima semana em várias iniciativas de campanha da Syriza e Francisco Louçã irá intervir no comício final da coligação em Atenas. Na noite eleitoral de 17 de junho, a eurodeputada Marisa Matias irá representar o Bloco de Esquerda na sede de campanha da coligação da esquerda radical.
Mas a presença dos bloquistas nas campanhas eleitorais em curso na Europa não se fica pela Grécia. Representantes do Bloc irão também participar nas legislativas francesas, apoiando Jean-Luc Mélenchon na sua candidatura contra Marine Le Pen. A primeira volta realiza-se no domingo e a segunda coincidirá com a eleição na Grécia.
Esta sexta-feira, a solidariedade com a Syriza e o povo grego chegou ao Porto, no comício no Mercado Ferreira Borges a partir das 21h30. A \iniciativa contou com intervenções de Marisa Matias, Francisco Louçã, Catarina Martins, Fernando Rosas e o vereador Manuel Correia Fernandes , que subscreve o Apelo de Solidariedade com a Grécia.

COMUNICADO SOBRE O “ACORDO GOVERNO/ANMP"

7-Jun-2012
logobe.jpgAumento dos impostos não é a solução para os problemas das autarquias do distrito de Santarém
O recente acordo entre o Governo e a Associação Nacional de Municípios Portugueses (ANMP) prevê uma linha de crédito de mil milhões de euros para dívidas de curto prazo das autarquias. Tem como contrapartida o aumento dos impostos municipais - IMI, IMT e derrama. Impõe também a subida das taxas municipais de água, saneamento e resíduos.
As autarquias são ainda forçadas a reduzir despesas de pessoal, diminuindo o quadro de funcionários e degradando os serviços prestados às populações.
Os concelhos serão obrigados a suportar os custos da avaliação dos prédios urbanos --- uma tarefa que cabe à administração fiscal e um custo contra os qual se pronunciaram várias Câmaras do distrito de Santarém. Pior ainda, serão forçados a desistir dos processos contra o Estado, a propósito dessa avaliação.
O BE rejeita o caminho de mais uma subida generalizada de impostos e dos serviços municipais.
O BE considera este acordo um ataque à democracia e à autonomia do poder local, na medida em que retira às Assembleia Municipais poderes de fixação das taxas do IMI e da derrama.
Aliás, com o acordo, o IMI perde toda a sua dimensão social e de mecanismo de ordenamento urbanístico e passa a ser apenas mais um mecanismo de extorsão das populações.
Os Presidentes de Câmara que aceitam este acordo assumem-se como o rosto do aumento de impostos, no distrito de Santarém.
O BE considera que as imposições do Governo levam a uma espiral de austeridade e de sacrifícios às famílias. Os aumentos do IMI, agora aceites pela ANMP, são um exemplo desse caminho. O Governo, depois de ter prometido que não levaria a cabo mais medidas de austeridade, pede agora mais sacrifícios aos portugueses com estas escolhas. Todos os Presidentes de Câmaras que não discordaram do acordo são os rostos destes novos sacrifícios impostos às famílias.
O BE defende uma auditoria à dívida pública que identifique a dívida ilegítima resultado da especulação financeira. Toda a população tem o direito de conhecer a dívida que é chamada a pagar, bem como a não pagar o que resulta da especulação dos mercados financeiros. Só rompendo com a dívida ilegítima será possível criar espaço para uma política que crie emprego e minore os pesados encargos impostos às famílias.
Santarém, 3 de Junho de 2012
O Secretariado da Comissão Coordenadora Distrital do Bloco de Esquerda de Santarém

Espanha em contagem decrescente para a chegada da troika

Há dez dias, o governo espanhol jurava que a Espanha não iria recorrer à troika para resgatar a banca. Agora, todos aguardam pela tarde de sábado, altura em que segundo alguns altos funcionários da UE, os ministros das finanças da zona euro irão aprovar o empréstimo. Resta saber qual será o montante.
Foto Partido Popular Europeu/Flickr
A notícia da agência Reuters, que cita dois altos funcionários da União Europeia, indica que Rajoy concretizará este sábado o pedido de resgate à banca espanhola, tornando-se no maior país a recorrer ao fundo europeu destinado sobretudo a capitalizar o sistema financeiro da zona euro, transferindo o custo da recapitalização da banca para o conjunto dos contribuintes e aumentando brutalmente a dívida dos países em dificuldades.
Segundo o site Público.es, a vice-presidente do governo espanhol, Soraya Sáenz de Santamaría, não confirmou nem desmentiu a notícia da Reuters, limitando-se a dizer que o governo está "à espera dos números que serão fornecidos pelos que analisam o sistema financeiro".
A decisão da agência de rating Fitch de baixar a notação da dívida espanhola em três níveis, aproximando-se do nível conhecido como "lixo", fez aumentar ainda mais as especulações sobre a iminência da entrada da troika em Espanha. Mas persiste a dúvida quanto ao montante do empréstimo a contrair para encher os cofres dos bancos. Enquanto o secretário-geral do Partido Popular Europeu calculou o valor do pacote entre a fasquia dos 80 mil e dos 100 mil milhões de euros, o FMI divulgou em seguida um estudo que baixou para 40 mil milhões o montante do pacote. 

