domingo, 4 de março de 2012

Direita promove “uma espécie de racismo contra os pobres”

Francisco Louçã sublinhou este sábado que em nenhum outro país europeu o “discurso do ódio sobre a pobreza” foi tão “consistente como o dos projetos políticos das direitas” portuguesas. Louçã defendeu que o país precisa de “investimento, capacidade, solidariedade” e que é necessário "juntar forças na esquerda".
Durante o Seminário sobre Pobreza promovido pela organização do Bloco de Esquerda de Santarém Franscisco Louçã apelou ao Partido Socialista, e a António José Seguro, para que esclareça qual é a sua posição no que respeita às medidas anti-sociais implementadas pelo executivo do PSD/CDS-PP.
“Não percebo o que o PS quer. Ouço António José Seguro e não percebo se quer combater o empobrecimento, e portanto rejeitar, como tem que ser rejeitada, a lei da facilitação dos despedimentos”, afirmou o dirigente bloquista, referindo-se ainda à “lei dos despejos dos inquilinos” e ao corte dos subsídios de férias e de Natal.
Para Louçã, é preciso um “juntar de forças na esquerda”. “É preciso recuperar a iniciativa e, portanto, tomar posições claras e abandonar, recusar convictamente, qualquer estratégia de empobrecimento e desemprego”, defendeu, sublinhando que o país precisa agora de “investimento, capacidade, solidariedade”.
O deputado do Bloco de Esquerda lembrou ainda que, ao mesmo tempo que o executivo adota um “discurso do ódio sobre a pobreza” e promove “uma espécie de racismo contra os pobres”, distribui fortunas, como no caso da Lusoponte, dirigida pelo social-democrata Ferreira do Amaral, a quem o governo cedeu um pagamento de 4 milhões de euros pelas portagens de agosto na Ponte 25 de abril, que já haviam sido pagas pelos automobilistas.
“Este contraste é ácido na sociedade portuguesa, tanto mais grave como é a crise”, defendeu Louçã, realçando que a sensação que trespassa é que os sacrifícios “não servem para nada”.
Para Francisco Louçã deve haver uma “responsabilidade da oposição” e das forças ativistas para “combater esta desigualdade”.
O Seminário sobre Pobreza organizado pelo Bloco de Esquerda de Santarém realizou-se no âmbito da Campanha contra a Pobreza iniciada em setembro de 2011 pela Concelhia do Bloco de Santarém, que se tem materializado num roteiro contra a pobreza por todo o concelho, cujo objectivo é conhecer a realidade concreta, ouvir quem com ela lida diariamente e colaborar na procura de soluções e propostas de intervenção social; em ações institucionais, mas também ações de rua.
O Seminário sobre Pobreza contou ainda com a participação de Eduardo Rodrigues, especialista em Rendimento Social de Inserção, da Faculdade de Letras da Universidade do Porto, e Célia Rafael, Educadora Social no Centro de Solidariedade Social N.Sra. da Luz - Póvoa de Santarém e Duarte Arsénio, Presidente do Centro de Apoio Social da Carregueira.

Trabalhadores das freguesias anunciam semana de luta


Durante o Encontro Nacional de Trabalhadores das Freguesias, realizado este sábado, foi anunciada a realização de uma semana de luta em protesto contra a proposta de lei de reorganização administrativa do governo do PSD/CDS-PP.
Foto de Paulo Novais, Lusa.
Na resolução aprovada este sábado durante o Encontro Nacional de Trabalhadores das Freguesias, que decorreu em Coimbra, os trabalhadores das juntas de freguesia repudiaram determinantemente a proposta de lei governamental alegando que esta constitui "mais um inqualificável ataque à organização do poder local democrático".
Segundo afirmou à Lusa José Manuel Marques, porta-voz do Sindicato Nacional dos Trabalhadores da Administração Local (STAL), os trabalhadores das freguesias vão promover “encerramentos parciais [de autarquias], saídas à rua e colocação de faixas negras em todo o país".
Estas iniciativas serão enquadradas numa semana de luta, que se realizará brevemente, contra a proposta do governo aprovada no parlamento esta semana e que visa, entre outros, a extinção de mais de 1300 freguesias.
Segundo o STAL, a proposta governamental “radica no propósito de afastar o mais possível as populações de verdadeiros centros comunitários”.
A estrutura sindical denuncia ainda “o facto de não terem sido previstos na proposta de lei do Governo quaisquer mecanismos que garantam os direitos dos trabalhadores das freguesias que vierem a ser extintas ou alvo de processos de fusão e manifesta preocupação por possíveis despedimentos ou situações de mobilidade forçada que vierem a ocorrer”.
População e autarcas contra proposta governamental
Coimbra foi ainda palco este sábado de uma concentração de protesto contra a reorganização administrativa que reuniu centenas de autarcas e populares em frente da Câmara Municipal.

