terça-feira, 29 de junho de 2010

G20 quer mais austeridade

Grupo dos países mais ricos do mundo promete reduzir défice pela metade até 2013.
No fim da cimeira do grupo dos 20 países mais ricos do mundo, realizada no Canadá, a chanceler alemã, Angela Merkel, anunciou que todos os países se comprometeram a reduzir pela metade os seus défices até 2013. Já a criação de um imposto global sobre transacções financeira não foi aceite por todos os representantes. França, Alemanha e Reino Unido, prometem avançar unilateralmente com este imposto.
A decisão pela redução do défice foi bastante comemorado pela Alemanha, "Estamos muito contentes por constar na declaração final, de forma inequívoca, a necessidade de os países desenvolvidos cortarem os seus défices até 2013, começando a reduzir a dívida a partir de 2016.", afirmou Merkel, o que contrastou com o receio expresso pelos líderes dos países emergentes.
O ministro da Economia do Brasil, Guido Mantegna, criticou a prioridade dada pelos europeus à questão do défice. "Em vez de estimular o crescimento, eles prestam mais atenção aos equilíbrios orçamentais", disse. Posição semelhante a adoptada pela China, "Temos de agir de uma forma cautelosa, quanto ao timing, ao ritmo e à intensidade com que abandonarmos as políticas de estímulo à economia.", afirmou o presidente chinês, Hu Jintao.
No documento final do encontro, os países do G20 apelam aos países emergentes "que têm excedentes", para que contribuam para o combate à crise, adoptando "taxas de câmbio mais suaves", um apelo com destino certo, a China.

segunda-feira, 28 de junho de 2010

"Saldo orçamental zero é perseguição à política anti-crise"

"Saldo orçamental zero é perseguição à política anti-crise" 
“Saldo orçamental zero é perseguição à política anti-crise”
Francisco Louçã questiona Sócrates sobre um documento do ministério das Finanças que defende a introdução na “lei constitucional” a obrigatoriedade de saldo orçamental zero, de acordo com a pressão que o governo alemão está a fazer na UE. Veja também o primeiro 

O argumento da escolha é… anti-escolha!

Passos Coelho quer uma re-edição em Portugal de um sistema de saúde americano, que os próprios americanos odeiam e estão a tentar mudar!
Passos Coelho declarou no Diário Económico que prepara uma revisão constitucional cujos objectivos passam por retirar da educação e da saúde o seu carácter tendencialmente gratuito e assegurado predominantemente pelo Estado. Segundo Passos Coelho, os cidadãos deverão ter o direito a escolher se querem ser atendidos no Público ou no Privado e não deverão pagar duplamente por isso.
Este argumento tem feito escola nos últimos anos, propagandeado pelos liberais, proclama a liberdade e a escolha como o seu sustentáculo. Nada podia ser mais falso! Esta proposta de revisão não é estéril nem tem como único objectivo apenas as palavras da Constituição. O que Passos Coelho pretende mesmo é desinvestir e desestruturar o nosso serviço público de saúde sem ter a Constituição a perturbá-lo. Passos Coelho faz parte daquele grupo de liberais que acreditam que o Estado Social e a solidariedade não servem para nada e que o individualismo é o único valor que funciona na nossa sociedade.
Mas este argumento é especialmente falso porque ele não acrescenta escolha, pelo contrário, retira escolha. Retirar uma parte importante do financiamento do SNS (os impostos) é enfraquecê-lo, isto é, é retirar-lhe serviços, fechar hospitais e centros de saúde e deslocalizar especialistas para o sector privado. E um SNS amputado não é uma escolha, é uma fatalidade! Por outro lado, não há espaço para existirem, em Portugal, dois sistemas de saúde paralelos e funcionantes: um público e um privado – não há dinheiro, não há estrutura e, sobretudo, não há recursos humanos! É uma grande mentira achar que existem médicos suficientes para assegurar hospitais públicos e hospitais privados e também é uma grande mentira achar que o mesmo médico pode fazer muito bem as duas coisas!
Na prática o que Passos Coelho quer mesmo é que exista um SNS mínimo, a funcionar com os profissionais menos qualificados, escasso em recursos e escasso em capacidade científica e um sistema de saúde privado, pago a peso de ouro, onde estarão os melhores profissionais (após fugirem de um SNS fustigado pela penúria) e onde os clientes acederão através do pagamento de quantias enormes ou pelo recurso a seguradoras, a cobrarem importantes mensalidades e a discriminarem o tipo de tratamento que cada um pode ter, em função daquilo que paga!
Concluindo, a escolha é… anti-escolha, porque nesta situação os mais pobres não escolhem porque não terão possibilidades de pagar o sistema privado e terão de ficar com as sobras do SNS; e os mais abastados também não poderão escolher um sistema público, mesmo que queiram, porque estando deficiente e tendo estes possibilidades, terão que recorrer ao melhor dos serviços que será o mais caro!
No fundo, Passos Coelho quer uma re-edição em Portugal de um sistema de saúde americano, que os próprios americanos odeiam e estão a tentar mudar!

Irresponsabilidade pública

O desinvestimento público tem face e coroa. Na face, cumprem-se os défices, na coroa são as pessoas que perdem.
No início desta semana foi notícia o asfixiamento a que estão sujeitas as associações de doentes em Portugal. Há uns anos atrás, pouco ou nada sabia sobre elas. Entretanto, e depois de ter integrado vários projectos de investigação no Centro de Estudos Sociais sobre a realidade das associações de doentes em Portugal, é com imensa indignação que tomei conhecimento dos atrasos nos pagamentos por parte do Estado português, que lhes deve qualquer coisa como 4 milhões de Euros.
Existem actualmente em Portugal mais de cem associações: de doenças raras, de doenças mentais, cancro, SIDA, problemas de desenvolvimento, diabetes, enfim, a lista poderia prosseguir para tanto bastando enumerar as doenças.
Em regra, estão onde o Estado falha: no apoio aos doentes e às suas famílias. Poder-se-ia dizer que os cuidados de saúde integrados deveriam ser responsabilidade pública, mas a verdade é que milhares de doentes dependem da existência destas associações para poderem responder a necessidades básicas.
A crise económica agravou a sua situação, com a diminuição de donativos particulares. Nalguns casos, o cinto não aperta mais.
Acresce que são os doentes mais necessitados os mais desprotegidos.
A esmagadora maioria destas associações faz um trabalho invisível aos olhos da sociedade, mas indispensável a quem a elas recorre. Vivem em muito do trabalho voluntário, até porque, não raro, nasceram pela mão de famílias que atravessaram períodos difíceis e que juntaram forças, transformando a solidariedade em trabalho colectivo. Estas associações são hoje indiscutíveis informadoras de sintomas e experiências de vida que ajudam a medicina a consolidar modelos de tratamento e caminhos da investigação. São ainda, em muitos dos casos, a voz de quem não tem voz. Onde o Estado falha a sociedade não desiste, mas quando o Estado lhes falha são forçadas a procurar, por 'milagre' talvez, outros apoios. É por isso que o desinvestimento público tem face e coroa. Na face, cumprem-se os défices, na coroa são as pessoas que perdem.