quinta-feira, 7 de junho de 2012

Médicos fazem greve dias 11 e 12 de julho

Sindicatos e Ordem protestam contra contratação de médicos a baixo custo através de empresas privadas de trabalho temporário anunciada pelo governo, e defendem a qualidade do SNS e do acesso dos doentes aos serviços de saúde.
Greve dos médicos é para defender a qualidade do SNS. Foto de Paulete Matos
Os dois sindicatos dos Médicos e a Ordem anunciaram uma greve de dois dias “em defesa do Serviço Nacional de Saúde”. O secretário geral do Sindicato Independente dos Médicos (SIM), Jorge Roque da Cunha, o dirigente da Federação Nacional dos Médicos Jorge Mário Neves e o bastonário da Ordem, José Manuel Silva, explicaram que na origem do protesto está um concurso lançado pelo Ministério da Saúde, a empresas privadas, para a prestação de serviços médicos às instituições do Serviço Nacional de Saúde.
O anúncio deste concurso foi publicado em Diário da República e visa a contratação de 2,5 milhões de horas a empresas privadas de trabalho temporário. Os médicos consideram este concurso ilegal, que corresponderia ao trabalho de 1700 médicos em horário completo.
Defesa da qualidade do SNS
Para o bastonário José Manuel Silva, a greve é uma "medida extrema" em defesa da qualidade do SNS e do acesso dos doentes aos serviços de saúde.
O caderno de encargos do concurso estipula que os contratos vigoram por 12 meses, renováveis por igual período até ao limite de três anos, podendo a empresa privada de trabalho temporário mudar os profissionais mediante comunicação com 30 dias de antecedência.
Os médicos contratados têm de dar resposta a, pelo menos, quatro consultas por hora e de efetuar atendimento do foro pediátrico.
Para José Manuel Silva, “não há nenhum profissional neste país que queira ser contratado pelo seu mais baixo preço”.
As três organizações exigem “a imediata anulação do concurso de contratação de empresas privadas e a implementação dos concursos legais de recrutamento dos médicos, aplicando na prática a legislação sobre as carreiras médicas”.
Além da greve nos dias 11 e 12 de julho, a Ordem, a FNAM e o SIM anunciaram que vão encetar contactos com outras organizações – estudantes, associações, utentes – e com as centrais sindicais para analisar as formas de cooperação na defesa do SNS e da contratação coletiva.
"Os médicos não gostam de fazer greve, é um último recurso, a situação é grave demais e, como sempre, quem paga é o doente", disse Mário Jorge Neves.
Os médicos vão ainda “contestar pelas vias judiciais possíveis" o concurso, por considerarem que é "uma medida que viola os direitos constitucionais da contratação coletiva, do acesso à função pública e do direito ao trabalho”.
A curto prazo, os médicos vão realizar reuniões "nos principais locais de trabalho" para "proceder à mais ampla mobilização de esforços na defesa dos objetivos reivindicativos definidos".
A última greve decretada em conjunto pela FNAM e pelo SIM foi há oito anos, na altura contra a ameaça de privatização dos centros de saúde.

 

Governo desferiu ataque mortal contra o SNS

Um ataque em três direções, articuladas entre si, todas e cada uma apontadas ao desmembramento do SNS: a nova carta hospitalar, a mega contratação de empresas privadas para colocar médicos à hora e a redução dos cuidados garantidos.
O governo desferiu um ataque mortal contra o Serviço Nacional de Saúde tal como ele tem existido até hoje: um serviço geral, universal e de qualidade, acessível a todos os que precisem de cuidados de saúde, seja qual for a sua situação social e económica.
As medidas recentemente anunciadas pelo ministério de Paulo Macedo, a serem concretizadas, conduzem inevitavelmente à descaracterização e desmantelamento do SNS. Nem mesmo, em 1978, quando o CDS abandonou o Governo em oposição à criação do SNS, foi tão evidente e transparente o propósito da direita em acabar com o SNS.
Estalou o verniz de Paulo Macedo, acabaram as frases ambíguas e encriptadas, destinadas a iludir e esconder dos portugueses o foco da política de saúde do PSD e do CDS: esvaziar e reduzir o SNS a serviços mínimos, no modelo assistencialista do antigamente, cuidados de baixa qualidade, porque pobre é pobre e não pode viver acima das suas possibilidades.
Para a direita, a saúde não é uma necessidade básica, um bem fundamental e um direito para todos os portugueses. PSD e CDS olham para a saúde como um luxo à disposição apenas de quem o pode pagar.
Repito, o governo lançou um ataque mortal contra o SNS. Um ataque em três direções, articuladas entre si, todas e cada uma apontadas ao desmembramento do SNS: a nova carta hospitalar, a mega contratação de empresas privadas para colocar médicos à hora no SNS e a redução dos cuidados garantidos pelo SNS
A Carta Hospitalar apresentada pelo governo é uma interminável lista de destruição de serviços e unidades hospitalares. São mais de 40 os encerramentos propostos mas apenas para seis especialidades, o que faz prever que a versão completa da futura Carta Hospitalar alargue para as centenas os serviços que o governo se prepara para fechar em todo o país. Dezenas de hospitais deixarão de ter qualquer razão para existirem porque alguns, poucos, serviços residuais não fazem um hospital, como todos sabemos.
Com esta Carta Hospitalar o SNS perderá as suas principais qualidades, as que fazem dele hoje um serviço público de excelência: proximidade, acesso, prontidão e qualidade dos cuidados de saúde hospitalares. Da sua aprovação resultaria uma espécie de SNS, nem geral nem universal, afastado dos cidadãos e sem capacidade de resposta às necessidades da população. Um retrocesso de muitos anos.
O governo anunciou também a abertura de um mega concurso para contratar empresas privadas que alugam e colocam médicos em pacote e à hora nos centros de saúde e nos hospitais do SNS, apenas por um ano e sem qualquer garantia de continuidade, tendo como único critério de seleção “o mais baixo preço unitário por hora”.
O governo trata o trabalho médico como qualquer outra mercadoria, compra trabalho médico como compra pensos ou injeções, num processo ilegal que desrespeita as carreiras médicas, no qual não se vislumbra qualquer preocupação com a qualidade da medicina praticada e a organização das equipas prestadoras de cuidados de saúde.
O governo abre este negócio para os privados mas mantém os hospitais e os centros de saúde impedidos de contratar os médicos de que precisam. Se a intenção do governo é colocar no SNS os médicos que faltam, então deve abrir de imediato concursos para a sua colocação nos centros de saúde e hospitais do país e fazer a sua contratação direta, cumprindo as carreiras médicas e dispensando quaisquer intermediários privados, com os quais se desbarata e desperdiça muito dinheiro público.
Por último, mas não menos importante, a terceira peça deste ataque do governo ao SNS. O secretário de estado da saúde, anunciou que está em preparação uma carteira mínima de prestações de saúde garantidas e que deixa de fora tratamentos e serviços até hoje sempre assegurados pelo SNS.
E para que não ficasse qualquer dúvida sobre o que o governo pretende cortar, Leal da Costa deu como exemplo os medicamentos para o cancro que, usando as suas próprias palavras, apenas servem para prolongar a vida dos doentes por algum tempo.
Não há lapso que explique ou desculpe esta desumanidade, própria de quem julga que a vida de uma pessoa se pode decidir na roleta dos caprichos políticos de um qualquer governante.
Percebemos hoje melhor que a intenção de fechar a maternidade Alfredo da Costa não foi apenas um balão de ensaio. Foi o início de um plano muito vasto de destruir o SNS.
Não se estranhe portanto que os profissionais e os restantes portugueses se batam e se oponham determinadamente à política de subversão do SNS levada a cabo pelo governo. Mais cedo do que tarde, estamos certos, ouviremos o eco desse combate em nome da democracia e da qualidade de um serviço público essencial.
Não é o SNS que está a mais na sociedade portuguesa. Quem está a mais é Paulo Macedo e a sua política.
Declaração política do Bloco de Esquerda – 6 de junho de 2012