Pela troika, sim, pela constituição, não

O único argumento a favor da extinção de freguesias é mesmo o de ser uma imposição da troika. Parece irónico, mas não é: até na reorganização do território são os mais pequenos que pagam.
Há 36 anos, a Constituição da República Portuguesa previu a regionalização. Lá ficou registada e por lá continua. Não é, portanto, de agora a “descoberta” de que o país beneficiaria caso procedesse a uma reorganização administrativa. Debates sobre a regionalização houve muitos, tentativas sérias de mudança, algumas e até um referendo inconclusivo se fez. Todas as iniciativas morreram. Porque nunca se fez bem feito.
Esta semana fomos de novo visitados pela reorganização administrativa portuguesa. Desta vez por causa das freguesias. Manda a troika que se elimine um terço delas: 1500, mais coisa, menos coisa. O governo PSD/CDS, bom servo, não encolheu os ombros e avançou. Desta vez nem é preciso debate. Para quê se é a troika que manda? Pode até haver parecer negativo da Associação Nacional de Municípios, pode até haver a certeza de que as pessoas se deveriam envolver neste debate. Mas isso, ou melhor, se calhar por isso mesmo, não se discute, vota-se.
O governo diz que não se trata de extinção mas antes de agregação. Se assim é, por que razão não se hão-de permitir as associações voluntárias? Sabemos todos que a reorganização administrativa do país é necessária. Mas ela resolve-se com a extinção de 1500 freguesias? E os municípios? E as áreas metropolitanas? Porque não se começou pelo que verdadeiramente pesa? O argumento dos custos não cola. As freguesias há muito deixaram de pesar no orçamento de Estado. O argumento do peso administrativo também não vinga. Há muito que as freguesias deixaram de ter competências vitais para as suas populações – antes as tivessem, diria eu. O único argumento a favor da extinção é mesmo o de ser uma imposição da troika. Parece irónico, mas não é: até na reorganização do território são os mais pequenos que pagam.
Admitamos que a avaliação está correta, que é mesmo necessário extinguir 1500 freguesias e que o plano da troika até é bom... Então porque não se consultam as populações?
O governo diz que agregação não é extinção, mas freguesias são mais do que redutos territoriais, são muitas vezes realidades com “personalidade” identitária e cultural. Nalguns casos muito forte, noutros nem tanto. Por isso mesmo, não deve ser um decreto a determinar que 50% das freguesias urbanas e 20% das rurais vão ser eliminadas. Além disso, não se percebe exatamente o que significa “dar escala” à freguesia? Mesmo nas cidades, elas podem ter duas centenas de fregueses, como 40 mil. Mas vai tudo pela mesma medida...
Artigo publicado no jornal “As Beiras” a 3 de Março de 2012

