sexta-feira, 9 de setembro de 2011
A pílula é um luxo?
Bloco acusa ministro da Educação de “facilitismo”
quinta-feira, 8 de setembro de 2011
Braga: equipamentos sociais em risco

Inspecção detecta várias irregularidades no Hospital de Braga

Governo acaba com comparticipação de pílulas anticoncepcionais

ONU diz que austeridade aumenta risco de recessão, FMI reduz previsões para Europa
quarta-feira, 7 de setembro de 2011
Bloco propõe mudanças na política de genéricos, que poupariam mais de 200 milhões de euros
“O que estas cinco propostas do BE permitiriam seria sempre uma poupança muito superior a 200 milhões de euros, se poupássemos neste desperdício em matéria de medicamentos, não precisávamos nem de cortes na saúde, nem muito menos de impostos”, sublinhou o deputado João Semedo em conferência de imprensa.
O Bloco propõe a obrigatoriedade de prescrição por substância activa (aceda ao projecto de lei) e a obrigatoriedade da dispensa do medicamento mais barato dentro do mesmo grupo homogéneo, excepto em casos excepcionais ou quando a opção do doente seja outra (aceda ao projecto de lei). O Bloco propõe também que as farmácias sejam obrigadas a “vender sempre, como primeira opção, o medicamento mais barato” e que fiquem impedidas de substituir um medicamento sempre que se trate de um “de margem terapêutica curta”.
O Bloco quer ainda o fim do “bloqueio judicial à entrada de novos genéricos no mercado” e defende a revisão “da forma como o anterior Governo adoptou a diretiva europeia que proíbe a suspensão das autorizações de introdução no mercado dos medicamentos e que se separe claramente esta autorização da litigância judicial em torno dos direitos de patente e propriedade”. Na conferência de imprensa o deputado João Semedo salientou que “há atualmente mais de 800 bloqueados no tribunal e impedidos de ser vendidos por decisão de providências cautelares”.
Itália faz greve geral contra austeridade
Ao fim da tarde, a CGIL calculou a adesão à greve em cerca de 60%. As manifestações, convocadas em mais de cem cidades, levaram muitos milhares de trabalhadores às ruas.
A mobilização é um protesto contra o plano de ajuste aprovado pelo governo em 12 de Agosto, e realiza-se no mesmo dia em que o Senado o discute. Se aprovado – e a expectativa é que seja – passará para o Congresso, cuja votação final está prevista para 20 de Setembro.
A CGIL acusa o governo de Silvio Berlusconi de decretar mais impostos aos trabalhadores e reformados e de promover cortes na Saúde, sem garantir o equilíbrio das contas públicas nem favorecer o crescimento nem o emprego.
O plano já teve várias alterações desde que foi aprovado. Entre outras medidas, o governo desistiu do chamado imposto de solidariedade, que seria pago pelas pessoas de rendimentos anuais superiores a 90 mil euros. Também caiu a exigência de 40 anos de trabalho para acesso à reforma.
Em Roma, a secretária-geral da CGIL, Susanna Camusso, advertiu que o país está "à beira do precipício" e que é preciso dar um passo atrás. Um dos cartazes exibido na manifestação tinha escrito: “Finanças irresponsáveis, política desaparecida”.
Portugal tem o pior desempenho da UE
Os dados do PIB português são os piores da União Europeia. Em relação ao trimestre anterior, Hungria e França também ficaram no crescimento zero (Irlanda, Grécia, Luxemburgo e Malta não apresentam dados), mas o nosso é o único país a apresentar uma contracção do PIB quando comparado com período homólogo de 2010.
A última vez que Portugal cresceu, em relação ao trimestre anterior, foi no terceiro trimestre de 2010, quando teve um aumento de 0,3% no PIB.
Os dados do Eurostat mostram que o PIB da zona euro e também da UE a 27 cresceu apenas 0,2% no segundo trimestre, em comparação com o anterior. A Alemanha, a maior economia da Europa, apresentou uma variação positiva de apenas 0,1% face ao primeiro trimestre do ano.
A responsabilidade deste arrefecimento da economia está na queda do consumo das famílias, que caiu 0,2% na zona euro e 0,1% na UE27.
Juros da Grécia batem recordes e atingem mais de 50%
Os juros da Grécia também bateram recordes nos prazos mais longos, avançando para os 23,694 por cento a cinco anos (comparativamente aos 22,467 por cento da manhã) e para os 19,331 por cento a dez anos (18,413 por cento).
