domingo, 28 de agosto de 2011

Ongoing contrata mais ex-membros do governo de Sócrates


Empresa apontada como possível compradora da RTP contratou um ex-secretário de Estado que tinha a tutela sobre a empresa. Outro contratado foi o ex-chefe de gabinete do próprio Sócrates.
Nuno Vasconcelos é apontado como candidato a comprador da RTP. Foto de MARIO CRUZ/LUSA
A Ongoing, empresa de Nuno Vasconcelos que é proprietária do Diário Económico e accionista da Impresa, dona do Expresso, e da Portugal Telecom, contratou Carlos Costa Pina, que foi secretário de Estado do Tesouro e das Finanças desde 2005, homem de confiança do então ministro das Finanças Teixeira dos Santos e também do próprio José Sócrates.
Considerado o financeiro do governo, era por ele que passava a estratégia relacionada com os investidores internacionais. Também era dele a tutela do sector empresarial do Estado, onde se inclui a RTP. Ora a Ongoing tem sido referida como potencial candidata à compra da estação pública quando esta for privatizada.
A empresa de Nuno Vasconcelos contratou também Guilherme Drey, que foi chefe do gabinete do ministro das Obras Públicas Mário Lino e depois do próprio gabinete de Sócrates. Nas suas funções, Guilherme Drey tratou directamente dos assuntos relacionados com a Portugal Telecom, acompanhando por exemplo a OPA da Sonae ou a venda da Vivo.
Recorde-se que recentemente a Ongoing contratou o ex-director do Serviço de Informações Estratégicas de Defesa (SIED) Jorge Silva Carvalho, que trabalhou 21 anos nas secretas, e que transmitiu informações confidenciais ao grupo, antes de ser contratado por ele.
É justamente o resultado do inquérito a essa e outras fugas de informação que agora o governo se nega a fornecer à Primeira Comissão da Assembleia da República, de Direitos, Liberdades e Garantias, alegando que conterá dados susceptíveis de colocar em causa a segurança interna e externa.
Segundo o Expresso deste sábado, tanto Nuno Vasconcelos quanto Jorge Silva Carvalho pertencem “à mais poderosa loja maçónica portuguesa, a loja Mozart, com fortes ligações ao mundo empresarial... e aos serviços de informação de Portugal e de alguns PALOP, nomeadamente Angola”.

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Bloco propõe imposto sobre património das grandes fortunas


Para corrigir "o défice fiscal dos mais abastados", Luís Fazenda apresentou um projecto de lei para a criação de um “imposto de solidariedade sobre as grandes fortunas”, para taxar o património global acima de dois milhões de euros. O PSD reagiu à proposta e diz que é preciso "parar para pensar".
A proposta do Bloco incide sobre o património do detentor da fortuna, em vez do rendimento que hoje é taxado em IRS.
A proposta do Bloco incide sobre o património do detentor da fortuna, em vez do rendimento que hoje é taxado em IRS. Foto Exotic Car Life/Flickr
Este imposto sobre o património das grandes fortunas tem uma taxa progressiva que vai de 1,5% a 2,5% do valor global apurado.  O líder parlamentar bloquista diz que esta é apenas uma das medidas que devem ser combinadas para que haja uma “relativa equidade fiscal” em Portugal, a par da taxação das mais-valias em bolsa ou o combate à "evasão fiscal organizada" do sector financeiro.
“Tudo isso em conjunto é que poderá, finalmente, trazer uma relativa equidade fiscal: a combinação da existência de um imposto sobre as grandes fortunas, taxas adequadas de IRS, o englobamento para efeitos de IRS de todos os rendimentos, eliminando taxas liberatórias, e o imposto sobre as mais-valias bolsistas para as empresas e SGPS”, afirmou Luís Fazenda esta sexta-feira em conferência de imprensa, onde deixou a promessa de voltar a incluir estas propostas no debate do Orçamento de Estado.
Do lado do PSD, a reacção não se fez esperar e veio pela voz do deputado Luís Menezes. Este é um tema que galgou muito rapidamente para as primeiras linhas da frente mediática, mas isso não faz com que devamos não parar para pensar e começar a legislar de supetão”, afirmou o deputado laranja à Lusa. "Há uma série de detalhes técnicos daquilo que já pudemos saber do projecto de lei que nos suscitam dúvidas. Em primeiro lugar, não sabemos qual é o montante que o Bloco de Esquerda prevê arrecadar", acrescentou Luís Menezes.
“É preciso começar, o sinal político é começar”, defendeu Luís Fazenda, que considera este imposto “prudente”. A proposta que será discutida pelos deputados “não afecta nada daquilo que poderia eventualmente cair na alçada da acusação de um excesso fiscal ou de um confisco sobre grandes fortunas”, argumentou Fazenda. Sobre o efeito do imposto nas receitas fiscais, o deputado do Bloco disse ser impossível de prever porque “não há experiência em Portugal de avaliação de património”.
“Vamos ver ao longo de vários exercícios como é que pode avaliar-se realmente junto do património imobiliário e mobiliário que está sediado em Portugal, de residentes e de não residentes, a partir de dois milhões de euros”, afirmou o deputado bloquista.