Europa: Refundação ou Deslocação

A Europa está a devorar os seus próprios filhos. É urgente estudar formas de reconstruir e de começar a entender como aqui chegamos. Artigo de Michel Husson - O Sarcófago, 2012.
Foto saikofish/Flickr.
Na realidade, o verme estava na fruta, por uma razão de fundo: "nada, nem na teoria nem na prática, permite estabelecer o postulado segundo o qual a contração monetária forçaria a convergência real dos países europeus" [i]. A moeda única "assume a realização de um espaço homogéneo para a qual é suposto contribuir"[ii]. Ou seja, para usar uma fórmula de Patrick Artus: "Forçar os países da zona euro para se tornar homogéneo não faz sentido"[iii].              
O euro foi concebido basicamente como um instrumento de disciplina orçamental e, sobretudo, salarial, fazendo dos salários a única variável de ajustamento de trajetórias nacionais heterogéneas. Mas nem as taxas de inflação, nem as taxas de crescimento convergiram e o fraccionamento da Europa começou bem antes da crise. Ao invés de uma "desvalorização interna" (cortes dos salários), os países do Sul, cujas taxas de inflação são estruturalmente mais elevadas (mas por outras razões que uma deriva salarial), contornaram o obstáculo. Eles aproveitaram dois efeitos “perversos” (do ponto de vista neoliberal) da unificação: primeiro, os défices comerciais não causaram, por definição, o questionamento da moeda nacional. Além disso, as taxas de juros nominais, que se alinharam por baixo, conduziram nesses países a uma inflação mais elevada, com taxas de juros reais muito baixas, que encorajaram o desenvolvimento de bolhas imobiliárias.
 A crise veio pôr fim a essa corrida desenfreada, e com o jogo da transferência de dívidas privadas para as dívidas públicas, atingiu brutalmente os países do sul da Europa. Neste sentido, a crise é um indicativo do caráter truncado, curto, falho, insustentável, do projeto europeu neoliberal. É evidente que uma moeda comum, conservando a possibilidade de ajustamentos dentro da zona, teria sido preferível. Mas devemos insistir numa outra ideia: não havia apenas uma maneira de construir a Europa e não seria "anti-europeu" dizer não a Maastricht ou ao projecto de Tratado. Deste ponto de vista, Jacques Delors tem uma pesada responsabilidade por ter sustentado que o caminho escolhido era irrelevante, uma vez que a natureza abomina o vácuo, pois o social acabaria por ser enxertado no núcleo monetário e fiscal. Um argumento semelhante foi apresentado por Lionel Jospin na aceitação do Tratado de Amesterdão, em 1997, e que se encontra agora nas justificações dos socialistas em votar a favor do "Mecanismo Europeu de Estabilidade”.
É hora de bifurcar e adotar um outro projeto possível que tenha em conta as dificuldades inerentes à unificação económica de países heterogéneos. Este projeto é o da harmonização e opõe-se ponto por ponto àquele que depende da concorrência "livre e não falseada". Os eixos essenciais de uma tal abordagem são bem conhecidos e foram extensivamente analisados. No plano económico, devemos começar por unificar a tributação, particularmente sobre as empresas, de modo a pôr fim ao dumping social e alimentar um orçamento comunitário consequente (como agora é limitado a 1% do PIB). Isso permitiria financiar os fundos de harmonização social e os investimentos públicos socialmente úteis, inscritos num planeamento ecológico concertado. Um sistema de salários mínimos, calculados com base no salário médio de cada país, permitiria reduzir a competição entre assalariados e estabelecer um processo de convergência. A legislação social deveria igualmente ser harmonizada, até cima, com os serviços públicos europeus no lugar ao invés de programar a sua privatização, etc. Nem tudo estaria resolvido. Os debates continuam em aberto, por exemplo, na questão do protecionismo europeu, mas estas grandes diretrizes desenham um projeto coerente com o objetivo da unificação europeia. Devemos acrescentar ainda um último elemento, a partilha das dívidas públicas com a possibilidade de o Banco Central Europeu financiar diretamente os défices, sem dever passar o desafio para os "mercados".
Estas grandes orientações opõem-se, ponto por ponto, ao federalismo, que está em processo para ser colocado nas medidas de "resgate" dos Estados… e dos bancos. O conjunto de diretrizes chamado “six-pack” e o Mecanismo Europeu de Estabilidade estão a endurecer o enquadramento das políticas orçamentais. Mas atravessam ilegalmente um novo passo, mantendo os custos unitários do trabalho entre os indicadores "para a prevenção e correcção dos desequilíbrios macroeconómicos". Isto significa que um país cujos salários evoluam de maneira muito diferente da média poderia vir a ser sancionado no final. Há uma tentativa de transferir a soberania sobre uma questão - os salários - que não até aqui não foi longe no campo das competências comunitárias. O federalismo constitui um salto qualitativo na gestão neoliberal da Europa. Ele alivia os cidadãos de qualquer expressão democrática em favor de uma casta burocrática cegamente aplicadora das normas estereotipadas. Mais do que nunca, para dizer as coisas simplesmente, esta Europa desfigurada está inteiramente ao serviço da finança e do capital.
Deveríamos então sair deste gang ou resignar-nos e esperar por melhores dias, quando 27 governos mais inspirados lançassem as bases de uma outra Europa? Certamente seria assim, se permitíssemos esta alusão, adiando indefinidamente o nascimento desta "boa" Europa. Mas sair do euro e romper com o euro-liberalismo são duas coisas diferentes. A saída do euro permitiria duas coisas: financiar o défice pelo Banco Central e desvalorizar para restaurar a competitividade.
Este último argumento é o mais frequentemente apresentado, porque responde, em parte, a um dos principais defeitos da construção da Europa. Mas ele esquece os enormes custos de um tal resultado: a dívida pública de não-residentes, denominados em moeda forte, que aumentaria a taxa de desvalorização. A "nova" moeda estaria exposta diretamente, sem proteção, à especulação e, mais importante, abriria uma guerra comercial sem fim e de consequências incontroláveis​​.
É sempre necessário fazer a distinção entre medidas cooperativas - aquelas que têm mais sucesso quando são generalizadas - e medidas não-cooperativas, aquelas que funcionam apenas se os outros países não as tomarem. Esta distinção é crucial, dado o grau de integração das economias europeias e pode contrastar duas concepções muito diferentes de uma possível saída da crise. A primeira pode ser descrita como soberanista, porque ela encontra a sua salvação em oposição ao resto do mundo, apresentado como responsável por todos os males. Esta congruência espontânea com a temática nacionalista explica por que a Frente Nacional faz da saída do euro o seu cavalo de batalha. Ao contrário, o conceito de solidariedade aposta nos efeitos desmultiplicadores de uma generalização de medidas cooperativas. Esta é a única maneira de evitar ter de escolher entre duas austeridades: a das instituições europeias e a do capital nacional.
Não é uma questão de se deixar fechar numa falsa alternativa entre uma aventura arriscada - a saída do euro – e uma harmonização utópica. O caminho é muito estreito e só pode existir com a condição de quebrar com a Europa que realmente existe, mas em nome de uma outra Europa. É preciso estabelecer um equilíbrio de forças, que não compreendam nem Zapatero, nem Papandreou, contando com a legitimidade das soluções progressistas. Por outras palavras, ir contra as regras de jogo europeias para conseguir a transformação social e proteger esta experiência, propondo-a como uma alternativa para a Europa atual.
A Europa não é uma boa ideia, nem um luxo. Esta é a escala adequada para políticas sociais e ecológicas mais do que nunca necessárias. A corrida desenfreada da Europa neoliberal a que estamos a assistir hoje depende de duas principais de ajustamento: o progresso social e da luta contra o aquecimento global. Este projeto deve ser combatido, pois conduz à deslocação social e à luxação da Europa.
* Michel Husson – Economista francês, investigador no IRES (Instituto de Investigações Económicas e Sociais).
Tradução: António José André.