Os juros da dívida portuguesa subiram, aumentando para 13,785 por cento a dois anos (que compara com 12,837 por cento), 11,989 por cento (11,393 por cento) a cinco anos e 10,773 por cento a dez anos (10,299).
Entretanto a bolsa de Lisboa fechou a cair, acentuando as perdas para 2,82 por cento, acompanhando o mau desempenho das restantes praças europeias.
Os 20 títulos que compõem o principal índice da bolsa portuguesa fecharam todos em queda. A banca e a energia foram os grandes responsáveis pela desvalorização do PSI 20. Porém, foram as quedas da Galp Energia e da EDP que mais pressionaram o índice de referência português, segundo adiantam os diários económicos on-line.
Na Europa, as descidas variaram entre os 3,58 por cento de Londres e os 5,28 por cento de Frankfurt.
A queda generalizada das bolsas europeias tem como principais motivações a derrota eleitoral do partido da Chanceler alemã, em eleições regionais, e o aumento das taxas de juro exigidas pelos investidores para negociarem dívida grega.
Além disso, o alerta da directora-geral do Fundo Monetário Internacional quanto à possibilidade de uma recessão mundial não passou despercebido, tal como as declarações do ministro das Finanças grego, Evangelos Venizelos, que admitiu uma recessão maior que o esperado já este ano, aumentando os receios quanto ao incumprimento da Grécia.
Entretanto, a chanceler alemã disse esta segunda-feira não esperar que algum país abandone a zona euro, alertando que tal acontecimento poderia provocar um “efeito dominó”.
Numa conferência de imprensa, Angela Merkel qualificou como "extraordinariamente perigosa" uma hipotética saída da Grécia da união monetária europeia de modo a enfrentar a sua crise económica e financeira e considerou que é "politicamente necessário" que todos os membros da zona euro continuem unidos.
terça-feira, 6 de setembro de 2011
Crescem temores de nova recessão global
As declarações durante o fim-de-semana de autoridades financeiras em nada contribuíram para desanuviar o horizonte de agravamento da crise.
No sábado, o presidente do Banco Mundial, Robert Zoellick, anunciava que o mundo entrou numa “nova zona de perigo”. No domingo, foi a vez de a directora gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Christine Lagarde, alertar para o risco de uma recessão global "iminente".
Sexta-feira, ficou-se a saber que a criação de novos empregos nos Estados Unidos em Agosto foi zero.
Itália na berlinda
Também a crise da dívida parece não dar tréguas. O presidente do Banco Central Europeu, Jean-Claude Trichet, anunciou que na semana passada aquela instituição investiu 13.305 milhões de euros na aquisição de dívida soberana dos países da zona euro, duplicando a compra destes títulos em relação à semana anterior. Segundo analistas ouvidos pelo El País, as compras do BCE ter-se-iam centrado na aquisição de títulos das dívidas de Espanha e Itália.
Apesar disso, os títulos da dívida italiana voltaram a crescer pelo 11º dia consecutivo, negociando os bónus a dez anos a juros de 5,55%.
A chanceler alemã, Angela Merkel teria dito a deputados do seu partido que as situações da Grécia e de Itália são "extremamente frágeis". Já presidente do Conselho Europeu, Herman Van Rompuy, afirmou que "os mercados vêem que há problemas na aplicação dos planos de ajustamento na Grécia e Itália" e que, por isso, "a Europa deve aumentar a pressão para que levem a cabo as medidas que desenharam". Recorde-se que a Itália tem a 8ª maior economia do mundo.
Trichet, por seu lado, instou os países do euro a aplicar o quanto antes as medidas de ajuda aos Estados-membros com problemas de dívida, e pediu que avance a integração económica e que se incentive o crescimento e o emprego.
Só o presidente da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso, manteve o tom optimista, afirmando que a zona Euro registará nos próximos meses um crescimento económico moderado: "Não antecipamos uma recessão na Europa", afirmou, na Austrália.
Líderes das centrais sindicais falam em “provocação” de Passos Coelho
O líder da UGT condenou o que classificou de discurso intimidatório por parte do chefe de Governo que deve estar preparado para a contestação. “É fundamental que se respeite as liberdades consagradas na Constituição, mas também criar condições para que não haja agitação social, descontentamento. É evidente que estamos num período de crise, em que é muito importante que o sacrifício seja gerido de forma equilibrada”, destacou João Proença.
