sábado, 24 de dezembro de 2011

Rússia: Mais de 50 mil pedem renúncia de Putin

Manifestantes denunciam a fraude no recente processo eleitoral, exigem novas eleições e a demissão do atual primeiro-ministro, assim como a libertação dos presos políticos e a elaboração de uma nova legislação eleitoral.
Manifestantes encheram a av. Sakharov
Cerca de 50 mil pessoas, segundo os organizadores (21 mil segundo a polícia) concentraram-se este sábado na Avenida Sakharov, no centro de Moscovo, para denunciar a fraude que afirmam ter ocorrido nas recentes eleições parlamentares e exigir a realização de novas eleições e a demissão do primeiro-ministro Vladimir Putin.
Os manifestantes têm uma lista de exigências que inclui a libertação dos presos políticos; a elaboração de uma nova legislação eleitoral não para 2013, como prometeu o presidente Dmitri Medvedev, mas para a realização de um escrutínio antecipado em 2012, e a demissão de Vladimir Tchurov do cargo de presidente da Comissão Eleitoral da Rússia.
"Não abandonaremos as praças enquanto as nossas reivindicações não forem cumpridas", afirmou Vladimir Rijkov, um dos organizadores do comício.
Duas horas depois de ter começado o comício, as pessoas ainda continuavam a acorrer à avenida. O escritor Grigori Chjartashvili, mais conhecido pelo pseudónimo de Boris Akunin, propôs batizar o novo movimento de “Rússia Honesta”. E acusou o atual regime de estar constantemente a mentir e a roubar, apelando à mobilização para mandar Putin para a reforma, e não para o Kremlin. O atual primeiro-ministro é de novo candidato a presidente pelo partido Rússia Unida, o vencedor das eleições que a oposição contesta.
Entre os oradores estiveram o ex-viceprimeiro-ministro Borís Nemtsov, que pediu a renúncia de Putin, uma exigência que aparecia em numerosos cartazes e que foi secundada por muitos outros oradores. Mikhail Gorbachov, que tinha anunciado que estaria presente, afinal não foi, mas disse apoiar as exigências dos manifestantes.
Entre os oradores, causou surpresa a presença do ex-ministro das Finanças Alexéi Kudrin, que disse estar a favor de aplicar o código penal aos responsáveis das falsificações nas últimas eleições. Houve manifestações semelhantes em muitas outras cidades.

Transportes: empresas já anunciam aumentos para janeiro

Mesmo antes de governo ter definido os valores, empresas como a Rodoviária de Lisboa, a Vimeca Transportes, a Scotturb e a Barraqueiro, anunciaram na imprensa que a partir de 1 de janeiro haverá novas tarifas.
Sem saber qual é o valor, empresas já anunciam aumento. Foto de Paulete Matos
Algumas empresas de transportes já estão a avisar os passageiros de que haverá aumentos nos preços dos passes e dos bilhetes a 1 de janeiro, apesar de o governo ainda não ter divulgado o valor da subida.
“Nos termos e para efeitos do n.º2 do artigo 6.º do decreto-lei n.º 8/93, de 11 de janeiro, informamos que irão ser praticadas, a partir de 1 de janeiro de 2012, novas tarifas. As tabelas estarão oportunamente disponíveis nos postos de venda e agentes habituais”, pode ler-se num dos anúncios.
O último aumento definidos pelo governo entrou em vigor a 1 de agosto e traduziu-se numa subida média máxima de 15 por cento nos preços praticados nos títulos dos transportes rodoviários urbanos de Lisboa e do Porto, fluviais e ferroviários até 50 quilómetros.
Para os títulos relativos aos transportes coletivos rodoviários interurbanos de passageiros até 50 quilómetros, o executivo fixou, na mesma altura, um aumento médio máximo de 2,7 por cento.
Na opinião de Amável Alves, dirigente da FECTRANS - Federação dos Sindicatos dos Transportes e Comunicações, é estranho as empresas estarem a avisar os passageiros para aumentos quando os novos valores ainda não são conhecidos.
“Para cumprirem uma questão legal, as empresas estão a informar os passageiros sem saberem quais são os valores, porque o governo ainda não decidiu qual é o valor da subida”, afirmou o sindicalista.

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Bloco denuncia "o favorecimento inaceitável do setor financeiro privado"

O deputado do Bloco Pedro Filipe Soares esteve esta sexta-feira à porta do BPN em Aveiro para criticar as benesses – “o ouro” - dadas ao setor financeiro -“o Deus Menino”- “pelos três reis magos” - Pedro Passos Coelho, Paulo Portas e Vitor Gaspar.
O deputado Pedro Filipe Soares sublinha que "não é aceitável que, enquanto se pedem sacrifícios aos portugueses ", o governo "venha dizer que nos próximos 20 anos irá fazer deduções fiscais à banca".
O deputado Pedro Filipe Soares sublinha que "não é aceitável que, enquanto se pedem sacrifícios aos portugueses ", o governo "venha dizer que nos próximos 20 anos irá fazer deduções fiscais à banca".
No cartaz natalício afixado à frente do BPN, o Bloco denuncia que "o Povo é que paga as prendas" dadas pelos três governantes à banca portuguesa, sendo que, segundo Pedro Filipe Soares, nos últimos tempos, “o euromilhões e o jakpot” atribuídos à banca “foram a recapitalização da banca e a transferência dos fundos de pensões".
"Na prática a privatização de 12 mil milhões de euros de dinheiro público, e a transferência dos fundos de pensões, nas condições em que é feita, são um claro benefício para o setor bancário, que passa à margem dos sacrifícios que se pedem aos portugueses, para o financiar", realçou o deputado bloquista.
"Não é aceitável que, enquanto se pedem sacrifícios aos portugueses, como ficarem este ano sem metade do subsídio de Natal e nos próximos dois anos sem subsídio de Natal e de férias" o governo "venha dizer que nos próximos 20 anos irá fazer deduções fiscais à banca", sublinhou ainda Pedro Filipe Soares.
O dirigente do Bloco de Esquerda lembrou também as contradições de Paulo Portas, que no seu discurso eleitoral afirmava ser “inaceitável que qualquer governo pudesse assumir compromissos para além da sua governação", frisando que "não podemos ter os que nascem hoje a pagar os desaires amanhã".
"Aqueles que dizem que, se o Estado não tem dinheiro, deve privatizar, já não dizem à banca que se não tem dinheiro deve vender os seus ativos e obrigar os seus acionistas a reforçar o capital, que é o que se passa em qualquer empresa privada. Que se peçam responsabilidades àqueles que durante anos e anos tiveram milhares de milhões em dividendos", defende Pedro Filipe Soares.
O setor financeiro "não pode viver de forma parasitária, com as benesses fiscais e a injeção direta de capitais públicos", avança o deputado, sublinhando que "quando foi para repartir os lucros [a banca] quis ficar com uma grande parte e agora que é preciso injetar capital, diz que tem de ser o Estado a fazê-lo, com dinheiro dos contribuintes, o que é inaceitável”.
“Os acionistas que comeram a carne, agora têm de roer os ossos", rematou Pedro Filipe Soares.

