quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Precários apelam à greve geral

“A austeridade é a resposta contrária à vida das pessoas: quanto mais precário, menos apoios sociais; quanto menos direitos, maior a perseguição”, afirmam os movimentos de trabalhadores precários.
Três movimentos de trabalhadores precários – o FERVE (Fartos/as d’Estes Recibos Verdes), a Plataforma dos Intermitentes do Espectáculo e do Audiovisual e os Precári@s Inflexíveis – divulgaram um comunicado de apoio à convocação da Greve Geral de dia 24 de Novembro.
“Nós, precárias e precários, cerca de um terço de todos os trabalhadores, somos particularmente prejudicados pela nossa condição”, afirmam, argumentando que “temos todas as razões para participar neste protesto e tudo faremos para contribuir para uma mobilização que precisa de criar pontos de encontro para ser forte e inequívoca.”
Para os movimentos de precários, em Portugal, a factura da crise está a ser paga pelos mais fracos. “A austeridade é dirigida a quem trabalha e, em particular, pesa mais sobre quem já está em dificuldades, enquanto os privilegiados continuam a salvo. Porque não tem de ser assim, é preciso afirmá-lo em conjunto.”
E afirmam: “A austeridade é a resposta contrária à vida das pessoas: quanto mais precário, menos apoios sociais; quanto menos direitos, maior a perseguição. A austeridade escava ainda mais fundo o que a precariedade já aprofundava: a desigualdade, a discriminação e a injustiça social. Tiram-nos tudo. Sem trabalho, sem saber, sem ciência, sem cultura, sem arte, sem lazer, ficamos sem nada. Mas não nos resignamos.”

A grande farsa do Orçamento

PSD e Governo não se querem comprometer, porque na verdade não ficarão por aqui.
Hoje começa a discussão na generalidade no Orçamento do Estado. O documento que há semanas traz o país em suspenso, na expectativa de que, finalmente, possamos perceber o seu impacto real nos nossos bolsos e, com isso, no nosso futuro a longo prazo.
Há dois dias fechou-se o primeiro acto desta grande encenação entre Governo e PSD. Ficámos todos ainda com mais incertezas, e razões para temer que piores dias virão.
Passou-se uma semana deste jogo do gato e do rato, com reuniões conjuntas e encontros secretos, documentos trocados por baixo da mesa, declarações públicas inopinadas, trocas de acusações, horas marcadas e adiadas, e tudo isto em directo e ao vivo. Governo e PSD tiveram um comportamento à altura dos concorrentes de um reality show televisivo actual. Com intriga e traição à mistura, muitos segredos e mexericos, alguma tensão, e regras que premeiam quem, com maior esperteza, consegue manipular os adversários e assim beneficiar a conta bancária. Ou neste caso, a sua imagem pública.
Só que neste caso depois da “verdade” revelada e do fumo branco do entendimento, as contas são muito pouco claras. Uma grande nebulosa paira ainda sobre este orçamento.
As negociações com o PSD saldaram-se em cerca de 477 milhões a menos do que o previsto, 390 milhões em manutenção de benefícios fiscais e perto de 87 milhões no IVA alimentar. Milhões que não vão deixar de entrar nos cofres do Estado, já que a meta do défice orçamental para 2011 se mantém inalterada em 4,6% do PIB. O “mix” de redução da despesa e aumento da receita, a receita que Teixeira dos Santos encontrou para recuperar estes 500 milhões, adia a clarificação deste assunto para a discussão na especialidade.
O mínimo que se exigiria neste momento era transparência e seriedade nas contas do Estado. Em vez disso, na foto final, o PSD, quis ficar de fora, e Pedro Passos Coelho não deixou arrefecer o acordo sem vir dizer que “o pior está para vir”. PSD e Governo não se querem comprometer, porque na verdade não ficarão por aqui.
O Governo tem de explicar hoje que sacrifícios mais irá pedir aos portugueses. Este é um Orçamento do Estado a prazo, e a contagem decrescente começa hoje.