“E é importante também que os portugueses comecem a ter esperança e não estarmos constantemente com discursos intimidatórios e que aumentam a insegurança das pessoas e que acaba por criar um clima de alarme social”, frisou.
Carvalho da Silva, secretário-geral da CGTP, considerou uma provocação as palavras do primeiro-ministro e avisou que o "tiro pode sair pela culatra". “Isto mostra uma falta de segurança muito grande por parte do primeiro-ministro em relação às políticas que está a seguir e é, por isso, um indicador da ausência de rumo e de uma política que possa tirar o país do buraco em que se encontra”, considerou.
“Claro que estas afirmações do primeiro-ministro são uma clara tentativa de provocar as pessoas, quem neste momento está descontente, e tentar chutar para o lado a responsabilidade. Portanto, essa tentativa de provocar e incendiar pode sair-lhe o 'tiro pela culatra'”, alertou Carvalho da Silva.
Recorde-se que a CGTP tem agendada para o próximo dia 1 de Outubro uma manifestação contra o empobrecimento e as injustiças sociais e que para este sábado está convocado um protesto de professores desempregados. No dia 15 de Outubro, as gerações precárias sairão, com a democracia, à rua.
Também o Professor Marcelo de Sousa, ex-líder do PSD, entre críticas à actuação do Governo na sua habitual rubrica no telejornal da TVI, considerou que Passos Coelho deu uma prova de insegurança ao falar na hipótese de tumultos sociais. “Não acho boa ideia que Passos Coelho passe a vida a falar de manifestações e da violência nas ruas porque é uma prova de insegurança e de fraqueza, não é de força. Portanto deve evitar, na medida do possível, esse tipo de prova”, sublinhou.
“O país a manifestar-se é sinal de maturidade democrática”
O Coordenador da Comissão Politica do Bloco, Francisco Louçã, disse, em declarações à TVI, que é o Governo que está a ter uma atitude incendiária em relação aos portugueses.
“O país está a ser incendiado, de uma forma gelada, por políticas que não servem para nada, não criam um único emprego e não nos tiram da crise”, afirmou. Para Louçã, “o país a manifestar-se é sinal de maturidade democrática” e por isso sublinha a “coragem democrática” do protesto social.
Num claro apelo à manifestação, o dirigente bloquista afirmou que as vozes de quem quer uma tributação mais justa, combater o desemprego e a precariedade têm de ser ouvidas “contra os incendiários que só aumentam impostos”.
Lançada maior turbina para energia de correntes marítimas
As turbinas do parque Paimpol-Bréhat foram construídas pela empresa irlandesa Openhydro nos estaleiros militares navais de Brest, tendo sido financiadas em parceria entre a EDF e as autoridades regionais. A região da Bretanha entrou com cerca de 25% dos custos. O projecto tem sido acompanhado pelas associações de recreio, ambientais e pescadores locais tendo sido avaliados os diferentes impactos na região. Neste sentido, a EDF chegou a um acordo com os pescadores locais para financiar em cerca de um milhão de euros um estudo sobre o impacto do parque na migração das lagostas, cuja pesca é importantíssima para a economia local.
Estima-se que o potencial de produção de energia a partir de correntes submarinas é de 2,5 a 3,5 GW em França, o que corresponde a 3 ou 4 % da produção actual de energia do país, ou seja poderá abranger alguns milhões de franceses. No entanto, um dos problemas desta forma de produção de energia é que a sua eficiência depende em grande medida da localização geográfica. O potencial da costa francesa para produzir energia a partir das correntes marítimas estima-se em cerca de 20 a 25% do potencial de toda a Europa. Melhores condições apenas se encontram nas ilhas britânicas. Na Escócia, a empresa ScotishPower Renewables está a implementar desde Fevereiro o maior parque de produção de energia de correntes marítimas, com o objectivo de produzir cerca de 10 MW a distribuir por cerca de 5 mil habitações. As maiores vantagens desta forma de produção de energia são o seu ligeiro impacto ambiental, comparada com outras renováveis, e a grande previsibilidade das correntes marítimas em contraste com a considerável aleatoriedade dos ventos, no caso da energia eólica.