Europeias 2009: candidaturas do Bloco, POUS e MPT únicas a não registar irregularidades

Candidaturas do Bloco de Esquerda, do Partido da Terra e do Partido Operário de Unidade Socialista às eleições europeias de 2009 foram as únicas a não apresentar qualquer tipo de irregularidade.
Segundo o Acórdão do Tribunal Constitucional referente à apreciação das contas da campanha eleitoral para a eleição dos deputados ao Parlamento Europeu, realizada em 7 de Junho de 2009, não foram sinalizadas quaisquer irregularidades nas candidaturas do Bloco de Esquerda, do Partido da Terra e do Partido Operário de Unidade Socialista, o mesmo não acontecendo com as restantes candidaturas.
No caso do partido de Paulo Portas, foram sinalizadas as seguintes irregularidades: contribuições em espécie efetuadas pelo partido; ações e meios de campanha não refletidos nas contas; subvenção pública recebida superior ao valor das despesas efetivas; sobreavaliação de receitas da subvenção; e contas apresentadas fora do prazo.
No que respeita ao outro partido atualmente no poder, o PSD, a sua candidatura ao parlamento Europeu apresentava divergências nos saldos; subavaliação das receitas da subvenção; abertura de diversas contas bancárias; e contribuições do partido não refletidas nas contas.
Ao PS, por sua vez, foram discriminadas as seguintes irregularidades: subavaliação das receitas da subvenção; sobreavaliação de despesas; abertura de duas contas bancárias para a campanha; não apresentação da demonstração dos resultados por natureza.

Parlamento aprova reforço dos impedimentos aos políticos

O projeto de lei do Bloco foi aprovado com a abstenção do PSD, CDS e PS e prevê o alargamento do período de nojo dos ex-governantes e titulares de altos cargos públicos. Com esta lei, eles só poderão exercer funções em empresas privadas do ramo que tutelaram ao fim de seis anos, o dobro do período hoje em vigor.
Catarina Martins apresentou o projeto de lei do Bloco
Catarina Martins apresentou o projeto de lei do Bloco
Foi apenas com os votos do Bloco, PCP e Verdes que a lei passou, mas nem a direita nem o PS ousaram impedir o alargamento deste período de nojo para os gestores e governantes que passam para empresas do setor privado com quem negociaram enquanto ocupavam cargos públicos.
Para o Bloco de Esquerda, "a realidade tem demonstrado que estes limites são insuficientes para a transparência da vida democrática e do sistema político".
"Já vimos todos que os três anos são insuficientes", afirmou Catarina Martins no debate desteprojeto de lei, antes de explicar porque é que o Bloco propõe seis anos em vez de dez anos, como já  fez em anteriores iniciativas. "Dez anos foi considerado exagerado, mas todos concordamos que esse período deve ser superior ao do mandato", explicou a deputada bloquista, sublinhando que "o Bloco de Esquerda está interessado em construir e em avançar" em medidas que promovam mais transparência na vida democrática do país.
"É a transparência no exercício das funções que credibiliza a ação política", acrescentou a deputada esta quinta feira no plenário, na véspera da votação. O projeto de lei agora aprovado alarga ainda o regime de impedimentos e de incompatibilidades aos administradores de empresas públicas e e sociedades anónimas de capitais exclusiva ou maioritariamente públicos.

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Vítor Bento, os novos e velhos nacionalistas e a salvação da Pátria com a saída do euro

A sugestão de Vítor Bento para a discussão da saída do euro é simplesmente um favor à medida da senhora Merkel.



opiniao
22 Dezembro, 2011 - 12:37
Por Francisco Louçã

Lead:

A sugestão de Vítor Bento para a discussão da saída do euro é simplesmente um favor à medida da senhora Merkel.



Para surpresa de muitos, o economista Vítor Bento veio recomendar uma discussão sobre a saída do euro: “Não devemos recusar discutir esse assunto como se fosse um dogma religioso” (Público, 19 de Dezembro). Vítor Bento é conselheiro de Estado, nomeado pelo presidente (em substituição de Dias Loureiro), um dos homens poderosos em Belém e na finança portuguesa, e seria o mais insuspeito defensor desta hipótese.



Um frémito de entusiasmo perpassou por isso pelas fileiras nacionalistas. Pois se até em Belém! Se até a finança! Se até Cavaco Silva! O que tem de ser tem muita força! Os nacionalistas sentem chegada a sua hora: de Sua Majestade D. Duarte Nuno aos maoístas e ao novo partido que os imita, soam as trombetas – vamos à rua, que agora é lutar pelo essencial, salvar a Pátria, sair do euro e da União Europeia, ressuscitar o escudo, reconstruir a economia, convocar os bons espíritos.



“Devemos ter disponibilidade para discutir todos os cenários”, acrescenta, ponderadamente, o conselheiro de Estado. Discutamos, pois.



Mas discutamos com ideias e entre ideias: uma questão essencial não pode ser tratada como jogos florais. Pois, perguntado pelos efeitos deste “cenário”, Vítor Bento logo acrescenta, impávido: “haverá uma queda do valor dos salários e das poupanças entre 30 e 50%. Ou seja, teríamos um grande e imediato empobrecimento”. E, conclui, “A situação será caótica”.