Auxílio alimentar das Misericórdias triplica

Já não são só os idosos, os desempregados ou pobres que pedem alimentos ou procuram as cantinas das instituições sociais. Também há pais de família e jovens com emprego.
O Banco Alimentar Contra a Fome já presta apoio a mais 40 mil pessoas e mais 750 instituições do que no ano passado. Foto de Paulete Matos
Apesar de ainda não se fazerem sentir os efeitos do Orçamento de Estado que começou a ser debatido no Parlamento esta terça-feira, o aumento da pobreza e o número de famílias necessitadas de apoio elementar, como o auxílio alimentar, não pára de crescer. Segundo o Jornal de Notícias, o Banco Alimentar Contra a Fome já presta apoio a mais 40 mil pessoas e mais 750 instituições do que no ano passado. No total, cerca de 300 mil recebem auxílio alimentar daquela instituição.
Também os utilizadores da cantinas das Misericórdias Portuguesas praticamente triplicaram – aumentaram entre 200 e 250%. Crescem também pedidos de ajuda de pessoas empregadas que procuram cabazes alimentares.
De facto, as instituições têm sido surpreendidas pelo perfil de quem pede ajuda: já não são apenas os idosos, os desempregado ou indigentes. "As pessoas que nos pedem ajuda são cada vez mais pais de família, são cada vez mais jovens, são cada vez mais pessoas empregadas", disse ao JN Manuel Lemos, presidente da União da Misericórdias Portuguesas. "O emprego já não é garantia suficiente para retirar uma pessoa duma situação de pobreza", lamenta.
Também procuram auxílio desempregados que perderam o direito ao subsídio de desemprego e que, com as novas medidas, deixaram até de ter o suporte do RSI.
Recorde-se que, segundo o INE, 1,9 milhões de pessoas vivam numa situação de risco de pobreza em 2009.

Sai um PEC4 prá mesa do canto

A novela PS/PSD em torno do OE2011 terminou com uma foto e com um buraco de 500 milhões de euros.
As conversações entre Governo e PSD sobre o Orçamento de Estado duraram uma semana. Foi a semana mais silly desta season, com avanços e recuos incompreensíveis, com braços de ferro impossíveis, com bolas a serem chutadas de campo para campo, com demasiados gritos de "agarrem-me senão eu-nem-sei-o-quê".
O protocolo de entendimento assinado às 23h19 da mesma sexta-feira em que o Presidente da República se dirigiu ao país no final do Conselho de Estado, teve a peculiaridade ser criticado pelos seus signatários apenas horas depois da sua apresentação. Catroga, ex-ministro da economia de Cavaco Silva, disse que o "orçamento era mau" e que o objectivo do PSD havia sido "atenuar alguns dos efeitos sobre as famílias e as empresas". Teixeira dos Santos, o Sr. Inflexível, disse que o PSD queria "dourar a pílula" e que este acordo teria um "custo de 500 milhões de euros".
PS e PSD concordaram mais do que discordaram nesta negociação, e o acordo foi conseguido aumentando o IVA para os 23%, mas não nos produtos alimentares (que se mantêm nos 6%), criando limites às deduções fiscais apenas para os últimos 2 escalões do IRS, criando um grupo de trabalho para analisar as parcerias público-privadas e inventando uma "entidade independente" que analise as contas públicas. Ou seja, relativamente aos cortes no salário dos funcionários públicos, à redução da verba para apoio aos desempregados e aos pobres, aos cortes cegos no Serviço Nacional de Saúde e na Escola Pública, à falta de investimento para a criação de emprego e à não contribuição da banca para a resolução da crise, houve enorme acordo por parte dos dois partidos.
Com este memorando abriu-se o capítulo do PEC4. Não haverá aumento de impostos, mas sim redução da despesa; e, se bem conhecemos Sócrates e Passos Coelho, o alvo já está apontado à vida de quem é pobre, trabalha ou está desempregado.
Nem uma só palavra do protocolo de entendimento, que vai levar o PSD a abster-se na votação do Orçamento de Estado para 2011, foi sobre desemprego ou sobre medidas para promover o crescimento da economia. Teixeira dos Santos, que anunciava há umas semanas no jornal Expresso ser um Keynesiano como o Presidente da República, planeia, negoceia e irá executar um plano que faria o economista inglês revirar-se na campa.
Face a este novo PEC, que todos admitem ser mau, só há um actor social que pode exigir que o orçamento, o governo e os partidos centrem a solução da crise na resolução dos problemas das suas vítimas, e esse actor social são os trabalhadores e as trabalhadoras.
No dia 24 de Novembro teremos de ser muitos e muitas numa Greve Geral que paralise o país, que paralise a austeridade e que paralise o desemprego.

