sexta-feira, 27 de abril de 2012


Juros usurários estão acima das nossas possibilidades

Não são os portugueses que vivem acima das suas possibilidades, são estes juros usurários que estão acima das nossas possibilidades.
Faz hoje 98 dias que o ministro das Finanças garantiu que nos estávamos a aproximar de “um ponto de viragem”, e que o acordo com a troika“está bem encaminhado”.
Este otimismo, que faria do capitão do Titanic uma pessoa avisada e rigorosa, não choca de frente com a realidade, inventa uma nova realidade só para si.
Desde que o ministro Vítor Gaspar entreviu esse “ponto de viragem”, o país tem mais 20 mil pessoas que, querendo trabalhar, não conseguem encontrar um posto de trabalho. Será este o ponto de viragem?
Os impostos aumentaram todos sem exceção - e até já vemos ministros do CDS, o anteriormente conhecido “partido do contribuinte” e agora partido cobrador, a anunciar novos impostos para o catálogo -, mas a receita fiscal em vez de aumentar diminui, e diminui muito – 5,8%. Será este o ponto de viragem?
O estrangulamento do investimento público, conjugado com um setor bancário não devolve à economia o que recebe do Estado e do Banco Central Europeu, está a fazer ruir setores económicos inteiros, como a construção civil, que viu a sua atividade fiscal descer para metade. Será este o ponto de viragem?
Não. No horizonte não se vê ponto de viragem.
Os números da execução fiscal dizem-nos que o pagamento de juros da dívida aumentou 221% nos três primeiros meses do ano, disparando de 190 para 623 milhões de euros.
E não são as reformas – que tanto afligem o ministro Mota Soares – mas o aumento do desemprego que está a pôr em causa as contas da segurança social. São 3 milhões de euros que se evaporam a cada dia que passa.
Não há margem para dúvidas, portanto. Ao desemprego que se avoluma a cada mês que passa, ao lado de uma economia que esmorece e se retraí a cada dia – são os próprios dados da execução orçamental que mostram à exaustão a incompetência da política do PSD e CDS.
Está à vista aquilo para que tantos, de tantos quadrantes políticos, alertaram. Que quem semeia austeridade só pode recolher recessão, que quem semeia recessão só pode recolher desastre social e orçamental. É isso mesmo: no ciclo da recessão não há consolidação orçamental que se salve. Só há crise das finanças a somar à crise social.
Repito: não há margem para dúvidas. Os dados da execução orçamental mostram que a vossa política impossibilita os próprios objetivos que enunciaram – a vossa sede fiscal conduziu à redução da receita, os vossos cortes cegos nos salários e no investimento público só geram contração económica e desemprego - e portanto, aumento da despesa.
Os dados mostram que a atual política destrói qualquer possibilidade de regresso ao crescimento económico, à criação de emprego e ao suposto pagamento da dívida.
No meio do naufrágio, o Governo mostra confiança na cegueira.
Nas cimeiras internacionais, Vítor Gaspar anuncia ao mundo a disponibilidade dos portugueses para mais sacrifícios. Será que não faz a mínima ideia dos sacrifícios que já são hoje feitos pelos portugueses?
Como “escolhe”, se é que de escolha se pode sequer falar, uma família atacada por todos os lados por esta política de empobrecimento e de perda de direitos? Se hoje já escolhe entre pagar as vossas taxas moderadoras de um exame médico, ou pagar o passe dos filhos, que os senhores aumentaram exponencialmente. Se hoje já escolhe entre pagar o aumento das faturas da eletricidade e do gás, fruto dos vossos impostos, ou pagar as vossas novas portagens para poder ir trabalhar. O senhor ministro acha que esta, como tantas outras famílias na mesma situação, está disposta a fazer mais sacrifícios. Não é um lapso, é uma ameaça aos portugueses: mais impostos, mais cortes, austeridade e mais austeridade, sem fim.
Diz o senhor ministro nas cimeiras internacionais que Portugal está dar uma lição de moral ao mundo. Moral? Qual é a moral de ter que escolher entre dois filhos quando só se tem dinheiro para pagar uma propina de mil euros, e há mais de 40 mil estudantes candidatos sem bolsa de ação social escolar? Diga-nos senhor ministro, como se diz numa família com dois filhos que um dos filhos pode tirar um curso superior, mas que o outro vai ter que ficar para trás.
Diga-nos senhor ministro, qual é o limite de desemprego que um país suporta, quantos e homens e mulheres podem ser deixados para trás? Qual é a moralidade de ter criado um país com 1 milhão e duzentos mil desempregados? Qual moralidade de uma geração inteira de jovens em que 1 em cada 3 está desempregado, e os outros vivem esmagadoramente de contrato a prazo ou falsos recibos verdes.
Indiferente aos obstáculos, o Governo segue o caminho marcado nas estrelas pelos manuais de economia liberais, insistindo em fazer dos portugueses as cobaias de um experimentalismo ideológico que, todos sabemos, vai correr mal.
E vai correr mal porque, como todos os fanatismos geométricos, não há como correr bem. Já foi assim no Chile, tomado de assalto pelos “Chicago boys” nas décadas de 70 e 80 do século passado. A Passos Coelho e Vítor Gaspar não lhes basta serem os bons alunos da troika, querem fazer de todo um povo a cobaia da experiência 2.0 do fanatismo liberal.
Este discurso sacrificial, num país onde as pessoas têm dos salários mais baixos mas as cargas horárias mais elevadas da Europa, não é o tom de um ministro das Finanças, mas de um pregador evangélico.
É certo que a palavra do Governo vale hoje pouco – quase nada.
Dizia-nos Pedro Passos Coelho, e Vítor Gaspar sobre o programa da troika ainda há três meses atrás – nem mais tempo, nem mais dinheiro. Pois agora, menos de um ano depois do memorando da troika, e a cerca de um ano e meio do regresso aos mercados afinal – estas coisas levam tempo.
Não, hoje não nos venha dizer que foi um lapso. O Governo já sabe que a sua estratégia não resulta – é incompetente e ruinosa.
O está, portanto, pela frente é um segundo resgate e um segundo memorando, e com ele um novo apertar do garrote. Não é manter austeridade, é agravá-la: torna-la mais agressiva, mais violenta, mais destruidora.
É altura, senhor ministro, de enfrentar o país e os portugueses. É altura de abandonar as desculpas esfarrapadas. Não há aqui lapsos, nem verdades esconsas. Perante o sangramento de um país, não há espaço para cegueira ou improviso.
Só para termos a noção do que significa a intransigência do Governo em renegociar a dívida, mantendo o país amarrado a juros extorsionários que nos fazem pagar 34 mil milhões de euros para um empréstimo de 78 mil milhões, a diminuição de um ponto percentual nestes juros libertaria 8000 milhões de euros.
8000 milhões de euros é o orçamento da Saúde e mais do que tudo o que gastamos no nosso sistema educativo. É o dinheiro necessário para reinvestir na economia, apoiar as pequenas e médias empresas que têm capacidade para criar emprego.
Não são os portugueses que vivem acima das suas possibilidades, são estes juros usurários que estão acima das nossas possibilidades.
É tempo de parar esta tragédia que se vai desenrolando no país. Renegociar a dívida, criar emprego, fazer justiça. Aqui estamos.
Intervenção de abertura da interpelação do Bloco de Esquerda ao Governo sobre “Política orçamental”, 26 de abril de 2012