Fica assim evidente o que significa esta sugestão do conselheiro: ele quer simplesmente demonstrar que não há nenhuma alternativa à dívida. Só o caos. Ele quer aterrorizar a sociedade, com a ajuda de quem afirma que não existe outra saída senão o escudo, ou seja, outra forma de austeridade e de empobrecimento. Bento espera que, se a única alternativa ao empobrecimento é o empobrecimento, as pessoas escolham empobrecer e ainda agradeçam.



Nesta crónica, em que repito muito do que escrevi há pouco noutro texto, respondo a Vítor Bento com dois argumentos. O primeiro é que a saída do euro deve ser recusada agora, porque é a pior das soluções, e a pior das soluções só pode ser aceite quando não há mais nenhuma.



O segundo é que há alternativas tanto à austeridade da troika quanto à austeridade dos nacionalistas com o seu novo escudo.



Para ficar claro, o que critico é o nacionalismo, envergonhado ou agressivo, que anuncia um milagre com a saída do euro. Não discuto aqui os estudos de economistas que, com consistência, têm procurado alternativas à crise da dívida, como as apresentadas pelos relatórios de Costas Lapavistsas e os seus colaboradores, que comentarei noutra ocasião. Pelo contrário, o que escrevo de seguida converge com muito do que afirmam nesses estudos, nomeadamente sobre os riscos concretos da situação de transição com uma nova moeda.



Uma sexta-feira à noite

Suponhamos que o governo decidiu sair do euro e ressuscitar o escudo. Mandou por isso imprimir em segredo as notas de escudo e prepara-se para anunciar a novidade, numa sexta à noite, à hora do telejornal, quando os bancos já estão fechados (ou decreta um feriado bancário durante vários dias). Nesse fim-de-semana, todos os bancos fazem horas extraordinárias para distribuir as notas por todos os multibancos, para que a nova moeda possa entrar imediatamente em circulação.



O que vai acontecer é que toda a gente vai descobrir que se prepara a nova moeda. Esta operação de lançamento do escudo envolve milhares de pessoas, que transportam e distribuem as notas, e eles vão contar às suas famílias. E, de qualquer modo, toda a gente assistiu nas semanas anteriores a declarações dos ministros a explicar que isto vai muito mal e precisamos de decisões muito corajosas para salvar a Pátria em perigo. Em resumo, toda a gente percebeu o que vai acontecer.



O que farão então as pessoas? Não é preciso adivinhar: vão a correr aos bancos levantar todas as suas contas e guardar as notas de euros. Se não o fizerem, todas as suas poupanças vão ser transformadas em escudos, a um valor nominal que cairá com a forte desvalorização que, afinal, é o objectivo desta operação. Os trabalhadores que depositaram salários e poupanças vão ser as primeiras vítimas da nova política. E por isso vão tentar salvar o que puderem.



Ora, os bancos não querem nem podem pagar aos clientes todos os seus depósitos, simplesmente não têm o dinheiro para isso – nem há notas suficientes para cobrir toda a massa monetária líquida que existe em Portugal (a massa monetária é a soma das notas e moedas em circulação com os depósitos nos bancos, e os bancos não guardam todo esse dinheiro, porque emprestam grande parte dele). Os bancos vão por isso fechar as portas quando se generalizar o alarme, e o governo vai chamar o exército para guardar os edifícios. Foi assim na Argentina ou na Rússia, foi assim em todos os casos em que se anunciaram grandes desvalorizações (e nem se tratava de sair de uma moeda e criar outra, o que nunca aconteceu na história da União Europeia).



Os nacionalistas, que propuseram a saída do euro, começam agora a ter a primeira dificuldade. É que vão defender o exército e os bancos contra a população. E vão ter de fazer a sua primeira vítima, os depositantes nos bancos. A conta é fácil: se a desvalorização for de 50%, as poupanças e depósitos vão perder metade do seu valor.



O milagre das exportações

Passou assim o primeiro choque. Mas vem aí mais, e pior. O escudo desvalorizou-se então 50% em relação ao euro. O governo aposta nessa desvalorização para recuperar a economia e espera que o efeito benéfico seja o seguinte: as exportações aumentam porque se tornam mais baratas em euros e dólares, enquanto as importações diminuem porque se tornam mais caras em escudos. Assim, haverá uma deslocação de capital para as indústrias e serviços exportadores e uma redução do consumo e das importações. Tudo isto melhora substancialmente a balança de pagamentos. A regra é esta: se a vida melhorar para Américo Amorim, o dono da maior multinacional industrial portuguesa, ou para outras empresas exportadoras, melhorará também para toda a economia.



Parece conveniente, mas é um problema. É que, com a desvalorização, o preço dos produtos importados aumenta no mesmo dia. O combustível passou a custar uma vez e meia o seu preço anterior (e todo o sistema de transportes também), e o mesmo acontece com os alimentos importados ou com os medicamentos, entre tantos bens de primeira necessidade.



Como dois terços do rendimento dos portugueses é para o consumo corrente, imagina-se o efeito imediato destes aumentos de preços no salário.



Quanto às exportações, sim, vão aumentar, desde que os compradores no estrangeiro queiram comprar mais em função da redução do preço (e desde que não haja recessão no estrangeiro, e que os produtos portugueses correspondam a mercados com procura crescente, e que as suas características acompanhem as exigências dos consumidores estrangeiros, etc.). Talvez aumentem. Se aumentarem, será em todo o caso devagar: as receitas das vendas só entram quando se fizerem as vendas, e é preciso esperar o tempo da produção – e é preciso ter dinheiro para investir. Depois, o que Portugal exporta inclui o custo da matéria-prima e outros produtos que são importados, que são mais de metade do valor das exportações, e que ficaram mais caros. Por isso, as receitas das exportações aumentam pouco, devagar e mais tarde.



A dívida dos bancos duplica a dívida pública

Chega depois o segundo choque. Metade das famílias portuguesas tem uma longa dívida ao banco, que lhe emprestou dinheiro para comprar a casa. Emprestou em euros e deve em euros aos bancos estrangeiros, mas vai receber em escudos dos devedores em Portugal.