D. Januário Torgal diz que declarações de Passos Coelho lembram Salazar

Para o Bispo das Forças Armadas, a referência do primeiro-ministro à paciência do povo português faz lembrar os discursos de Oliveira Salazar. E diz que lhe apetecia apelar ao povo a que saia à rua para fazer a democracia
D. Januário Torgal: Passos lembra Salazar.
Em entrevista à TSF e à SIC, o Bispo das Forças Armadas, D. Januário Torgal Ferreira, disse estar “profundamente chocado” com os agradecimentos de Pedro Passos Coelho à paciência dos portugueses, afirmando ter ficado com vontade de pedir ao povo que saia à rua para fazer a democracia.
“Aparece um senhor, que pelos vistos ocupa as funções de primeiro-ministro, dizendo um obrigado à profunda resignação de um povo tão dócil e tão bem amestrado que até merecia estar no Jardim Zoológico. Conclusão: parecia que estava a ouvir um discurso de uma certa pessoa há 50 anos”, lamentou o bispo, confirmando que se referia a Salazar. E acrescentou: “Estou profundamente chocado. Apetecia-me dizer: vamos todos hoje para a rua. Não vamos fazer tumultos, vamos fazer democracia.”
D. Januário Torgal Ferreira lamentou que as ações e as palavras do atual governo façam recordar outros tempos de “má memória”. Na sua opinião, "Portugal não tem governo neste momento e vão uns certos senhores dar uma passeata num certo dia fazer propaganda tipo união nacional, de não saudosa memória, pelo país fora, a dizer que somos os melhores do mundo”.