Imposto de Solidariedade, uma história antiga em 10 notas


Nós falamos de um verdadeiro imposto que englobe o património. É aí que se realiza a justiça e se garante a eficácia do próprio imposto.
1. O mito diz que o bloco nasceu, em 1999, em resultado de uma singular e improvável confluência entre trotskistas e estalinistas... para fazer vingar uma agenda de costumes. Era a "esquerda caviar", que aliás ninguém previa que durasse.
2. Formado em Março, o bloco disputou inicialmente as eleições europeias. Nessa disputa, centrou a campanha numa ideia - começar de novo -; numa atitude - contra a guerra dos balcãs, que então marcava a Europa; e numa proposta dita "fracturante" - a despenalização do consumo de drogas para combater a toxicodependência. O resultado esteve longe de ser brilhante, mas também não era para ser conclusivo. Em três meses, nem então nem agora se fazem milagres.
3. Imediatamente a seguir às eleições europeias o país avançou para legislativas. Um novo tema se sobrepôs à agenda política europeia: a solidariedade com o povo de Timor Leste, entre o fim de Agosto e o início de Setembro. O bloco envolveu-se profundamente na dinâmica unitária dessa causa, enquanto preparou as legislativas adicionando ao tema da toxicodependência um pacote de 18 propostas de lei para uma reforma fiscal em Portugal. A proposta mais emblemática era a criação de um imposto sobre as grandes fortunas que já então, na nossa visão, englobava rendimentos e património.
4. Ao contrário do mito, o Bloco elegeu 2 deputados por Lisboa e ficou a mil votos de um terceiro pelo Porto, não por causa das drogas, mas porque desde o seu nascimento procurou articular numa mesma proposta política, causas maioritárias na sociedade - como a vontade de uma reforma fiscal - com outras que, sendo ainda minoritárias, podiam ser transformadas em questões sociais muito relevantes - assim era, então, com a toxicodependência, como viria a ser, anos mais tarde, com a "segunda volta" da despenalização do aborto.
5.Na eleição legislativa em causa, os 2 deputados do bloco faziam, não raro, a diferença entre maioria e minoria no Parlamento. Eles usaram essa circunstância em favor da mudança de leis sempre que puderam - se bem me lembro, o bloco aprovou mais de 20 propostas de lei sob o segundo consulado de António Guterres.
6. Na discussão do Orçamento de Estado para 2001 o bloco admitiu a sua viabilização, através da abstenção, se ele incluísse a nossa proposta de imposto sobre as grandes fortunas. Fomos mesmo mais longe na negociação com António Guterres: subimos a parada desse imposto de cem mil contos para um milhão. Para nós contava o princípio, o sinal de que os ricos e o seu património não continuariam ao abrigo de impostos. Isso valia bem uma missa.
7. Na sua formulação final, a nossa proposta já só incidia sobre algumas dezenas de famílias. Nem assim António Guterres aceitou o compromisso. Foi nessa altura que me convenci definitivamente de que há algo de irracional - ou, pelo contrário, excessivamente racional... - no mantra dos políticos do sistema, segundo o qual os ricos nunca podem ser taxados porque "escondem o dinheiro". Foi assim com Guterres. Ele preferiu encontrar um deputado no CDS, Daniel Campelo, que lhe desse a maioria parlamentar a troco de umas quantas obras no concelho, a modernizar, com alguma justiça, o nosso próprio sistema fiscal. Selou com essa decisão o seu próprio destino político. Um ano mais tarde demitia-se.
8. O Bloco nunca deixou de reapresentar, em diferentes modalidades técnicas, a sua proposta de imposto sobre as grandes fortunas ou, como lhe chamamos hoje, imposto de solidariedade. Entre ele e o que o Presidente da República tem sustentado, vai uma enorme diferença. Cavaco Silva fala em sobretaxa no IRS, Passos Coelho em mudanças na lei de enquadramento orçamental. Nós falamos de um verdadeiro imposto que englobe o património. É aí que se realiza a justiça e se garante a eficácia do próprio imposto.
9. Sobretaxar em sede de IRS não realiza nem mais justiça nem garante eficácia. Américo Amorim declara 230 mil euros de IRS, se ontem ouvi bem na Sic. Ricardo Salgado, pelo contrário, declara bem mais... por outras palavras, encontramo-nos ante técnicas contabilísticas sem relação com as fortunas em causa. Por outro lado, a subida de 42 para 46,5 por cento da taxa máxima de IRS incidiu sobre 30 mil famílias acima de 153 mil euros de rendimentos anuais declarados, rendendo ao Estado apenas 30 milhões de euros. Não faz qualquer sentido aumentar este tipo de taxa à luz de objectivos de justiça na repartição das dificuldades.
10. A proposta do bloco até é bem moderada. Cinge-se a rendimentos e patrimónios acima de 1,2 milhões de euros; jóias de família, antiguidades, obras de arte, habitação principal e créditos litigiosos ficam de fora dos cálculos; e a taxa é progressiva, entre 0,6 a 1,2 por cento, começando em rendimentos que representem 2500 salários mínimos. Como no início desta pequena história, o que conta é o modo como, em nome dos mais pobres, a esquerda confronta o poder dos mais ricos. Mais do que a radicalidade da proposta em concreto, conta o que é decisivo: quando estará este país preparado para taxar o capital?