O banco perdeu assim metade do valor dos seus créditos. O banco vai por isso à falência. É por isso que os defensores da saída do euro explicam, honestamente, que será necessário nacionalizar todos os bancos, não tanto para socializar o capital financeiro, mas antes para o salvar. E salvar um banco pode custar muito caro, como já sabemos pelo caso BPN. Porque, quando se nacionaliza um banco, fica-se com as suas dívidas, que são dívidas a quem nele depositou e dívidas a quem lhe emprestou dinheiro, normalmente a banca estrangeira. Salvar os bancos tem um custo, e não é pequeno: a dívida pública portuguesa duplica imediatamente com as dívidas dos bancos, que antes eram privadas e passam a ser públicas porque foram nacionalizadas.



Chegados aqui, já sabemos o que se vai passar: os nacionalistas vão propor um aumento de impostos para pagar as dívidas da banca ao estrangeiro, isto é, para financiar a banca internacional.



Mais impostos



Voltemos agora aos problemas que os nacionalistas estão a viver no apoio ao governo que decidiu a saída do euro. Já têm contra si quem vai pagar mais impostos, viu multiplicar as suas dívidas, paga mais pelos alimentos, transportes e medicamentos, ou perdeu parte das suas poupanças e depósitos. Com tudo isto, os trabalhadores depressa perceberão que perderam parte do seu salário (ou da sua pensão), e que o esforço orçamental não diminuiu (pelo contrário, agravou-se, pois a dívida vai ser paga em euros mas os impostos são recebidos pelo Estado em escudos, e são precisos cada vez mais escudos por cada euro), e a saúde e a educação têm novos cortes.



Por outras palavras, os nacionalistas que defendem a saída do euro meteram-se numa alhada. Os que diziam que queriam impedir a austeridade, acabam a propor um sistema de mais austeridade, toda orientada para o benefício de um sector social, a indústria exportadora, e promovem a queda dos salários e das pensões. Não resolveram nenhum problema e criaram novas dificuldades. E perdem o respeito dos trabalhadores, que estão a ser prejudicados.



Combater para vencer a austeridade e o empobrecimento

A política socialista tem um critério que é o da defesa da classe trabalhadora. Essa política é a que defende o salário e se bate por ele, e não a que sacrifica o salário. A solução autoritária de saída do euro é uma proposta de mais austeridade. Não há por isso nenhuma razão para a defender como alternativa para defender o salário. A saída do euro é uma solução que só pode ser aplicada quando não exista nenhuma outra, quando se esgotarem todas as alternativas, quando a sobrevivência o exigir.



E, como a saída do euro nunca virá da vontade de um governo de bloco central, mas só poderá resultar, nas presentes circunstâncias políticas, de um diktat da Alemanha, temos todas as razões para contrariar a ameaça que representa. Só a senhora Merkel, na sua prepotência, pode concretizar o sonho dos nacionalistas. A sugestão de Vítor Bento para a discussão da saída do euro é simplesmente um favor à medida da senhora Merkel.



Enfrentemo-la. Se a saída do euro é um milagre de fantasia e só pode garantir degradação dos salários e pensões, a austeridade que temos realmente é a outra, a da troika. E, essa austeridade, a que Vítor Bento quer promover e defender, é a que temos de vencer.



É contra ela que a esquerda se deve juntar. A esquerda, contra os nacionalistas. A esquerda mesmo, a que faz a auditoria à dívida, porque não aceita que o povo pague o que não deve. A que exige a ruptura com a troika, e considera que ela estabelece uma dívida ilegítima. A que sabe que sem soberania não há democracia, e que é democracia que é precisa para impedir a alteração das leis laborais, a facilitação dos despedimentos, o aumento das taxas moderadoras ou a destruição da segurança social. A esquerda que mobilizou para a greve geral e que sabe que em 2012 será necessário um novo fôlego para mais protesto e acção social, dos contribuintes, dos reformados, dos desempregados, dos precários, dos trabalhadores, dos defensores do Serviço Nacional de Saúde, dos utilizadores dos transportes públicos, de todas e de todos os que sofrem a austeridade.



A única alternativa é a luta geral. Ao caos de Vítor Bento, a esquerda opõe a democracia da defesa do salário e das pensões. A luta social pela maioria.



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Francisco Louçã

Deputado, dirigente do Bloco de Esquerda, professor universitário..



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Parlamento aprova reforço dos impedimentos aos políticos

O projeto de lei do Bloco foi aprovado com a abstenção do PSD, CDS e PS e prevê o alargamento do período de nojo dos ex-governantes e titulares de altos cargos públicos. Com esta lei, eles só poderão exercer funções em empresas privadas do ramo que tutelaram ao fim de seis anos, o dobro do período hoje em vigor.

Artigo
22 Dezembro, 2011 - 17:38



Catarina Martins apresentou o projeto de lei do Bloco Foi apenas com os votos do Bloco, PCP e Verdes que a lei passou, mas nem a direita nem o PS ousaram impedir o alargamento deste período de nojo para os gestores e governantes que passam para empresas do setor privado com quem negociaram enquanto ocupavam cargos públicos.



Para o Bloco de Esquerda, "a realidade tem demonstrado que estes limites são insuficientes para a transparência da vida democrática e do sistema político".



"Já vimos todos que os três anos são insuficientes", afirmou Catarina Martins no debate deste projeto de lei, antes de explicar porque é que o Bloco propõe seis anos em vez de dez anos, como já fez em anteriores iniciativas. "Dez anos foi considerado exagerado, mas todos concordamos que esse período deve ser superior ao do mandato", explicou a deputada bloquista, sublinhando que "o Bloco de Esquerda está interessado em construir e em avançar" em medidas que promovam mais transparência na vida democrática do país.



"É a transparência no exercício das funções que credibiliza a ação política", acrescentou a deputada esta quinta feira no plenário, na véspera da votação. O projeto de lei agora aprovado alarga ainda o regime de impedimentos e de incompatibilidades aos administradores de empresas públicas e e sociedades anónimas de capitais exclusiva ou maioritariamente públicos.



