quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Carris vai acabar com rede da madrugada


Depois de confrontados com aumentos nas tarifas, os utentes da Carris vão perder as oito linhas de autocarros que circulam toda a noite em Lisboa. E há mais carreiras diurnas em risco de extinção.
Utentes da Carris vão pagar mais, mas a empresa vai cortar carreiras nocturnas e as que se sobreponham ao Metro
Utentes da Carris vão pagar mais, mas a empresa vai cortar carreiras nocturnas e as que se sobreponham ao Metro. Foto Paulete Matos.
A edição online do semanário Sol noticia que a administração da Carris, que o Governo quer fundir com o Metropolitano de Lisboa, pretende acabar com as oito carreiras que servem os habitantes da capital entre as 23h30 e as 5h30. A razão apontada para este corte é o facto de se tratar de um serviço deficitário e com alta taxa de passageiros que não pagam bilhete.
A Rede da Madrugada é actualmente o único serviço de transportes colectivos nocturno a funcionar em Lisboa e o seu fim representa um retrocesso a 1998, ano em que foi criada. E a notícia do seu encerramento surge na altura em que a recessão económica prevista para o próximo ano aconselharia a incentivar o uso do transporte público.
Ainda segundo a edição online do "Sol", a Carris prepara "cortes drásticos" nas carreiras que se sobrepõem ao Metro, por exemplo nas Avenidas da Liberdade e Fontes Pereira de Melo, prevendo inclusive a eliminação de carreiras por inteiro.

Indignados voltam à rua na greve geral


A Plataforma 15 de Outubro anunciou a convocatória duma manifestação em Lisboa para o dia da greve geral. O objectivo é dar força ao protesto de 24 Novembro e a manifestação será preparada em diálogo com as centrais sindicais.
A indignação volta a sair à rua no dia da greve geral.
A indignação volta a sair à rua no dia da greve geral. Foto Paulete Matos
"Esta manifestação pretende tornar cada vez mais robustas as formas de protesto no combate à destruição da Democracia, à regressão social que representa o roubo de direitos de quem vive do seu trabalho e à austeridade brutal que corrói a sociedade portuguesa", diz ocomunicado divulgado pela Plataforma à imprensa.
Segundo a Plataforma, a proposta de manifestação de 24 de Novembro "será levada a cabo em diálogo directo com as centrais e os diferentes sectores sindicais, tendo também em conta a sua convocatória a toda a sociedade civil".
Para a próxima semana, a Plataforma está a convocar um protesto em frente ao parlamento no dia da votação na generalidade do Orçamento de Estado, 3 de Novembro.

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Bruxelas investiga nacionalização do BPN


A Comissão Europeia vai iniciar uma “investigação aprofundada à reestruturação do BPN”, pretendendo saber se, durante o processo de nacionalização e a recente proposta de reprivatização, foram acautelados os direitos dos contribuintes e se o banco “será uma entidade viável após a sua integração no futuro comprador”.
Bruxelas investiga nacionalização do BPN
Foto de Paulete Matos
Salientando que nunca recebeu a informação solicitada ao governo português, quer sobre o processo de nacionalização como da proposta de reprivatização do banco, a Comissão Europeia anunciou hoje que vai iniciar uma “investigação aprofundada à reestruturação do BPN”.
“A Comissão necessita de informações que lhe permitam determinar se o BPN será uma entidade viável após a sua integração no futuro comprador, se o auxílio concedido ao BPN é limitado ao mínimo necessário para realizar a reestruturação, se foram adoptadas medidas suficientes para limitar a distorção da concorrência e se o processo de venda não implica um auxílio para o comprador”, explicita o comunicado da Comissão Europeia.
O BPN foi nacionalizado em 2008 e teve direito a diversas medidas de auxílio por parte do Estado, como a garantia pública à emissão de papel comercial, e reiteradas injecções de capital da Caixa Geral de Depósitos. Depois da nacionalização, tornou-se do conhecimento público uma sucessão de negócios pouco claros, envolvendo Oliveira e Costa e Dias Loureiro, que tornaram o banco insustentável e já custaram mais de 4500 milhões de euros aos contribuintes.
De acordo com Joaquín Almunia, responsável pela política da concorrência da Comissão Europeia, “a investigação aprofundada permitirá que a Comissão recolha todas as informações de que necessita e assegurará que o auxílio concedido ao banco se limita ao mínimo estritamente necessário, no interesse da concorrência leal e dos contribuintes portugueses”.
Depois de duas tentativas fracassadas de privatização do banco, levadas a cabo pelo governo PS, o executivo PSD/CDS lançou um novo processo de venda, tendo chegado a acordo com um grupo de capitais angolanos, liderado por Mira Amaral - ex-ministro dos governos de Cavaco Silva. O reduzido valor da proposta, e as condições leoninas garantidas pelo consórcio comprador, levaram o Bloco de Esquerda a considerar este processo uma "catástrofe" e um "negócio ruinoso" para os cofres do Estado. 