Argentina: Senado dá luz verde à expropriação da YPF

O Senado argentino aprovou o projeto de expropriação de 51% das ações da petrolífera YPF. Com amplo consenso, a iniciativa foi apoiada pela base do governo e pela maioria da oposição, por 63 votos a favor, 3 contra e 4 abstenções. Por Francisco Luque, de Buenos Aires para a Carta Maior.
Maioria da oposição votou a favor da exporpiação. Foto de blmurch
Após 14 horas de debates, o Senado argentino aprovou o projeto de expropriação de 51% das ações da petrolífera YPF. Com amplo consenso, a iniciativa foi apoiada pela base do governo e pela maioria da oposição, por 63 votos a favor, 3 contra e 4 abstenções.
O documento oficial enviado pelo Executivo declara “sujeito a expropriação 51% do património da YPF Sociedade Anónima representado por igual percentagem das ações Classe D da empresa pertencentes à Repsol YPF S.A., seus controladores ou controlados de forma direta ou indireta”. Além da expropriação, o projeto de lei encaminhado ao Congresso declara “de interesse público nacional” a autossuficiência de hidrocarbonetos e as suas atividades conexas, incluída a industrialização, “a fim de garantir o desenvolvimento económico com equidade social, a criação de emprego e o incremento da competitividade dos diversos setores económicos” (art.1º). A expropriação das ações da Repsol também inclui a YPF Gas, a maior distribuidora de gás liquefeito engarrafado da Argentina.
A extensa jornada de debates terminou de madrugada. O kirchnerismo argumentou que a expropriação da YPF devolve a Argentina “a soberania sobre os seus hidrocarbonetos”. A oposição respondeu criticando a política energética do governo e advertiu para a necessidade de garantir uma boa gestão da petrolífera. Os senadores de oposição lembraram a defesa da privatização nos anos 90 impulsionada pelo ex-presidente Carlos Menem – ausente na sessão – por parte de alguns personagens atuais do kirchnerismo.
O senador e ex-chefe de gabinete do Governo, Aníbal Fernández foi o encarregado de defender a mudança de postura do peronismo. Explicou que o processo de privatização da YPF iniciou em 1992, quando, impulsionado pelo Partido Justicialista, se votou a transformação de uma empresa estatal numa empresa privada com maioria de capital nacional. Aquele projeto definia, como hoje, 51% para o Estado nacional, 39% para as províncias e 10% para os trabalhadores.
Segundo explicou Fernández, a lei sancionada em 1995 foi a que liquidou finalmente a empresa. Permitiu-se a venda da “ação de ouro”, que mantinha em mãos do Estado o controle da companhia e eliminou-se o mínimo de 20% que deveria permanecer nas mãos da nação. Dessa forma venderam-se as ações para a Repsol. “Naquele momento tinha-se instalado o neoliberalismo em nível internacional, com base no super-endividamento e na exploração petrolífera como commodities”, assinalou Fernández, que também criticou aqueles que criticaram o processo de expropriação como o escritor Mario Vargas Llosa, o presidente do México, Felipe Claderón, e o da Espanha, Mariano Rajoy.
Entre as vozes mais críticas, destacou-se a de María Eugenia Estenssoro, da Coligação Cívica, filha de José Estenssoro, ex-presidente da YPF e formulador do “Plano de Transformação Global” da empresa, que decidiu abster-se após alertar contra um modelo de “hiperconcentração da riqueza e do poder” e lembrar que Kirchner apoiou “energicamente” a privatização petrolífera em 1992.
Do lado do governo, os senadores criticaram com dureza a gestão da Repsol. O senador Daniel Filmus disse que a aprovação da iniciativa marca “uma mudança de padrão de desenvolvimento, soberania e modelo de Estado”.
Marcelo Fuentes, presidente da Comissão de Assuntos Constitucionais do Senado, indicou que a expropriação da YPF é um ato “derivado de uma consequente e imperiosa necessidade de concretizar em matéria energética a reversão fundamental de paradigmas que caracterizaram o neoliberalismo”.
O presidente do bloco radical, o principal partido de oposição, Luis Naidenoff, apoiou a proposta do governo, mas foi contundente a respeito dos motivos que precipitaram a decisão do governo de assumir o controle da YPF: “avançou-se com o projeto porque o caixa não está fechando”. “Foi a conjuntura energética asfixiante que motivou o governo a iniciar esse debate”, acrescentou o senador radical referindo-se aos 14 mil milhões de dólares que a Argentina gastará este ano na importação de gás e petróleo.
Mario Cimadevilla, também radical, pediu uma revisão das concessões petrolíferas e lembrou que em sua província, Chubut, a maior produtora de petróleo do país, e apesar do conflito entre Buenos Aires e Londres pela soberania das Malvinas, a britânica British Petroleum (BP) explora a jazida mais importante da Argentina como sócia da Panamerican Energy (PAE).
Apesar dos seus fortes questionamentos ao projeto, o radicalismo resolveu organicamente acompanhar no geral a iniciativa e apresentar ao mesmo tempo um projeto alternativo para o tratamento particular do tema. O senador Gerardo Morales sustentou que “não é a melhor ferramenta, mas estamos aqui para votar a favor por mais que alguns integrantes do meu partido estejam a fazer movimentos com a ajuda de algumas pessoas de fora. Parece que alguns meios de comunicação não entendem o papel da UCR. Votamos pelos ex-presidentes radicais Yrigoyen, Alvear, Mosconi, Illia e Raúl Alfonsin. Não estamos a votar um projeto que nos é imposto pelo PJ (Partido Justicialista), estamos a votar pela história da UCR”, afirmou.
O socialista Rubén Giustiniani pediu a incorporação das províncias não petrolíferas no grupo acionista da nova YPF, já que dos 51% expropriados da Repsol, 51% ficarão em mãos da Nação e os 49% restantes das províncias petrolíferas.
Cabe assinalar que o fio condutor da maioria dos discursos no debate de quarta-feira foi a má gestão da Repsol. Neste sentido, a empresa espanhola desenhou um plano comunicacional que consiste em publicar notas na imprensa negando as acusações de ter implementado uma política de dividendos “predadora”. O projeto agora será tratado pelos deputados que pretendiam dar o seu parecer ainda nesta quinta-feira, contando assim com os sete dias de prazo necessários para o tratamento do tema em plenário no próximo dia 3 de maio. Neste dia, a lei pode ser promulgada e entrar imediatamente em vigor.
Tradução: Marco Aurélio Weissheimer