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Venda da EDP à China é "inaceitável", diz Bloco

O negócio da venda de 21,35% do capital da EDP a uma empresa de capitais públicos chineses significa que o Governo desistiu de ter papel num sector tão estratégico como é a energia", defendeu a deputada bloquista Mariana Aiveca.

Artigo
22 Dezembro, 2011 - 18:58



Mariana Aiveca lamenta que esteja "tudo à venda em Portugal" Para o Bloco de Esquerda, com este negócio "cai como um baralho de cartas o argumentário do Governo segundo o qual era uma imposição de Bruxelas o país não poder ter participação pública" na EDP.



"Ficamos agora a saber que é exatamente uma empresa chinesa, de capitais públicos, que vai ter interferência num sector estratégico como o da energia. Estamos perante uma posição incompreensível e inaceitável, ainda mais grave porque se trata de uma empresa chinesa, de um país em que o regime ditatorial é efetivamente uma realidade", sublinhou Mariana Aiveca em declarações à agência Lusa.



Para o Bloco, é "incompreensível" e "inaceitável" que o Governo tenha vendido parte do capital da EDP à Three Gorges Corporation e Mariana Aiveca lamentou ainda que se encontre "tudo à venda em Portugal". "No caso concreto da EDP, isto significa que o Governo desistiu de ter papel num sector tão estratégico como é a energia", declarou a dirigente do Bloco de Esquerda.



Em comunicado ao regulador do mercado, a Parpública, empresa gestora de participações públicas, anunciou que “a referida alienação será efetuada pelo preço global de 2,69 mil milhões de euros, incorporando um prémio de 53,6 por cento em relação ao preço de mercado no dia 21 de dezembro”, quando a EDP fechou a valer 2,246 euros por acção.



O governo preteriu as candidaturas do grupo alemão E.ON e das empresas brasileiras Eletrobras e Cemig. Os chineses da Three Gorges prometem construir uma fábrica de aerogeradores, asseguram um financiamento de dois mil milhões ao seu projecto e outro no mesmo valor mas ainda sem garantias, e mantêm António Mexia na presidência da empresa.



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As fronteiras do país são serventia da casa

Um primeiro-ministro que aconselha os cidadãos do seu país a emigrar reconhece, de forma bastante explícita, que não faz ideia de como governar o país.



opiniao
22 Dezembro, 2011 - 01:28
Por Ana Drago

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Um primeiro-ministro que aconselha os cidadãos do seu país a emigrar reconhece, de forma bastante explícita, que não faz ideia de como governar o país.



Quando, há cerca de dois meses, um secretário de Estado da Juventude aconselhou os jovens a fazerem-se à vida e a deixarem a “zona de conforto” dos falsos recibos verdes, dos empregos precários e mal pagos, procurando um lugar lá fora - ainda houve quem pensasse que tinha sido um momento mais descontraído de um governante pouco habituado à exposição pública. Enganámo-nos. Ficámos agora a saber, pela voz do próprio primeiro-ministro, o quão enganados estávamos.



O bilhete só de ida para todos quantos precisem de uma nova oportunidade é afinal a doutrina oficial do governo. Primeiro foram os jovens, agora os professores. Não sabemos uem estará a salvo. Não sabemos de quem é que se irá lembrar o governo no futuro, quem sabe se os médicos ou engenheiros, mas percebemos o que quer dizer: este país não é para jovens, este país não é para jovens qualificados e ambiciosos.



Dizem, PSD e CDS, que as palavras do primeiro-ministro foram descontextualizadas. Têm toda a razão. É que o próprio primeiro-ministro que agora diz que é preciso diminuir o número de professores nas escolas portuguesas é o mesmo primeiro-ministro que lidera o governo que decidiu aumentar o número de alunos nas turmas do ensino básico, e que pôs ponto final no ensino experimental de ciências nos 2.º e 3.º ciclo. E é daqui, destas medidas, que vai resultar uma desemprego docente massivo, que afasta da escola pública a renovação geracional do corpo docente, e que vai prejudicar a qualidade da escola pública. Mesmo para a mistificação dos números e a desresponsabilização política há limites.



A mensagem de Passos Coelho é simples: as fronteiras do país são serventia da casa. Simples, mas esclarecedora sobre a confiança que o próprio Governo tem sobre a eficácia das medidas recessivas que tem vindo a coleccionar. Não vai haver quaisquer oportunidades para os jovens qualificados deste país com a política social e económica que o Governo tem vindo a colocar em prática.



O problema não é a emigração, que é uma opção individual, e que tem um longo historial no nosso país. Histórias de gerações de portugueses ao longo do século XX, gente sofrida que, com pouco ou nada mais do que a roupa que tinha no corpo, se fez à vida e foi à procura das oportunidades que aqui não encontrava. É uma história de fuga da pobreza e da estreiteza do Portugal antes de Abril, mas também de coragem e determinação. Temos orgulho disso. Hoje, Portugal é essa experiência, essa memória e coragem. Como orgulho temos de todos quantos nas últimas décadas aproveitaram a qualificação proporcionada pela escola pública criada pela democracia, e que pelo mérito encontraram lugar nas principais faculdades e centros de investigação um pouco por todo o mundo.



Mas as palavras do primeiro-ministro são outra história. O que esperar de um Governo que, confrontado com a crise social e as dificuldades económicas, se dirige precisamente aos jovens e aos quadros mais qualificados e lhes diz para desistirem do país?



Um primeiro-ministro que aconselha os cidadãos do seu país a emigrar reconhece, de forma bastante explícita, que não faz ideia de como governar o país.



O apelo à emigração, encarado como uma forma de resolver os problemas económicos do país, é especialmente gravoso quando efectuado pelo primeiro-ministro. De um governante espera-se responsabilidade e que aponte caminhos e soluções para os problemas encontrados, não que se comporte como os irresponsáveis que puxam o sinal de alarme no comboio sem se preocupar com o pânico social gerado pela sua atitude.



O que se espera de um primeiro-ministro, perante os números que indicam que, ao contrário do que vinha acontecendo até aqui, o desemprego está a aumentar mais significativamente entre os jovens licenciados, é que lute, apresente alternativas apara que o país possa contar com a geração mais qualificada da história portuguesa. Em vez de perceber que essa geração – jovens licenciados, jovens professores contratados, bolseiros investigadores – é imprescindível para fazer um futuro maior que a crise - não: indica a porta de saída e deseja-lhes boa sorte.