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Louçã diz que fim da acumulação nas pensões vitalícias “já vem tarde”


Destacando a “curiosíssima posição” da maioria de direita, que agora diz pretender eliminar algumas das pensões vitalícias que ajudou a promover e tanto fez para manter, Francisco Louçã diz que esta medida já vem é tarde. Declarações feitas no final de um encontro com a CGTP, marcado com a greve geral na agenda.
Louçã diz que fim da acumulação nas pensões vitalícias “já vem tarde”

No mesmo dia em que PSD e CDS se mostraram disponíveis para eliminar as pensões de ex-políticos que estejam a trabalhar no sector privado, o coordenador da comissão política do Bloco considerou "curiosíssima a atitude do PSD e do CDS” e recordou que foram precisamente estes partidos quem mais resistências colocou a uma proposta que o Bloco sempre defendeu.
"Durante tanto tempo não aceitaram esta proposta do BE, até que, finalmente, se terminou com as subvenções vitalícias, embora alguns tenham ficado do passado, e são muitos e é muito dinheiro”.
Francisco Louçã destacou o facto do Bloco ser o único partido, de todas as forças parlamentares, cujos dirigentes nunca solicitaram o subsídio de reintegração ou a pensão vitalícia. De acordo com a edição de ontem do Diário de Notícias, 400 ex-deputados acumulam esta pensão excepcional com o salário de gestor no sector privado. "Não está lá ninguém do Bloco, nós levamos a sério a nossa responsabilidade e por isso só temos uma palavra. A lei da Segurança Social que é o que se aplica a qualquer cidadão”, referiu o deputado do Bloco de Esquerda.
"O PSD e o CDS não podem é disfarçar uma coisa, aos reformados todos que tem mais de 485 euros estão a tirar dois meses por cada ano do seu rendimento, estão a tornar mais pobres os reformados e por essa responsabilidade vão responder, é para essas pessoas que a justiça tem de ser assegurada e é disso que tanto o PSD como o CDS fogem como o diabo da cruz", rematou.
O coordenador da comissão política do Bloco falava com a imprensa no final de um encontro com o secretário-geral da CGTP, Carvalho da Silva, e onde tanto o Bloco como a central sindical destacaram a importância da mobilização para a greve geral contra a política de austeridade do Governo.
Louçã apelou à participação na greve do próximo mês e dirigiu-se concretamente “a todos os comerciantes que sabem que perder a possibilidade de fazerem o seu negócio pelo facto de o IVA aumentar 10 por cento para o pequeno comércio” e “aos jovens estudantes que vão trabalhar amanhã a 500 ou a 600 euros, em trabalhos a recibo verde sem qualquer oportunidade de utilizarem as suas competências”. 
"Estamos perante, julgo que sem sombra de dúvidas, o maior perigo de retrocesso social e civilizacional que o país vive desde a queda da ditadura, não temos no período da democracia nenhuma situação que se compare a esta", afirmou Carvalho da Silva.