quinta-feira, 26 de abril de 2012


Última entrevista de Miguel Portas à Sic Notícias 31.01.2012

Publicamos aqui a última grande entrevista de Miguel Portas à SIC Notícias, transmitida a 31 de janeiro de 2012.

No vídeo abaixo, é reproduzida a entrevista de Miguel Portas à SIC a 31 de janeiro de 2012, conduzida por António José Teixeira (depois de carregar no play deverá aguardar cerca de um minuto para o vídeo carregar).

quarta-feira, 25 de abril de 2012


Miguel Portas: Velório no sábado, sessão evocativa no domingo

O velório do eurodeputado bloquista terá lugar no Palácio Galveias este sábado, em hora a confirmar. No domingo realiza-se uma sessão evocativa de Miguel Portas no Jardim de Inverno do Teatro S. Luiz, com início às 14h. (notícia em atualização)
Foto Paulete Matos

terça-feira, 24 de abril de 2012


Miguel

Viveu connosco e nós vivemos com ele. Perdemo-lo e não o esquecemos.
Conheci o Miguel, sardento, louro, espigado, irrequieto e tinha 13 anos. Foi numa assembleia de estudantes do ensino secundário, que se realizou na cantina de Económicas, o ISEG de hoje. Discussões acaloradas, heroísmo à flor da pele, a ditadura e a guerra pela frente – nessa altura, o futuro era magnífico. E foi. O 25 de Abril e os melhores anos da nossa vida, como dizia o José Afonso.
Economista por empréstimo, foi sempre jornalista e político por vocação. Com a vertigem dos anos finais da ditadura, entrou na UEC e foi escolhido para a sua comissão central em 1974. Do PCP sairia em 1989, quinze anos depois e sem mágoas, sempre respeitador dessa vida militante. Entretanto, foi animador cultural na Câmara de Ourique e na serra algarvia. Aprendeu o trabalho local, a importância da cultura e da comunicação popular. Tornou-se jornalista, lançou a revista "Contraste" em 1986 e fez dela um ícone da cultura à esquerda. Foi depois jornalista do "Expresso", a partir de 1988, e editor internacional da sua revista até 1994. Fez a cobertura da campanha eleitoral do PSR em 1991, e lembro-me de como se divertia com a minha ingenuidade sobre o que seria ser deputado. Tinha razão.
A partir de 1995, fez aquilo de que mais gostava, criou um jornal em que podia agir com as suas próprias escolhas. O "Já" foi essa aventura, depois a "Vida Mundial". Fez a cobertura da queda do regime da Roménia, onde sentiu o cheiro do 25 de Abril e os riscos do que aí vinha. Com jornalistas, amigos, gente de talento e de vontade, inventou jornalismo, fez actualidade, lutou pelas ideias, convidou opiniões. Que falta que faz um jornal como esses.
Escreveu três livros: “E o Resto é Paisagem” (2002), “No Labirinto”, sobre o Líbano (2006) e “Périplo”, sobre as histórias do Mediterrâneo, com Cláudio Torres (2006). Como sempre lembra o Inimigo Público, o suplemento satírico do Público, a sua profunda ligação ao Médio Oriente levava-o a interessar-se pela sua gastronomia, pelo cinema, pelas lendas, pelas histórias, pelos partidos, pelas guerras e pela paz. Tomou posição. Arriscou-se. Falou com todos. Atravessou o Líbano debaixo de bombardeamento israelitas. Defendeu energicamente o povo palestino. Juntou-se às vozes dos movimentos de paz em Israel.
Viveu a vida intensamente e com gosto. Foi dirigente do Bloco e eurodeputado até ao último momento. Incentivou-nos da cama do hospital. Combinou a sua viagem que faltava, à Birmânia, e que nunca fará. Despediu-se dos filhos.
Viveu connosco e nós vivemos com ele. Perdemo-lo e não o esquecemos. Um abraço, Miguel.
Publicado na página do facebook