[i] Michel Husson, «Les mystères de Maastricht», 1996, http://hussonet.free.fr/eurolibe.pdf
[ii]Michel Husson, dans Fondation Copernic, Un social-libéralisme à la française ? La Découverte, 2001, http://hussonet.free.fr/eurolib.pdf
 [iii]Flash n°150, Natixis, 17 février 2012, http://gesd.free.fr/flas2150.pdf

sábado, 3 de março de 2012

Trabalhadoras da Bonvida Porcelanas são “as heroínas de Portugal”

Esta sexta-feira, os deputados do Bloco Francisco Louçã e Catarina Martins estiveram na Batalha para expressar a sua solidariedade com os trabalhadores da Bonvida Porcelana, que está em processo de insolvência. Louçã defendeu que o governo deve assegurar o respeito pelos direitos dos trabalhadores nestas situações.
Trabalhadoras da Bonvida Porcelanas. Foto de Paulete Matos.
Durante a visita à Fábrica das Porcelanas Bonvida, Francisco Louçã dirigiu-se às trabalhadoras deste estabelecimento sublinhando que elas “são as heroínas de Portugal, porque é esta persistência que permite defender o trabalho e a dignidade das pessoas numa sociedade que está a amarfanhar".
Para o dirigente bloquista, esta é a "melhor resposta a Passos Coelho", para mostrar que "em Portugal há gente que luta por um emprego e pela capacidade de responder por uma economia decente, porque só assim é que se cria emprego".
"Estas mulheres e estes homens estão a defender os seus postos de trabalho numa empresa que, só por fraude, é que está fechada", frisou o deputado do Bloco, lembrando que a Bonvida tinha "metade da sua produção em exportação" e "quando fechou tinha encomendas para continuar durante muito tempo".
Francisco Louçã defendeu que o governo, num momento “em que há tanto desemprego e tantas empresas nesta situação”, deve assegurar o cumprimento da lei em vigor e o respeito pelos direitos dos trabalhadores por parte das administrações das empresas.
Só mediante este controlo, se pode “garantir que os trabalhadores não sejam roubados e não lhes seja negado o que lhes é devido”, advertiu Louçã.
Segundo o dirigente bloquista, na Bonvida "há uma irresponsabilidade direta do patronato e da administração", mas, "em seis meses de persistência, os trabalhadores tinham o direito de ter o problema resolvido, pela substituição da administração ou pela venda da empresa a um outro investidor".
Estamos, "pura e simplesmente”, perante uma situação “de gestão fraudulenta, tão comum em Portugal, que leva a esta ideia de que um administrador ou empresário pode produzir ou vender o trabalho que as pessoas produziram com as suas mãos e não lhes pagar o seu ordenado", avançou Francisco Louçã.
Louçã lembrou que o Bloco já questionou anteriormente o governo sobre a situação da empresa, ao que o governo respondeu que "ia estudar e verificar o que se estava a passar".
Os  170 trabalhadores da Bonvida não recebem os subsídios de Natal e de férias desde 2007 e não recebem salários desde setembro. Estão há seis meses a guardar a porta da empresa, para evitar que o patrão roube máquinas ou produtos.