Apesar de a EDF estimar o preço dos primeiros MW produzidos pelas turbinas de Paimpol cerca de 8 vezes mais elevado do que o actual preço de mercado, espera-se que nos próximos anos se consiga reduzir esses custos para um terço. A França tem como objectivo produzir até 2020 cerca de 23% de energia a partir das renováveis. A Escócia estabeleceu uma meta de 80% para a mesma data. Ambas as metas resultarão numa considerável redução de consumo e de importação de petróleo e de gás natural, o que a longo prazo constituirá uma escolha mais económica, visto que o preço destes combustíveis fósseis continuará ao aumentar ao longo das próximas décadas.
Madeira: “Estas eleições são para exigir responsabilidades pelos 500 milhões de dívida”
O coordenador da Comissão Política do Bloco considerou que “o silêncio de Passos Coelho, envergonhado, é preocupante”, mencionando que o líder social-democrata e primeiro-ministro defendeu este domingo, “numa cerimónia partidária”, que o país “só recupera se gastar menos”.
“Desconfiamos que no dia em que Pedro Passos Coelho vier fazer um comício ao lado de Alberto João Jardim, por cada minuto do discurso, nós todos vamos pagar 30 milhões de euros, até chegar aos 500 milhões do cheque que ele vai passar a Jardim sem que se saiba em que gastou, para que gastou e a quem pagou”, argumentou Francisco Louçã.
Para o dirigente bloquista, “os cortes que são precisos são os contra as facilidades, contra o desperdício da regra do Ali Baba e os 40 comparsas” na Madeira.
A auditoria é imprescindível “para recuperar a democracia”
Francisco Louçã realçou que é preciso que se faça uma auditoria às contas da região “para proteger a Madeira e todos os contribuintes no país inteiro que têm sido obrigados a pagar este descalabro das contas e este facilitismo das contas de Alberto João Jardim, que é o primeiro e único responsável pelo buraco financeiro da Madeira”, recordando que o combate por esta fiscalização começou há muito tempo, pelos anteriores deputados do Bloco, Paulo Martins e Guida Vieira.
“O que não sabemos e temos direito a saber é quem é que ficou com o dinheiro, em que bolsos está, o que pagou a mais”, disse, acrescentando que a auditoria é imprescindível “para recuperar a democracia, a capacidade de usar os orçamentos ao serviço de todos e não de amigos do Governo Regional”. Para Louçã, nas próximas eleições regionais “vota-se o respeito pela Madeira, pelo orçamento, pelos contribuintes”.
Referiu-se ainda à polémica sobre a carta enviada por Alberto João Jardim ao primeiro-ministro pedindo uma intervenção externa e programa de ajustamento, declarando que “estas eleições não precisam de cartas para cá e para lá, de fórmulas de boa educação, delicadeza epistolar; precisam de certezas sobre o que vai ser a vida na Madeira”.
Francisco Louçã deixou ainda uma “palavra de aviso” a Paulo Portas sobre a posição que o partido vai adoptar na questão da auditoria às contas da Madeira, lembrando que o líder do CDS “tem vindo a dizer que o que quer é a continuação do jardinismo com menos Jardim, o que é uma regra perigosa, cujo preço começamos a conhecer”.
Mais informações sobre a candidatura do Bloco às Eleições Regionais da Madeira aqui.
segunda-feira, 5 de setembro de 2011
“Portugal precisa de um novo 25 de Abril na economia”
Segundo Louçã, o Bloco tem um importante combate a travar para responder “ao que o governo já fez, ao que o governo quer fazer e ao que o governo não quer fazer”.
Entre as medidas já aplicadas pelo actual executivo, Francisco Louçã frisou os “cortes no subsídio de Natal, aumento de transportes e da saúde”.
No que respeita à Saúde, Passos Coelho quer, segundo Louçã, “tirar ao Serviço Nacional de Saúde a obrigação, a capacidade, o respeito pelo doente quando mais precisa, como são os casos de transplantes em nome de poupar e diminuir custos”.
“O que o governo está a fazer é uma política cruel e de destruição do que é essencial”, acusa o dirigente.
No que se refere “ao que o governo quer fazer”, Louçã afirmou que o governo quer “continuar com uma política que está a amarrar uma pedra nos pés das pessoas e a lançá-las ao mar”, exemplificando com a “recusa” do primeiro-ministro em tributar as “grandes fortunas”.