Miguel Portas faleceu

O eurodeputado Miguel Portas faleceu esta tarde, por volta das 18 horas, no Hospital ZNA Middelheim, em Antuérpia. Encarou a sua própria doença como fazia sempre tudo, da política ao jornalismo: de frente e sem rodeios. A Comissão Política do Bloco de Esquerda apresenta os mais sentidos pêsames aos seus filhos e a todos os familiares, amigos e camaradas.
Miguel Portas - Foto de Paulete Matos
Teve uma vida intensa e viveu-a intensamente. Durante toda a sua doença continuou sempre a cumprir as suas responsabilidades e estava, neste preciso momento, a preparar o relatório do Parlamento Europeu sobre as contas do BCE.
Jornalista, fundou o “Já” e a Vida Mundial, das quais foi diretor. O fascínio pelas culturas do mediterrâneo levou-o a viajar e a conhecer profundamente esta região, sobre a qual escreveu dois livros e realizou um documentário.
Ativista contra a ditadura desde jovem, foi preso tinha ainda 15 anos. Militante do PCP entre 1974 e 1989, esteve sempre empenhado na transformação da esquerda. Fundador do Bloco de Esquerda, foi o cabeça de lista nas primeiras eleições em que o movimento foi a votos, as europeias de 1999. Um dos principais impulsionadores do movimento que ajudou a crescer, Miguel Portas foi eurodeputado do Bloco de Esquerda desde 2004 e dirigente nacional desde a fundação do movimento.
A Comissão Política do Bloco de Esquerda apresenta os mais sentidos pêsames aos seus filhos e a todos os familiares, amigos e camaradas. Nos próximos dias serão anunciadas as cerimónias evocativas da sua memória.

Sucedem-se as reações à morte de Miguel Portas

Neste artigo transcrevemos as reações e notas de condolência de várias individualidades e forças políticas mediante o falecimento do dirigente e eurodeputado do Bloco de Esquerda Miguel Portas (em permanente atualização).
Foto Paulete Matos
Foto Paulete Matos
Carlos César, Mensagem do Presidente do governo dos Açores
“Ao Doutor Francisco Louçã
Surpreendido pela noticia triste do falecimento de Miguel Portas transmito, em meu nome e no do Governo Regional dos Açores, por seu intermédio, as sentidas condolencias a todos os seus camaradas e familiares. Miguel Portas foi, sempre, no decurso da sua acção cívica, um valioso contribuinte para a democracia e a luta pela justiça social.
Cumprimentos do Carlos César.”

Fátima Campos Ferreira, apresentadora do Prós e Contras
"Um Homem Culto .Um grande intelectual . Um lutador indomavel . Deu a cara e tomou posição ! Sinto uma grande perda e uma imensa saudade."
Boaventura Sousa Santos, Professor Catedrático Jubilado da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra, Diretor do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra, Coordenador Científico do Observatório Permanente da Justiça Portuguesa e membro do Núcleo Democracia, Cidadania e Direito (DECIDe).
“Caras e caros membros da comunidade CES,
Não me peçam serenidade neste momento. Estou no aeroporto de Londres, a caminho de life as usual, e recebo um choque emocional difícil de gerir. Morreu o Miguel Portas. Um grande amigo, um grande democrata, um grande político que em tantos momentos soube criar com tantos de nós profundas cumplicidades acima de todos os dogmatismos. Morre na véspera das celebrações do 25 de Abril. Morreu um símbolo da luta pela democracia da alta intensidade, na véspera de um dia em que devemos reflectir profundamente sobre a destruição da democracia (já nem falo de alta intensidade) que está a ser levada a cabo. Ficamos mais sós neste 25 de Abril. A nossa obrigação, mais do que nunca, é lutar ainda com mais decisão por tudo aquilo por que lutou o nosso Miguel Portas.
Um abraço a todos,
Boaventura de Sousa Santos”

Aníbal Cavaco Silva, Presidente da República
"Português, cidadão do mundo, Miguel Portas foi um homem de convicções e de ideais, pelos quais se bateu e teve uma intervenção de grande destaque na vida pública nacional e europeia. Presto a minha homenagem ao jornalista, ao escritor e à personalidade política, com marcante presença cívica em diferentes momentos da vida do país e empenhada atividade no âmbito do Parlamento Europeu."