Carvalho da Silva: Imposto sobre os ricos não basta


O líder da CGTP diz que a postura dos milionários portugueses contrasta com a dos outros países e revela “um grande egoísmo e distanciamento” dos problemas sociais.
A proposta em cima da mesa do governo não é suficiente, diz o secretário-geral da CGTP.
A proposta em cima da mesa do governo não é suficiente, diz o secretário-geral da CGTP. Foto Paulete Matos.
“Enquanto vemos que, perante o perigo efectivo da movimentação social contra o descalabro das injustiças e do empobrecimento, os ricos nalguns países e os respectivos governos vão dando sinais de preocupação e mostram disponibilidade para um imposto sobre os ricos, Portugal nem tem um Governo mobilizado para fazer isto e nem os próprios ricos mostram essa vontade”, disse Carvalho da Silva.
A taxa sobre a riqueza “é uma necessidade, mas o problema não se resolve só com um imposto específico. Há várias dimensões deste problema para trazer a riqueza a contribuir para o bem comum como qualquer cidadão”, disse à agência Lusa Manuel Carvalho da Silva.
“Os ricos vão pagando impostos, só que pagam de forma segmentada, não pagam taxas correspondentes ao global da riqueza que têm”, disse o líder da CGTP, defendendo em alternativa o combate às transferências para offshores, à fraude e evasão fiscal e à economia clandestina, bem como a taxação das operações bolsistas.
O governo já deu sinais de querer introduzir um aumento de tributação dos mais ricos no Orçamento de Estado para 2012, mas tudo aponta que seja apenas sobre o rendimento - que hoje é taxado a 46,5% no IRS quando é acima de 153.300 euros anuais - deixando de fora o património. O Correio da Manhã cita as últimas estatísticas da Direcção Geral de Contribuições e impostos que indicam que os 3736 agregados familiares que ganharam mais de 250 mil euros pagaram em 2009 menos 9,3% de imposto, num total de 164 milhões.

Bloco duvida de intenção do governo de criar imposto sobre os ricos


Deputado Pedro Filipe Soares recorda que opção contraria a política do governo de criar um imposto extra para a maioria dos portugueses, ao mesmo tempo que “deixa de fora quem tem juros de capital e quem tem dividendos de empresas”.
"Aguardamos para ver, mas temos algumas reservas sobre se a medida será efectivada”, disse Pedro Filipe Soares. Foto de Paulete Matos
O Bloco de Esquerda tem dúvidas sobre a anunciada intenção do governo, filtrada para a imprensa, de criar um imposto especial sobre os ricos. “A informação que se tem da parte do governo é muito parca. Aguardamos para ver, mas temos algumas reservas sobre se será efectivada”, afirmou o deputado Pedro Filipe Soares, que assinalou à Lusa que uma medida dessas viria em contra-ciclo com a política que o governo vem tomando.
O deputado recordou que a hipótese de um imposto sobre os ricos contraria a opção política tomada recentemente pelo governo de criar um imposto extra para a maioria dos portugueses, ao mesmo tempo que “deixa de fora quem tem juros de capital e quem tem dividendos de empresas”.
Pedro Filipe Soares advertiu que se a alteração for através do IRS, não terá grandes impactos.
E defendeu que o imposto deverá incidir sobre as “transferências de capital para `off-shores´, sobre património mobiliário, juros, operações de capital e não sobre rendimentos do trabalho que são taxados de forma crescente no IRS”.
O deputado recordou ainda que o Bloco de Esquerda “tem apresentado desde 2009 propostas para taxar as grandes fortunas e que o PSD e o CDS-PP têm sempre votado contra”. Além disso, sublinhou que “não se percebe” em que momento e de que forma é que o governo pretende lançar a discussão sobre a matéria, já que a lei de enquadramento orçamental que será discutida nos próximos dias na especialidade “contém alterações de pormenor”.