quarta-feira, 6 de junho de 2012

Mais 6.650.000.000 para a banca, 665 euros por cada pessoa que vive em Portugal

O Governo vai emprestar 6.650 milhões de euros para injetar no BCP, no BPI, na CGD e pelos quais o país pagará juros brutais. Os empréstimos ao BCP e ao BPI equivalem a mais de quatro vezes o que os dois bancos valem atualmente em bolsa. O montante do dinheiro para a banca significa que cada pessoa que vive em Portugal contribuirá com cerca de 665 euros, em média.
O BCP valia na segunda feira 692 milhões de euros na bolsa e vai receber de empréstimo, assumido pelo Estado português, cinco vezes mais: 3.500 milhões de euros - Foto de Paulete Matos
O BCP anunciou que pediu um empréstimo ao Estado no montante de 3.500 milhões de euros, o BPI de 1.500 milhões e a Caixa Geral de Depósitos (CGD) de 1.650 milhões de euros. O montante global é de 6.650 milhões de euros.
Além destes empréstimos, o BANIF deverá ainda pedir 350 milhões de euros, segundo o seu presidente executivo, o que elevará o montante emprestado pelo Governo para 7.000 milhões de euros. Este pedido do BANIF só será negociado com o Governo no próximo trimestre. O presidente executivo do BANIF é Jorge Tomé e o presidente do conselho de administração é Luís Amado, antigo dirigente do PS e ex-ministro dos Negócios Estrangeiros no governo de José Sócrates.
Lembre-se que no memorando assinado com a troika está previsto um montante de 12.000 milhões de euros para a recapitalização da banca. Os empréstimos destinam-se a que as instituições financeiras cumpram os rácios de solvabilidade 'core tier 1' de 9% até ao final deste mês, exigidos pela autoridade bancária europeia (EBA em inglês).
Segundo o jornal “Correio da Manhã” desta terça-feira, o BCP valia na segunda feira 692 milhões de euros na bolsa e vai receber do empréstimo, assumido pelo Estado português, cinco vezes mais: 3.500 milhões de euros. A notícia deste empréstimo provocou nova queda das suas ações na bolsa, que atingiram o mínimo histórico de 9 cêntimos. Segundo o “Jornal de Negócios”, os analistas duvidam da capacidade do BCP pagar o empréstimo em 5 anos, como está previsto.
O BPI valia nesta segunda feira 319 milhões de euros no mercado de capitais e irá receber um empréstimo de 1.500 milhões de euros - 4,7 vezes o seu valor atual na bolsa.
Estes empréstimos a estes bancos privados significam que os seus acionistas não estão a querer capitalizarem estes bancos, nem pretendem vendê-los. Lembre-se que BCP, BPI e BANIF são bancos privados e que, por exemplo, Isabel dos Santos – filha do presidente angolano José Eduardo dos Santos – detém 19% do BPI e a petrolífera angolana Sonangol detém mais de 11% do BCP.
Quanto à CGD, o banco público, muito provavelmente não teria de recorrer a este empréstimo se não tivesse tido que enterrar elevado montante no BPN.
O ministro das Finanças, Vítor Gaspar mostrou um grande contentamento com estes empréstimos à banca, declarando que , após estas operações, "cada um dos bancos irá ultrapassar os requisitos de capital exigidos pelo EBA", acrescentando que as instituições financeiras participantes "irão estar entre os bancos mais bem capitalizados da Europa".
Para o Bloco de Esquerda, a apreciação é oposta, tendo o deputado Pedro Filipe Soares declarado que a "única matéria" em que o Governo provou ser "bom aluno" perante a troika foi em "despejar dinheiro" nos cofres dos bancos, sem garantia de que isso tenha impacto na "criação de emprego".
Francisco Louçã declarou que este empréstimo irá, na realidade, servir para “pagar juros extorsionários” e “não para apoiar a economia”. O dirigente do Bloco lembrou que “os bancos tiveram acesso a empréstimos a 3 anos desde dezembro do ano passado a um por cento, ou seja gratuitamente, e não apoiaram a economia, não aumentaram o crédito”.

Trabalhadores apresentam propostas para enfrentar crise no setor automóvel

Em entrevista ao esquerda.net, António Chora, coordenador da CT da Autoeuropa fala da crise no setor automóvel, do encontro que juntou 67 representantes dos trabalhadores de 24 empresas do setor e das propostas apresentadas nesse encontro.
Os trabalhadores propõem o lançamento na Europa de uma campanha de abate de carros e defendem uma real contratação coletiva, para defender e criar emprego e aumentar a produtividade das empresas – Autoeuropa, foto de Miguel A. Lopes/Lusa de 2/6/2010
O encontro de representantes dos trabalhadores realizou-se no passado dia 30 de maio. Estiveram presentes 67 representantes de trabalhadores de 24 empresas diferentes do setor automóvel, que vai desde a construção até ao pós-venda.
No encontro, foram apresentados contributos para enfrentar a crise do setor automóvel, que serão apresentados ao ministro da Economia.
Porquê este encontro agora?
Porque, neste momento, o setor está a atravessar uma crise que já não se sentia acerca de três anos, pelo menos. A última crise que atravessámos desta dimensão foi nos finais de 2008 princípios de 2009, e agora tentámos encontrar algumas soluções para a crise que se atravessa. Esta é uma crise muito diferente da anterior, é uma crise europeia e portanto terá que ter resposta muito própria, europeia.
Como é que se está a manifestar essa crise? Há despedimentos?
Há empresas que já estão a proceder a despedimentos, como se verificou já na Citroen, na PSA e noutras. Na Autoeuropa, não temos despedimentos, mas não temos tantas passagens para os quadros da empresa como gostaríamos e já temos mais dias de paragem este ano que nos dois últimos anos.
Surgiu uma notícia na semana passada de que se perderam 2.500 postos de trabalho no setor...
No último ano a nível nacional já se perderam muitos postos de trabalho – há quem fale em mais de 5.000 postos de trabalho. Essencialmente na área das vendas e do pós-venda. Há muito concessionário a fechar. Por um lado, não há dinheiro para levar os carros à reparação às oficinas de marca e as pessoas estão a fugir para a economia paralela. Por outro lado, não há vendas. A reparação está agregada ao setor das vendas e é aí que está o maior impacto desta crise, neste momento.
Mas o que vocês produzem na Autoeuropa não é para vender na Alemanha? É que a economia alemã não está em crise...
Na Autoeuropa, não estamos com grande problema. Continuamos a produzir 625 carros por dia, mais ou menos o que produzíamos no início do ano passado, o que não quer dizer que venhamos a vender mais carros do que vendemos no ano passado, porque estamos a parar mais dias. Até às férias, desde janeiro, vamos parar cerca de 11 dias. Vendemos 40 e poucos por cento para o mercado alemão, ele é o nosso maior cliente único, mas depois todos os outros fazem muito mais que isso - Inglaterra, Itália, França, e esses mercados estão todos a recuar com grande velocidade.
O que propõem?
Propomos o lançamento na Europa, novamente, de uma campanha de abate de carros com idade superior a 8/10 anos, com elevado consumos e altamente poluentes. Propomos que haja facilidade de financiamento ou financiamento mais barato, visto que neste momento os bancos ou não emprestam dinheiro ou quando emprestam é com juros muito elevados. Propomos essa facilidade de financiamento a juros aceitáveis para toda a Europa, ao nível dos que se praticam na Alemanha, para carros de menor consumo e de menor emissão de CO2. Teremos todos a ganhar, os trabalhadores terão mais emprego, a economia desenvolver-se-ia, melhor ambiente, que ficaria menos saturado com emissões de CO2.
Vão ter outras iniciativas?
Vamos hoje mesmo pedir uma audiência ao ministério da Economia, para apresentarmos a totalidade das nossas reivindicações. O senhor ministro da Economia também é ministro do Trabalho as nossas conclusões finais vão para além da proposta que já expliquei até à necessidade de haver contratação coletiva, do estímulo e incentivo à contratação coletiva como forma de aumentar salários, de garantir emprego, encontrando soluções para as baixas de produção, que são recursos ao despedimento. Pensamos que é necessário estimular uma contratação ativa que proteja todas estas coisas e que simultaneamente aumente a produtividade das empresas como forma de garantir o emprego e a criação de emprego, especialmente para os jovens.