Pedro Passos Coelho, primeiro-ministro
"O primeiro-ministro acaba de tomar conhecimento da morte do eurodeputado e fundador do Bloco de Esquerda Miguel de Sacadura Cabral Portas. Tendo já expressado à família enlutada as suas mais sentidas condolências, o primeiro-ministro evoca, neste momento de perda, a figura deste reconhecido economista, jornalista e político que dedicou toda uma vida ao serviço público, em defesa das causas em que acreditou e pelas quais sempre se bateu com convicção."

Francisco Louçã, dirigente do Bloco de Esquerda
“Conheci o Miguel, sardento, louro, espigado, irrequieto e tinha 13 anos. Foi numa assembleia de estudantes do ensino secundário, que se realizou na cantina de Económicas, o ISEG de hoje. Discussões acaloradas, heroísmo à flor da pele, a ditadura e a guerra pela frente – nessa altura, o futuro era magnífico. E foi. O 25 de Abril e os melhores anos da nossa vida, como dizia o José Afonso (...) Viveu a vida intensamente e com gosto. Foi dirigente do Bloco e eurodeputado até ao último momento. Incentivou-nos da cama do hospital. Combinou a sua viagem que “faltava, à Birmânia, e que nunca fará. Despediu-se dos filhos.”

Durão Barroso, Presidente da Comissão Europeia
“[Era] alguém que, a partir da sua própria perspectiva ideológica, defendia com convicção os ideais europeus. O Parlamento Europeu fica seguramente mais pobre.”

Henrique Cayatte, designer
"Miguel nunca teve medo.
Nunca.
Nunca teve medo de quem lhe fazia mal ou não o compreendia, ou da polícia que o prendeu antes do 25 de Abril, ou de lançar novos projectos desde que tivessem novas ideias, nem de lutar contra esta doença que o leva tão novo
Parte como sempre viveu. Lutando generosamente.
Miguel deixa este exemplo de coragem aos filhos, aos seus pais e irmãos, família e amigos.
Mas também a quem o percebeu, mesmo que à distância, no centro de tantas lutas.
Num editorial que escreveu para o último Contraste, a revista que fizemos juntos e com tantos amigos há mais de vinte e cinco anos, Miguel escreveu premonitoriamente que o fim desse projecto era o melhor enterro que encontrámos para algo de que não nos arrependemos e conclui dizendo que 'se tivessemos juízo estávamos quietos'.
Temos medo da morte como em crianças temos medo do escuro dizia o pintor.
Nunca lhe perguntei mas aposto que o Miguel nunca teve medo do escuro."

Luís Fazenda, líder parlamentar do Bloco de Esquerda
“Um homem de liberdade, de cultura, uma pessoa que batalhou pelas causas mais nobres da esquerda. Era uma pessoa que tinha uma escrita jornalística apurada, portador de uma ironia fina, um homem alegre. [Era] uma pessoa que se destacou sempre por prezar os seus amigos.”

João Semedo, dirigente do Bloco de Esquerda
“Um homem extraordinário, um homem de muitos encontros e de muitos reencontros também; o Miguel nunca deixava ninguém para o lado nem para trás. [Tinha uma] profunda cultura democrática no sentido da polémica, da controvérsia, da discussão, mas também da aproximação, que é o respeito da diferença entre pessoas que não pensam exactamente o mesmo.”

Fernando Rosas, dirigente do Bloco de Esquerda
“Não podemos deixar de o recordar senão dessa maneira, como um pensador e um homem de acção que deixa-nos a sua obra, deixa-nos o seu exemplo, mas deixa-nos a sua ausência, deixa-nos um buraco para todos nós muito difícil de preencher. Porque ele encarava a morte como uma luta que podia vencer; encarou a morte como encarou sempre a vida, como um combatente e portanto, apesar de tudo, surpreendeu-nos ele não ter conseguido ganhar esta batalha porque não estamos ainda preparados cientificamente para ganhar. [Era] um homem do mundo, sobretudo do Mediterrâneo, do cruzamento de culturas, de políticas e de sonhos.”

Manuel Alegre, poeta, militante do PS e ex-candidato à Presidência da República
“É uma notícia muito triste. Miguel Portas é um homem muito inteligente,muito culto, uma das figuras mais emblemáticas da política portuguesa.”
“Creio que é uma grande perda do ponto de vista político não só para o seu partido como para toda a esquerda portuguesa e para a democracia e eu à sua família, aos seus pais, seus irmãos, e aos seus camaradas do Bloco de Esquerda quero exprimir as minhas condolências e toda a minha solidariedade”.
“Foi uma das pessoas que com mais convicção se empenhou no estabelecimento de pontes entre as esquerdas”.

Carvalho da Silva, ex-secretário-geral da CGTP
“Acho que é uma perda de significado para aquilo que é necessário hoje fazer de criação de caminhos novos e de convergências e de entendimentos. [Era] um amigo, ainda jovem, cheio de força e com vontade de intervenção na sociedade. Recordo um lutador, um homem claramente encantado e sempre motivado no exercício de política e no desenvolvimento da profissão, enquanto jornalista. Era um actor político que buscava denominadores comuns e entendimento.”

Jorge Moreira da Silva, porta-voz da Comissão Política Nacional do PSD
O doutor Miguel Portas foi uma personalidade marcante da nossa vida política e a circunstância de não pertencermos ao mesmo espaço político em nada reduz a consideração que temos pela sua atividade e pela defesa que sempre fez das suas convicções, que foram relevantes para a construção da vida democrática e para a consolidação dos valores sociais em Portugal."