Bancos optam por engordar cofres do BCE e não por financiar a economia

Esta sexta-feira, e após terem usufruído esta semana de empréstimos a 3 anos a baixos juros, no valor total de 530 mil milhões de euros, os bancos comerciais depositaram um valor recorde de 776,9 mil milhões no Banco Central Europeu.
Os banqueiros preferem guardar o dinheiro no BCE do que pôr a economia a mexer. Foto ninette_luz/Flickr.
Os bancos comerciais usufruiram esta semana de uma injeção de liquidez por parte do Banco Central Europeu no valor total de 529,5 mil milhões de euros. No final do ano passado, o BCE já teria emitido empréstimos a 3 anos com baixos juros no valor de 489 mil milhões de euros, que terão abrangido 523 bancos.
Este financiamento visava, conforme terão idealizado Merkel e Sarkozy, permitir aos Estados aceder a dinheiro mais barato e abrir aos agentes económicos a possibilidade de conseguirem empréstimos para saírem da estagnação e recessão para onde foram empurrados como uma das mais evidentes consequências da política de austeridade.
Contudo, os bancos terão optado por depositar aproximadamente três quartos do dinheiro que o BCE colocou no sistema financeiro nestas duas injeções em detrimento do financiamento da economia. Nesta sexta-feira, os bancos investiram 776,9 mil milhões de euros nos depósitos 'overnight' (de um dia para o outro) do BCE, o valor mais alto desde a criação do euro.
Apesar de os bancos recebem apenas 0,25% sobre o dinheiro que eles depositam no BCE, comparado com quase 1% quando o emprestam por três meses no mercado aberto, os depósitos têm estado em alta desde meados do ano passado.

Assembleia Municipal de Coimbra quer levar a referendo extinção de freguesias

Assembleia Municipal de Coimbra aprovou esta semana uma moção do Bloco que rejeita a proposta do governo sobre a extinção de mais de 1300 freguesias e que defende a realização de um referendo popular sobre a matéria. Este sábado centenas de autarcas e populares concentraram-se em frente à Câmara Municipal de Coimbra.
Foto de Paulete Matos.
proposta dos deputados municipais do Bloco de Esquerda Serafim Duarte e José João Lucas, em defesa da realização obrigatória de consulta popular sobre a proposta do governo aprovada no parlamento pelo CDS-PP e pelo PSD, que visa, entre outras medidas, a extinção de mais de 1300 freguesias, foi aprovada com 36 votos a favor e 21 abstenções por parte de alguns elementos do PSD e da CDU.
No documento, o Bloco sublinhava que, mediante a aprovação da proposta governamental, “as assimetrias na administração territorial serão ainda mais acentuadas e a centralização do poder (que tanto tem prejudicado o ordenamento dos espaços urbanos) afastará ainda mais as populações da participação e das decisões sobre a organização do território”.
Mediante a aprovação desta proposta, a Assembleia Municipal de Coimbra deliberou rejeitar a proposta do governo, “considerando que ela não responde de forma adequada às necessidades e anseios dos autarcas, das populações e do país”. 
Este órgão assumiu ainda “a defesa da realização obrigatória de consultas locais nas autarquias afectadas, quando, após estudo adequado das situações, esteja em causa a criação, extinção, fusão ou alteração territorial das autarquias locais”.
A aprovação da moção do Bloco espelha bem o enorme mal-estar dos presidentes das juntas do PSD, que se opõem veementemente à proposta apresentada pelo executivo.
Na mesma sessão da Assembleia Municipal, o Bloco viu ainda aprovada, com somente nove abstenções, a sua moção sobre a Criação do Programa Pequeno Almoço na Escola.
Autarcas e população contra proposta do governo
Neste sábado, centenas de autarcas e populares das freguesias do concelho e do distrito de Coimbra encheram a Praça 8 de maio, junto à Câmara Municipal. Foram ouvidas intervenções muito críticas relativamente ao projeto do governo de extinguir freguesias, na generalidade incitando à mobilização local e nacional, nos próximos dias 10 e 31 deste mês.
Durante as intervenções, foi salientada a ação dos autarcas de freguesia junto das populações em todo o território nacional, atuando com custos mínimos para o erário público e num quadro de proximidade, em apoio permanente das populações, muitas vezes abandonadas e marginalizadas pelos serviços públicos da responsabilidade do poder central.