Irresponsabilidade pública

O desinvestimento público tem face e coroa. Na face, cumprem-se os défices, na coroa são as pessoas que perdem.
No início desta semana foi notícia o asfixiamento a que estão sujeitas as associações de doentes em Portugal. Há uns anos atrás, pouco ou nada sabia sobre elas. Entretanto, e depois de ter integrado vários projectos de investigação no Centro de Estudos Sociais sobre a realidade das associações de doentes em Portugal, é com imensa indignação que tomei conhecimento dos atrasos nos pagamentos por parte do Estado português, que lhes deve qualquer coisa como 4 milhões de Euros.
Existem actualmente em Portugal mais de cem associações: de doenças raras, de doenças mentais, cancro, SIDA, problemas de desenvolvimento, diabetes, enfim, a lista poderia prosseguir para tanto bastando enumerar as doenças.
Em regra, estão onde o Estado falha: no apoio aos doentes e às suas famílias. Poder-se-ia dizer que os cuidados de saúde integrados deveriam ser responsabilidade pública, mas a verdade é que milhares de doentes dependem da existência destas associações para poderem responder a necessidades básicas.
A crise económica agravou a sua situação, com a diminuição de donativos particulares. Nalguns casos, o cinto não aperta mais.
Acresce que são os doentes mais necessitados os mais desprotegidos.
A esmagadora maioria destas associações faz um trabalho invisível aos olhos da sociedade, mas indispensável a quem a elas recorre. Vivem em muito do trabalho voluntário, até porque, não raro, nasceram pela mão de famílias que atravessaram períodos difíceis e que juntaram forças, transformando a solidariedade em trabalho colectivo. Estas associações são hoje indiscutíveis informadoras de sintomas e experiências de vida que ajudam a medicina a consolidar modelos de tratamento e caminhos da investigação. São ainda, em muitos dos casos, a voz de quem não tem voz. Onde o Estado falha a sociedade não desiste, mas quando o Estado lhes falha são forçadas a procurar, por 'milagre' talvez, outros apoios. É por isso que o desinvestimento público tem face e coroa. Na face, cumprem-se os défices, na coroa são as pessoas que perdem.