Vasco Lourenço, presidente da Associação 25 de Abril
“É um amigo pessoal, lamento muito, politicamente era um homem extraordinariamente empenhado, um homem de Abril e por isso mesmo Abril está de luto com a morte dele.”

Vital Moreira, eurodeputado
“Quaisquer que sejam as diferenças de opinião, Miguel Portas era um empenhado e dedicado eurodeputado, eu penso que o Parlamento Europeu perde com o seu desaparecimento. [É] uma profunda perda não só pessoal, mas também para o Parlamento Europeu.”

Marcelo Rebelo de Sousa, comentador político
"É um grande desgosto pessoal e acho que é também uma perda nacional. Era um homem forte, determinado (...) mas muito tranquilo, muito doce, muito humano, aberto a amigos de todos os quadrantes."

Grupo Parlamentar do PS
“O Grupo Parlamentar do PS, ao tomar conhecimento do falecimento do eurodeputado Miguel Portas, manifesta as suas sentidas condolências à família, bem como ao Bloco de Esquerda, força política que representou nos últimos anos da sua vida.”.

Grupo Parlamentar do PCP
"Perante a notícia do falecimento de Miguel Portas, o PCP endereça à família e à direção do Bloco de Esquerda, as suas condolências"

Bloco cancela Jornadas contra o Governo da Troika

Perante a morte do seu dirigente e eurodeputado Miguel Portas, o Bloco de Esquerda decidiu cancelar as Jornadas Contra o Governo da Troika, cujo início estava agendado para quinta feira.
O falecimento de Miguel Portas, um dos fundadores e atual dirigente do partido e seu representante no Parlamento Europeu, determinou o cancelamento, por parte do Bloco de Esquerda, das Jornadas Contra o Governo da Troika , que teriam lugar nos próximos dias 26, 27 e 28 de abril, nos distritos do Porto, Braga e Lisboa.

Associação 25 de Abril não participa nas comemorações oficiais, PSP ameaça manifestações

Pela primeira vez, a Associação 25 de Abril não participará nas comemorações oficiais do 25 de Abril, considerando que “a linha política seguida pelo atual poder político deixou de refletir o regime democrático herdeiro do 25 de Abril” e que “as medidas e sacrifícios impostos” à população “ultrapassaram os limites do suportável”. Entretanto, a PSP ameaça manifestações.
Conferência de imprensa da Associação 25 de Abril
Nesta segunda feira em conferência de imprensa e perante uma plateia de militares de Abril, Vasco Lourenço, presidente da Associação 25 de Abril, leu o manifesto “Abril não desarma”, anunciando: “O poder político que atualmente governa Portugal configura um outro ciclo político que está contra o 25 de Abril, os seus ideais e os seus valores. Em conformidade, a Associação 25 de Abril anuncia que não participará nos atos oficiais nacionais evocativos do 38.º aniversário do 25 de Abril”.
O manifesto esclarece que a associação “participará nas comemorações populares e outro atos locais de celebração” da revolução de 1974, assim como “continuará a evocar e a comemorar o 25 de Abril numa perspetiva de festa pela ação libertadora e numa perspetiva de luta pela realização dos seus ideais, tendo em consideração a autonomia de decisão e escolha dos cidadãos, nas suas múltiplas expressões.”
O manifesto refere também que “as medidas e sacrifícios impostos aos cidadãos portugueses ultrapassaram os limites do suportável”, frisa “ser oportuno tomar uma posição clara contra a iniquidade, o medo e o conformismo que se estão a instalar” no País e salienta que “Portugal é tratado com arrogância por poderes externos”, algo que os atuais governantes “aceitam sem protesto e com a auto-satisfação dos subservientes”. No manifesto declara-se ainda que “Portugal não tem sido respeitado entre iguais, na construção institucional comum, a União Europeia”, pelo que o seu “estatuto real é hoje o de um 'protetorado', com dirigentes sem capacidade autónoma de decisão” sobre os destinos do País.
Também nesta segunda feira, o jornal “Diário de Notícias” titula que a “PSP prepara tolerância zero nas 'manifs' do 25 de abril”. Segundo o jornal, “a PSP deverá impedir manifestações, desfiles, ações de rua que não tenham seguido todos os procedimentos legais para a sua realização”. O jornal refere que o inspetor nacional da PSP Magina da Silva, que comandou a Unidade Especial de Polícia e o Grupo de Operações Especiais, diz que a PSP “não será tão tolerante” das próximas vezes, em comparação com o que se passou no dia da última Greve Geral, em que a PSP carregou violentamente no Chiado, ferindo até dois fotojornalistas.