Juros da dívida da Grécia chegam aos 46%


Valor é novo recorde desde a era do euro. Bolsa de Atenas cai há sete sessões e já perdeu 14%. Juros da dívida portuguesa, embora ainda longe dos máximos já atingidos, também sobem.
Protestos contra a austeridade. Foto de apαs
Os juros da dívida da Grécia atingiram esta quinta-feira no mercado secundário os 46%, no prazo de dois anos, constituindo um novo recorde desde a era do euro. As taxas para obrigações a cinco e a dez anos também avançaram para os 22,25% e 18,41%, respectivamente.
O diferencial das obrigações emitidas pelo governo de Atenas a dez anos face às alemãs, outro indicador de risco, registou igualmente um novo valor histórico, até aos 1617, 143 pontos base.
Por outro lado, a sequência de quedas na bolsa da Grécia não parece ter fim à vista. Atenas já perdeu 14% do valor com uma série de sete sessões negativas.
Confirma-se assim que a situação financeira e económica da Grécia só tem piorado desde o plano de resgate do FMI e da UE, há pouco mais de um ano.
A actual desculpa para a nova subida dos juros da dívida é o temor de que a exigência de garantias por parte da Finlândia possa atrasar o segundo pacote de empréstimos à Grécia, o que deixaria os investidores “muito nervosos”.
Juros em Portugal também sobem
Os juros da dívida soberana portugueses continuam a subir há seis sessões nos principais prazos, apesar de ainda estarem abaixo dos máximos histórico. Nesta quinta-feira, no mercado secundário, as taxas oscilaram entre 13,565% a três anos e 11,209% a dez anos, após subidas moderadas na casa dos 3,5 pontos base em ambos os casos.

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Milionários portugueses nem querem ouvir falar em sacrifícios


A imprensa económica tentou ouvir a reacção dos portugueses mais ricos à proposta dos magnatas franceses de contribuírem com mais impostos em tempo de crise. As respostas foram poucas e só Américo Amorim surpreendeu: o dono da maior fortuna de Portugal diz mesmo que não se considera rico.
Em 2009, havia 150 famílias em Portugal a viver com mais de um milhão de euros por ano.
Em 2009, havia 150 famílias em Portugal a viver com mais de um milhão de euros por ano. Foto mek22/Flickr
"Eu não me considero rico", diz o homem que tem obtido uma valorização da sua fortuna muito graças à fatia da GALP que adquiriu quando a empresa foi privatizada e lhe garante lucro crescente todos os anos. "Sou trabalhador", contrapôs Amorim ao Jornal de Negócios, sem mais explicações. Ao Diário Económico, que procurou fazer o mesmo inquérito, o milionário não respondeu.
O silêncio foi a regra na resposta a este desafio lançado por ambos os jornais aos que integram a lista dos 25 mais ricos de Portugal, recentemente divulgada pela revista Exame. Uma das excepções foi o 12º colocado nessa lista, Joe Berardo, com uma fortuna avaliada em 542 milhões. O empresário diz que esta medida "não resolve o problema" da dívida, mas concorda que "quem deve pagar mais é quem tem mais".
A mesma opinião sobre o impacto do imposto sobre os mais ricos tem André Jordan, empresário do turismo. Tal como Amorim, Jordan assegura que não é milionário. Mas ao contrário do homem da cortiça e do petróleo, admite pagar um imposto semelhante.
Uma reacção diferente teve Patrick Monteiro de Barros. Sem responder sobre se estaria disposto a pagar o imposto, o homem que tem dado a voz pelo lóbi da energia nuclear mostrou-se mais interessado em querer saber qual foi a contrapartida exigida pelos milionários franceses em troca da sua generosidade. "Se é um acto solidário é uma coisa, agora imagine se é uma proposta para o doutor Sarkozy mudar a sua perspectiva sobre os 'eurobonds'?", perguntou aos jornalistas do Negócios.
Para alguns dos mais ricos em Portugal, o imposto sugerido pelos milionários franceses traz memórias de outros tempos que encaram com desagrado. "Já em 1974 havia esse 'slogan', 'os ricos que paguem a crise'", diz Luís de Mello Champalimaud, dono da Cimentos Liz e de 325 milhões, segundo o ranking publicado pela Exame. Para Luís Champalimaud, os problemas resolvem-se "quando a Justiça começar a ser eficaz e célere e quando o contribuinte e os seus impostos passarem a ser respeitados".
O Diário Económico conseguiu encontrar três empresários dispostos a contribuir. José Roquette propõe que o imposto seja feito através duma sobretaxa no IRC, que considera mais justo "porque assim será aplicada às grandes empresas e aos seus accionistas". Filipe de Botton, da Logoplaste, diz acreditar que os "todos os empresários portugueses são a favor de qualquer medida que minimize as desigualdades sociais" e Henrique Neto, da Iberomoldes e antigo deputado do PS, recorda que já propôs para o Orçamento deste ano um imposto especial sobre "rendimentos acima dos 100 mil euros, que fosse progressivo daí para cima".
De acordo com os números referentes a 2009, há 150 famílias em Portugal a viver com mais de um milhão de euros por ano. Este ano, Américo Amorim lidera a lista de milionários da Exame pelo quarto ano consecutivo, com 2587 milhões de euros - mais 18% que em 2010.