Um furacão de austeridade paira sobre a Europa

O Fundo Monetário Internacional, depois de impor durante anos medidas duras de ajustamento das contas públicas aos países do sul, impõe agora as suas receitas neoliberais na Europa, diminuindo os direitos laborais em favor de políticas liberais que perpetuam o sistema capitalista. Por Jérôme Duval, Damien Millet e Sophie Perchellet, do Comité para a Anulação da Dívida do Terceiro Mundo (CADTM).
Confrontos na Gécia durante protesto contras as medidas de austeridade. Foto de Subterranean Tourist Board, FlickR
Confrontos na Gécia durante protesto contras as medidas de austeridade. Foto de Subterranean Tourist Board, FlickR
A crise actual é o meio ideal para que o FMI aplique na Europa as suas receitas ultraliberais adulteradas, receitas essas que anda a impor aos países em desenvolvimento desde o início dos anos 80. Desautorizado durante três décadas de planos de ajustamento estrutural impostos brutalmente aos povos do sul, o FMI volta ao centro do jogo político a partir do momento em que o G20 se responsabiliza pela gestão da crise, em 2008.
O sul foi o primeiro campo de batalha. A Europa é agora a sua continuação. O FMI multiplica os empréstimos a alguns países europeus que se encontram em dificuldades para pagar uma dívida pública aumentada repentinamente devido à desaceleração económica e aos planos de salvamento de bancos, cuja desenfreada procura de lucros levou, justamente, a esta crise. Em 2007, a Turquia era o único país de envergadura que ainda batia à porta do FMI. Muitos outros países como o Brasil, a Argentina, o Uruguai, as Filipinas, etc., tinham cancelado antecipadamente a sua dívida com o FMI para se libertarem da sua incómoda tutela. O tempo das vacas magras foi ultrapassado e, em menos de um ano, o FMI já abriu uma linha de crédito para uma dezena de países europeus e intervém desde essa altura em múltiplas frentes.
Agora, a instituição vê que os seus lucros quadruplicaram durante o exercício de 2009-2010 (fechado em finais de Abril), mesmo sem ter em conta a venda de parte das suas reservas de ouro. Lucros que são de 534 milhões de dólares face aos 126 milhões de dólares do exercício anterior. Confiar a gestão da crise a um organismo que tira proveito dela a este ponto não deveria deixar os cidadãos tranquilos… Por outro lado, enquanto o Fundo impõe o congelamento, ou redução, dos salários um pouco por todo o lado, o seu director-geral, o socialista francês Dominique Strauss-Kahn «sofreu» um aumento superior a 7% desde a sua chegada, estabilizando no meio milhão de dólares/ano.
O primeiro país atingido foi a Hungria, antes da Ucrânia, Islândia e Letónia. Depois, em 2009, foram a Bielorrússia, Roménia, Sérvia, Bósnia e, mais recentemente, a Moldávia e a Grécia. A lista de países que solicitam empréstimos à instituição continua a aumentar e todos eles são obrigados a aplicar os planos de austeridade ditados pelos mercados financeiros, pelo FMI e pela União Europeia.
O impacto social desastroso sobre as populações recorda-nos os planos de ajustamento estrutural de sinistra memória, implantados a sul depois da crise da dívida de 1982. Estes planos de austeridade têm como objectivo uma forte redução dos gastos públicos, sem atingir o grande capital, a fim de arranjar os fundos necessários para reembolsar prioritariamente os credores.
A Hungria abre a dança dos ajustamentos
Em Outubro de 2008, foi aprovado um plano para a Hungria de 20 mil milhões de euros: 12.300 milhões emprestados pelo FMI, 6.500 milhões emprestados pela União Europeia e 1.000 milhões de euros emprestados pelo Banco Mundial. Além do crescimento automático do stock da dívida e da perda líquida, devido ao pagamento de juros, implantou-se uma série de condições severas para a população: aumento de 5 pontos no IVA, actualmente nos 25%; aumento da idade legal de reforma para os 65 anos; congelamento de salários para os funcionários públicos durante dois anos; supressão do subsídio de Natal para os reformados.
A Hungria, governada pelos sociais-democratas, tinha conseguido salvaguardar um sistema social bastante protector. O descontentamento da população em consequência da aplicação, sob a ameaça do FMI, dessas medidas de austeridade, beneficiou a direita conservadora que acusou os sociais-democratas no poder de terem transformado o país numa «colónia do FMI» (conforme escreveu o jornal conservador Magyar Nemzet). No entanto, a vitória do novo primeiro-ministro conservador Viktor Orban foi aclamada pela agência de notação financeira Fitch Ratings, que considera que o partido de Orban, o Fidesz, obteve a maioria necessária para modificar a Constituição e, por isso, «representa uma oportunidade para introduzir reformas estruturais».
Os sociais-democratas sofreram uma derrota histórica nas eleições legislativas de Março de 2010 e abriram as portas à extrema-direita, que entrou no parlamento pela primeira vez, com 16,6% dos votos.
Ucrânia sancionada pelo FMI
O FMI aprovou, em Novembro de 2008, um programa de resgate de dois anos para a Ucrânia que atingiu os 16.400 milhões de dólares. Até Maio de 2010, o país só tinha recebido 10.600 milhões de dólares da instituição. Porquê? Porque desde o aumento de 20% no salário mínimo, aprovado pelo governo anterior de Viktor Yúshenko em finais de Outubro de 2009, o FMI suspendeu a entrega de fundos. A visita de uma delegação ucraniana a Washington, em Dezembro de 2009, não resultou em qualquer alteração e o pagamento de uma nova fracção do crédito permanece bloqueado.
O último pagamento remonta a Julho de 2009, devido à falta de acordo de Kiev acerca das condições. O FMI fixou o défice orçamental previsto para 2010 em 6% do PIB, enquanto o governo propõe um défice de 10% para não ter de apertar tanto o cinto. Fortemente penalizada pela crise, a Ucrânia sofreu uma queda de 15,1% do PIB em 2009, e conseguir um défice de 6% em 2010, como exige o FMI, é uma missão impossível.
Enquanto espera, a Ucrânia teve de aprovar o aumento da idade da reforma e o aumento de 20% na tarifa do gás aos particulares, a partir de 1 de Setembro de 2009. Prevê-se uma privatização e recapitalização dos bancos. A privatização da fábrica química de fertilizantes de Odessa volta a estar sobre a mesa, apesar da sua importância estratégica para a região e para o Estado, e apesar de as críticas que podem ser feitas relativamente às suas práticas ambientais. O novo governo, formalizado em Março de 2010 com a eleição presidencial de Viktor Yanukóvich, propõe, entre as suas prioridades, continuar a solicitar ajudas ao FMI. Dessa forma, espera obter um plano de apoio de