Mudanças climáticas estão a transformar tundra ártica em floresta

Uma nova investigação das universidades de Lapland, na Finlândia, e de Oxford, na Inglaterra, publicada neste domingo em Nature Climate Change revelou que partes da tundra da região Ártica estão a transformar-se em floresta boreal, o que pode alterar toda a constituição do ecossistema da região e ameaçar milhares de espécies que vivem no local. Por Jéssica Lipinski do Instituto CarbonoBrasil.
Uma nova investigação revelou que partes da tundra da região Ártica estão a transformar-se em floresta boreal – Tundra, Noruega, foto da wikipedia
Cientistas das duas universidades analisaram uma área de 100 mil quilómetros quadrados – aproximadamente o tamanho da Islândia – que vai da Sibéria até a Finlândia, e, através de dados obtidos por observações de satélite, descobriram que em 8% a 15% da área árvores como amieiros e salgueiros cresceram mais de dois metros nos últimos 30-40 anos.
“É uma grande surpresa que essas plantas estejam a reagir dessa forma. Anteriormente as pessoas pensavam que a tundra seria colonizada por árvores da floresta boreal ao sul à medida que o clima ártico aquecesse, um processo que potencialmente poderia levar séculos”, comentou Marc Macias-Fauria, investigador da Universidade de Oxford e o principal autor do relatório.
“Mas o que descobrimos é que os arbustos que já estão lá estão a transformar-se em árvores em apenas algumas décadas”, acrescentou Macias-Fauria. Bruce Forbes, do Centro Ártico da Universidade de Lapland e outro dos autores do trabalho, também se mostrou impressionado com o resultado. “A velocidade e magnitude dessa mudança observada é muito maior do que o esperado”, observou.
As descobertas, além de alertarem para a mudança na composição do ecossistema do local, também mostram que esse processo pode levar a variações maiores, como a alteração dos padrões climáticos. Segundo os cientistas, a transformação da tundra em florestas é importante, já que altera o efeito albedo – a quantidade de luz solar refletida pela superfície da Terra.
O mecanismo funciona mais ou menos assim: à medida que os arbustos da tundra se transformam em árvores, a região tomada pela vegetação cresce. Essa área, por ser escura, absorve mais calor do que os arbustos da tundra ou a neve que cobre essa vegetação, o que contribui para que haja uma mudança no clima regional, e, em longo prazo, pode também alterar o clima em maiores proporções.
Essa mudança no clima, por sua vez, afetará todo o desenvolvimento do bioma da tundra, aumentando a área do ecossistema boreal, mas diminuindo a área do ecossistema da tundra. Isso poderá colocar em perigo diversas espécies que vivem no local, declarou o relatório do estudo.
“Esse aumento médio de 19,8% da biomassa da superfície tem grande implicações nos ecossistemas da tundra ártica, incluindo sua hidrologia, permafrost e vida selvagem, e em como os humanos exploram as paisagens árticas. A vegetação mais alta e densa usa mais carbono da atmosfera, muda a quantidade e composição da forragem para animais de pastoreio e também altera a divisão e distribuição de energia e calor na superfície da terra”.
Apesar de a investigação ter sido desenvolvida somente em uma pequena porção da tundra ártica, os cientistas afirmam que os resultados indicam que as mudanças registadas também podem ocorrer em regiões onde o clima e o bioma sejam similares aos da área estudada.
“É claro que essa é apenas uma parte pequena da vasta tundra ártica e uma área que já é mais quente do que o resto do Ártico, provavelmente devido à influência do ar quente da Corrente do Golfo. No entanto, essa área realmente parece ser um termómetro para o resto da região, ela pode mostrar-nos o que provavelmente pode acontecer ao resto do Ártico num futuro próximo se essas tendências de aquecimento continuarem”, concluiu Macias-Fauria.
Artigo de Jéssica Lipinski do Instituto CarbonoBrasil.

terça-feira, 5 de junho de 2012

Análise do governo à avaliação da troika é “pura fantasia”