Governo de direita da Holanda cai devido a plano de austeridade

Mark Rutte, o primeiro ministro da Holanda, que se destacou nas calúnias aos países do sul da Europa, demitiu-se por não ter maioria para impor um plano de cortes orçamentais no montante de 16.000 milhões de euros. Emile Roemer, líder parlamentar do partido de esquerda SP, considera que o plano é “mau para a economia” e que deve haver eleições “o mais depressa possível”.
Líderes do governo de direita da Holanda que caiu nesta segunda feira: Wilders (extrema direita), Mark Rutte (primeiro ministro liberal) e Verhagen (democracia cristã)
Líderes do governo de direita da Holanda que caiu nesta segunda feira: Wilders (extrema direita), Mark Rutte (primeiro ministro liberal) e Verhagen (democracia cristã)
O governo holandês era constituído por uma coligação entre o VVD (liberal) liderado pelo primeiro-ministro Mark Rutte, o CDA (democracia-cristã) liderado pelo vice primeiro ministro Maxime Verhagen e o PVV (extrema-direita xenófoba) liderado por Gerry Wilders.
A coligação desfez-se perante um plano de austeridade proposto pelo primeiro-ministro para reduzir o défice orçamental, de 4,7% em 2011 para 3% em 2013. Em negociação estavam diversos cortes, entre os quais a subida do IVA, o congelamento dos salários dos funcionários públicos, a redução do orçamento para a saúde e do orçamento para a ajuda aos países em desenvolvimento.
A queda do governo foi provocada pela rotura do partido de extrema direita (PVV) que se opôs ao plano de austeridade, tendo o seu líder Gerry Wilders afirmado: “Não queremos submeter as nossas pensões a uma sangria à conta das ordens de Bruxelas”.
O líder parlamentar do Partido Socialista (SP, um partido de esquerda que participa no GUE/NGL no parlamento europeu), Emile Roemer, considerou que o plano é “mau para a economia” e que é necessário haver “eleições e clareza o mais depressa possível”.
A última sondagem, publicada neste domingo, prevê:
- subida dos liberais do VVD de 31 para 33 deputados;
- queda dos democratas-cristãos do CDA de 21 para 11 deputados;
- descida do PVV de extrema direita de 24 para 19 deputados;
- subida do SP de esquerda de 15 para 30 deputados;
- descida dos trabalhistas do PVDA de 30 para 24;
- subida do partido Democratas 66 (liberal de centro) de 10 para 15 lugares.

Comunicado do Bloco de Esquerda sobre a Escola EB2,3 de Minde

Consulte no link abaixo:

Requerimento ao Secretário de Estado do Ambiente

Bloco requereu a vinda do Secretário de Estado do Ambiente

à AR para esclarecer funcionamento da ETAR de Alcanena

O deficiente funcionamento da Estação de Tratamento de Águas Residuais (ETAR) de Alcanena, com mais de 20 anos, tem sido extremamente penalizador para a qualidade de vida e saúde pública das populações deste concelho, além de ser responsável pela poluição de recursos hídricos e solos.

Esta ETAR, destinada a tratar os efluentes da indústria de curtumes, foi desde a sua origem mal concebida, a começar por se situar em leito de cheia. Desde então os problemas são conhecidos e persistem: maus cheiros intensos; incumprimento regular dos valores-limite estabelecidos para o azoto e CQO das descargas de efluente tratado em meio hídrico; célula de lamas não estabilizadas, com deficiente selagem e drenagem de lixiviados e biogás; redes de saneamento corroídas, com fugas de efluentes não tratados para o ambiente; saturação da ETAR devido a escoamento das águas pluviais ser feita nas redes de saneamento.

Desde há muito que estes problemas são conhecidos e nada justifica, ainda mais com todo o avanço tecnológico existente ao nível do funcionamento das ETAR, que se chegue ao final de 2010 com esta situação. E pior se compreende quando é o próprio Ministério do Ambiente a constatar que gastou ao longo dos anos cerca de 50 milhões de euros para tentar responder a estes problemas.

Em Junho de 2009 foi assinado um protocolo para a reabilitação do sistema de tratamento de águas residuais de Alcanena pela ARH Tejo, o INAG, a Câmara Municipal e a AUSTRA (gestora da ETAR), com investimentos na ordem dos 21 milhões de euros de comparticipação comunitária.

Este protocolo inclui cinco projectos, os mais importantes dos quais com prazo final apenas em 2013, o que significa arrastar os principais problemas identificados até esta data. Como os prazos de início dos estudos destes projectos já sofreram uma derrapagem, dúvidas se colocam sobre o cumprimento dos prazos estabelecidos, ainda mais quando não há certezas sobre a disponibilização de verbas nacionais para co-financiar os projectos, tendo em conta o contexto de contenção actual.

Considerando a gravidade dos problemas causados pela ETAR de Alcanena para as populações e o ambiente, o deputado José Gusmão e a deputada Rita Calvário do Bloco de Esquerda solicitam uma audiência com o Secretário de Estado do Ambiente, com a finalidade de obter esclarecimentos sobre os investimentos previstos para a reabilitação do sistema de tratamento, as soluções escolhidas, o cumprimento de prazos, e as garantias que os mesmos oferecem para resolver o passivo ambiental existente, os focos de contaminação dos recursos hídricos e solo, os maus cheiros e qualidade do ar respirado pelas populações deste concelho. Seria de todo útil que o presidente ou representantes da ARH-Tejo estivessem presentes nesta audiência.

Lisboa, 17 de Dezembro de 2010.

A Deputada O Deputado

Rita Calvário José Gusmão

Direito a não respirar “podre” – SIM ou NÃO?





No passado domingo, dia 12 de Dezembro, no Auditório Municipal de Alcanena, realizou-se uma conferência, dinamizada pelo Bloco de Esquerda, sobre a poluição em Alcanena.
Esta sessão reuniu um grupo de ‘preocupados’, que primeiramente ouviram as exposições de especialistas sobre o assunto e, no final, trocaram experiências e pontos de vista, baseados na própria vivência, bem como em conhecimentos técnicos e científicos.
Ficou bem patente que se trata de um grave problema de há muito sentido, mas também desvalorizado, do qual até ao momento não se conhecem as verdadeiras implicações para a saúde pública, mas que transtorna a vida de todos os que vivem e trabalham no concelho, tornando desagradável e doentio o seu dia a dia.
Ficou também claro que o Bloco de Esquerda, aliado desta causa, não abandonará a luta, que será levada até onde os direitos das pessoas o exigirem.