Portugueses poderão tirar férias fazendo uma boa aplicação dos seus recursos

Durante uma visita à Bolsa de Turismo de Lisboa, no Parque das Nações, Pedro Passos Coelho defendeu que os portugueses têm que fazer “uma boa aplicação dos seus recursos” para poderem tirar férias.
Foto João Relvas/Lusa.
Ainda que fustigados pelas medidas de austeridade impostas pela troika e pelo governo português, que ditaram o congelamento dos salários e pensões, o encarecimento do custo de vida mediante o aumento dos impostos, do custo dos transportes, gás e electricidade, o corte nas prestações sociais e subsídio de desemprego, o fim dos subsídios de férias e de natal na função pública e, consequentemente, a diminuição abrupta do rendimento disponível das famílias, o primeiro-ministro português acredita que os portugueses estão em perfeitas condições para tirar férias, bastando-lhes para isso “fazer uma boa aplicação dos seus recursos”
Durante uma visita à Bolsa de Turismo de Lisboa, no Parque das Nações, Pedro Passos Coelho ao ser interrogado sobre como poderiam os portugueses tirar férias em 2011, respondeu prontamente: “Fazendo uma boa aplicação dos recursos que têm, como é evidente”.
“Quando há menos, tem de se gastar menos, quando há mais tem de se pensar em ficar com algum de lado para os tempos em que há menos. É isso que eu espero que os portugueses também possam fazer”, adiantou o primeiro-ministro.
“Então a senhora acha que o Governo ia decretar que não houvesse férias?”, retorquiu ainda Passos Coelho. 
O líder governamental aproveitou ainda para fazer humor com os acontecimentos do Carnaval. Depois de ter pedido para lhe servirem pouco champanhe e de ter sido presenteado com quase meio copo, Pedro Passos Coelho comentou: “Está a ver? Foi como no Carnaval, ninguém me ligou".

Aumento das taxas moderadoras leva a aumento da mortalidade

Segundo a Associação de Médicos de Saúde Pública, o aumento das taxas moderadoras num período de agravamento das condições económicas das famílias poderá estar a traduzir-se numa fuga aos cuidados de saúde e, consequentemente, no aumento da mortalidade.
Foto de Paulete Matos.
A mortalidade "por todas as causas" atingiu na semana passada os 3080 óbitos, aumentando para 6110 a cifra das duas últimas semanas, segundo dados do Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge (INSA). Os indicadores do INSA revelam “excesso de mortalidade nas regiões Norte, Centro e Lisboa e Vale do Tejo, em contraste com as regiões do Algarve e Autónomas em que tal não se verificou”.
Em causa não está um mero pico excepcional, já que segundo explicou à agência Lusa Baltazar Nunes, do INSA, “consideramos um excesso quando, de uma forma consistente, a mortalidade se encontra acima da linha de base, que é o que está neste momento a acontecer, nas últimas três semanas”.
Este número é muito superior ao registado no mesmo período de anos anteriores, o que leva Mário Jorge, presidente da Associação de Médicos de Saúde Pública, a alertar para o facto de as medidas do Ministério da saúde, entre as quais o “aumento brutal” das taxas moderadoras, poderem estar a determinar uma fuga aos cuidados de saúde e, consequentemente, a contribuir para o aumento da mortalidade.
Esta mesma opinião é partilhada por Constantino Sakellarides, ex-diretor-geral da saúde e professor da Escola Nacional de Saúde Pública.
“O facto de as pessoas viverem com mais dificuldades”, sentidas no acesso “aos medicamentos e à saúde” e de terem “a electricidade mais cara”, são hipóteses plausíveis para explicar o excesso de mortalidade registado nas últimas semanas, avança Sakellarides.
Na segunda-feira, o INSA anunciou, em comunicado, uma investigação "em profundidade" aos motivos associados ao excesso de mortalidade, em articulação com a Direção-Geral da Saúde.
Para setembro está ainda agendado o início do registo online dos óbitos e das suas causas, permitindo o seu rápido e permanente acompanhamento.

Sozinhos mas bem acompanhados

Estes dias na Assembleia da República ficaram marcados pelo debate da extinção de mais mil freguesias no país.
Semana Parlamentar por Luís Fazenda.
Semana Parlamentar por Luís Fazenda.
A proposta de lei do governo PSD/CDS, dita reorganização administrativa, visa apenas a redução de mais de metade das freguesias urbanas e pelo menos vinte por cento das freguesias rurais. O objetivo inconfessável é a centralização do poder autárquico, adubar o caciquismo local, bipartidarizar ainda mais o cenário, divorciar os cidadãos da coisa pública.
O método como o Governo age é prepotente. Penaliza, até economicamente, as assembleias municipais que não “agreguem” freguesias. As autarquias ou dizem “ámen” ou a sua pronúncia é juridicamente desconsiderada. A trapalhada dos “compromissos” com a troika é apenas a cortina de fumo para a blindagem dos redutos laranjas e rosas. Metade da bancada do PS queria ter votado com o governo, e não o disfarçou publicamente. A direção da bancada do PS justificou o voto contrário por não haver ainda entendimento dos partidos centrais sobre a lei eleitoral autárquica.
O Bloco, ao contrário, exigiu a democracia! Exigiu referendos locais para determinar o futuro das freguesias. A palavra às comunidades! Votámos sós. CDS, PSD, PS, PEV e PCP votaram todos contra os referendos locais. Mas a apreciar as dezenas de moções já aprovadas em Assembleias Municipais e na Assembleia Legislativa dos Açores, a apreciar os referendos, a consulta inalienável das populações, é caso para dizer que talvez sós no parlamento, mas bem acompanhados por todo o Portugal. E esta história ainda agora começou. Esperem os governantes pelas lutas que já se insinuam! O voto BE vai ser ampliado na rua, em nome de todas as identidades populares e de poder tratar por tu o poder mais próximo.