19.000 milhões de dólares do FMI, depois de fazer o parlamento aprovar um orçamento para 2010 que prevê reduzir o défice até 5,3% do PIB, superior às próprias exigências do Fundo. A visita do FMI, no fim de Março de 2010, foi a oportunidade para se aproximar do novo governo com vista ao relançamento do crédito, acompanhado por futuras medidas de austeridade.
Grécia: berço da democracia
Enquanto a Grécia, sufocada por uma dívida recorde, batia à porta da União Europeia e do FMI (em princípio para um empréstimo de urgência de
45 mil milhões de euros, dos quais 15 mil milhões correspondiam ao FMI) a agência de notação financeira Standard & Poor’s diminuía (em três níveis) a nota da sua dívida, a 27 de Abril de 2010. Os mercados caem e os investidores especulam em baixa, acentuando a tendência.
O primeiro-ministro Papandreu declarava a 11 de Dezembro de 2009 que «os assalariados não pagarão por esta situação. Não procederemos à congelação ou à redução dos salários. Não chegámos ao poder para desmantelar o Estado social». No entanto, em 18 de Março de 2010 começou a ser minuciosamente elaborado um plano comum UE - BCE – FMI com o acordo do PASOK, o partido de Papandreu no poder, cuja contrapartida seria uma cura de austeridade sem precedentes, de modo a economizar, à custa do povo grego, 4.800 milhões de euros em Março de 2010 e, depois, mais 30 mil milhões em Maio, de acordo com um novo plano, com o objectivo de pagar aos credores.
No menu, o congelamento de contratações e a redução dos salários dos funcionários (corte substancial nos pagamentos extraordinários, diminuição dos prémios, apesar de uma anterior redução dos salários decidida em Janeiro de 2010); congelamento das pensões; aumento do IVA de 19% para 23% – apesar de se tratar de um imposto injusto que afecta maioritariamente os mais desfavorecidos –; aumento dos impostos sobre o álcool e o tabaco; redução drástica das despesas sociais, como a Segurança Social, etc.. Os direitos sociais são sacrificados no altar dos interesses da «elite tradicional local» e das despesas militares, o orçamento mais importante da UE, relativamente ao seu PIB. A população reagiu em força e organizou greves gerais (nos dias 10 de Fevereiro, 11 de Março, 5 de Maio e 20 de Maio de 2010) que paralisaram o país muitas vezes.
Os romenos também vêm para a rua
Juntamente com a Bulgária, a Roménia é um dos países mais pobres da União. Em Março de 2009, a Roménia obteve um empréstimo de cerca de
20 mil milhões de euros: 12.900 milhões correspondentes ao FMI, 5.000 milhões à UE, entre 1.000 e 1.500 milhões ao Banco Mundial e o restante a várias instituições, entre as quais figura o Banco Europeu para a Reconstrução e o Desenvolvimento (BERD). Em troca, Bucareste comprometeu-se a reduzir o seu défice público de 7,9% do PIB em 2009 para 5,9%, mas ao considerar-se este objectivo não realista, fixa-se finalmente em 6,8% em 2010. No menu, mais do mesmo: congelamento de pensões e de salários com a manutenção do salário mínimo em 600 leibrutos (145 euros), supressão de 100 mil funcionários públicos em 2010, ou seja, 7,5% dos efectivos da função pública. Ali também a população se mobilizou contra as medidas de austeridade. A 19 de Maio, mais de 60 mil manifestantes concentraram-se diante da sede do governo no momento em que este reforçava o seu programa de ajustamento, ao anunciar uma redução de 25% no salário dos funcionários públicos e de 15% nos subsídios de desemprego e nas pensões, cujo mínimo é já de 85 euros.
Além disso, o governo prevê a redução por decreto dos subsídios às famílias, bem como das ajudas dadas aos deficientes, a partir de 1 de Junho de 2010. É novamente à custa dos mais pobres que se quer pagar a crise, evitando-se cuidadosamente onerar o capital: o imposto de sociedades caiu 9 pontos, passando de 25% em 2000 para 16% em 2009.
Os islandeses recusam-se a pagar
Antes da famosa nuvem de cinzas vulcânicas que paralisou o espaço aéreo europeu, em 2010, durante vários dias, a Islândia já tinha sido notícia de grande actualidade devido a uma grave crise em 2008. O desemprego tinha passado de 2%, em Outubro de 2008, para 8,2%, em Dezembro de 2009. O Estado salvou da falência os três principais bancos do país, endividando-se enormemente e não podendo, mais tarde, garantir o reembolso aos detentores britânicos e holandeses dos seus títulos. O povo islandês viu-se obrigado a pagar essa dívida mediante a lei Icesave, apoiada pelo FMI, e adoptada com enorme irresponsabilidade e deslealdade no último dia do ano de 2009, uma dívida que tinha servido para trazer novamente à tona os banqueiros culpados.
Depois de uma grande mobilização popular, a lei foi rejeitada por mais de 73% da população no referendo de Março de 2010. Um relatório da SIC (Special Investigative Commission) apresentado em Abril perante o parlamento, questionou a responsabilidade de alguns dirigentes dos grandes bancos e de membros do governo cessante, em particular a do anterior primeiro-ministro, na crise bancária de 2008. David Oddsson, que dirigia o Banco Central em 2008, fugiu justamente antes da publicação desse relatório e escapou assim à Justiça do seu país.
Quatro antigos dirigentes do Banco Kaupthing, entre eles o anterior Presidente-Director-Geral Hreider Mar Sigurdsson, foram detidos à sua chegada a Luxemburgo, onde residiam. Sigurdur Einarsson, presidente do conselho de administração, refugiado em Londres, tem também uma ordem de detenção, emitida pela Interpol.
Em conluio com o FMI, a União Europeia dita as suas vontades aos governos e impõe medidas bastante impopulares. Em Novembro de 2009, o parlamento europeu emprestou à Sérvia 200 milhões de euros; à Bósnia-Herzegovina, 100 milhões de euros; à Arménia, 65 milhões de euros de empréstimo e 35 milhões de euros de subvenção; e à Geórgia, uma subvenção de 46 milhões de euros.
Esmagados pela especulação sobre a dívida, antes mesmo da intervenção do FMI, os estados tomam a iniciativa e prevêem reformas anti-sociais em Espanha, Portugal, Irlanda, Itália… Por toda a parte estes tratamentos de austeridade espremem os salários e preservam o grande capital, responsável por este beco sem saída capitalista. Por toda a parte os povos se mobilizam e a única esperança reside precisamente nessa mobilização. É urgente, para todos os que querem resistir eficazmente à lógica capitalista, trabalhar pela unificação destas lutas.
16 de Junho de 2010