Percebemos agora melhor por que razão o PSD fez da crítica demagógica sobre as Novas Oportunidades um dos eixos da sua campanha. Não há “mega encenação” que esconda o “facilitismo” de um Governo que não tem uma palavra a dizer sobre a requalificação, ou sobre a reconversão profissional dos cidadãos. Para todos os desempregados, ou para quem quer que seja que procure uma nova oportunidade, PSD e CDS apenas têm a dizer que peguem na trouxa e vão à procura de lugar para lá das nossas fronteiras.



Na última mensagem que colocou na sua conta do Facebook, Passos Coelho afirmava, a propósito das mensagens que recebe nessa rede social, que “Felizmente tenho descoberto também nesta plataforma que muitos são os Portugueses que acreditam. Homens e mulheres inspiradores que não baixam os braços”.



Uma mensagem de suposto optimismo que contrasta com os constantes apelos para o desânimo colectivo que vêm sendo agitados, à vez, pelos membros do Governo. Há homens e mulheres que não baixam os braços, mas entre estes não está certamente Pedro Passos Coelho.





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Declaração política na Assembleia da República a 21 de dezembro de 2011



Sobre o autor »



Ana Drago

Deputada, dirigente do Bloco de Esquerda, socióloga.

Socióloga. Membro da comissão política do Bloco de Esquerda. Deputada na legislatura de 2002-2005, no regime de rotatividade, eleita em 2005 e reeleita em 2009. Eleita pelo circulo de Lisboa. Deputada do Bloco na Comissão de Educação e Ciência.

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terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Ministro das Finanças desmente Passos Coelho e Paulo Portas

Vítor Gaspar foi ao Parlamento esta terça dizer que o corte nos subsídios de férias e Natal dos funcionários públicos foi uma opção do governo e não uma imposição da troika, contrariando o discurso que vinha sendo reiteradamente assumido por Passos Coelho e Paulo Portas.
Ministro das finanças desmente Passos Coelho e Paulo Portas
Foto de José Goulão/Lusa
Na audição desta terça na Assembleia da República, em que apresentou a revisão do Memorando de Entendimento assinado com a Comissão Europeia, FMI e Banco Central Europeu, o ministro das Finanças desmentiu e desautorizou Passos Coelho e Paulo Portas a propósito do corte nos subsídios de férias e Natal dos funcionários públicos.
“A opção por esta medida foi uma opção do Governo, por imperativo de tomar medidas reais e efectivas de forma atempada para procurar responder ao que nos parecia, já nessa altura, uma dificuldade na execução orçamental de 2011", afirmou hoje Vítor Gaspar.
Esta declaração contradiz, frontalmente, o que tem vindo a ser o discurso do Governo sobre esta medida. Na passada quinta-feira, em entrevista à RTP 1, Paulo Portas anunciou que “foi necessário recorrer à sobretaxa sobre o subsídio de Natal deste ano para que o país desse um sinal claro de que pretende emendar as suas contas públicas e só nessa circunstância é que o triunvirato aceitou a receita extraordinária dos fundos de pensões".
Também o primeiro-ministro, na entrevista que concedeu ao Correio da Manhã, associou a diminuição do rendimento dos funcionários públicos a uma imposição da troika: "Se não tivéssemos feito isso nem sequer nos tinham deixado utilizar os fundos de pensões para pagar o défice", respondeu Passos Coelho, quando confrontado com a justificação desta medida de austeridade do Governo.
Confrontado pelo deputado do Bloco de Esquerda João Semedo, sobre a aplicação de novas medidas de austeridade, uma possibilidade deixada em aberto pelo primeiro-ministro, Vítor Gaspar diz que não vê necessidade de novas medidas recessivas em 2012: “Neste momento, os cálculos de que dispomos sugerem que não há qualquer necessidade de medidas adicionais de austeridade”.
Escassos dias depois da aprovação do Orçamento de Estado, e ainda antes da sua entrada em vigor, o ministro das Finanças anunciou hoje que irá apresentar um orçamento retificativo para 2012, justificando mais uma retificação orçamental com a transferência do fundo de pensões dos bancários.

Governo reduz indemnização em caso de despedimento

O Governo pretende reduzir ainda mais as indemnizações em caso de despedimento, passando a garantir apenas 8 a 12 dias por cada ano de trabalho. A intenção agora anunciada pelo Governo vai mais longe e chega mais cedo do que o acordado com a troika.
Governo reduz indemnização em caso de despedimento
Na segunda revisão do Memorando de Entendimento, hoje apresentada pelo ministro das Finanças na Assembleia da República, o Governo assume a intenção de limitar ainda mais as indemnizações por despedimento. A partir de 2012, cada ano de trabalho passará a contar apenas entre 8 a 12 dias em caso de despedimento. A medida vai abranger todos os novos contratos, mas poderá vir a ser aplicada aos mais antigos.
No documento originalmente assinado com a troika, ficou acordado que o Governo apresentaria uma proposta até Março de 2012 que alinhasse as indemnizações com a média em vigor na União Europeia. O documento agora apresentado é muito mais preciso na formulação e vai bastante para lá dos 20 dias por cada ano de trablho que faziam
Em declarações ao Diário de Notícias, o secretário-geral da UGT desmente os números avançados pelo Governo para calcular a compensação média em vigor na União Europeia. João Proença chama a atenção para o facto de que “não se podem fazer as contas de forma simplista”, lembrando que “há países em que há longos períodos de pré-aviso. Como na Bélgica, onde é de 17 meses – e isso dá uma indemnização muito superior”.
A indemnização em caso de despedimento é uma das áreas da legislação laboral que está a ser flexibilidade com base nos princípios acordados com o FMI, Comissão Europeia e Banco Central Europeu. Despedimentos mais fáceis e menores encargos com o subsídio de desemprego, bem como a diminuição do salário, através do aumento do número de dias de trabalho e da carga horária semanal, são outras das medidas que o Governo já apresentou.