Declarações de Amorim são "insultuosas", diz Bloco


O Bloco de Esquerda aproveita o debate internacional das últimas semanas para insistir na proposta de taxar as grandes fortunas. O deputado Pedro Filipe Soares reagiu às palavras de Américo Amorim - que diz não se considerar rico -, classificando-as de “insultuosas para com o povo português”.
Américo Amorim diz que é trabalhador e tem uma fortuna acumulada de 2587 milhões de euros
Américo Amorim diz que é trabalhador e tem uma fortuna acumulada de 2587 milhões de euros. Foto de Fotos da Bahia
O deputado bloquista assinalou o “grande debate internacional sobre quem é que deve ser chamado a pagar a crise” para voltar a introduzir na agenda política o imposto sobre as grandes fortunas.
“O imposto particular sobre as grandes fortunas é uma proposta antiga do Bloco de Esquerda, que já fizemos e que a realidade demonstra a sua necessidade e a sua justiça. Por isso vamos, a curto prazo, nas próximas semanas, relançar essa proposta, esperando que ela agora faça um caminho de maior abrangência e maior unanimidade na sociedade”, afirmou Pedro Filipe Soares no Parlamento, citado pela Lusa.
“Numa situação difícil como esta em que as políticas de austeridade estão a ser levadas a um conjunto enorme da sociedade, nós vemos que os mais ricos dos Estados Unidos, de França e de Espanha dizem que também querem participar no pagamento desta factura”, referiu.
A participação dos milionários portugueses neste esforço para pagar a crise teve o seu ponto alto esta quarta-feira com as declarações do dono da maior fortuna do país. "Não me considero rico. Sou trabalhador", afirmou Américo Amorim quando perguntado se estaria disponível, como os magnatas franceses e outros, para pagar mais imposto na actual situação difícil da economia do país.
O deputado bloquista eleito por Aveiro considerou as palavras de Amorim “insultuosas para com o povo português”. “Curiosamente, ele não foi sequer chamado, por opção deste Governo, a pagar para o imposto extraordinário que vai lesar metade do subsídio de Natal de todos os portugueses”, recordou Pedro Filipe Soares.

Lei Contra a Precariedade já tem metade das assinaturas


As campanha pelas 35 mil assinaturas a favor da iniciativa popular por uma lei contra a precariedade não parou durante o Verão. E já chegou a metade do objectivo final para levar a primeira lei dos cidadãos a debate na Assembleia da República.
A iniciativa também contou com propaganda na vias de acesso a Lisboa.
A iniciativa também contou com propaganda na vias de acesso a Lisboa.
A iniciativa pode ser subscrita através dos impressos próprios que depois de preenchidos serão entregues na Assembleia da República. Com as 35 mil assinaturas, pela primeira vez o parlamento irá ser obrigado a debater e votar uma lei proposta por cidadãos.
A lei foi elaborada por movimentos como os Precários Inflexíveis, 12 de Março, FERVE, Intermitentes do Espectáculo e Geração à Rasca - Porto. Desde Abril têm organizado bancas na rua e junto a concertos e outras iniciativas ao ar  livre que juntam um grande número de pessoas.
"O contacto na rua, os vários incentivos que nos chegam e o apoio que a iniciativa tem obtido, são ainda uma confirmação de que a precariedade não é inevitável", diz a nota publicada no site dos Precários Inflexíveis, que continuam a apelar "a que cada pessoa tome parte na divulgação e na recolha de assinaturas".