Assessor do governo passou para a empresa que vende 'chips'

Pedro Bento é agora o principal gestor da empresa norueguesa que fornece os equipamentos de cobrança; antes fora administrador da empresa pública que os autorizou e vai gerir.
Foto de Rucardo Reis, FlickR
Foto de Rucardo Reis, FlickR
Expresso desta semana revela mais um caso de promiscuidade entre o público privado e de trânsito sem ética entre cargos de um para o outro sector: Pedro Bento, ex-assessor do Secretário de Estado adjunto das Obras Públicas e Comunicações, nomeado em Outubro de 2009 para administrador-executivo da empresa de capitais públicos que autoriza e gere todos os equipamentos de cobrança automática de portagens (chips) das Scut, passou em Março deste ano a ser o principal responsável da empresa norueguesa que fornece todos esses equipamentos.
A Q-Free, empresa norueguesa, fabrica e fornece os equipamentos que são instalados nos pórticos de entrada das auto-estradas para controlar os acessos, e os chips a serem instalados nos veículos, além do sistema de controlo de backoffice.
Além dos chips para as Scut, a empresa norueguesa fornece também os 2,4 milhões de identificadores usados pelos clientes da Via Verde.
Pedro Bento tem 34 anos e era o único administrador-executivo da SIEV – Sistema de Identificação Electrónica de Veículos S.A., sociedade anónima de capitais públicos criada em Maio de 2009 para gerir o esquema de pagamento electrónico da portagens nas Scut. Na mesma altura, foram nomeados outros dois administradores, mas sem funções executivas. Mais curiosamente ainda – se considerarmos que o governo teima em começar a cobrança das portagens nas Scut em Julho – Pedro Bento ainda não foi substituído na SIEV, que está sem administrador-executivo.
Inquirido pelo Expresso, o secretário de Estado das Obras Públicas limitou-se a dizer que “não existe qualquer impedimento ou incompatibilidade legal” para a transferência de funções do público para o privado, e que por isso, essa matéria “é do foro ético e pessoal de cada um”.
Além deste tema, debateu-se também a redução do financiamento das campanhas eleitorais e a transposição de duas directivas comunitárias. Por Heitor Sousa
Semana parlamentar
Esta semana parlamentar foi marcada pelos debates em plenário, versando sobre três temas:
– as alterações à lei sobre a redução do financiamento das campanhas eleitorais (proposta do Bloco);
– a transposição de duas directivas comunitárias, uma sobre direitos dos maquinistas, quando em exercício da sua actividade nas ligações ferroviárias internacionais, e outra sobre as sanções aplicar pela violação das condições de trabalho, tempos de trabalho e de descanso para os motoristas no transporte internacional rodoviário de mercadorias e de passageiros;
– as propostas de revogação da legislação aprovada na anterior legislatura, de maioria absoluta do PS, e relativa aos chamados "chips" electrónicos de matrículas dos veículos automóveis.
Baixaram ainda à Comissão Parlamentar respectiva, sem votação, diversos propostas de diploma relativos aos direitos de utentes nos serviços públicos essenciais (inclui o projecto de lei do Bloco).
Sobre o primeiro tema, o Bloco de Esquerda defende a ideia de que todas as campanhas eleitorais devem ter uma redução de gastos autorizáveis na ordem dos 50%, enquanto que as subvenções de campanha devem ter uma redução de 25% (presidenciais, legislativas, parlamento europeu e regionais), sendo que, no caso das autárquicas, o valor da subvenção global admissível deverá ser reduzida de 150% para 100% do valor total admissível, por autarquia. De notar que a proposta do Bloco, foi aprovada na generalidade, baixando à Comissão para abordagem na especialidade e, depois, regressa a plenário para votação final.
Quanto ao segundo tema, as duas directivas comunitárias não eram exactamente iguais, apesar de se referirem, tanto num caso, como noutro, ao transporte internacional transfronteiriço terrestre, mas por via rodoviária e ferroviária. Uma das directivas, referente ao transporte rodoviário, transpunha um quadro sancionatório, para vigorar em todos os países da União, relativo ao incumprimento de certas condições de trabalho mínimas, relativas a tempos de trabalho, pausas, intervalos de descanso e outras conexas. A outra directiva, mas para aplicação aos maquinistas ferroviários, é um pouco mais abrangente pois regula não apenas o quadro sancionatório, mas também uniformiza as condições da prestação de trabalho mínimas aceitáveis na União. Como em ambos os casos, se trata de limites que ultrapassam o que já se encontra em vigor em Portugal, no âmbito da contratação colectiva, o Bloco absteve-se em ambos os casos.
Por último, os projectos de diploma dos vários partidos (Bloco de Esquerda, PSD, PCP e CDS) relativos aos "dispositivos electrónicos de matrículas", vulgo "chips de matrículas" foram todos aprovados na generalidade, e baixaram à COPTC. Porém, as negociações entre PS e PSD para não revogarem o pacote legislativo do governo sobre o assunto continuam, agora na fase de especialidade, perspectivando-se um acordo genérico de ambos os partidos sobre a aplicação do princípio do utilizador-pagador e, portanto, para o pagamento de portagens em todas as SCUT. Trata-se, como se sabe, de uma matéria que ambos os partidos, no tempo eleitoral, propagandearam a ideia de que as SCUT não deviam ser portajadas. Agora, nove meses depois, o vento levou essas palavras...
Pela nossa parte, mantemos a convicção de que o pagamento de portagens em zonas deprimidas e em crise económica e social profunda, crise essa que se tem agravado nos últimos anos, significa acrescentar crise à crise, e serem sempre os mesmos a pagar pela irresponsabilidade e política de vários Governos PS/PSD/CDS que, em matéria de SCUT, foram os principais obreiros de um grande negócio para os grandes grupos económicos crescerem à custa do erário e das finanças públicas.

domingo, 27 de junho de 2010

Alegre quer outra economia na Europa e em Portugal

Manuel Alegre defendeu em Setúbal que o PR "não pode dizer que o país vive numa situação insustentável" e afirmou-se contra o caminho da Europa neoliberal, defendendo o da coesão económica, o do emprego e o da solidariedade.
Alegre quer outra economia na Europa e em Portugal
“Sabemos que a crise está a ser aproveitada para impor a toda a Europa e aos países mais frágeis um plano de austeridade que vai trazer mais recessão, mais desemprego”, afirmou Alegre no jantar em Setúbal. Foto José Luís Costa/LUSA..
“Ao Presidente da República cabe, não palavras de depressão que desmobilizem os portugueses, mas uma palavra de confiança” disse Manuel Alegre num jantar de pré-campanha para as eleições presidenciais que reuniu, esta sexta-feira, cerca de 300 apoiantes, em Setúbal.
“E se a situação é insustentável, o que é que ele fez para impedir que a situação fosse insustentável?”, questionou Manuel Alegre, lembrando que o Presidente da República “não é eleito para avisar nem para prevenir e que tem poderes consagrados na Constituição”.
O candidato presidencial, apoiado pelo Bloco de Esquerda, pelo PS e pela Renovação Comunista, reagia às declarações do Presidente da República, que disse que o país estava numa “situação insustentável” e “sob escrutínio muito rigoroso, vindo do exterior, no que diz respeito à sua situação financeira”.
Afirmando-se contra os “silêncios prudentes”, Alegre disse que é preciso um país onde a economia esteja ao serviço das pessoas, “que não são números”, e não o contrário.
"Nós sabemos quais são as raízes desta crise. Sabemos que os estados se endividaram para salvar o sistema bancário e depois se endividaram ainda mais para atenuar os efeitos da crise. Sabemos agora também que aqueles que beneficiaram do esforço que foi feito pelos estados e pelos contribuintes estão a querer agora que sejam os contribuintes a pagar de novo aqueles bancos que engordaram à custa da compra da dívida soberana a juros e taxas fabulosos", declarou Alegre.
Reconhecendo que o país está a atravessar momentos difíceis devido à crise provocada pelo sector financeiro, Manuel Alegre defendeu que é preciso encontrar outras soluções para a crise, que não as que estão a ser defendidas pelos defensores do neoliberalismo e lembrou: “A crise também se deve aos atrasos sociais e de desenvolvimento do nosso país”, referindo-se ao tempo em que Cavaco Silva foi primeiro-ministro, no qual “se investiu mais em betão do que em pessoas” e que nessa altura a dívida cresceu 10%.
“Sabemos que a crise está a ser aproveitada para impor a toda a Europa e aos países mais frágeis um plano de austeridade que vai trazer mais recessão, mais desemprego”, afirmou.
Assim, perante esta crise, Manuel Alegre considera que há dois caminhos: a austeridade, a recessão, o desemprego, a desregulamentação, a diminuição dos serviços públicos sociais e a liberalização dos despedimentos, ou, em alternativa, uma reforma profunda, uma política de coesão económica, de coordenação económica, de coesão social, de criação de emprego e, sobretudo, de mais solidariedade.