A Grécia é já aqui


O Governo olhou para a Grécia e tirou a pior das lições.
O Presidente da República insurgiu-se contra uma medida sem equidade fiscal que é a dos funcionários públicos ficarem sem subsídio de Natal e de férias. É realmente uma iniquidade. Mas o que não tem sentido é corrigir uma iniquidade com outra: cortar os subsídios a todos os trabalhadores. Citando o próprio Presidente da República: há limites para os sacrifícios. E esse limite foi ultrapassado há muito. Os subsídios de Natal e de férias são parte integrante do salário. Cortá-los, no sector público ou privado, é uma injustiça social e é um erro económico.
Todo este orçamento é um erro. O Governo olhou para a Grécia e tirou a pior das lições. Como se austeridade imposta pela troika não fosse já um ataque à economia e a receita para a recessão, o Governo decidiu ir ainda mais longe. A irresponsabilidade é tanta que o Governo apresenta o orçamento que provoca a maior recessão dos últimos 30 anos e nem sequer se compromete com quaisquer previsões de crescimento para o futuro. Não há nenhuma ideia para o país, nenhuma ideia para o futuro.
O valor orçamentado para educação é o mais baixo da União Europeia em percentagem do PIB. Como é possível atacar assim Educação e vir depois defender que se faça mais e melhor. Como? Erro atrás de erro.
Numa altura em que o investimento privado é nulo, o Governo não só reduz o investimento público a níveis de inexistência como ataca todo o sector produtivo com impostos cegos. O Orçamento do Estado traz-nos, episódio sobre episódio, uma série de terror interminável.
A Vera trabalha oito horas por dia numa pastelaria. Ganha o salário mínimo e tem um filho. Vai pagar mais 20% de luz porque não tem sequer direito a tarifa social; para o Governo vive sem dificuldades, embora não conheça outra coisa no seu dia-a-dia. A patroa já a avisou que não sabe se vai continuar. O IVA aumenta, os clientes não aparecem, a pastelaria parece condenada a ser mais uma porta fechada das muitas que ameaçam fazer parte do desenho das nossas cidades. O presente é impossível e o futuro negro. E pedem-lhe agora que trabalhe mais meia hora por dia; 15 dias por ano de trabalho sem salário. Para quê? Em nome de quê?
O Nuno, polícia, com um salário médio de 800 euros, ouviu o Ministro das Finanças dizer que ele é uma despesa. E como tal tem de ser cortado. Entre subsídios de férias e de Natal, este Orçamento do Estado leva-lhe mais de 2000€. Perde 20% do salário, num ano em que sobem a luz, os transportes, a conta do supermercado. Até nas horas extraordinárias que é obrigado a fazer, o Estado inventou uma nova fórmula para lhe roubar salário. E como o Nuno, o David, enfermeiro, com um salário médio de mil euros e que vai perder 25% do seu salário. Mesmo a Dina, auxiliar de acção educativa, com 485 euros por mês, verá serem-lhe roubados, nos subsídios de refeição, 8% do seu salário já miserável.
E a lista podia continuar indefinidamente, tal é o rol de horrores que nos traz o Orçamento do Estado. O Governo exige todos os sacrifícios em nome de uma fé absurda em que das cinzas se renascerá. Irresponsabilidade.
No dia 15 de Outubro milhares saíram à rua para dizer que assim não. Que reclamam o direito a um presente e a um futuro. Que não podem os 99% continuar a ser as vítimas no festim de 1%. Que uma economia refém de agiotas é o caminho do abismo e tem de ser parada já.
Na semana passada foi marcada uma Greve Geral para dia 24 de Novembro. UGT e CGTP unidas na recusa deste Orçamento do Estado e na exigência de justiça social, desenvolvimento, emprego, porque sabem que terão de ser os trabalhadores e as trabalhadoras a salvar a economia.
Do Governo já nada se espera. Um governo mentiroso e irresponsável, que descredibiliza a democracia e mata a economia. Onde está a “ética na austeridade” quando os sacrifícios impostos caem 90% sobre quem vive do seu trabalho e o capital está praticamente isento de qualquer contributo? Onde está a limpeza à “gordura do Estado” quando a factura da luz aumenta 20% e os contratos que garantem rendas milionárias à EDP, à GALP, à Endesa se mantêm inalterados? Onde está o “visto familiar” quando o passe aumenta 25% e os filhos não contam na hora de se pedir o passe social +?
Mentiras, demagogia. O Governo opta por cortar no Estado, não onde ele desbarata recursos, não nos contratos milionários das PPP, mas sim nos serviços públicos essenciais. Estão em causa os direitos à educação, à saúde e às prestações sociais que todos e todas pagam com os seus impostos e os seus descontos.
Estamos a ser roubados. Nos cortes nos salários, nas pensões, nos serviços públicos, mas também nas privatizações; vender a preço de saldo os CTT, a EDP, a RTP é perder dinheiro e retirar ao Estado a capacidade de intervir nos sectores fundamentais para a economia, desenvolvimento, democracia. É entregar o ouro ao bandido.
A austeridade é recessiva porque é burra. Privatizar ao desbarato é retirar a um país a capacidade de se prover a ele próprio. Atacar os serviços públicos é enjeitar a solidariedade e cavar a desigualdade. Condenar ao desemprego é impedir a produtividade, impedir a criação de riqueza, negar a uma economia, a um povo, o direito ao trabalho. Em nome de um lucro de uns poucos, este Orçamento do Estado mata o país e a economia.
A indignação de um povo é a sua arma de defesa. E a luta pelo trabalho e pelo trabalho com direitos é o caminho do desenvolvimento. Mulheres e homens ao longo dos tempos lutaram e morreram pelo direito ao horário de trabalho, às oito horas de trabalho por dia, pelo direito ao salário. Os direitos dos trabalhadores não são privilégios. São conquistas. E são as conquistas do progresso, do desenvolvimento.
Foi a luta das trabalhadoras e dos trabalhadores que permitiu que as crianças tivessem direito à infância, que todos e todas tivessem acesso à instrução e a cuidados de saúde, que o conhecimento, a ciência e a cultura avançassem, que fosse hoje possível produzir tão mais do que se produzia há 200 anos. E são essas conquistas que estão hoje a ser desbaratadas.
Quando os funcionários públicos se levantam na defesa do seu posto de trabalho e da qualidade dos seus serviços estão a defender a Escola Pública, o Serviço Nacional de Saúde, a proteger as cidades, a assegurar saneamento básico, transportes, correio. Quando todos os trabalhadores, no sector público e privado, se levantam, defende-se o país e a economia.
A alternativa existe e exige determinação, coragem e criatividade. Determinação para renegociar a dívida. Coragem para enfrentar os verdadeiros privilégios. Criatividade para promover investimento, acesso ao crédito, criação de emprego.
Dia 24 de Novembro, em nome da democracia, da solidariedade, da responsabilidade e da justiça social, em nome da economia e do emprego, em nome do futuro, o país pára em Greve Geral. Que esta Greve seja a sinal que o Governo precisa para inverter o rumo do desastre. Antes que seja tarde demais. A Grécia é já aqui.