ONG's alertam para subida do número de sem-abrigo em Portugal


A crescente procura de apoio para refeições por parte de famílias carenciadas preocupa os técnicos que dão resposta no terreno. As instituições solidárias falam num aumento de 20% a 30% dos pedidos nos últimos três anos.
As ONG dizem não ser possível determinar com exactidão o número de sem-abrigo e os media falam em 3.000 em Lisboa e cerca de 2.000 no Porto.
As ONG dizem não ser possível determinar com exactidão o número de sem-abrigo e os media falam em 3.000 em Lisboa e cerca de 2.000 no Porto. Foto Paulete Matos
“A maior parte são pessoas que estão sozinhas, perderam os empregos, têm dificuldades financeiras e vão pedir ajuda para tomar uma refeição”, explicou à agência Lusa o vice-presidente do Centro de Apoio aos Sem-Abrigo (CASA), sublinhando que “o conceito de sem-abrigo, de acordo com o plano nacional, engloba essas situações”.
Apesar de os “tradicionais sem-abrigo, que dormem na rua”, não terem aumentado, nota-se “um aumento grande nas famílias e pessoas carenciadas”, acrescentou Nuno Jardim, calculando-o entre 20% a 30% desde 2008.
O Algarve, que “só por si, já é uma região pobre”, é também a região mais afectada, segundo Nuno Jardim, que vê o desemprego como a principal causa dos pedidos de ajuda crescentes que lhe têm chegado, embora separe duas situações diferentes: “Há pessoas que têm emprego e um tecto onde viver, mas o dinheiro que ganham vai todo para a casa ou para o quarto e acabam por não ter dinheiro para mais nada”, referiu Nuno Jardim, lembrando também que “também há questões de estrutura familiar que se desfaz totalmente e algumas pessoas não conseguem aguentar e vão parar à rua”.
O número real de sem-abrigo em Portugal é difícil de contabilizar, diz o o presidente da Cais, uma vez que “muitas vezes a contagem é feita a partir dos albergues e dos quartos pagos pela Segurança Social ou pela Santa Casa da Misericórdia, mas há um grande número de pessoas que vive em casas abandonadas, devolutas e pessoas que vivem de facto na rua”.
Henrique Pinto parte dos números avançados pela comunicação social - "falam em 3.000 em Lisboa e cerca de 2.000 no Porto" - e lembra que nos últimos dois anos foi possível tirar mil pessoas da rua no distrito do Porto, o que não é suficiente para compensar o surgimento de novos casos de miséria.
“A classe média é a que mais tem sofrido. Aqueles que já viviam na rua, agora têm uma sopa a menos, mas já eram pessoas numa situação de pobreza severa. Agora quem perdeu o trabalho, tem filhos, uma casa para pagar, não consegue viver”, declarou o presidente da CAIS à Lusa.
Também a AMI tentou contabilizar e estudar o fenómeno dos sem-abrigo em Portugal no ano passado, a partir das mais de 12 mil pessoas às quais prestou apoio. A maior parte (mais de 70 por cento) tem nacionalidade portuguesa, seguindo-se os naturais dos Países Africanos de Língua Portuguesa (PALOP), e os dos países de leste.
A maioria destes sem-abrigo (três em cada quatro) são homens entre os 40 e os 59 anos e nove em cada dez estão desempregados. Segundo a AMI, entre os principais motivos para a situação de pobreza estão o desemprego, os problemas familiares e doenças físicas. Do total de pessoas apoiadas pela instituição em 2010, a AMI calcula que os sem-abrigo "tradicionais" (ou sem tecto) sejam cerca de 700 pessoas.
A população sem-abrigo divide-se, de acordo com a Federação Europeia de Organizações Nacionais que Trabalham com Sem-Abrigo (FEANTSA), em quatro grandes grupos: sem-tecto (vivem na rua), sem casa (vivem em habitações temporárias), habitação precária (foram despejados) e habitação inadequada (estão em construções abarracadas).

Comunicado do Bloco de Esquerda sobre a Escola EB2,3 de Minde

Consulte no link abaixo:

Requerimento ao Secretário de Estado do Ambiente

Bloco requereu a vinda do Secretário de Estado do Ambiente

à AR para esclarecer funcionamento da ETAR de Alcanena

O deficiente funcionamento da Estação de Tratamento de Águas Residuais (ETAR) de Alcanena, com mais de 20 anos, tem sido extremamente penalizador para a qualidade de vida e saúde pública das populações deste concelho, além de ser responsável pela poluição de recursos hídricos e solos.