“O governo já demonstrou que a sua única prioridade é proteger fortunas, vantagens, facilitar aos seus um controlo sobre a economia portuguesa”, avançou Francisco Louçã.
Louçã sublinhou ainda que “o que falta fazer e o governo não quer fazer é uma política de justiça fiscal para que todos possamos ter a capacidade de usar a economia para aquilo que ela não está a fazer, criar emprego”.
Marisa Matias fala sobre novo Quadro de Financiamento da Investigação e Inovação
A eurodeputada explica ainda que o que tem acontecido até à data é que, “ao longo dos vários períodos, houve uma multiplicação dos instrumentos de financiamento, mas isso não significou um reforço muito significativo desse investimento na investigação e inovação”.
Na realidade, esta multiplicação acabou por se transformar, segundo Marisa Matias, num verdadeiro “pesadelo burocrático e administrativo”.
Um dos objectivos será, portanto, conforme esclarece a eurodeputada, contribuir para a estabilização destes instrumentos, entre os quais os vários programas quadro, para a sua transparência e articulação.
Marisa Matias defende ainda que é necessário manter a separação dos fundos estruturais e europeus, embora apostando na sua articulação, de modo a não intensificar assimetrias entre os diferentes países.
No seu entender, os investimentos públicos de investigação não devem ser exclusivamente vocacionado para a inovação do mercado e as prioridades definidas num novo quadro estratégico para um período de sete anos não devem estar completamente estanques, de modo a permitir possíveis correcções.
Para Marisa Matias, um dos grandes objectivos do novo quadro deve ser a convergência, no sentido da atenuação das desigualdades a nível deste tipo de investimento nos diferentes países, quer a nível da verba de que dispõem como também das condições de trabalho dos seus investigadores.
Os exemplos do país recibo verde
Exemplo de absurdo
Os trabalhadores a recibo verde estão a receber notificações para pagarem a dívida à segurança social e o Governo ameaçou 50 mil precários de que lhes iria penhorar os bens. Acontece que a dívida que têm, na sua esmagadora maioria, não lhes pertence. É sobretudo dívida contraída em situação de falso recibo verde, ou seja, é dinheiro que, numa situação normal e legal, teria de ser pago pela empresa e não pelo trabalhador. Num contrato, o patrão desconta cerca de 24%, o trabalhador 11%. É nessa proporção que a dívida devia ser cobrada. Cobrarem-nos uma dívida que não é nossa é, além de absurdo e injusto, um esbulho que faz com que, para as empresas, o crime compense.
Exemplo de farwest
Para tantos comentadores, os recibos verdes são maus mas são “inevitáveis”. Quase que esquecemos que os falsos recibos verdes (que serão cerca de 900 mil em Portugal) são ilegais. A maior parte destas situações deviam ser consideradas crimes. Ou seja, Portugal transformou-se, à conta da generalização do falso trabalho independente, num gigantesco offshore laboral. Queremos mesmo habituar-nos a isto?
Exemplo de cinismo
Para recusarem as propostas que o Bloco tem apresentado, PS, PSD e CDS têm argumentado que não cabe ao Estado, mas sim aos trabalhadores, fazer com que a lei seja cumprida. Ou seja, se há uma ilegalidade, é o precário sozinho que tem de processar o seu patrão – tem de ser “o herói principal”, nas palavras de um deputado. O Governo que ameaça penhorar os bens de precários é o mesmo que diz que o estado não pode garantir que a lei laboral é respeitada, mesmo quando dispõe dos elementos para o fazer.
Exemplo de impotência
Há situações em que a Autoridade para as Condições do Trabalho (ACT) actua. Faz uma inspecção ao local de trabalho, elabora um relatório e, na maior parte das vezes, reconhece razão aos trabalhadores e recomenda que a empresa cumpra a lei. Até aqui tudo bem. Mas e se a empresa não obedecer à ACT? Basicamente, não se passa nada. Muitas vezes, os trabalhadores são postos na rua. Qual a resposta que PS, PSD e CDS têm dado? Os trabalhadores que vão para tribunal. Esta resposta é tão ilógica que o próprio Inspector Geral do Trabalho admitiu numa entrevista há menos de um ano que deveria prever-se na lei que “com a persistência na ilegalidade, se estaria a cometer um crime de desobediência. (…) Se o mecanismo existisse, tornaria mais fácil a diminuição da precariedade e menos usual o incumprimento”. É precisamente isto que propõe a lei do Bloco. Se a empresa não obedece, está a cometer um crime. Não é evidente?