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Bloco defende "alerta máximo" contra redução das pensões

Francisco Louçã reagiu à intenção de Passos Coelho de privatizar a Segurança Social. E deu o exemplo de quem descontou 300 euros durante 40 anos para um fundo garantido com ações do maior banco privado português: em vez dos 1200 euros prometidos, estaria hoje na miséria com uma pensão de 20 euros mensais.
Foto Paulete Matos.

O coordenador bloquista fez a simulação dum caso para se perceber os efeitos da privatização da Segurança Social que Passos Coelho defendeu em entrevista publicada este domingo no Correio da Manhã, com o plafonamento e a entrega dos descontos aos fundos que jogam na bolsa com esse dinheiro. O exemplo dado, se o modelo já estivesse em vigor, é o de alguém que descontou 300 euros por mês durante 40 anos, o que daria 1200 euros de pensão por mês em 2000. "Se esses descontos estivessem garantidos por ações do BCP, essa pessoa iria ganhar hoje 20 euros por mês", perdendo a quase totalidade dos descontos feitos ao longo de uma vida de trabalho.

"Só um sistema público garante a sustentabilidade e a consistência do sistema de pensões  e se há coisa que devia estar na Constituição é a garantia que o dinheiro dos descontos é devolvido aos trabalhadores para a sua reforma", defendeu Louçã numa conferência de imprensa em que voltou a mostrar aos jornalistas alguns quadros da proposta que o Bloco apresentou em julho de 2006 para mostrar os efeitos da reforma da Segurança Social do Governo de José Sócrates. "O seu a seu dono. Foi o anterior Governo que começou o caminho da redução das pensões no futuro", com a introdução do fator de sustentabilidade e o aumento da idade da reforma, lembrou o deputado do Bloco.
No quadro-resumo apresentado aos jornalistas, o Bloco previa em 2006 que em 40 anos haveria uma diminuição de cerca de 40% no valor das pensões, com Louçã a recordar que "hoje o primeiro-ministro já vem dizer que a redução será de 50%". Por isso, o Bloco de Esquerda defende que há razões de sobra para que o país esteja "em alerta máximo" contra quem quer reduzir a metade as pensões futuras, ainda por cima numa altura em que "a recessão aumenta as dificuldades da Segurança Social", com menos pessoas a descontar, por causa do desemprego e também da emigração que Passos Coelho voltou a promover na mesma entrevista ao Correio da Manhã, desta vez dirigindo-se aos professores desempregados.
O Bloco insiste nas suas propostas para garantir a sustentabilidade e a universalidade da Segurança Social Pública, para evitar um sistema em que os pobres recebam pensões públicas de miséria e os ricos sejam protegidos pelo sistema privado. Na base desta proposta está a ideia de que todos os rendimentos contribuam para a Segurança Social, com a introdução duma taxa de 3% sobre o Valor Acescentado das empresas e também a progressividade com escalões nos descontos, com os maiores salários a pagarem um contributo de solidariedade entre 1% a 5%.

Comunicado do Bloco de Esquerda sobre a Escola EB2,3 de Minde

Consulte no link abaixo:

Requerimento ao Secretário de Estado do Ambiente

Bloco requereu a vinda do Secretário de Estado do Ambiente

à AR para esclarecer funcionamento da ETAR de Alcanena

O deficiente funcionamento da Estação de Tratamento de Águas Residuais (ETAR) de Alcanena, com mais de 20 anos, tem sido extremamente penalizador para a qualidade de vida e saúde pública das populações deste concelho, além de ser responsável pela poluição de recursos hídricos e solos.

Esta ETAR, destinada a tratar os efluentes da indústria de curtumes, foi desde a sua origem mal concebida, a começar por se situar em leito de cheia. Desde então os problemas são conhecidos e persistem: maus cheiros intensos; incumprimento regular dos valores-limite estabelecidos para o azoto e CQO das descargas de efluente tratado em meio hídrico; célula de lamas não estabilizadas, com deficiente selagem e drenagem de lixiviados e biogás; redes de saneamento corroídas, com fugas de efluentes não tratados para o ambiente; saturação da ETAR devido a escoamento das águas pluviais ser feita nas redes de saneamento.

Desde há muito que estes problemas são conhecidos e nada justifica, ainda mais com todo o avanço tecnológico existente ao nível do funcionamento das ETAR, que se chegue ao final de 2010 com esta situação. E pior se compreende quando é o próprio Ministério do Ambiente a constatar que gastou ao longo dos anos cerca de 50 milhões de euros para tentar responder a estes problemas.

Em Junho de 2009 foi assinado um protocolo para a reabilitação do sistema de tratamento de águas residuais de Alcanena pela ARH Tejo, o INAG, a Câmara Municipal e a AUSTRA (gestora da ETAR), com investimentos na ordem dos 21 milhões de euros de comparticipação comunitária.

Este protocolo inclui cinco projectos, os mais importantes dos quais com prazo final apenas em 2013, o que significa arrastar os principais problemas identificados até esta data. Como os prazos de início dos estudos destes projectos já sofreram uma derrapagem, dúvidas se colocam sobre o cumprimento dos prazos estabelecidos, ainda mais quando não há certezas sobre a disponibilização de verbas nacionais para co-financiar os projectos, tendo em conta o contexto de contenção actual.

Considerando a gravidade dos problemas causados pela ETAR de Alcanena para as populações e o ambiente, o deputado José Gusmão e a deputada Rita Calvário do Bloco de Esquerda solicitam uma audiência com o Secretário de Estado do Ambiente, com a finalidade de obter esclarecimentos sobre os investimentos previstos para a reabilitação do sistema de tratamento, as soluções escolhidas, o cumprimento de prazos, e as garantias que os mesmos oferecem para resolver o passivo ambiental existente, os focos de contaminação dos recursos hídricos e solo, os maus cheiros e qualidade do ar respirado pelas populações deste concelho. Seria de todo útil que o presidente ou representantes da ARH-Tejo estivessem presentes nesta audiência.

Lisboa, 17 de Dezembro de 2010.

A Deputada O Deputado

Rita Calvário José Gusmão

Direito a não respirar “podre” – SIM ou NÃO?