“Se é mais Europa neoliberal numa Europa dominada pelo neoliberalismo, o Estado português tem uma palavra a dizer. Sabemos que somos um país pequeno mas temos que fazer ouvir a nossa voz”, disse.
“Não é possível que uma Europa que foi sonhada para trazer mais democracia, mais coesão, mais bem-estar para os povos europeus, seja agora aproveitada para fazer aquilo que, ao longo de dezenas de anos, a direita não conseguiu fazer: destruir o Estado social, destruir os serviços sociais, fazer diminuir os rendimentos do trabalhos, fazer diminuir os custos de produção à custa da diminuição dos rendimentos do trabalho”, acrescentou.
“Pacto de insubmissão contra este estado de coisas”
“Fomos uma geração de utopia”, disse Alegre citando Pepetela, referindo-se ao tempo em que derrubar o fascismo era o objectivo maior e a resolução dos problemas. O candidato recordou a sua geração para dizer que os jovens do presente vivem numa maior insegurança e incerteza – “é a geração da precariedade” - e declarou também que “não é com roteiros bonitos para jovens empresários” que se responde aos jovens desempregados, aos que vivem entre estágios não remunerados. “Não é dizendo: sejam empreendedores” que permitimos aos jovens ter uma casa, o primeiro emprego, ver respeitados os seus estudos e aspirações. Nesse sentido, o candidato presidencial apelou ao um “pacto de insubmissão” contra este estado de coisas, “contra a precariedade e a vida que estão a obrigá-los a viver”.
Manuel Alegre pronunciou-se ainda contra uma revisão constitucional que pretenda retirar da Constituição os direitos sociais, afirmando: “não quero uma revisão da nossa democracia, não quero uma revisão da nossa história, não quero uma revisão do nosso país”.
No jantar em Setúbal, em que contou com a presença da ex-ministra da Saúde Maria de Belém, mandatária nacional da sua candidatura, e da deputada do Bloco de Esquerda Mariana Aiveca, entre outras personalidades, Manuel Alegre concluiu que “tudo isto” vai estar em jogo nas próximas eleições presidenciais.
 

G8 e G20 reunidos no Canadá à procura da retoma da economia

Na cimeira do G8, reunida este sábado, disputa-se a saída da crise económica internacional. Os europeus defendem uma maior austeridade fiscal, para conter défices, e a taxação bancária, mas os países emergentes querem maior participação do Banco Mundial e o FMI.
G8 e G20 reunidos no Canadá à procura da retoma da economia
Uma manifestante pacifista do "Clown Army" [Exército de Palhaços] interage com a polícia durante as manifestações anti-G8 e anti-G20, no Canadá. Foto LUSA/EPA/SERGEI ILNITSKY.
Os sete países mais industrializados, Alemanha, França, Itália, Reino Unido, EUA, Canadá e Japão (G7) e a Federação Russa (juntos formam o G8 ) estão este sábado reunidos em Huntsville, um local turístico solitário do Canadá, perto de Ontário, onde o presidente dos Estados Unidos da América pressionou os europeus para encorajarem a retoma nascente.
 “Devemos agir de forma concertada por uma razão simples: esta crise provou que as nossas economias nacionais estão inextrincavelmente ligadas”, disse Barack Obama, lembrando que “a tormenta económica pode propagar-se facilmente”. Na noite de quinta-feira, o congresso dos EUA aprovou um projecto de reforma da regulação financeira que Obama deverá afirmar junto dos seus pares.
Os europeus procuraram defender-se, garantindo que as políticas de austeridade adoptadas nos últimos meses na Alemanha, Reino Unido e França não colocaram em causa a recuperação económica.
É “tempo de reduzir os défices” e “a Europa viveu a experiência do que significa ter défices demasiado elevados”, retorquiu a chanceler alemã, Angela Merkel, aludindo aos casos recentes de Grécia, Espanha e Portugal. Além de que, acentuou, “é preciso um crescimento que assente em bases reais e não no endividamento”.
A reunião de hoje do G-8 é seguida, no domingo, por uma do Grupo dos 20 (G-20), que integra, além destes oito Estados, África do Sul, Arábia Saudita, Argentina, Austrália, Brasil, China, Coreia do Sul, Índia, Indonésia, México e Turquia. A União Europeia é o 20º membro.
G20: proposta de taxa bancária  em cima da mesa
Durante a reunião do G-20, sábado e domingo, em Toronto, serão discutidos projectos como a taxa bancária ou uma contribuição sobas as transacções financeiras. Reino Unido, França, Alemanha e EUA defendem a instauração de uma taxa sobre os bancos, mas o Canadá, a Federação Russa, a China, a Índia e a Austrália já manifestaram a sua oposição.
O Canadá, anfitrião da cimeira do Grupo das 20 maiores economias mundiais (G20), anunciou mesmo que pressionará por uma política de redução do défice e afirmou-se descrente na aprovação da taxa bancária proposta por países europeus.
O fórum, que reúne representantes dos 20 principais países ricos e países emergentes, irá dedicar-se à análise da saída da crise económica internacional, mas terá dificuldade em encontrar um consenso sobre o rumo a tomar.
O Canadá deu sinais sobre as medidas em que se irá empenhar para ver aprovadas, tendo o seu ministro federal das Finanças, Jim Flaherty, deixado já o aviso de que “é evidente que [da cimeira] não resultará uma solução que sirva a todos”. O governante canadiano afirmou ainda que “a questão número um na reforma financeira não é uma taxa bancária”. “Avançará uma taxa bancária global? Não. Porque a maioria dos países do G20 não a querem”, acrescentou.
Outros países apresentarão no G20 soluções diferentes, como o caso do presidente dos EUA, Barack Obama, que sublinha que caminho não deve sacrificar os pacotes de estímulo à economia e comprometer o crescimento, sob pena de se poder manter o ciclo recessivo.
Por sua vez, a União Europeia dá o enfoque ao seu plano de reforma do mercado financeiro seguir em frente.
Já antes de começar, a cimeira do G20 tem estado a ser alvo de um coro de protestos por parte de milhares de manifestantes que, desde a tarde de sexta-feira, percorreram ruas centrais na cidade de Toronto, chegando a aproximar-se do perímetro de alta segurança para o centro de congresso onde decorrerá a reunião. Os protestos são contra os gastos das cimeiras do G8 e do G20, que deverão custar cerca de mil milhões de euros às autoridades canadianas e reclamam maior combate à pobreza.
Num rascunho do comunicado do G8, a que a Reuters já teve acesso na reunião, é assinalado apoio a Seul, que pretende fazer avançar no Conselho de Segurança das Nações Unidas uma resolução contra o regime de Pyongyang (Coreia do Norte) pelo incidente com a corveta “Cheonan”, que causou a morte de 46 marinheiros em Março passado.
O G8, no mesmo documento, insta as lideranças do Irão a respeitarem os valores de Estado de Direito e liberdade de expressão – ecoando as recomendações do ano anterior.
No comunicado é ainda abordado o Afeganistão, com um apelo ao Governo de Hamid Karzai para que esteja pronto a mostrar aos aliados, na cimeira marcada para 1 de Julho em Cabul, que estão a ser feitos “progressos tangíveis” e ganhos de responsabilidade para uma maior segurança no país – um factor crucial para a planeada retirada das tropas norte-americanas, a partir de meados de 2011.
Os membros do G8 sublinham ainda a necessidade de uma mudança na situação do bloqueio israelita à Faixa de Gaza: “Não pode continuar e tem que ser mudada”, é dito.
ONU diz que ainda há muito a fazer na luta contra a pobreza
Mesmo com as crises alimentar e económica, que provocou sérios danos no emprego, o mundo está a avançar na concretização dos Objectivos de Desenvolvimento do Milénio (ODM). Mas esse progresso é lento e para que as metas sejam alcançadas até 2015 os países devem acentuar os seus esforços, indica um relatório das Nações Unidas.
O documento, divulgado esta semana, na véspera das cimeiras do G8 e do G20, indica que a pobreza extrema diminuiu, o combate a doenças como o HIV/sida e a malária tem dado frutos, o acesso a água potável aumentou e há avanços na escolarização básica, designadamente em África.
Só que noutras áreas críticas, como a saúde materna, a mortalidade infantil e o acesso a saneamento básico, é preciso percorrer um longo caminho para manter a esperança de alcançar os ODM - fixados há dez anos com a intenção de lutar contra a pobreza extrema e reduzir as suas consequências em domínios como a fome, a saúde e a educação.
 