Outubro é mês de Primavera


O presente mês veio pôr termo à pax austeritária. A manifestação da CGTP, o sucesso do 15 de Outubro e o anúncio de Greve Geral conjunta, demonstraram que existe um amplo bloco social anti-troika que despertou.
Em contra-ciclo com as leis da natureza o mês de Outubro ficará como marco do desvanecer do povo português. O sufoco que prendia o país parece finalmente ceder.
Vamos por partes. O cenário pós-eleitoral, a derrota da esquerda, a ressonância gritante da inevitabilidade da austeridade, a santidade do acordo da troika e o fortíssimo aparelho de propaganda mantiveram durante largos meses as forças políticas e sociais alter-austeritáritas em standby.
Quem ousou durante esses tempos traçar alternativas à política da troika era atestado de lunático ou submetido ao exílio mediático. Falar de renegociação ou auditoria à dívida tornou-se sinónimo de fechar as portas ao país e de o mudar imediatamente de continente – querem que aconteça a mesma coisa que na Argentina (!) gritavam os especialistas. Nunca a ditadura sobre o pensamento fora tão clara e o medo uma arma tão eficaz.
Cavalgando a onda, a direita – com a conivência do PS - apressou-se a mostrar serviço e pôs em prática o seu verdadeiro ideário político. O empobrecimento geral do país com a promessa de uma aparente prosperidade sebastianista numa manhã em dois mil e qualquer coisa mais tarde. E um brutal ajustamento de contas com o Estado Social e as formas mais amplas de democracia que em Portugal ainda subsistem.
Ficou claro que as garantias eleitorais tinham expirado após a contagem dos votos, as afamadas artimanhas das “gorduras do estado” eram na verdade os salários, impostos, trabalho, serviços públicos e qualidade de vida dos trabalhadores.
Grande parte do agressivo plano do governo que até agora conhecemos decorreu durante o solstício do denominado “estado de graça”. A agitação e a mobilização resguardava-se e grande parte da sociedade acatava-se entre o pavor e o horror da aparente cura.
O presente mês veio pôr termo a essa pax austeritária. A manifestação da CGTP, o sucesso do 15 de Outubro a níveis inesperados à escala nacional e internacional, a sua promessa de continuidade de luta contra o situacionismo podre e o anúncio de Greve Geral conjunta, demonstraram que existe um amplo bloco social anti-troika que despertou e demonstrou vontade e energia para a resistência social.
A importância destes acontecimentos e desta ruptura comportamental de uma alargada fasquia da sociedade portuguesa podem ser medidos a duas escalas. No imediato e no futuro. A primeira, porque abriu brechas fortes no discurso dominante, disputou a opinião pública, preencheu o espaço público, cimentou a esperança de uma alternativa, reanimou as forças mais progressistas e democráticas e requalificou o crédito da rua. A segunda, porque colocou definitivamente em jogo o outro lado da barricada e lançou pedras para um realinhamento das forças e poderes sociais que se podem reflectir em mutações institucionais vindouras.
O grande desafio que adiante todos intervenientes têm é de se congregarem unitariamente, de se colocar um fim ao divórcio entre os vários grupos, dos formais aos mais informais, que representam a resistência democrática à destruição da democracia social, política, cultural e económica. Só um movimento amplo, democrático, popular, descomplexado e unitário poderá na rua resgatar todas as vítimas da tempestade de austeridade.