Esta ETAR, destinada a tratar os efluentes da indústria de curtumes, foi desde a sua origem mal concebida, a começar por se situar em leito de cheia. Desde então os problemas são conhecidos e persistem: maus cheiros intensos; incumprimento regular dos valores-limite estabelecidos para o azoto e CQO das descargas de efluente tratado em meio hídrico; célula de lamas não estabilizadas, com deficiente selagem e drenagem de lixiviados e biogás; redes de saneamento corroídas, com fugas de efluentes não tratados para o ambiente; saturação da ETAR devido a escoamento das águas pluviais ser feita nas redes de saneamento.

Desde há muito que estes problemas são conhecidos e nada justifica, ainda mais com todo o avanço tecnológico existente ao nível do funcionamento das ETAR, que se chegue ao final de 2010 com esta situação. E pior se compreende quando é o próprio Ministério do Ambiente a constatar que gastou ao longo dos anos cerca de 50 milhões de euros para tentar responder a estes problemas.

Em Junho de 2009 foi assinado um protocolo para a reabilitação do sistema de tratamento de águas residuais de Alcanena pela ARH Tejo, o INAG, a Câmara Municipal e a AUSTRA (gestora da ETAR), com investimentos na ordem dos 21 milhões de euros de comparticipação comunitária.

Este protocolo inclui cinco projectos, os mais importantes dos quais com prazo final apenas em 2013, o que significa arrastar os principais problemas identificados até esta data. Como os prazos de início dos estudos destes projectos já sofreram uma derrapagem, dúvidas se colocam sobre o cumprimento dos prazos estabelecidos, ainda mais quando não há certezas sobre a disponibilização de verbas nacionais para co-financiar os projectos, tendo em conta o contexto de contenção actual.

Considerando a gravidade dos problemas causados pela ETAR de Alcanena para as populações e o ambiente, o deputado José Gusmão e a deputada Rita Calvário do Bloco de Esquerda solicitam uma audiência com o Secretário de Estado do Ambiente, com a finalidade de obter esclarecimentos sobre os investimentos previstos para a reabilitação do sistema de tratamento, as soluções escolhidas, o cumprimento de prazos, e as garantias que os mesmos oferecem para resolver o passivo ambiental existente, os focos de contaminação dos recursos hídricos e solo, os maus cheiros e qualidade do ar respirado pelas populações deste concelho. Seria de todo útil que o presidente ou representantes da ARH-Tejo estivessem presentes nesta audiência.

Lisboa, 17 de Dezembro de 2010.

A Deputada O Deputado

Rita Calvário José Gusmão

Direito a não respirar “podre” – SIM ou NÃO?





No passado domingo, dia 12 de Dezembro, no Auditório Municipal de Alcanena, realizou-se uma conferência, dinamizada pelo Bloco de Esquerda, sobre a poluição em Alcanena.
Esta sessão reuniu um grupo de ‘preocupados’, que primeiramente ouviram as exposições de especialistas sobre o assunto e, no final, trocaram experiências e pontos de vista, baseados na própria vivência, bem como em conhecimentos técnicos e científicos.
Ficou bem patente que se trata de um grave problema de há muito sentido, mas também desvalorizado, do qual até ao momento não se conhecem as verdadeiras implicações para a saúde pública, mas que transtorna a vida de todos os que vivem e trabalham no concelho, tornando desagradável e doentio o seu dia a dia.
Ficou também claro que o Bloco de Esquerda, aliado desta causa, não abandonará a luta, que será levada até onde os direitos das pessoas o exigirem.

Comunicado de Imprensa

Leia em baixo o Comunicado de Imprensa de 3 de Dezembro do Bloco de Esquerda em Alcanena.

Clique aqui para ler

Reclamamos o DIREITO A RESPIRAR

Bloco de Esquerda continua na senda de uma solução para o grave problema de poluição ambiental em Alcanena



Na passada sexta-feira, dia doze de Novembro, uma delegação, composta pelo Deputado do Bloco de Esquerda pelo Distrito de Santarém, José Gusmão, e mais dois elementos do Bloco, foi recebida pela administração da Austra, no sentido de esclarecer alguns pontos relativos ao funcionamento da ETAR e à poluição que de há muito tem afectado Alcanena, com acrescida intensidade nos últimos tempos.