Exemplo de chantagem
Recentemente, num debate em que participei, um deputado do CDS dizia que se se fizesse cumprir a lei, os patrões não celebrariam contrato mas despediriam os trabalhadores. É a versão hardcore da falácia segundo a qual o desemprego se combate com precariedade, como se um e outro não crescessem de forma paralela e não se alimentassem mutuamente. Mas o exemplo era ainda mais absurdo aplicado ao caso em questão, que eram professores das AECs e de escolas profissionais. Imagine-se um director de uma escola dizer: “se é preciso fazer contrato, então faço uma escola sem professores”. Alguém acredita?
Resolver o problema dos falsos recibos verdes seria uma coisa simples num país decente. Não se está a pedir nada de extraordinário: apenas que a lei seja cumprida. Mas isto que é tão simples tem esbarrado no “amplo consenso” do absurdo, do farwest, do cinismo, da impotência e da chantagem. À conta dele, vamo-nos aproximando de relações de trabalho pré-contratuais e vai-se impondo a precariedade como regra. É o mesmo consenso que aprovou as medidas de austeridade e que assinou o memorando com a troika. Romper os seus argumentos pode não ser fácil, mas não é menos do que isso que precisamos.
Requerimento ao Secretário de Estado do Ambiente
Bloco requereu a vinda do Secretário de Estado do Ambiente
à AR para esclarecer funcionamento da ETAR de Alcanena
O deficiente funcionamento da Estação de Tratamento de Águas Residuais (ETAR) de Alcanena, com mais de 20 anos, tem sido extremamente penalizador para a qualidade de vida e saúde pública das populações deste concelho, além de ser responsável pela poluição de recursos hídricos e solos.
Esta ETAR, destinada a tratar os efluentes da indústria de curtumes, foi desde a sua origem mal concebida, a começar por se situar em leito de cheia. Desde então os problemas são conhecidos e persistem: maus cheiros intensos; incumprimento regular dos valores-limite estabelecidos para o azoto e CQO das descargas de efluente tratado em meio hídrico; célula de lamas não estabilizadas, com deficiente selagem e drenagem de lixiviados e biogás; redes de saneamento corroídas, com fugas de efluentes não tratados para o ambiente; saturação da ETAR devido a escoamento das águas pluviais ser feita nas redes de saneamento.
Desde há muito que estes problemas são conhecidos e nada justifica, ainda mais com todo o avanço tecnológico existente ao nível do funcionamento das ETAR, que se chegue ao final de 2010 com esta situação. E pior se compreende quando é o próprio Ministério do Ambiente a constatar que gastou ao longo dos anos cerca de 50 milhões de euros para tentar responder a estes problemas.
Em Junho de 2009 foi assinado um protocolo para a reabilitação do sistema de tratamento de águas residuais de Alcanena pela ARH Tejo, o INAG, a Câmara Municipal e a AUSTRA (gestora da ETAR), com investimentos na ordem dos 21 milhões de euros de comparticipação comunitária.
Este protocolo inclui cinco projectos, os mais importantes dos quais com prazo final apenas em 2013, o que significa arrastar os principais problemas identificados até esta data. Como os prazos de início dos estudos destes projectos já sofreram uma derrapagem, dúvidas se colocam sobre o cumprimento dos prazos estabelecidos, ainda mais quando não há certezas sobre a disponibilização de verbas nacionais para co-financiar os projectos, tendo em conta o contexto de contenção actual.
Considerando a gravidade dos problemas causados pela ETAR de Alcanena para as populações e o ambiente, o deputado José Gusmão e a deputada Rita Calvário do Bloco de Esquerda solicitam uma audiência com o Secretário de Estado do Ambiente, com a finalidade de obter esclarecimentos sobre os investimentos previstos para a reabilitação do sistema de tratamento, as soluções escolhidas, o cumprimento de prazos, e as garantias que os mesmos oferecem para resolver o passivo ambiental existente, os focos de contaminação dos recursos hídricos e solo, os maus cheiros e qualidade do ar respirado pelas populações deste concelho. Seria de todo útil que o presidente ou representantes da ARH-Tejo estivessem presentes nesta audiência.
Lisboa, 17 de Dezembro de 2010.