Economia ao fundo


O governo não tem solução para a saída da crise. Não há economia que cresça nem ideia para a competitividade que se salve com as políticas que estão anunciadas.
O Ministro da Economia proclamou: “Não se pode pôr a economia a crescer por decreto”. Pois não, mas pode-se acabar com ela através de uma Lei, neste caso a Lei do Orçamento de Estado para 2012, que passa ao largo da economia, ignora a necessidade de investimento e promove a recessão, que, pelo certo, só traz desemprego.
O governo não tem solução para a saída da crise. Não há economia que cresça nem ideia para a competitividade que se salve com as políticas que estão anunciadas. A semana foi recheada de comentários, uns querem distanciar-se prudentemente das medidas anunciadas, outros enviam os já célebres “recados”, envoltos num véu, para que não se perceba exactamente o que querem dizer, como é o caso do presidente Cavaco Silva, outros esforçam-se a agitar a bancarrota e a ameaça de que não haverá dinheiro para pagamento de salários para justificar os “sacrifícios” e, até José Pacheco Pereira, num esforço de análise, enuncia a alternativa da renegociação da dívida, ao mesmo tempo que logo prevê o apocalipse imediato não só da economia, como das liberdades – ficaríamos sob o jugo do “totalitarismo” de esquerda. A solução é cumprir agora, para depois pedir a renegociação da dívida.
Bom, há que reconhecer que já quase ninguém acredita que isto vai lá sem uma renegociação da dívida. Há cinco meses atrás, na campanha eleitoral, quem falasse de renegociação da dívida era apelidado de “caloteiro”. Como há uns anos atrás quem defendia a taxa Tobin era um perigoso esquerdista e hoje ouvimos Durão Barroso a falar (só falar) em taxar as transacções financeiras… e até em eurobonds, “coisa” que a elite da comissão europeia abominava…
Muito se tem falado também na responsabilidade dos políticos que devem ser penalizados pelas decisões que tomam. Se a taxa sobre as transacções financeiras tivesse sido aplicada há uma década atrás, qual seria a situação hoje? Os partidos que resistiram a taxar mais-valias, lucros e transacções financeiras para off-shores devem ser responsabilizados pelo agravamento da pobreza a nível mundial. Bem podem alguns clamar hoje contra a “injustiça dos mercados”, mas sempre capitularam perante a vontade do capital financeiro.
No passado dia 17 de Outubro assinalou-se mais um dia mundial pela erradicação da pobreza. Deveria ser o dia mundial da vergonha. Os compromissos deste governo com os pobres são uma afronta. “As pensões mínimas não são congeladas, não esquecemos os mais pobres”, diz o Ministro da Caridade. A lembrança vale 0,19 cêntimos/dia.
O desemprego vai aumentar para números nunca antes vistos e a verba global para o subsídio de desemprego baixa no Orçamento. Pobres ou futuros pobres, aqui têm, o que se pode oferecer.
A teoria de que temos que cumprir para depois renegociar é a nova vaga dos vendedores da banha da cobra. Com uma diferença, a banha da cobra não tinha efeito nenhum, só ilusão e esta “nova” teoria leva-nos para o fundo. Cinco meses de aplicação do memorando da “troika” colocou o país nesta situação, dois anos de medidas muito para além das exigências da “troika” não deixarão pedra sobre pedra. Seremos um país endividado, pobre, sem serviços públicos e sem direitos.
A indignação e o protesto têm que dar corpo e força à alternativa.

domingo, 23 de outubro de 2011

Vasco Lourenço diz que o poder foi tomado por "um bando de mentirosos"


Depois de rever na internet as imagens das promessas eleitorais de Passos Coelho, o capitão de Abril diz que se "sente roubado" e prevê "convulsão social" para travar "o PREC de direita" que se está a criar. Foi à saída duma reunião que juntou mil militares e convocou uma concentração em Lisboa para o dia 12 de Novembro.
Vasco Lourenço diz-se indignado com as mentiras de Passos Coelho. Foto Luis Miguel Martins/Flickr
Vasco Lourenço diz-se indignado com as mentiras de Passos Coelho. Foto Luis Miguel Martins/Flickr
O auditório do ISCTE foi pequeno para os cerca de mil militares que ali vieram discutir acções de protesto contra a austeridade. Os militares marcaram uma concentração para dia 12, no Rossio, e esperam muitos milhares para protestar contra "a redução das remunerações, aliada aos cortes dos subsídios de férias e de Natal e ao aumento generalizado dos impostos", que está a "atirar muitos" militares para "o limiar da impossibilidade de cumprir com os compromissos financeiros assumidos".
Na moção aprovada no encontro, os militares presentes mandataram as direcções das suas associações (de praças, oficiais e sargentos) "para levarem a cabo as iniciativas necessárias para a defesa dos seus interesses socio-profissionais e das Forças Armadas".
À saída deste encontro, Vasco Lourenço, citado pela agência Lusa, afirmou que estava "absolutamente indignado" após ter visto um vídeo na internet com declarações de Passos Coelho em campanha eleitoral que contradizem o que está a fazer enquanto primeiro-ministro. É "preciso desmascarar os indivíduos que ocupam o poder" e que "o estão a roubar", declarou o capitão de Abril, sublinhando que se "sente roubado" e que Passos  "renega nos actos tudo aquilo que acabou de dizer há muito pouco tempo".
Vasco Lourenço diz que as medidas de austeridade impostas estão a criar um "PREC de direita". "Não me venham dizer que a reacção de não aceitar este tipo de situação é que será uma revolução. Não, não vou por aí", sublinhou.
O presidente da Associação Nacional de Sargentos, Lima Coelho, afirmou à Lusa que os militares estão disponíveis para "todos os sacrifícios", mas "não estão disponíveis para serem sacos de pancada", nem para serem "enxovalhados ou usados politicamente de forma que não merecem ser usados".