Orçamento vota ao abandono a criação artística

Plataforma das Artes condena o desinvestimento no sector e afirma que este é de facto o mais baixo orçamento para a cultura desde que existe Ministério da Cultura.
Num comunicado divulgado esta segunda-feira, a Plataforma das Artes considera que os valores anunciados pelo Governo no Orçamento de Estado de 2011 para a área da cultura indiciam um "desinvestimento" e "definitivo abandono" da criação artística.
A Plataforma das Artes reúne a Associação Portuguesa de Realizadores (APR), a Plataforma das Artes Visuais, a Plataforma do Cinema, a Plataforma do Teatro, a PLATEIA – Associação de profissionais das artes cénicas e a REDE – Associação de estruturas para a dança contemporânea.
Na opinião dos criadores, "é justamente nos momentos de grave crise que não se pode capitular à tentação do desinvestimento".
Neste sentido, "é com a maior das apreensões que a Plataforma das Artes constata o que parece ser um definitivo abandono" de "um serviço público de valor inestimável".
Os artistas recordam que quando o Governo entregou, em Outubro, a proposta de OE para 2011 no parlamento, ficaram a saber que "não foi executado em 2010 cerca de 17 por cento do orçamento do MC, um corte real de sensivelmente 40 milhões de euros dos previstos 236,3 milhões no OE respectivo”, valores que, na sua opinião, confirmam um desinvestimento.
O Governo "projecta para 2011 um aumento de 2,9 por cento sobre o orçamento da cultura executado em 2010. No entanto, isto representa um corte à partida de cerca de 15 por cento, levando o orçamento do MC para 0,3 por cento" do OE.
"Se o governo pretende em 2011 realizar a mesma taxa de execução orçamental de 2010 o corte duplicará. Este é de facto o mais baixo orçamento para a cultura desde que existe Ministério da Cultura", criticam.
Os artistas questionam ainda: "Onde está a meta do um por cento para a cultura dos programas eleitorais e do Governo, onde está o reconhecimento do erro de não investir na cultura?"