A Deputada
Rita Calvário
Direito a não respirar “podre” – SIM ou NÃO?
Comunicado de Imprensa
Reclamamos o DIREITO A RESPIRAR
Bloco de Esquerda continua na senda de uma solução para o grave problema de poluição ambiental em Alcanena
O Bloco de Esquerda apresentou já um requerimento ao Ministério do Ambiente, aguardando resposta.
Após a reunião com a administração da Austra, realizou-se na Sede do Bloco em Alcanena uma Conferência de Imprensa para fazer o ponto da situação.
Da auscultação da Austra, ficou claro para o Bloco de Esquerda que a ETAR de Alcanena não reúne as condições minimamente exigíveis, quer do ponto de vista do cumprimento da lei, quer da garantia de índices de qualidade do ar compatíveis com a saúde pública e o bem estar das populações.
A delegação do Bloco de Esquerda obteve do presidente da Austra o compromisso da realização de operações de monitorização da qualidade do ar em Alcanena, a realizar o mais tardar em Janeiro. De qualquer forma, o Bloco de Esquerda envidará esforços para que essa monitorização ocorra de forma imediata.
Embora existam planos para a total requalificação dos sistemas de despoluição, registamos com preocupação a incerteza sobre os financiamentos, quer nacional quer comunitário. O Bloco de Esquerda opor-se-á a que estes investimentos possam ser comprometidos por restrições orçamentais, e exigirá junto do Governo garantias a este respeito.
A participação popular foi e continuará a ser um factor decisivo para o acompanhamento e controlo da efectiva resolução do problema da qualidade do ar em Alcanena.
No âmbito da visita do Deputado do Bloco de Esquerda, José Gusmão, ao Concelho de Alcanena, realizou-se um jantar-convívio no Restaurante Mula Russa em Alcanena, ocasião também aproveitada para dialogar sobre assuntos inerentes ao Concelho. Mais tarde, José Gusmão, conviveu com um grupo de jovens simpatizantes num bar deste concelho.
No sábado, dia treze de Novembro, José Gusmão e outros elementos do Bloco de Esquerda estiveram em Minde, no Mercado Municipal, distribuindo jornais do Bloco, ouvindo e conversando com as pessoas.
Neste mesmo dia, junto ao Intermarché de Alcanena, José Gusmão contactou com as pessoas e entregou jornais do Bloco de Esquerda.
Num almoço realizado em Minde, no Restaurante Vedor, com um grupo de aderentes e simpatizantes do Bloco, houve mais uma vez oportunidade para ouvir opiniões, experiências e expectativas, bem como de exprimir pontos de vista.
O Bloco de Esquerda continuará a luta por um direito que parece ser inerente à própria condição humana, mas que vem sendo negado às pessoas que vivem e trabalham em Alcanena – o direito de respirar ar “respirável” e de não ser posta em causa a sua saúde.
A Coordenadora do Bloco de Esquerda de Alcanena
Poluição em Alcanena: Requerimento à Assembleia da República
Pessoas esclarecidas conhecem o seu direito de respirar ar puro e lutam pela sua reconquista já que alguns até isto usurparam.
O Bloco de Esquerda encetou a luta pela despoluição de Alcanena na legislatura anterior e continuará a manifestar-se e a rebelar-se contra esta desagradável e injusta situação até que no nosso concelho possamos respirar de novo.
Veja aqui Requerimento apresentado pelo BE quanto à questão da poluição em Alcanena
Carta à AUSTRA
INAUGURAÇÃO DA SEDE DO BLOCO DE ESQUERDA EM ALCANENA
Francisco Louçã falou, como sempre, de forma clara e apelativa, abordando a actual situação crítica do país,apontando as razões, propondo alternativas e caminhos.
Baseando-se no Socialismo Democrático, o Bloco de Esquerda tem sido sempre activo na defesa dos valores da verdadeira Democracia, e propõe-se continuar essa luta. Esta nova Sede é mais um ponto de encontro, de trabalho, de partilha de pontos de vista e de tomada de iniciativas, possibilitando que se ouçam as vozes de todas as pessoas e transmitindo os seus problemas e expectativas.
Trata-se de um pequeno espaço, que representa uma grande vontade de mudança e que espera contar com a presença de todos os que partilhem os ideais de um concelho mais próspero, de uma sociedade mais justa e equilibrada, de um país realmente mais avançado.