"Querem transformar o país numa arca de Noé", acusa Louçã


Num comício em Olhão, Francisco Louçã apelou à participação na greve geral de 24 Novembro e lembrou que quando a direita fala em atacar o monstro da despesa pública é porque "quer ir ao bolso das pessoas e sobretudo à dignidade das pessoas".
Para Louçã o verdadeiro monstro está "na ineficácia, na demagogia, na facilidade"
Para Louçã o verdadeiro monstro está "na ineficácia, na demagogia, na facilidade". Foto Paulete Matos
"Eu bem sei qual a ideologia dessa mentira. É um sonho, é um pesadelo, eles vão apalpando o terreno para transformar o País numa espécie de arca de Noé. Vem aí o dilúvio da depressão, do desemprego e da precariedade e na arca não cabem todos, cabem só alguns", disse Francisco Louçã no fim do jantar comício que reuniu dezenas de pessoas em Pechão, no concelho de Olhão.
O coordenador bloquista falava acerca da declaração de Passos Coelho, que  respondeu às críticas do Presidente da República  recuperando a figura do "monstro da despesa pública", em tempos agitado por Cavaco Silva. Para Louçã, "quando falam de monstro, o monstro não é a fortuna que em rios de dinheiro se perde porque alguns têm tanto dinheiro que não pagam. O monstro são os salários dos professores, os salários que pagam a dedicação dos trabalhadores da saúde. Essas, dizem eles, são despesas".
Louçã contrapôs que "não há nenhum monstro no serviço público, há monstro na ineficácia, na demagogia, na facilidade". E acrescentou que "a educação, o sistema de saúde e a segurança social são recursos de todos para servir para todos".
"Se não fizermos nada, o subsídio de férias e o subsídio de Natal serão roubados no próximo ano e já estão a dizer que querem generalizar esta política de assalto à vida das pessoas nos anos seguintes", alertou ainda o deputado do Bloco de Esquerda, apelando à participação de todos na greve geral conjunta da CGTP e UGT marcada para o dia 24 de Novembro.

Reactor com problemas na central nuclear de Almaraz


O Conselho de Segurança Nuclear espanhol anunciou a paragem da central que fica a 100 quilómetros de Portugal, devido à presença de "altas temperaturas" numa das bombas de refrigeração.
Alerta em Almaraz por sobreaquecimento num reactor
Alerta em Almaraz por sobreaquecimento num reactor. Foto Nosoyundominguero.es/Flickr
O incidente "não representou risco para as pessoas nem para o meio ambiente e classifica-se preliminarmente como nível 0 na Escala Internacional de Incidentes Nucleares", diz o comunicado do Conselho de Segurança Nuclear espanhol emitido este domingo.
Os incidentes em centrais nucleares também se registaram este sábado na Suécia, onde um incêndio obrigou à paragem da central OKG antes de ser extinto.
Também este domingo foi conhecida a decisão de antecipar a data de encerramento da central nuclear mais antiga da Europa, localizada em Gloucestershire, no Reino Unido. "Depois de analisarmos vários cenários, optámos pela decisão económica de fechar em Fevereiro de 2012", afirmou à Reuters uma porta-voz da empresa Magnox, detida pela norte-americana Energy Solutions.
Com o encerramento desta central, as mais antigas em solo europeu passam a ser a de Wylfa, no País de Gales e a de Santa Maria de Gerona, em Espanha.