Francisco Louçã sublinhou que a análise do governo à avaliação da troika é “pura fantasia” e que o governo já foi chumbado quatro vezes “porque durante estes quatro exames há mais 200 mil desempregados”. O dirigente bloquista adiantou ainda que o empréstimo à banca servirá para “pagar juros extorsionários” e “não para apoiar a economia”.
Foto de José Sena Goulão/Lusa
Durante um encontro com a população, que teve lugar esta segunda feira na Arcada da Avenida Central de Braga, o deputado do Bloco de Esquerda defendeu que a análise feita pelo governo à avaliação da troika “é pura fantasia”, frisando que “o Governo teve hoje que reconhecer que vai aumentar imenso a dívida portuguesa”.
“É a quarta vez que Portugal é chumbado porque durante estes quatro exames há mais 200 mil desempregados”, adiantou Louçã, avançando com o exemplo mais recente dos “mais de 70 trabalhadores lançados para a rua pela empresa Sá Machado”, de Braga.
“Se se chama a isto aprovar eu bem gostaria de perceber com que classificação se medem”, afirmou o dirigente bloquista, alertando para o facto de o Governo, que “é aprovado pela troika”, “chumbar o país, o emprego e a economia" e de o caminho apontado pela troika ser o caminho “para uma enorme tragédia”.
Para Louçã, a “solução” avançada pela troika para combater o desemprego, e que passa por “facilitar ainda mais os despedimentos”, significa “mais desemprego, mais dívida e que o país vai ficar cada vez pior”.
Empréstimo à banca servirá para pagar juros extorsionários
“Ainda agora em Portugal soubemos que a Troika ainda vai emprestar quatro mil milhões a um Governo que vai dar seis mil milhões para um sistema financeiro, não para garantir que as pessoas sejam protegidas e não para garantir o apoio à economia", afirmou Louçã, reagindo desta forma ao anúncio, por parte do ministro das Finanças, de que o Estado vai injetar até 6650 milhões de euros na banca nacional, dos quais 5.000 milhões virão do programa de ajuda externa a Portugal.
Este empréstimo irá, na realidade, e segundo defendeu o dirigente bloquista, servir para “pagar juros extorsionários”.
“Os bancos tiveram acesso a empréstimos a 3 anos desde dezembro do ano passado a um por cento, ou seja gratuitamente, e não apoiaram a economia, não aumentaram o crédito”, lembrou Francisco Louçã, sublinhando que a “solução para o país” passa por “deixar de perder o dinheiro dos salários, das pensões, dos impostos”.
O deputado do Bloco de Esquerda adiantou ainda que é imperativo que "devolvam o país e a democracia" a quem de direito e que temos que exigir “solidariedade ativa de toda a Europa contra a especulação financeira”.
"É nestes momentos que temos que nos fazer grandes na luta contra o abuso financeiro, contra a extorsão, na solidariedade, grandes na justiça", rematou Louçã.

Jornalista do Público Maria José Oliveira pede demissão

Maria José Oliveira explicou à agência Lusa que sente já não ter “condições nem vontade para continuar no jornal", face à forma como foi conduzido o processo relativo ao ‘caso das secretas’, que envolveu o ministro Miguel Relvas.
Ministro ameaçou publicar dados privados da vida da jornalista caso fosse publicada a notícia sobre o ‘caso secretas’. Miguel Relvas acrescentou ainda que iria fazer queixa contra maria José oliveira na ERC e MP e contactar todos os ministros para fazerem blackout ao Público. Foto Mário Cruz, Lusa.
"Pedi a demissão (...). A forma como o processo foi gerido fez-me perder a confiança na direção, pelo que entendi que não tinha condições nem vontade para continuar no jornal", afirmou a jornalista do Público numa mensagem de telemóvel remetida à agência Lusa.
A TSF, que noticiou, em primeira mão, a demissão da jornalista, e à qual Maria José Oliveira se negou a prestar declarações gravadas, cita asrespostas dadas pela jornalista ao provedor do leitor do jornal Público, José Queirós, nas quais são avançadas, segundo a rádio, as razões que justificam esta demissão.
A jornalista do Público terá defendido que não partilha da avaliação da direção do Público que determinou a não publicação da peça da sua autoria, de dia 16 de maio, que versava sobre as incongruências das declarações de Miguel Relvas sobre o 'caso secretas'.
“A notícia tinha relevância: não só porque revelava incongruências prestadas durante duas horas e meia perante os deputados, como também era importante o facto de o ministro recusar esclarecer as suas próprias contradições, justificando que já tinha prestado todos os esclarecimentos ‘em sede própria’”, defendeu Maria José Oliveira.
A jornalista lamentou ainda que a direção do Público tenha divulgado o conteúdo da ameaça do ministro Miguel Relvas sem a sua autorização e que não tenha “sublinhado que se trata de uma informação falsa” que pretendia colá-la a “uma agenda ideológica e descredibilizar” o seu trabalho. Ao proceder desta forma, o jornal Público terá, segundo a jornalista, “transformado em facto” a ideia de que a mesma viveria “com uma pessoa da oposição, quase corroborando as queixas do ministro” sobre a perseguição de que este seria alvo.
“Não percebo como é que ninguém da direção teve lucidez e inteligência para não pensar nestas consequências que estão agora à vista de todos”, rematou Maria José Oliveira.