Comunicado do Bloco de Esquerda sobre a Escola EB2,3 de Minde

Consulte no link abaixo:

Requerimento ao Secretário de Estado do Ambiente

Bloco requereu a vinda do Secretário de Estado do Ambiente

à AR para esclarecer funcionamento da ETAR de Alcanena

O deficiente funcionamento da Estação de Tratamento de Águas Residuais (ETAR) de Alcanena, com mais de 20 anos, tem sido extremamente penalizador para a qualidade de vida e saúde pública das populações deste concelho, além de ser responsável pela poluição de recursos hídricos e solos.

Esta ETAR, destinada a tratar os efluentes da indústria de curtumes, foi desde a sua origem mal concebida, a começar por se situar em leito de cheia. Desde então os problemas são conhecidos e persistem: maus cheiros intensos; incumprimento regular dos valores-limite estabelecidos para o azoto e CQO das descargas de efluente tratado em meio hídrico; célula de lamas não estabilizadas, com deficiente selagem e drenagem de lixiviados e biogás; redes de saneamento corroídas, com fugas de efluentes não tratados para o ambiente; saturação da ETAR devido a escoamento das águas pluviais ser feita nas redes de saneamento.

Desde há muito que estes problemas são conhecidos e nada justifica, ainda mais com todo o avanço tecnológico existente ao nível do funcionamento das ETAR, que se chegue ao final de 2010 com esta situação. E pior se compreende quando é o próprio Ministério do Ambiente a constatar que gastou ao longo dos anos cerca de 50 milhões de euros para tentar responder a estes problemas.

Em Junho de 2009 foi assinado um protocolo para a reabilitação do sistema de tratamento de águas residuais de Alcanena pela ARH Tejo, o INAG, a Câmara Municipal e a AUSTRA (gestora da ETAR), com investimentos na ordem dos 21 milhões de euros de comparticipação comunitária.

Este protocolo inclui cinco projectos, os mais importantes dos quais com prazo final apenas em 2013, o que significa arrastar os principais problemas identificados até esta data. Como os prazos de início dos estudos destes projectos já sofreram uma derrapagem, dúvidas se colocam sobre o cumprimento dos prazos estabelecidos, ainda mais quando não há certezas sobre a disponibilização de verbas nacionais para co-financiar os projectos, tendo em conta o contexto de contenção actual.

Considerando a gravidade dos problemas causados pela ETAR de Alcanena para as populações e o ambiente, o deputado José Gusmão e a deputada Rita Calvário do Bloco de Esquerda solicitam uma audiência com o Secretário de Estado do Ambiente, com a finalidade de obter esclarecimentos sobre os investimentos previstos para a reabilitação do sistema de tratamento, as soluções escolhidas, o cumprimento de prazos, e as garantias que os mesmos oferecem para resolver o passivo ambiental existente, os focos de contaminação dos recursos hídricos e solo, os maus cheiros e qualidade do ar respirado pelas populações deste concelho. Seria de todo útil que o presidente ou representantes da ARH-Tejo estivessem presentes nesta audiência.

Lisboa, 17 de Dezembro de 2010.

A Deputada O Deputado

Rita Calvário José Gusmão

Direito a não respirar “podre” – SIM ou NÃO?





No passado domingo, dia 12 de Dezembro, no Auditório Municipal de Alcanena, realizou-se uma conferência, dinamizada pelo Bloco de Esquerda, sobre a poluição em Alcanena.
Esta sessão reuniu um grupo de ‘preocupados’, que primeiramente ouviram as exposições de especialistas sobre o assunto e, no final, trocaram experiências e pontos de vista, baseados na própria vivência, bem como em conhecimentos técnicos e científicos.
Ficou bem patente que se trata de um grave problema de há muito sentido, mas também desvalorizado, do qual até ao momento não se conhecem as verdadeiras implicações para a saúde pública, mas que transtorna a vida de todos os que vivem e trabalham no concelho, tornando desagradável e doentio o seu dia a dia.
Ficou também claro que o Bloco de Esquerda, aliado desta causa, não abandonará a luta, que será levada até onde os direitos das pessoas o exigirem.

Comunicado de Imprensa

Leia em baixo o Comunicado de Imprensa de 3 de Dezembro do Bloco de Esquerda em Alcanena.

Clique aqui para ler

Reclamamos o DIREITO A RESPIRAR

Bloco de Esquerda continua na senda de uma solução para o grave problema de poluição ambiental em Alcanena



Na passada sexta-feira, dia doze de Novembro, uma delegação, composta pelo Deputado do Bloco de Esquerda pelo Distrito de Santarém, José Gusmão, e mais dois elementos do Bloco, foi recebida pela administração da Austra, no sentido de esclarecer alguns pontos relativos ao funcionamento da ETAR e à poluição que de há muito tem afectado Alcanena, com acrescida intensidade nos últimos tempos.