Comunicado do Bloco de Esquerda sobre a Escola EB2,3 de Minde

Consulte no link abaixo:

Requerimento ao Secretário de Estado do Ambiente

Bloco requereu a vinda do Secretário de Estado do Ambiente

à AR para esclarecer funcionamento da ETAR de Alcanena

O deficiente funcionamento da Estação de Tratamento de Águas Residuais (ETAR) de Alcanena, com mais de 20 anos, tem sido extremamente penalizador para a qualidade de vida e saúde pública das populações deste concelho, além de ser responsável pela poluição de recursos hídricos e solos.

Esta ETAR, destinada a tratar os efluentes da indústria de curtumes, foi desde a sua origem mal concebida, a começar por se situar em leito de cheia. Desde então os problemas são conhecidos e persistem: maus cheiros intensos; incumprimento regular dos valores-limite estabelecidos para o azoto e CQO das descargas de efluente tratado em meio hídrico; célula de lamas não estabilizadas, com deficiente selagem e drenagem de lixiviados e biogás; redes de saneamento corroídas, com fugas de efluentes não tratados para o ambiente; saturação da ETAR devido a escoamento das águas pluviais ser feita nas redes de saneamento.

Desde há muito que estes problemas são conhecidos e nada justifica, ainda mais com todo o avanço tecnológico existente ao nível do funcionamento das ETAR, que se chegue ao final de 2010 com esta situação. E pior se compreende quando é o próprio Ministério do Ambiente a constatar que gastou ao longo dos anos cerca de 50 milhões de euros para tentar responder a estes problemas.

Em Junho de 2009 foi assinado um protocolo para a reabilitação do sistema de tratamento de águas residuais de Alcanena pela ARH Tejo, o INAG, a Câmara Municipal e a AUSTRA (gestora da ETAR), com investimentos na ordem dos 21 milhões de euros de comparticipação comunitária.

Este protocolo inclui cinco projectos, os mais importantes dos quais com prazo final apenas em 2013, o que significa arrastar os principais problemas identificados até esta data. Como os prazos de início dos estudos destes projectos já sofreram uma derrapagem, dúvidas se colocam sobre o cumprimento dos prazos estabelecidos, ainda mais quando não há certezas sobre a disponibilização de verbas nacionais para co-financiar os projectos, tendo em conta o contexto de contenção actual.

Considerando a gravidade dos problemas causados pela ETAR de Alcanena para as populações e o ambiente, o deputado José Gusmão e a deputada Rita Calvário do Bloco de Esquerda solicitam uma audiência com o Secretário de Estado do Ambiente, com a finalidade de obter esclarecimentos sobre os investimentos previstos para a reabilitação do sistema de tratamento, as soluções escolhidas, o cumprimento de prazos, e as garantias que os mesmos oferecem para resolver o passivo ambiental existente, os focos de contaminação dos recursos hídricos e solo, os maus cheiros e qualidade do ar respirado pelas populações deste concelho. Seria de todo útil que o presidente ou representantes da ARH-Tejo estivessem presentes nesta audiência.

Lisboa, 17 de Dezembro de 2010.

A Deputada O Deputado

Rita Calvário José Gusmão

Direito a não respirar “podre” – SIM ou NÃO?





No passado domingo, dia 12 de Dezembro, no Auditório Municipal de Alcanena, realizou-se uma conferência, dinamizada pelo Bloco de Esquerda, sobre a poluição em Alcanena.
Esta sessão reuniu um grupo de ‘preocupados’, que primeiramente ouviram as exposições de especialistas sobre o assunto e, no final, trocaram experiências e pontos de vista, baseados na própria vivência, bem como em conhecimentos técnicos e científicos.
Ficou bem patente que se trata de um grave problema de há muito sentido, mas também desvalorizado, do qual até ao momento não se conhecem as verdadeiras implicações para a saúde pública, mas que transtorna a vida de todos os que vivem e trabalham no concelho, tornando desagradável e doentio o seu dia a dia.
Ficou também claro que o Bloco de Esquerda, aliado desta causa, não abandonará a luta, que será levada até onde os direitos das pessoas o exigirem.

Comunicado de Imprensa

Leia em baixo o Comunicado de Imprensa de 3 de Dezembro do Bloco de Esquerda em Alcanena.

Clique aqui para ler

Reclamamos o DIREITO A RESPIRAR

Bloco de Esquerda continua na senda de uma solução para o grave problema de poluição ambiental em Alcanena



Na passada sexta-feira, dia doze de Novembro, uma delegação, composta pelo Deputado do Bloco de Esquerda pelo Distrito de Santarém, José Gusmão, e mais dois elementos do Bloco, foi recebida pela administração da Austra, no sentido de esclarecer alguns pontos relativos ao funcionamento da ETAR e à poluição que de há muito tem afectado Alcanena, com acrescida intensidade nos últimos tempos.