Comunicado de Imprensa

Leia em baixo o Comunicado de Imprensa de 3 de Dezembro do Bloco de Esquerda em Alcanena.

Clique aqui para ler

Reclamamos o DIREITO A RESPIRAR

Bloco de Esquerda continua na senda de uma solução para o grave problema de poluição ambiental em Alcanena



Na passada sexta-feira, dia doze de Novembro, uma delegação, composta pelo Deputado do Bloco de Esquerda pelo Distrito de Santarém, José Gusmão, e mais dois elementos do Bloco, foi recebida pela administração da Austra, no sentido de esclarecer alguns pontos relativos ao funcionamento da ETAR e à poluição que de há muito tem afectado Alcanena, com acrescida intensidade nos últimos tempos.

O Bloco de Esquerda apresentou já um requerimento ao Ministério do Ambiente, aguardando resposta.

Após a reunião com a administração da Austra, realizou-se na Sede do Bloco em Alcanena uma Conferência de Imprensa para fazer o ponto da situação.

Da auscultação da Austra, ficou claro para o Bloco de Esquerda que a ETAR de Alcanena não reúne as condições minimamente exigíveis, quer do ponto de vista do cumprimento da lei, quer da garantia de índices de qualidade do ar compatíveis com a saúde pública e o bem estar das populações.

A delegação do Bloco de Esquerda obteve do presidente da Austra o compromisso da realização de operações de monitorização da qualidade do ar em Alcanena, a realizar o mais tardar em Janeiro. De qualquer forma, o Bloco de Esquerda envidará esforços para que essa monitorização ocorra de forma imediata.

Embora existam planos para a total requalificação dos sistemas de despoluição, registamos com preocupação a incerteza sobre os financiamentos, quer nacional quer comunitário. O Bloco de Esquerda opor-se-á a que estes investimentos possam ser comprometidos por restrições orçamentais, e exigirá junto do Governo garantias a este respeito.

A participação popular foi e continuará a ser um factor decisivo para o acompanhamento e controlo da efectiva resolução do problema da qualidade do ar em Alcanena.

No âmbito da visita do Deputado do Bloco de Esquerda, José Gusmão, ao Concelho de Alcanena, realizou-se um jantar-convívio no Restaurante Mula Russa em Alcanena, ocasião também aproveitada para dialogar sobre assuntos inerentes ao Concelho. Mais tarde, José Gusmão, conviveu com um grupo de jovens simpatizantes num bar deste concelho.

No sábado, dia treze de Novembro, José Gusmão e outros elementos do Bloco de Esquerda estiveram em Minde, no Mercado Municipal, distribuindo jornais do Bloco, ouvindo e conversando com as pessoas.

Neste mesmo dia, junto ao Intermarché de Alcanena, José Gusmão contactou com as pessoas e entregou jornais do Bloco de Esquerda.

Num almoço realizado em Minde, no Restaurante Vedor, com um grupo de aderentes e simpatizantes do Bloco, houve mais uma vez oportunidade para ouvir opiniões, experiências e expectativas, bem como de exprimir pontos de vista.

O Bloco de Esquerda continuará a luta por um direito que parece ser inerente à própria condição humana, mas que vem sendo negado às pessoas que vivem e trabalham em Alcanena – o direito de respirar ar “respirável” e de não ser posta em causa a sua saúde.


A Coordenadora do Bloco de Esquerda de Alcanena

Poluição em Alcanena: Requerimento à Assembleia da República

Pessoas esclarecidas conhecem o seu direito de respirar ar puro e lutam pela sua reconquista já que alguns até isto usurparam.

O Bloco de Esquerda encetou a luta pela despoluição de Alcanena na legislatura anterior e continuará a manifestar-se e a rebelar-se contra esta desagradável e injusta situação até que no nosso concelho possamos respirar de novo.


Veja aqui Requerimento apresentado pelo BE quanto à questão da poluição em Alcanena

Carta à AUSTRA

Carta entregue pelo grupo de cidadãos "Chega de mau cheiro em Alcanena" ao Presidente da Austra e Presidente da Câmara Municipal de Alcanena

INAUGURAÇÃO DA SEDE DO BLOCO DE ESQUERDA EM ALCANENA

Francisco Louçã inaugurou no passado domingo, dia 31 de Outubro, a Sede do Bloco de Esquerda em Alcanena. Na inauguração esteve também representada a Coordenação Distrital do Partido; estiveram presentes aderentes e convidados. Esta ocasião especial foi uma oportunidade de convívio, acompanhada de um pequeno beberete.
Francisco Louçã falou, como sempre, de forma clara e apelativa, abordando a actual situação crítica do país,apontando as razões, propondo alternativas e caminhos.
Baseando-se no Socialismo Democrático, o Bloco de Esquerda tem sido sempre activo na defesa dos valores da verdadeira Democracia, e propõe-se continuar essa luta. Esta nova Sede é mais um ponto de encontro, de trabalho, de partilha de pontos de vista e de tomada de iniciativas, possibilitando que se ouçam as vozes de todas as pessoas e transmitindo os seus problemas e expectativas.
Trata-se de um pequeno espaço, que representa uma grande vontade de mudança e que espera contar com a presença de todos os que partilhem os ideais de um concelho mais próspero, de uma sociedade mais justa e equilibrada, de um país realmente mais avançado.