Professores acumulam vitórias, Crato ignora tribunais

O Ministério da Educação e da Ciência foi, pela vigésima vez, condenado a pagar a professores a devida compensação por caducidade do contrato de trabalho. Parte das sentenças dizem respeito a contratos a termo incerto, mas a sua maioria refere-se a contratos a termo certo.
Concentração de professores desempregados e precários em Lisboa, Setembro de 2011. Foto de Paulete Matos.
Concentração de professores desempregados e precários em Lisboa, Setembro de 2011. Foto de Paulete Matos.
Segundo uma nota publicada no site do SPGL – Sindicato dos Professores da Grande Lisboa, o Ministério da Educação e da Ciência (MEC) enfrenta agora mais uma sentença em tribunal, a vigésima, que o condena a pagar o dinheiro que deve aos professores, nomeadamente a devida compensação por caducidade do contrato de trabalho. A última sentença foi proferida pelo Tribunal Administrativo e Fiscal de Aveiro.
Segundo o sindicato, no final, o número de sentenças poderá ultrapassar as 500. Para a estrutura sindical, “é uma vergonha que, apesar de a lei ser clara – como confirmam as sentenças dos tribunais – o MEC/Governo continue a negar o pagamento do que é devido aos professores, exceto quando é condenado”.
O Ministério de Nuno Crato dá um “mau exemplo”, enquanto “ministério que deveria zelar pela educação do povo”, condena o sindicato.
Recorde-se que, a propósito desde comportamento do MEC, a FENPROF (Federação Nacional de Professores) já fez chegar a necessária denúncia ao Tribunal Europeu dos Direitos Humanos (por sugestão do Tribunal de Justiça Europeu), ao Provedor de Justiça Europeu e, no nosso país, ao Tribunal Constitucional e à Procuradoria-Geral da República. 
Seria expectável que o MEC, face à sucessão de sentenças que lhe são desfavoráveis, tomasse a decisão de pagar a dívida que tem para com os professores, diz o SPGL. “Como não o faz, compete aos professores diligenciarem nesse sentido”, apela.
Todos os professores contratados com contrato a Termo Certo podem fazer valer os seus direitos, preenchendo e enviando a Minuta de Pedido de Extensão de Efeitos ao MEC (os de Termo Incerto deverão aguardar por novas sentenças ou interpor ações em Tribunal).
A minuta contém instruções sobre os procedimentos a adotar e os passos a seguir. O SPGL avisa que esta reclamação deverá ser feita por cada ano de contrato (2009/2010 e 2010/2011). O prazo de requerimento é agora alargado até 4 de Maio de 2013.

“É tempo de não cruzar os braços. É tempo de se exigir que se cumpra a lei: os sindicatos assumiram esta luta e todos nós também o devemos fazer”, diz a Comissão de Professores e Educadores Contratados e Desempregados do SPGL.

Comunicado do Bloco de Esquerda sobre a Escola EB2,3 de Minde

Consulte no link abaixo:

Requerimento ao Secretário de Estado do Ambiente

Bloco requereu a vinda do Secretário de Estado do Ambiente

à AR para esclarecer funcionamento da ETAR de Alcanena

O deficiente funcionamento da Estação de Tratamento de Águas Residuais (ETAR) de Alcanena, com mais de 20 anos, tem sido extremamente penalizador para a qualidade de vida e saúde pública das populações deste concelho, além de ser responsável pela poluição de recursos hídricos e solos.

Esta ETAR, destinada a tratar os efluentes da indústria de curtumes, foi desde a sua origem mal concebida, a começar por se situar em leito de cheia. Desde então os problemas são conhecidos e persistem: maus cheiros intensos; incumprimento regular dos valores-limite estabelecidos para o azoto e CQO das descargas de efluente tratado em meio hídrico; célula de lamas não estabilizadas, com deficiente selagem e drenagem de lixiviados e biogás; redes de saneamento corroídas, com fugas de efluentes não tratados para o ambiente; saturação da ETAR devido a escoamento das águas pluviais ser feita nas redes de saneamento.

Desde há muito que estes problemas são conhecidos e nada justifica, ainda mais com todo o avanço tecnológico existente ao nível do funcionamento das ETAR, que se chegue ao final de 2010 com esta situação. E pior se compreende quando é o próprio Ministério do Ambiente a constatar que gastou ao longo dos anos cerca de 50 milhões de euros para tentar responder a estes problemas.

Em Junho de 2009 foi assinado um protocolo para a reabilitação do sistema de tratamento de águas residuais de Alcanena pela ARH Tejo, o INAG, a Câmara Municipal e a AUSTRA (gestora da ETAR), com investimentos na ordem dos 21 milhões de euros de comparticipação comunitária.

Este protocolo inclui cinco projectos, os mais importantes dos quais com prazo final apenas em 2013, o que significa arrastar os principais problemas identificados até esta data. Como os prazos de início dos estudos destes projectos já sofreram uma derrapagem, dúvidas se colocam sobre o cumprimento dos prazos estabelecidos, ainda mais quando não há certezas sobre a disponibilização de verbas nacionais para co-financiar os projectos, tendo em conta o contexto de contenção actual.

Considerando a gravidade dos problemas causados pela ETAR de Alcanena para as populações e o ambiente, o deputado José Gusmão e a deputada Rita Calvário do Bloco de Esquerda solicitam uma audiência com o Secretário de Estado do Ambiente, com a finalidade de obter esclarecimentos sobre os investimentos previstos para a reabilitação do sistema de tratamento, as soluções escolhidas, o cumprimento de prazos, e as garantias que os mesmos oferecem para resolver o passivo ambiental existente, os focos de contaminação dos recursos hídricos e solo, os maus cheiros e qualidade do ar respirado pelas populações deste concelho. Seria de todo útil que o presidente ou representantes da ARH-Tejo estivessem presentes nesta audiência.

Lisboa, 17 de Dezembro de 2010.

A Deputada O Deputado

Rita Calvário José Gusmão

Direito a não respirar “podre” – SIM ou NÃO?





No passado domingo, dia 12 de Dezembro, no Auditório Municipal de Alcanena, realizou-se uma conferência, dinamizada pelo Bloco de Esquerda, sobre a poluição em Alcanena.
Esta sessão reuniu um grupo de ‘preocupados’, que primeiramente ouviram as exposições de especialistas sobre o assunto e, no final, trocaram experiências e pontos de vista, baseados na própria vivência, bem como em conhecimentos técnicos e científicos.
Ficou bem patente que se trata de um grave problema de há muito sentido, mas também desvalorizado, do qual até ao momento não se conhecem as verdadeiras implicações para a saúde pública, mas que transtorna a vida de todos os que vivem e trabalham no concelho, tornando desagradável e doentio o seu dia a dia.
Ficou também claro que o Bloco de Esquerda, aliado desta causa, não abandonará a luta, que será levada até onde os direitos das pessoas o exigirem.