O Bloco de Esquerda apresentou já um requerimento ao Ministério do Ambiente, aguardando resposta.

Após a reunião com a administração da Austra, realizou-se na Sede do Bloco em Alcanena uma Conferência de Imprensa para fazer o ponto da situação.

Da auscultação da Austra, ficou claro para o Bloco de Esquerda que a ETAR de Alcanena não reúne as condições minimamente exigíveis, quer do ponto de vista do cumprimento da lei, quer da garantia de índices de qualidade do ar compatíveis com a saúde pública e o bem estar das populações.

A delegação do Bloco de Esquerda obteve do presidente da Austra o compromisso da realização de operações de monitorização da qualidade do ar em Alcanena, a realizar o mais tardar em Janeiro. De qualquer forma, o Bloco de Esquerda envidará esforços para que essa monitorização ocorra de forma imediata.

Embora existam planos para a total requalificação dos sistemas de despoluição, registamos com preocupação a incerteza sobre os financiamentos, quer nacional quer comunitário. O Bloco de Esquerda opor-se-á a que estes investimentos possam ser comprometidos por restrições orçamentais, e exigirá junto do Governo garantias a este respeito.

A participação popular foi e continuará a ser um factor decisivo para o acompanhamento e controlo da efectiva resolução do problema da qualidade do ar em Alcanena.

No âmbito da visita do Deputado do Bloco de Esquerda, José Gusmão, ao Concelho de Alcanena, realizou-se um jantar-convívio no Restaurante Mula Russa em Alcanena, ocasião também aproveitada para dialogar sobre assuntos inerentes ao Concelho. Mais tarde, José Gusmão, conviveu com um grupo de jovens simpatizantes num bar deste concelho.

No sábado, dia treze de Novembro, José Gusmão e outros elementos do Bloco de Esquerda estiveram em Minde, no Mercado Municipal, distribuindo jornais do Bloco, ouvindo e conversando com as pessoas.

Neste mesmo dia, junto ao Intermarché de Alcanena, José Gusmão contactou com as pessoas e entregou jornais do Bloco de Esquerda.

Num almoço realizado em Minde, no Restaurante Vedor, com um grupo de aderentes e simpatizantes do Bloco, houve mais uma vez oportunidade para ouvir opiniões, experiências e expectativas, bem como de exprimir pontos de vista.

O Bloco de Esquerda continuará a luta por um direito que parece ser inerente à própria condição humana, mas que vem sendo negado às pessoas que vivem e trabalham em Alcanena – o direito de respirar ar “respirável” e de não ser posta em causa a sua saúde.


A Coordenadora do Bloco de Esquerda de Alcanena

Poluição em Alcanena: Requerimento à Assembleia da República

Pessoas esclarecidas conhecem o seu direito de respirar ar puro e lutam pela sua reconquista já que alguns até isto usurparam.

O Bloco de Esquerda encetou a luta pela despoluição de Alcanena na legislatura anterior e continuará a manifestar-se e a rebelar-se contra esta desagradável e injusta situação até que no nosso concelho possamos respirar de novo.


Veja aqui Requerimento apresentado pelo BE quanto à questão da poluição em Alcanena

Carta à AUSTRA

Carta entregue pelo grupo de cidadãos "Chega de mau cheiro em Alcanena" ao Presidente da Austra e Presidente da Câmara Municipal de Alcanena

INAUGURAÇÃO DA SEDE DO BLOCO DE ESQUERDA EM ALCANENA

Francisco Louçã inaugurou no passado domingo, dia 31 de Outubro, a Sede do Bloco de Esquerda em Alcanena. Na inauguração esteve também representada a Coordenação Distrital do Partido; estiveram presentes aderentes e convidados. Esta ocasião especial foi uma oportunidade de convívio, acompanhada de um pequeno beberete.
Francisco Louçã falou, como sempre, de forma clara e apelativa, abordando a actual situação crítica do país,apontando as razões, propondo alternativas e caminhos.
Baseando-se no Socialismo Democrático, o Bloco de Esquerda tem sido sempre activo na defesa dos valores da verdadeira Democracia, e propõe-se continuar essa luta. Esta nova Sede é mais um ponto de encontro, de trabalho, de partilha de pontos de vista e de tomada de iniciativas, possibilitando que se ouçam as vozes de todas as pessoas e transmitindo os seus problemas e expectativas.
Trata-se de um pequeno espaço, que representa uma grande vontade de mudança e que espera contar com a presença de todos os que partilhem os ideais de um concelho mais próspero, de uma sociedade mais justa e equilibrada, de um país realmente mais avançado.