Conservadores vêem crise como oportunidade

Num exemplo clássico de 'capitalismo do desastre', os cortes orçamentais estão a ser utilizados para remodelar a economia segundo os interesses dos negócios – e para destruir o sector público. Por George Monbiot, publicado no Guardian
Freddy Kruger, famoso personagem de filmes de terror
Temos estado a olhar para a lista errada. Ao esforçarmo-nos por adivinhar o que nos vai cair em cima amanhã, tentamos entender a primeira fase do ataque do governo britânico ao sector público: a fogueira das agências autónomas da administração pública1. Quase todas as instituições públicas encarregadas de proteger o ambiente, o bem-estar animal ou os consumidores foram mutiladas ou mortas. Mas isto é apenas metade da história. Olhemos de novo, e desta vez façamos uma lista das agências que sobreviveram.
Se o objectivo do governo fosse destruir agências inúteis ou nocivas, teria começado pela Commonwealth Development Corporation. Esta agência foi fundada para reduzir a pobreza nos países em desenvolvimento, mas, quando o 'New Labour' tentou e falhou a sua privatização, a CDC mudou completamente de objectivo. Agora despeja dinheiro em empresas privadas lucrativas, aproveitando para enriquecer massivamente os seus próprios gestores. [A revista] 'Private Eye' descobriu que esta agência pagou em 2007 ao seu principal director executivo mais de um milhão de libras. A revista mostrou ainda como a CDC se envolveu numa série de casos de corrupção. Sem cortes. Sem reformas.
O mesmo vale para o Export Credit Guarantee Department. Na prática, o ECGD subsidia empresas privadas avalizando os seus investimentos no estrangeiro. Chegou a gastar 42% do seu orçamento para promover a venda de armas pela BAE2. Também gasta dinheiro dos contribuintes na prospecção de petróleo em ambientes vulneráveis. Num caso recente, foi mostrado em tribunal que tinha subscrito contratos obtidos com ajuda de subornos. Sem cortes. Sem reformas.
A Sea Fish Industry Authority [Autoridade para a Indústria da pesca no Mar] existe "para ajudar a melhorar os lucros da indústria pesqueira." Embora se trate duma instituição pública, dez dos seus onze directores trabalham para a indústria da pesca ou para a da alimentação. A sua missão é "promover o consumo de peixe e marisco", "defender a indústria no debate público" e "influenciar o processo regulatório a favor da indústria." Sem cortes. Sem reformas.
O leitor está a ver o padrão? As instituições públicas cujo objectivo seja responsabilizar as empresas estão a ser varridas do mapa. As instituições públicas cujo objectivo é inflacionar lucros privados, independentemente das consequências para as pessoas e para o ambiente, passam incólumes.
O que as duas listas sugerem é que a crise económica é o desastre por que os conservadores têm rezado. O programa de cortes do governo tem todo o aspecto dum exemplo clássico de capitalismo do desastre: usar uma crise para reformular a economia no interesse dos negócios.
No seu livro The Shock Doctrine,3 Naomi Klein mostra como o capitalismo do desastre foi concebido pelos neoliberais extremistas da Universidade de Chicago. Estas pessoas acreditavam que a esfera pública devia ser eliminada, que o mundo dos negócios devia ter a liberdade de fazer tudo o que quisesse e que quase todos os impostos e quase toda a despesa social devia ser eliminada. Acreditavam que a total liberdade do indivíduo num mercado completamente livre resultaria numa economia perfeita e em relacionamentos perfeitos. Era um sistema utópico tão fanático como o de qualquer seita religiosa. E era profundamente impopular. Durante muito tempo, os seus únicos apoiantes foram os directores das corporações multinacionais e meia-dúzia de lunáticos no governo dos EUA.
Numa democracia, em condições normais, as pessoas prejudicadas pelo fim da provisão pública teriam sempre mais votos que as pessoas que beneficiassem dele. Portanto o programa de Chicago não podia ser imposto nestas circunstâncias. Como explicou o guru da Escola de Chicago, Milton Friedman, "só uma crise – real ou percepcionada – pode produzir uma mudança real". Quando uma crise nos atinge, explicou ele mais tarde, "uma administração tem entre seis a nove meses para efectuar mudanças de grande vulto; se não actuar decisivamente durante este período, não terá outra oportunidade deste tipo."
A primeira oportunidade deste tipo foi dada pelo golpe de estado do General Pinochet no Chile. O golpe foi planeado por duas facções: os generais e um grupo de economistas formados pela Universidade de Chicago e financiados pela CIA. As suas ideias já tinham sido redondamente rejeitadas pelo eleitorado, mas agora o eleitorado tinha-se tornado irrelevante: Pinochet utilizou a crise que criara para aprisionar, torturar ou matar qualquer dissidente. As políticas da Escola de Chicago – privatização, desregulamentação, cortes brutais nos impostos e nas despesas do Estado – revelaram-se catastróficas. A inflação atingiu os 375% em 1974; a maior taxa do Mundo. Mesmo assim, Friedman insistia que o programa não estava a ser suficientemente radical nem suficientemente rápido. Numa visita ao Chile em 1975, persuadiu Pinochet a bater com muito mais força. O resultado foi um crescimento massivo do desemprego e a quase erradicação da classe média. Mas os muito ricos tornaram-se muito mais ricos, e as empresas, quase livres de impostos, desreguladas e engordadas pelas privatizações, tornaram-se muito mais poderosas.
Em 1982, as receitas de Friedman tinham causado um descalabro económico espectacular. O desemprego atingiu os 30%; a dívida explodiu. Pinochet despediu os economistas de Chicago e começou a re-nacionalizar as empresas afectadas, levando a que a economia começasse a recuperar. O chamado milagre económico do Chile só começou depois de serem abandonadas as doutrinas de Friedman. O programa catastrófico da Escola de Chicago empurrou metade da população para níveis abaixo da linha de pobreza e deixou o Chile com uma das taxas de desigualdade mais elevadas do mundo.
Mas tudo isto foi apresentado pelos media corporativos como se tivesse sido um grande êxito. Com a ajuda de sucessivos governos americanos, foram impostos programas semelhantes a países em que a própria crise assegurava que as populações não lhes poderiam opor resistência. Outros ditadores sul-americanos copiaram as políticas económicas de Pinochet, com a ajuda dos desaparecimentos em massa, da tortura e dos assassínios. A crise de endividamento na parte mais pobre do Mundo foi usada pelo FMI e pelo Banco Mundial para impor programas baseados na Escola de Chicago a países que não tinham outra opção que não fosse aceitar a sua ajuda. Os EUA atingiram o Iraque com uma campanha de choque e pavor económico – privatizações, um imposto de rendimento plano4, desregulamentação massiva – ainda com as bombas a cair. Depois de o furacão Katrina destruir New Orleans, Friedman descreveu-o como "uma oportunidade para reformar radicalmente o sistema educativo". Os seus discípulos entraram imediatamente em campo, varrendo o que restava das escolas públicas enquanto os habitantes estavam ocupados em refazer as suas vidas e substituindo-as por charter schools privadas.
A nossa crise é menos extrema, portanto, no Reino Unido, a doutrina do choque não pode ser tão amplamente aplicada. Mas, como David Blanchflower avisou ontem, existe uma forte possibilidade de o programa de cortes precipitar uma crise ainda maior: "É um erro horrível, horrível. O que seria sensato seria fasear os cortes por um longo período." Esta é outra das características típicas do capitalismo do desastre: exarceba as crises que o alimentam, criando assim as suas próprias oportunidades.
Por isso não nos deve surpreender que 35 executivos de empresas escrevessem ontem aoTelegraph preconizando, tal como Friedman, um choque forte e rápido, antes que se feche a janela de oportunidade. Esta política poderia reduzir os seus lucros por um curto período, mas quando saíssemos dos nossos abrigos para avaliar os estragos descobriríamos que tínhamos emergido para um mundo diferente, administrado em benefício deles e não no nosso.