Comunicado do Bloco de Esquerda sobre a Escola EB2,3 de Minde

Consulte no link abaixo:

Requerimento ao Secretário de Estado do Ambiente

Bloco requereu a vinda do Secretário de Estado do Ambiente

à AR para esclarecer funcionamento da ETAR de Alcanena

O deficiente funcionamento da Estação de Tratamento de Águas Residuais (ETAR) de Alcanena, com mais de 20 anos, tem sido extremamente penalizador para a qualidade de vida e saúde pública das populações deste concelho, além de ser responsável pela poluição de recursos hídricos e solos.

Esta ETAR, destinada a tratar os efluentes da indústria de curtumes, foi desde a sua origem mal concebida, a começar por se situar em leito de cheia. Desde então os problemas são conhecidos e persistem: maus cheiros intensos; incumprimento regular dos valores-limite estabelecidos para o azoto e CQO das descargas de efluente tratado em meio hídrico; célula de lamas não estabilizadas, com deficiente selagem e drenagem de lixiviados e biogás; redes de saneamento corroídas, com fugas de efluentes não tratados para o ambiente; saturação da ETAR devido a escoamento das águas pluviais ser feita nas redes de saneamento.

Desde há muito que estes problemas são conhecidos e nada justifica, ainda mais com todo o avanço tecnológico existente ao nível do funcionamento das ETAR, que se chegue ao final de 2010 com esta situação. E pior se compreende quando é o próprio Ministério do Ambiente a constatar que gastou ao longo dos anos cerca de 50 milhões de euros para tentar responder a estes problemas.

Em Junho de 2009 foi assinado um protocolo para a reabilitação do sistema de tratamento de águas residuais de Alcanena pela ARH Tejo, o INAG, a Câmara Municipal e a AUSTRA (gestora da ETAR), com investimentos na ordem dos 21 milhões de euros de comparticipação comunitária.

Este protocolo inclui cinco projectos, os mais importantes dos quais com prazo final apenas em 2013, o que significa arrastar os principais problemas identificados até esta data. Como os prazos de início dos estudos destes projectos já sofreram uma derrapagem, dúvidas se colocam sobre o cumprimento dos prazos estabelecidos, ainda mais quando não há certezas sobre a disponibilização de verbas nacionais para co-financiar os projectos, tendo em conta o contexto de contenção actual.

Considerando a gravidade dos problemas causados pela ETAR de Alcanena para as populações e o ambiente, o deputado José Gusmão e a deputada Rita Calvário do Bloco de Esquerda solicitam uma audiência com o Secretário de Estado do Ambiente, com a finalidade de obter esclarecimentos sobre os investimentos previstos para a reabilitação do sistema de tratamento, as soluções escolhidas, o cumprimento de prazos, e as garantias que os mesmos oferecem para resolver o passivo ambiental existente, os focos de contaminação dos recursos hídricos e solo, os maus cheiros e qualidade do ar respirado pelas populações deste concelho. Seria de todo útil que o presidente ou representantes da ARH-Tejo estivessem presentes nesta audiência.

Lisboa, 17 de Dezembro de 2010.

A Deputada O Deputado

Rita Calvário José Gusmão

Direito a não respirar “podre” – SIM ou NÃO?