Comunicado de Imprensa

Leia em baixo o Comunicado de Imprensa de 3 de Dezembro do Bloco de Esquerda em Alcanena.

Clique aqui para ler

Reclamamos o DIREITO A RESPIRAR

Bloco de Esquerda continua na senda de uma solução para o grave problema de poluição ambiental em Alcanena



Na passada sexta-feira, dia doze de Novembro, uma delegação, composta pelo Deputado do Bloco de Esquerda pelo Distrito de Santarém, José Gusmão, e mais dois elementos do Bloco, foi recebida pela administração da Austra, no sentido de esclarecer alguns pontos relativos ao funcionamento da ETAR e à poluição que de há muito tem afectado Alcanena, com acrescida intensidade nos últimos tempos.

O Bloco de Esquerda apresentou já um requerimento ao Ministério do Ambiente, aguardando resposta.

Após a reunião com a administração da Austra, realizou-se na Sede do Bloco em Alcanena uma Conferência de Imprensa para fazer o ponto da situação.

Da auscultação da Austra, ficou claro para o Bloco de Esquerda que a ETAR de Alcanena não reúne as condições minimamente exigíveis, quer do ponto de vista do cumprimento da lei, quer da garantia de índices de qualidade do ar compatíveis com a saúde pública e o bem estar das populações.

A delegação do Bloco de Esquerda obteve do presidente da Austra o compromisso da realização de operações de monitorização da qualidade do ar em Alcanena, a realizar o mais tardar em Janeiro. De qualquer forma, o Bloco de Esquerda envidará esforços para que essa monitorização ocorra de forma imediata.

Embora existam planos para a total requalificação dos sistemas de despoluição, registamos com preocupação a incerteza sobre os financiamentos, quer nacional quer comunitário. O Bloco de Esquerda opor-se-á a que estes investimentos possam ser comprometidos por restrições orçamentais, e exigirá junto do Governo garantias a este respeito.

A participação popular foi e continuará a ser um factor decisivo para o acompanhamento e controlo da efectiva resolução do problema da qualidade do ar em Alcanena.

No âmbito da visita do Deputado do Bloco de Esquerda, José Gusmão, ao Concelho de Alcanena, realizou-se um jantar-convívio no Restaurante Mula Russa em Alcanena, ocasião também aproveitada para dialogar sobre assuntos inerentes ao Concelho. Mais tarde, José Gusmão, conviveu com um grupo de jovens simpatizantes num bar deste concelho.

No sábado, dia treze de Novembro, José Gusmão e outros elementos do Bloco de Esquerda estiveram em Minde, no Mercado Municipal, distribuindo jornais do Bloco, ouvindo e conversando com as pessoas.

Neste mesmo dia, junto ao Intermarché de Alcanena, José Gusmão contactou com as pessoas e entregou jornais do Bloco de Esquerda.

Num almoço realizado em Minde, no Restaurante Vedor, com um grupo de aderentes e simpatizantes do Bloco, houve mais uma vez oportunidade para ouvir opiniões, experiências e expectativas, bem como de exprimir pontos de vista.

O Bloco de Esquerda continuará a luta por um direito que parece ser inerente à própria condição humana, mas que vem sendo negado às pessoas que vivem e trabalham em Alcanena – o direito de respirar ar “respirável” e de não ser posta em causa a sua saúde.


A Coordenadora do Bloco de Esquerda de Alcanena

Poluição em Alcanena: Requerimento à Assembleia da República

Pessoas esclarecidas conhecem o seu direito de respirar ar puro e lutam pela sua reconquista já que alguns até isto usurparam.

O Bloco de Esquerda encetou a luta pela despoluição de Alcanena na legislatura anterior e continuará a manifestar-se e a rebelar-se contra esta desagradável e injusta situação até que no nosso concelho possamos respirar de novo.


Veja aqui Requerimento apresentado pelo BE quanto à questão da poluição em Alcanena

Carta à AUSTRA

Carta entregue pelo grupo de cidadãos "Chega de mau cheiro em Alcanena" ao Presidente da Austra e Presidente da Câmara Municipal de Alcanena

INAUGURAÇÃO DA SEDE DO BLOCO DE ESQUERDA EM ALCANENA

Francisco Louçã inaugurou no passado domingo, dia 31 de Outubro, a Sede do Bloco de Esquerda em Alcanena. Na inauguração esteve também representada a Coordenação Distrital do Partido; estiveram presentes aderentes e convidados. Esta ocasião especial foi uma oportunidade de convívio, acompanhada de um pequeno beberete.
Francisco Louçã falou, como sempre, de forma clara e apelativa, abordando a actual situação crítica do país,apontando as razões, propondo alternativas e caminhos.
Baseando-se no Socialismo Democrático, o Bloco de Esquerda tem sido sempre activo na defesa dos valores da verdadeira Democracia, e propõe-se continuar essa luta. Esta nova Sede é mais um ponto de encontro, de trabalho, de partilha de pontos de vista e de tomada de iniciativas, possibilitando que se ouçam as vozes de todas as pessoas e transmitindo os seus problemas e expectativas.
Trata-se de um pequeno espaço, que representa uma grande vontade de mudança e que espera contar com a presença de todos os que partilhem os ideais de um concelho mais próspero, de uma sociedade mais justa e equilibrada, de um país realmente mais avançado.