No passado domingo, dia 12 de Dezembro, no Auditório Municipal de Alcanena, realizou-se uma conferência, dinamizada pelo Bloco de Esquerda, sobre a poluição em Alcanena.
Esta sessão reuniu um grupo de ‘preocupados’, que primeiramente ouviram as exposições de especialistas sobre o assunto e, no final, trocaram experiências e pontos de vista, baseados na própria vivência, bem como em conhecimentos técnicos e científicos.
Ficou bem patente que se trata de um grave problema de há muito sentido, mas também desvalorizado, do qual até ao momento não se conhecem as verdadeiras implicações para a saúde pública, mas que transtorna a vida de todos os que vivem e trabalham no concelho, tornando desagradável e doentio o seu dia a dia.
Ficou também claro que o Bloco de Esquerda, aliado desta causa, não abandonará a luta, que será levada até onde os direitos das pessoas o exigirem.

Comunicado de Imprensa

Leia em baixo o Comunicado de Imprensa de 3 de Dezembro do Bloco de Esquerda em Alcanena.

Clique aqui para ler

Reclamamos o DIREITO A RESPIRAR

Bloco de Esquerda continua na senda de uma solução para o grave problema de poluição ambiental em Alcanena



Na passada sexta-feira, dia doze de Novembro, uma delegação, composta pelo Deputado do Bloco de Esquerda pelo Distrito de Santarém, José Gusmão, e mais dois elementos do Bloco, foi recebida pela administração da Austra, no sentido de esclarecer alguns pontos relativos ao funcionamento da ETAR e à poluição que de há muito tem afectado Alcanena, com acrescida intensidade nos últimos tempos.

O Bloco de Esquerda apresentou já um requerimento ao Ministério do Ambiente, aguardando resposta.

Após a reunião com a administração da Austra, realizou-se na Sede do Bloco em Alcanena uma Conferência de Imprensa para fazer o ponto da situação.

Da auscultação da Austra, ficou claro para o Bloco de Esquerda que a ETAR de Alcanena não reúne as condições minimamente exigíveis, quer do ponto de vista do cumprimento da lei, quer da garantia de índices de qualidade do ar compatíveis com a saúde pública e o bem estar das populações.

A delegação do Bloco de Esquerda obteve do presidente da Austra o compromisso da realização de operações de monitorização da qualidade do ar em Alcanena, a realizar o mais tardar em Janeiro. De qualquer forma, o Bloco de Esquerda envidará esforços para que essa monitorização ocorra de forma imediata.

Embora existam planos para a total requalificação dos sistemas de despoluição, registamos com preocupação a incerteza sobre os financiamentos, quer nacional quer comunitário. O Bloco de Esquerda opor-se-á a que estes investimentos possam ser comprometidos por restrições orçamentais, e exigirá junto do Governo garantias a este respeito.

A participação popular foi e continuará a ser um factor decisivo para o acompanhamento e controlo da efectiva resolução do problema da qualidade do ar em Alcanena.

No âmbito da visita do Deputado do Bloco de Esquerda, José Gusmão, ao Concelho de Alcanena, realizou-se um jantar-convívio no Restaurante Mula Russa em Alcanena, ocasião também aproveitada para dialogar sobre assuntos inerentes ao Concelho. Mais tarde, José Gusmão, conviveu com um grupo de jovens simpatizantes num bar deste concelho.

No sábado, dia treze de Novembro, José Gusmão e outros elementos do Bloco de Esquerda estiveram em Minde, no Mercado Municipal, distribuindo jornais do Bloco, ouvindo e conversando com as pessoas.

Neste mesmo dia, junto ao Intermarché de Alcanena, José Gusmão contactou com as pessoas e entregou jornais do Bloco de Esquerda.

Num almoço realizado em Minde, no Restaurante Vedor, com um grupo de aderentes e simpatizantes do Bloco, houve mais uma vez oportunidade para ouvir opiniões, experiências e expectativas, bem como de exprimir pontos de vista.

O Bloco de Esquerda continuará a luta por um direito que parece ser inerente à própria condição humana, mas que vem sendo negado às pessoas que vivem e trabalham em Alcanena – o direito de respirar ar “respirável” e de não ser posta em causa a sua saúde.


A Coordenadora do Bloco de Esquerda de Alcanena

Poluição em Alcanena: Requerimento à Assembleia da República

Pessoas esclarecidas conhecem o seu direito de respirar ar puro e lutam pela sua reconquista já que alguns até isto usurparam.

O Bloco de Esquerda encetou a luta pela despoluição de Alcanena na legislatura anterior e continuará a manifestar-se e a rebelar-se contra esta desagradável e injusta situação até que no nosso concelho possamos respirar de novo.


Veja aqui Requerimento apresentado pelo BE quanto à questão da poluição em Alcanena

Carta à AUSTRA

Carta entregue pelo grupo de cidadãos "Chega de mau cheiro em Alcanena" ao Presidente da Austra e Presidente da Câmara Municipal de Alcanena

INAUGURAÇÃO DA SEDE DO BLOCO DE ESQUERDA EM ALCANENA

Francisco Louçã inaugurou no passado domingo, dia 31 de Outubro, a Sede do Bloco de Esquerda em Alcanena. Na inauguração esteve também representada a Coordenação Distrital do Partido; estiveram presentes aderentes e convidados. Esta ocasião especial foi uma oportunidade de convívio, acompanhada de um pequeno beberete.
Francisco Louçã falou, como sempre, de forma clara e apelativa, abordando a actual situação crítica do país,apontando as razões, propondo alternativas e caminhos.
Baseando-se no Socialismo Democrático, o Bloco de Esquerda tem sido sempre activo na defesa dos valores da verdadeira Democracia, e propõe-se continuar essa luta. Esta nova Sede é mais um ponto de encontro, de trabalho, de partilha de pontos de vista e de tomada de iniciativas, possibilitando que se ouçam as vozes de todas as pessoas e transmitindo os seus problemas e expectativas.
Trata-se de um pequeno espaço, que representa uma grande vontade de mudança e que espera contar com a presença de todos os que partilhem os ideais de um concelho mais próspero, de uma sociedade mais justa e equilibrada, de um país realmente mais avançado.