18 de Outubro
Publicado no Guardian
Tradução de José Luiz Sarmento publicado no blogue As minhas leituras

1 Estas agências são financiadas por fundos públicos mas não dependem organicamente do governo. Em inglês são designadas em gíria por 'quangos'. Também existem em Portugal, mas não conheço nenhuma gíria para as designar. (N.T)
2 BAE Systems: empresa privada do sector aero-espacial dedicada especialmente ao ramo militar. (N.T)
3 Publicado em português em 2009, com o título A DOUTRINA DO CHOQUE, pela editora SmartBook. (N.T)
4 ''Flat tax' no original. (N.T)

Abonos de família: 1,4 milhões de pessoas afectadas pelos cortes

Nesta segunda feira, entraram em vigor os cortes drásticos ao abono de família decididos pelo Governo: apenas passarão a ter direito os agregados familiares com um rendimento anual máximo de 8.803,62 euros. Os cortes podem provocar o aumento de pobreza infantil.
Os cortes no abono de família podem aumentar a pobreza infantil - Foto de Deanna Design/Flickr
Os cortes no abono de família podem aumentar a pobreza infantil - Foto de Deanna Design/Flickr
Entraram em vigor, nesta segunda feira 1 de Novembro, os cortes impostos pelo Governo em relação ao abono de família. Assim, os agregados familiares incluídos nos quarto e quinto escalões de rendimento deixam de ter acesso ao abono de família e foi eliminado o aumento extraordinário de 25% do abono de família nos primeiro e segundo escalões, que tinha sido criado em 2008, quando o Governo ainda tomava agumas medidas de combate à crise.
A partir de agora, para uma família de dois adultos e uma criança ter abono de família, cada adulto não poderá auferir em média mais de 628,38 euros brutos mensais.
Para calcular o abono de família, para além de ser preciso verificar se pelas novas regras o agregado familar tem direito, é preciso também ter em conta que em Agosto passado já tinham entrado em vigor novas condições de acesso, que alteram os cálculos, nomeadamente no alargamento do conceito de agregado familiar e também na ampliação do leque de rendimentos a incluir. (Ver artigo Abono de família: cortes já em Novembro)
Estes cortes que tiveram a oposição do Bloco de Esquerda e de outros partidos, levaram já várias organizações sociais e académicos a alertar para o risco de aumento da pobreza infantil.
No sábado passado, a Associação Portuguesa de Deficientes (APD) denunciou também que o Governo, ao fazer estes cortes no abono de família, nem sequer teve em consideração o número de filhos ou se algum dos filhos é deficiente. A APD considera que o corte nos abonos de família é "de uma imensa gravidade porque atinge agregados com baixos rendimentos" e, ao não ter em conta aqueles dados, "assume contornos de imoralidade".

INAUGURAÇÃO DA SEDE DO BLOCO DE ESQUERDA EM ALCANENA



Francisco Louçã inaugurou no passado domingo, dia 31 de Outubro, a Sede do Bloco de Esquerda em Alcanena. Na inauguração esteve também representada a Coordenação Distrital do Partido; estiveram presentes aderentes e convidados. Esta ocasião especial foi uma oportunidade de convívio, acompanhada de um pequeno beberete.
Francisco Louçã falou, como sempre, de forma clara e apelativa, abordando a actual situação crítica do país,apontando as razões, propondo alternativas e caminhos.
Baseando-se no Socialismo Democrático, o Bloco de Esquerda tem sido sempre activo na defesa dos valores da verdadeira Democracia, e propõe-se continuar essa luta. Esta nova Sede é mais um ponto de encontro, de trabalho, de partilha de pontos de vista e de tomada de iniciativas, possibilitando que se ouçam as vozes de todas as pessoas e transmitindo os seus problemas e expectativas.
Trata-se de um pequeno espaço, que representa uma grande vontade de mudança e que espera contar com a presença de todos os que partilhem os ideais de um concelho mais próspero, de uma sociedade mais justa e equilibrada, de um país realmente mais avançado.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Grécia novamente no olho do furacão