No passado domingo, dia 12 de Dezembro, no Auditório Municipal de Alcanena, realizou-se uma conferência, dinamizada pelo Bloco de Esquerda, sobre a poluição em Alcanena.
Esta sessão reuniu um grupo de ‘preocupados’, que primeiramente ouviram as exposições de especialistas sobre o assunto e, no final, trocaram experiências e pontos de vista, baseados na própria vivência, bem como em conhecimentos técnicos e científicos.
Ficou bem patente que se trata de um grave problema de há muito sentido, mas também desvalorizado, do qual até ao momento não se conhecem as verdadeiras implicações para a saúde pública, mas que transtorna a vida de todos os que vivem e trabalham no concelho, tornando desagradável e doentio o seu dia a dia.
Ficou também claro que o Bloco de Esquerda, aliado desta causa, não abandonará a luta, que será levada até onde os direitos das pessoas o exigirem.

Comunicado de Imprensa

Leia em baixo o Comunicado de Imprensa de 3 de Dezembro do Bloco de Esquerda em Alcanena.

Clique aqui para ler

Reclamamos o DIREITO A RESPIRAR

Bloco de Esquerda continua na senda de uma solução para o grave problema de poluição ambiental em Alcanena



Na passada sexta-feira, dia doze de Novembro, uma delegação, composta pelo Deputado do Bloco de Esquerda pelo Distrito de Santarém, José Gusmão, e mais dois elementos do Bloco, foi recebida pela administração da Austra, no sentido de esclarecer alguns pontos relativos ao funcionamento da ETAR e à poluição que de há muito tem afectado Alcanena, com acrescida intensidade nos últimos tempos.

O Bloco de Esquerda apresentou já um requerimento ao Ministério do Ambiente, aguardando resposta.

Após a reunião com a administração da Austra, realizou-se na Sede do Bloco em Alcanena uma Conferência de Imprensa para fazer o ponto da situação.

Da auscultação da Austra, ficou claro para o Bloco de Esquerda que a ETAR de Alcanena não reúne as condições minimamente exigíveis, quer do ponto de vista do cumprimento da lei, quer da garantia de índices de qualidade do ar compatíveis com a saúde pública e o bem estar das populações.

A delegação do Bloco de Esquerda obteve do presidente da Austra o compromisso da realização de operações de monitorização da qualidade do ar em Alcanena, a realizar o mais tardar em Janeiro. De qualquer forma, o Bloco de Esquerda envidará esforços para que essa monitorização ocorra de forma imediata.

Embora existam planos para a total requalificação dos sistemas de despoluição, registamos com preocupação a incerteza sobre os financiamentos, quer nacional quer comunitário. O Bloco de Esquerda opor-se-á a que estes investimentos possam ser comprometidos por restrições orçamentais, e exigirá junto do Governo garantias a este respeito.

A participação popular foi e continuará a ser um factor decisivo para o acompanhamento e controlo da efectiva resolução do problema da qualidade do ar em Alcanena.

No âmbito da visita do Deputado do Bloco de Esquerda, José Gusmão, ao Concelho de Alcanena, realizou-se um jantar-convívio no Restaurante Mula Russa em Alcanena, ocasião também aproveitada para dialogar sobre assuntos inerentes ao Concelho. Mais tarde, José Gusmão, conviveu com um grupo de jovens simpatizantes num bar deste concelho.

No sábado, dia treze de Novembro, José Gusmão e outros elementos do Bloco de Esquerda estiveram em Minde, no Mercado Municipal, distribuindo jornais do Bloco, ouvindo e conversando com as pessoas.

Neste mesmo dia, junto ao Intermarché de Alcanena, José Gusmão contactou com as pessoas e entregou jornais do Bloco de Esquerda.

Num almoço realizado em Minde, no Restaurante Vedor, com um grupo de aderentes e simpatizantes do Bloco, houve mais uma vez oportunidade para ouvir opiniões, experiências e expectativas, bem como de exprimir pontos de vista.

O Bloco de Esquerda continuará a luta por um direito que parece ser inerente à própria condição humana, mas que vem sendo negado às pessoas que vivem e trabalham em Alcanena – o direito de respirar ar “respirável” e de não ser posta em causa a sua saúde.


A Coordenadora do Bloco de Esquerda de Alcanena

Poluição em Alcanena: Requerimento à Assembleia da República

Pessoas esclarecidas conhecem o seu direito de respirar ar puro e lutam pela sua reconquista já que alguns até isto usurparam.

O Bloco de Esquerda encetou a luta pela despoluição de Alcanena na legislatura anterior e continuará a manifestar-se e a rebelar-se contra esta desagradável e injusta situação até que no nosso concelho possamos respirar de novo.


Veja aqui Requerimento apresentado pelo BE quanto à questão da poluição em Alcanena

Carta à AUSTRA

Carta entregue pelo grupo de cidadãos "Chega de mau cheiro em Alcanena" ao Presidente da Austra e Presidente da Câmara Municipal de Alcanena

INAUGURAÇÃO DA SEDE DO BLOCO DE ESQUERDA EM ALCANENA

Francisco Louçã inaugurou no passado domingo, dia 31 de Outubro, a Sede do Bloco de Esquerda em Alcanena. Na inauguração esteve também representada a Coordenação Distrital do Partido; estiveram presentes aderentes e convidados. Esta ocasião especial foi uma oportunidade de convívio, acompanhada de um pequeno beberete.
Francisco Louçã falou, como sempre, de forma clara e apelativa, abordando a actual situação crítica do país,apontando as razões, propondo alternativas e caminhos.
Baseando-se no Socialismo Democrático, o Bloco de Esquerda tem sido sempre activo na defesa dos valores da verdadeira Democracia, e propõe-se continuar essa luta. Esta nova Sede é mais um ponto de encontro, de trabalho, de partilha de pontos de vista e de tomada de iniciativas, possibilitando que se ouçam as vozes de todas as pessoas e transmitindo os seus problemas e expectativas.
Trata-se de um pequeno espaço, que representa uma grande vontade de mudança e que espera contar com a presença de todos os que partilhem os ideais de um concelho mais próspero, de uma sociedade mais justa e equilibrada, de um país realmente mais avançado.