O Bloco de Esquerda apresentou já um requerimento ao Ministério do Ambiente, aguardando resposta.

Após a reunião com a administração da Austra, realizou-se na Sede do Bloco em Alcanena uma Conferência de Imprensa para fazer o ponto da situação.

Da auscultação da Austra, ficou claro para o Bloco de Esquerda que a ETAR de Alcanena não reúne as condições minimamente exigíveis, quer do ponto de vista do cumprimento da lei, quer da garantia de índices de qualidade do ar compatíveis com a saúde pública e o bem estar das populações.

A delegação do Bloco de Esquerda obteve do presidente da Austra o compromisso da realização de operações de monitorização da qualidade do ar em Alcanena, a realizar o mais tardar em Janeiro. De qualquer forma, o Bloco de Esquerda envidará esforços para que essa monitorização ocorra de forma imediata.

Embora existam planos para a total requalificação dos sistemas de despoluição, registamos com preocupação a incerteza sobre os financiamentos, quer nacional quer comunitário. O Bloco de Esquerda opor-se-á a que estes investimentos possam ser comprometidos por restrições orçamentais, e exigirá junto do Governo garantias a este respeito.

A participação popular foi e continuará a ser um factor decisivo para o acompanhamento e controlo da efectiva resolução do problema da qualidade do ar em Alcanena.

No âmbito da visita do Deputado do Bloco de Esquerda, José Gusmão, ao Concelho de Alcanena, realizou-se um jantar-convívio no Restaurante Mula Russa em Alcanena, ocasião também aproveitada para dialogar sobre assuntos inerentes ao Concelho. Mais tarde, José Gusmão, conviveu com um grupo de jovens simpatizantes num bar deste concelho.

No sábado, dia treze de Novembro, José Gusmão e outros elementos do Bloco de Esquerda estiveram em Minde, no Mercado Municipal, distribuindo jornais do Bloco, ouvindo e conversando com as pessoas.

Neste mesmo dia, junto ao Intermarché de Alcanena, José Gusmão contactou com as pessoas e entregou jornais do Bloco de Esquerda.

Num almoço realizado em Minde, no Restaurante Vedor, com um grupo de aderentes e simpatizantes do Bloco, houve mais uma vez oportunidade para ouvir opiniões, experiências e expectativas, bem como de exprimir pontos de vista.

O Bloco de Esquerda continuará a luta por um direito que parece ser inerente à própria condição humana, mas que vem sendo negado às pessoas que vivem e trabalham em Alcanena – o direito de respirar ar “respirável” e de não ser posta em causa a sua saúde.


A Coordenadora do Bloco de Esquerda de Alcanena

Poluição em Alcanena: Requerimento à Assembleia da República

Pessoas esclarecidas conhecem o seu direito de respirar ar puro e lutam pela sua reconquista já que alguns até isto usurparam.

O Bloco de Esquerda encetou a luta pela despoluição de Alcanena na legislatura anterior e continuará a manifestar-se e a rebelar-se contra esta desagradável e injusta situação até que no nosso concelho possamos respirar de novo.


Veja aqui Requerimento apresentado pelo BE quanto à questão da poluição em Alcanena

Carta à AUSTRA

Carta entregue pelo grupo de cidadãos "Chega de mau cheiro em Alcanena" ao Presidente da Austra e Presidente da Câmara Municipal de Alcanena

INAUGURAÇÃO DA SEDE DO BLOCO DE ESQUERDA EM ALCANENA

Francisco Louçã inaugurou no passado domingo, dia 31 de Outubro, a Sede do Bloco de Esquerda em Alcanena. Na inauguração esteve também representada a Coordenação Distrital do Partido; estiveram presentes aderentes e convidados. Esta ocasião especial foi uma oportunidade de convívio, acompanhada de um pequeno beberete.
Francisco Louçã falou, como sempre, de forma clara e apelativa, abordando a actual situação crítica do país,apontando as razões, propondo alternativas e caminhos.
Baseando-se no Socialismo Democrático, o Bloco de Esquerda tem sido sempre activo na defesa dos valores da verdadeira Democracia, e propõe-se continuar essa luta. Esta nova Sede é mais um ponto de encontro, de trabalho, de partilha de pontos de vista e de tomada de iniciativas, possibilitando que se ouçam as vozes de todas as pessoas e transmitindo os seus problemas e expectativas.
Trata-se de um pequeno espaço, que representa uma grande vontade de mudança e que espera contar com a presença de todos os que partilhem os ideais de um concelho mais próspero, de uma sociedade mais justa e equilibrada, de um país realmente mais avançado.