As débeis condições da Grécia agravadas pelos planos de austeridade diminuíram as receitas fiscais em percentagens maiores do que as esperadas. Como resultado, a Grécia não poderá cumprir a meta do défice orçamental. Por Marco Antonio Moreno.
Manifestação contra os planos de austeridade na Grécia - Foto de karpidis
Manifestação contra os planos de austeridade na Grécia - Foto de karpidis
Um dos problemas que os planos de austeridade têm é que as suas contas são mais complexas do que parecem à primeira vista. Ninguém tem em conta que nestes casos o multiplicador funciona ao contrário e o que antes eram ganhos agora são perdas líquidas. Isto verifica-se nos profundos cortes orçamentais que foram aplicados em alguns países e que estão a gerar uma queda maior no resultado final. E se agregarmos a percentagem de evasão, os saldos tornam-se ainda mais negativos.
A Grécia é o primeiro país que começa a sofrer as consequências deste fenómeno de que já tínhamos advertido quando assinalámos que os planos de austeridade conduzem ao desastre. As débeis condições da Grécia agravadas pelos planos de austeridade diminuíram as receitas fiscais em percentagens maiores do que as esperadas. Como resultado, a Grécia não poderá cumprir a meta do défice orçamental estabelecida em 8,1% do PIB. Mas, a quem ocorre comprometer-se com metas que serão inalcançáveis dado o contexto de crise global em que vivemos?
Só a velha escola do FMI é capaz de impor estas condições para emprestar dinheiro. O FMI não só ganha pela cobrança de juros, mas também pelas multas. Juntamente com a União Europeia (UE), o FMI elaborou um plano de resgate para a Grécia de 150 mil milhões de dólares. Com este dinheiro, esperava-se que a Grécia alcançasse um défice de 8,9% no pior dos casos. No entanto, nenhuma das análises teve em conta o custo dos juros da dívida pública, que apesar de terem caído em Maio após o acordo do Fundo de Estabilização, continuaram a subir e colocam agora os juros dos títulos da dívida pública grega a dez anos em 10,4%, segundo a Bloomberg, seguidos de muito perto pelos juros dos títulos das dívidas da Islândia e da Irlanda. Na prática, isto representa o nível inferior ao qual se está disposto a emprestar dinheiro à Grécia. Fraco favor num contexto de crise.
Os actuais dados das economias da periferia europeia são decepcionantes, porque as autoridades esqueceram que, quando se está numa crise financeira global, as dinâmicas tendem a ser deflacionárias e a cobrança de impostos cai. Isto demonstra que os planos de ajustamento foram feitos sem o menor critério e sem nenhum conhecimento real do que é uma crise financeira.
Até ao momento, os problemas têm-se mantido sob um relativo controlo pelas acções conjuntas dos governos e dos bancos centrais. Mas estas políticas depressa acabarão e os governos enfrentarão o drama de continuar no meio da crise com economias mais débeis do que no princípio dela.
Artigo publicado em El Blog Salmón, traduzido por Carlos Santos
Marco Antonio Morenoé um economista chileno, que edita o blogue Jaque al neoliberalismo

Administradores de 9 empresas públicas ganharam 7,5 milhões

Em 2009, nove empresas públicas gastaram 7,5 milhões de euros em salários e outras despesas de 46 administradores. Só a administração da TAP gastou mais de um terço desse total.
Fernando Pinto, presidente da TAP, empresa que gastou 2,6 milhões de euros com os seus seis administradores em 2009 – Foto de Tiago Petinga/Lusa (arquivo)
Fernando Pinto, presidente da TAP, empresa que gastou 2,6 milhões de euros com os seus seis administradores em 2009 – Foto de Tiago Petinga/Lusa (arquivo)
O jornal “Sol” divulgou as contas dos gastos com vencimentos e outras despesas dos administradores de nove empresas públicas: ANA, STCP, Estradas de Portugal, CTT, Refer, CP, Metro de Lisboa, Carris e TAP. Em média, cada um dos 46 administradores ganhou mais de 162,2 mil euros em 2009. O passivo destas nove empresas mais do que duplicou nos últimos quatro anos, passando de 13,3 mil milhões de euros em 2006, para 31,1 mil milhões de euros no final de 2009.
Só a TAP gastou, em 2009, mais de 2,6 milhões de euros com os seus seis administradores. A média do vencimento anual de cada um deles foi de 412.000 euros anuais, tendo o presidente do conselho de administração, Fernando Pinto, recebido 420.000 euros de vencimento base anual. A administração da TAP gastou ainda 74.000 euros em aluguer de carros e combustível e 55,4 mil euros em ajudas ao arrendamento de habitação de quatro administradores.
Segundo o jornal, os CTT é a segunda das nove empresas que mais gastou com a sua administração, tendo até distribuído um prémio de gestão aos seus cinco administradores no montante de 213,8 mil euros.
Mas nem só a TAP gasta elevados montantes com o aluguer de viaturas para os seus administradores. A Estradas de Portugal, a empresa pública que tem o maior passivo (15,8 mil milhões de euros), gastou 48.000 euros em aluguer de carros e combustível. Os CTT gastaram 42.500 euros para alugar carros para 4 administradores, enquanto a Metro de Lisboa gastou 85.000 euros, dos quais 40.300 foram dispendidos no aluguer de um carro usado por Miguel Roquette, vogal da administração, durante nove meses.