O Bloco de Esquerda apresentou já um requerimento ao Ministério do Ambiente, aguardando resposta.

Após a reunião com a administração da Austra, realizou-se na Sede do Bloco em Alcanena uma Conferência de Imprensa para fazer o ponto da situação.

Da auscultação da Austra, ficou claro para o Bloco de Esquerda que a ETAR de Alcanena não reúne as condições minimamente exigíveis, quer do ponto de vista do cumprimento da lei, quer da garantia de índices de qualidade do ar compatíveis com a saúde pública e o bem estar das populações.

A delegação do Bloco de Esquerda obteve do presidente da Austra o compromisso da realização de operações de monitorização da qualidade do ar em Alcanena, a realizar o mais tardar em Janeiro. De qualquer forma, o Bloco de Esquerda envidará esforços para que essa monitorização ocorra de forma imediata.

Embora existam planos para a total requalificação dos sistemas de despoluição, registamos com preocupação a incerteza sobre os financiamentos, quer nacional quer comunitário. O Bloco de Esquerda opor-se-á a que estes investimentos possam ser comprometidos por restrições orçamentais, e exigirá junto do Governo garantias a este respeito.

A participação popular foi e continuará a ser um factor decisivo para o acompanhamento e controlo da efectiva resolução do problema da qualidade do ar em Alcanena.

No âmbito da visita do Deputado do Bloco de Esquerda, José Gusmão, ao Concelho de Alcanena, realizou-se um jantar-convívio no Restaurante Mula Russa em Alcanena, ocasião também aproveitada para dialogar sobre assuntos inerentes ao Concelho. Mais tarde, José Gusmão, conviveu com um grupo de jovens simpatizantes num bar deste concelho.

No sábado, dia treze de Novembro, José Gusmão e outros elementos do Bloco de Esquerda estiveram em Minde, no Mercado Municipal, distribuindo jornais do Bloco, ouvindo e conversando com as pessoas.

Neste mesmo dia, junto ao Intermarché de Alcanena, José Gusmão contactou com as pessoas e entregou jornais do Bloco de Esquerda.

Num almoço realizado em Minde, no Restaurante Vedor, com um grupo de aderentes e simpatizantes do Bloco, houve mais uma vez oportunidade para ouvir opiniões, experiências e expectativas, bem como de exprimir pontos de vista.

O Bloco de Esquerda continuará a luta por um direito que parece ser inerente à própria condição humana, mas que vem sendo negado às pessoas que vivem e trabalham em Alcanena – o direito de respirar ar “respirável” e de não ser posta em causa a sua saúde.


A Coordenadora do Bloco de Esquerda de Alcanena

Poluição em Alcanena: Requerimento à Assembleia da República

Pessoas esclarecidas conhecem o seu direito de respirar ar puro e lutam pela sua reconquista já que alguns até isto usurparam.

O Bloco de Esquerda encetou a luta pela despoluição de Alcanena na legislatura anterior e continuará a manifestar-se e a rebelar-se contra esta desagradável e injusta situação até que no nosso concelho possamos respirar de novo.


Veja aqui Requerimento apresentado pelo BE quanto à questão da poluição em Alcanena

Carta à AUSTRA

Carta entregue pelo grupo de cidadãos "Chega de mau cheiro em Alcanena" ao Presidente da Austra e Presidente da Câmara Municipal de Alcanena

INAUGURAÇÃO DA SEDE DO BLOCO DE ESQUERDA EM ALCANENA

Francisco Louçã inaugurou no passado domingo, dia 31 de Outubro, a Sede do Bloco de Esquerda em Alcanena. Na inauguração esteve também representada a Coordenação Distrital do Partido; estiveram presentes aderentes e convidados. Esta ocasião especial foi uma oportunidade de convívio, acompanhada de um pequeno beberete.
Francisco Louçã falou, como sempre, de forma clara e apelativa, abordando a actual situação crítica do país,apontando as razões, propondo alternativas e caminhos.
Baseando-se no Socialismo Democrático, o Bloco de Esquerda tem sido sempre activo na defesa dos valores da verdadeira Democracia, e propõe-se continuar essa luta. Esta nova Sede é mais um ponto de encontro, de trabalho, de partilha de pontos de vista e de tomada de iniciativas, possibilitando que se ouçam as vozes de todas as pessoas e transmitindo os seus problemas e expectativas.
Trata-se de um pequeno espaço, que representa uma grande vontade de mudança e que espera contar com a presença de todos os que partilhem os ideais de um concelho mais próspero, de uma sociedade mais justa e equilibrada, de um país realmente mais avançado.