Comunicado do Bloco de Esquerda sobre a Escola EB2,3 de Minde

Consulte no link abaixo:

Requerimento ao Secretário de Estado do Ambiente

Bloco requereu a vinda do Secretário de Estado do Ambiente

à AR para esclarecer funcionamento da ETAR de Alcanena

O deficiente funcionamento da Estação de Tratamento de Águas Residuais (ETAR) de Alcanena, com mais de 20 anos, tem sido extremamente penalizador para a qualidade de vida e saúde pública das populações deste concelho, além de ser responsável pela poluição de recursos hídricos e solos.

Esta ETAR, destinada a tratar os efluentes da indústria de curtumes, foi desde a sua origem mal concebida, a começar por se situar em leito de cheia. Desde então os problemas são conhecidos e persistem: maus cheiros intensos; incumprimento regular dos valores-limite estabelecidos para o azoto e CQO das descargas de efluente tratado em meio hídrico; célula de lamas não estabilizadas, com deficiente selagem e drenagem de lixiviados e biogás; redes de saneamento corroídas, com fugas de efluentes não tratados para o ambiente; saturação da ETAR devido a escoamento das águas pluviais ser feita nas redes de saneamento.

Desde há muito que estes problemas são conhecidos e nada justifica, ainda mais com todo o avanço tecnológico existente ao nível do funcionamento das ETAR, que se chegue ao final de 2010 com esta situação. E pior se compreende quando é o próprio Ministério do Ambiente a constatar que gastou ao longo dos anos cerca de 50 milhões de euros para tentar responder a estes problemas.

Em Junho de 2009 foi assinado um protocolo para a reabilitação do sistema de tratamento de águas residuais de Alcanena pela ARH Tejo, o INAG, a Câmara Municipal e a AUSTRA (gestora da ETAR), com investimentos na ordem dos 21 milhões de euros de comparticipação comunitária.

Este protocolo inclui cinco projectos, os mais importantes dos quais com prazo final apenas em 2013, o que significa arrastar os principais problemas identificados até esta data. Como os prazos de início dos estudos destes projectos já sofreram uma derrapagem, dúvidas se colocam sobre o cumprimento dos prazos estabelecidos, ainda mais quando não há certezas sobre a disponibilização de verbas nacionais para co-financiar os projectos, tendo em conta o contexto de contenção actual.

Considerando a gravidade dos problemas causados pela ETAR de Alcanena para as populações e o ambiente, o deputado José Gusmão e a deputada Rita Calvário do Bloco de Esquerda solicitam uma audiência com o Secretário de Estado do Ambiente, com a finalidade de obter esclarecimentos sobre os investimentos previstos para a reabilitação do sistema de tratamento, as soluções escolhidas, o cumprimento de prazos, e as garantias que os mesmos oferecem para resolver o passivo ambiental existente, os focos de contaminação dos recursos hídricos e solo, os maus cheiros e qualidade do ar respirado pelas populações deste concelho. Seria de todo útil que o presidente ou representantes da ARH-Tejo estivessem presentes nesta audiência.

Lisboa, 17 de Dezembro de 2010.

A Deputada O Deputado

Rita Calvário José Gusmão

Direito a não respirar “podre” – SIM ou NÃO?





No passado domingo, dia 12 de Dezembro, no Auditório Municipal de Alcanena, realizou-se uma conferência, dinamizada pelo Bloco de Esquerda, sobre a poluição em Alcanena.
Esta sessão reuniu um grupo de ‘preocupados’, que primeiramente ouviram as exposições de especialistas sobre o assunto e, no final, trocaram experiências e pontos de vista, baseados na própria vivência, bem como em conhecimentos técnicos e científicos.
Ficou bem patente que se trata de um grave problema de há muito sentido, mas também desvalorizado, do qual até ao momento não se conhecem as verdadeiras implicações para a saúde pública, mas que transtorna a vida de todos os que vivem e trabalham no concelho, tornando desagradável e doentio o seu dia a dia.
Ficou também claro que o Bloco de Esquerda, aliado desta causa, não abandonará a luta, que será levada até onde os direitos das pessoas o exigirem.

Comunicado de Imprensa

Leia em baixo o Comunicado de Imprensa de 3 de Dezembro do Bloco de Esquerda em Alcanena.

Clique aqui para ler

Reclamamos o DIREITO A RESPIRAR

Bloco de Esquerda continua na senda de uma solução para o grave problema de poluição ambiental em Alcanena



Na passada sexta-feira, dia doze de Novembro, uma delegação, composta pelo Deputado do Bloco de Esquerda pelo Distrito de Santarém, José Gusmão, e mais dois elementos do Bloco, foi recebida pela administração da Austra, no sentido de esclarecer alguns pontos relativos ao funcionamento da ETAR e à poluição que de há muito tem afectado Alcanena, com acrescida intensidade nos últimos tempos.

O Bloco de Esquerda apresentou já um requerimento ao Ministério do Ambiente, aguardando resposta.

Após a reunião com a administração da Austra, realizou-se na Sede do Bloco em Alcanena uma Conferência de Imprensa para fazer o ponto da situação.

Da auscultação da Austra, ficou claro para o Bloco de Esquerda que a ETAR de Alcanena não reúne as condições minimamente exigíveis, quer do ponto de vista do cumprimento da lei, quer da garantia de índices de qualidade do ar compatíveis com a saúde pública e o bem estar das populações.

A delegação do Bloco de Esquerda obteve do presidente da Austra o compromisso da realização de operações de monitorização da qualidade do ar em Alcanena, a realizar o mais tardar em Janeiro. De qualquer forma, o Bloco de Esquerda envidará esforços para que essa monitorização ocorra de forma imediata.

Embora existam planos para a total requalificação dos sistemas de despoluição, registamos com preocupação a incerteza sobre os financiamentos, quer nacional quer comunitário. O Bloco de Esquerda opor-se-á a que estes investimentos possam ser comprometidos por restrições orçamentais, e exigirá junto do Governo garantias a este respeito.

A participação popular foi e continuará a ser um factor decisivo para o acompanhamento e controlo da efectiva resolução do problema da qualidade do ar em Alcanena.

No âmbito da visita do Deputado do Bloco de Esquerda, José Gusmão, ao Concelho de Alcanena, realizou-se um jantar-convívio no Restaurante Mula Russa em Alcanena, ocasião também aproveitada para dialogar sobre assuntos inerentes ao Concelho. Mais tarde, José Gusmão, conviveu com um grupo de jovens simpatizantes num bar deste concelho.

No sábado, dia treze de Novembro, José Gusmão e outros elementos do Bloco de Esquerda estiveram em Minde, no Mercado Municipal, distribuindo jornais do Bloco, ouvindo e conversando com as pessoas.

Neste mesmo dia, junto ao Intermarché de Alcanena, José Gusmão contactou com as pessoas e entregou jornais do Bloco de Esquerda.

Num almoço realizado em Minde, no Restaurante Vedor, com um grupo de aderentes e simpatizantes do Bloco, houve mais uma vez oportunidade para ouvir opiniões, experiências e expectativas, bem como de exprimir pontos de vista.

O Bloco de Esquerda continuará a luta por um direito que parece ser inerente à própria condição humana, mas que vem sendo negado às pessoas que vivem e trabalham em Alcanena – o direito de respirar ar “respirável” e de não ser posta em causa a sua saúde.


A Coordenadora do Bloco de Esquerda de Alcanena

Poluição em Alcanena: Requerimento à Assembleia da República

Pessoas esclarecidas conhecem o seu direito de respirar ar puro e lutam pela sua reconquista já que alguns até isto usurparam.

O Bloco de Esquerda encetou a luta pela despoluição de Alcanena na legislatura anterior e continuará a manifestar-se e a rebelar-se contra esta desagradável e injusta situação até que no nosso concelho possamos respirar de novo.


Veja aqui Requerimento apresentado pelo BE quanto à questão da poluição em Alcanena

Carta à AUSTRA

Carta entregue pelo grupo de cidadãos "Chega de mau cheiro em Alcanena" ao Presidente da Austra e Presidente da Câmara Municipal de Alcanena

INAUGURAÇÃO DA SEDE DO BLOCO DE ESQUERDA EM ALCANENA

Francisco Louçã inaugurou no passado domingo, dia 31 de Outubro, a Sede do Bloco de Esquerda em Alcanena. Na inauguração esteve também representada a Coordenação Distrital do Partido; estiveram presentes aderentes e convidados. Esta ocasião especial foi uma oportunidade de convívio, acompanhada de um pequeno beberete.
Francisco Louçã falou, como sempre, de forma clara e apelativa, abordando a actual situação crítica do país,apontando as razões, propondo alternativas e caminhos.
Baseando-se no Socialismo Democrático, o Bloco de Esquerda tem sido sempre activo na defesa dos valores da verdadeira Democracia, e propõe-se continuar essa luta. Esta nova Sede é mais um ponto de encontro, de trabalho, de partilha de pontos de vista e de tomada de iniciativas, possibilitando que se ouçam as vozes de todas as pessoas e transmitindo os seus problemas e expectativas.
Trata-se de um pequeno espaço, que representa uma grande vontade de mudança e que espera contar com a presença de todos os que partilhem os ideais de um concelho mais próspero, de uma sociedade mais justa e equilibrada, de um país realmente mais avançado.